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Poesia

Ode à Timidez

Ouvir com cuidado é mais difícil que falar de si. Sustentar os olhos nos olhos, jogo disputado entre o ilimitado e infinito, é mais difícil que desviar o olhar. Dizer-se de si mesmo é mais difícil do que dizer de outras pessoas e coisas. Perder-se nos meandros dos sonhos próprios é mais fácil que erigir […]

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Uma fada de luz me levou para passear

O Céu foi o Protagonista do nosso Sonho hedonista. Rasgou Respiração, Morangos, Cometas, e o tapete de Grama abrigando nossas Cabeças. Eternizou Hora, Minuto, Segundo ouvindo à Orquestra do Mundo e Nós Regentes e Músicos das Notas, dos Tons, Dilúvio. A Natureza é avessa à Beleza pouca Chove a quantidade certa para cada Boca A Terra […]

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O poeta: esse transigente

O poeta enxerta caos e desconforto num mundo sacramentado pelo confortável. Combate as metralhadoras e granadas com riso e afeição. Faz sentir a beleza do perdão e do reencontro. Confere grandeza eloquente às minudências. Enfeita os tapetes vermelhos, cinzas e dourados por onde tu tens que passar. Recolhe e reconhece as pétalas da roseira porque […]

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O Herói se dá na ausência

– Isso tudo é questão de molde, dessa grande máquina do tempo, que imprime o verbo regular que não cessa de nos furtar de nós. O que faço? Me pergunta! – Sou curandeiro dando passes. – Sou vilão do nordeste do meu quarto – Sou jogador que ouve a tia derrota dizer que a mãe […]

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A Árvore da Iquiririm

São Paulo, dia 06 de Dezembro de 2009. (Reencontrada hoje, 2014) De um lado ao outro sozinho, lado outro. Uma janela que faz penetrar universos, aqui, numa caixinha de 30 metros quadrados. É tão difícil não se tornar os que passam desolados pela janela. É tão difícil retirar o olhar pálido que a janela não […]

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A Morte passou para dizer olá, mas acabou ficando

São Paulo, 06 de Dezembro de 2009. (Texto reencontrado no dia de hoje, 2014) Juro que não a convidei. Mesmo assim naquele dia fatídico ela meteu o pé na minha porta e entrou majestosa. Vi seu rosto fétido, já a conhecia, era a morte. Ironizando-me de soslaio foi se aproximando de mim. Cada milímetro mais […]

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Credo, David Bevington

David Martin Bevington (13/05/1931) é um estudioso de Shakespeare, Professor Emérito em Humanidades, Língua Inglesa e Literatura, Literatura Comparada na Universidade de Chicago. Ele é considerado “Um dos mais eruditos e devotados entre os shakespearianos”, por Harold Bloom. Bevington permanece como o único estudioso vivo ao editar pessoalmente o corpus completo de Shakespeare. Apresentamos a […]

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Introdução a Bem Está o que Bem Acaba de Shakespeare

          Bem Está o que Bem Acaba pertence ao período da vida criativa de Shakespeare o qual ele se concentrou em suas grandes tragédias e escreveu pouca comédia. As raras exceções aparentes não encaixam-se facilmente nos gêneros dramáticos convencionais. Medida por Medida (1603-1604), usualmente chamada de peça problema, está sombriamente preocupada […]

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Oração ao Brasil

Te vejo da perspectiva estreita de um dos teus, terra violenta. Mercadoria traficada, oásis do sul os teus guetos, vielas, o céu azul Fardados cobrem ruas anti-manifestação enquanto carentes, usuários, infestação é regra encravada em seu coração. Brasil reage, vai, deixa a ladroagem a ambição; rega teus filhos sedentos não de pão, mas de necessária […]

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Fuga em Dó Menor

Quem me dera eu fosse a carteira branca da escola onde debruçou-se a criança de outrora, hoje senhora, mestra das horas, foice, do tempo transcorrido, professora de antanho do sonho, dos gritos Quem me dera eu fosse nas revoluções incontidas a anti-barricada nas linhas Clamando às vozes foscas Quem me dera ser o ornamento, relicário da joia, campanário Que enfeita […]

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Introdução à Medida por Medida de Shakespeare

          “Uma Peça chamada Medida por Medida” por “Shaxberd” foi apresentada na corte, para o novo Rei James I, pelos “atores de sua Majestade” em 26 de Dezembro de 1604. Provavelmente ela foi composta naquele mesmo ano, ou no final de 1603. A peça data do clímax do período trágico de […]

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Introdução a Tróilo e Créssida de Shakespeare

          Shakespeare deve ter tido alguns relativos fracassos no teatro, assim como enormes sucessos. Tróilo e Créssida parece ter sido um relativo fracasso, ao menos no palco, em sua forma original. Como veremos, é questionável se ela chegou a ser produzida. É uma peça amarga sobre uma guerra inconclusiva e um […]

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Devaneios de Dom Juan

À Memória de Hilda Hilst. A tarde de inverno despenca. Odores de maracujás silvestres somam-se à sombra de um manacá em flor. Tudo está imerso naquela névoa de sordidez que aturde. Um bebê chora a infância enfiada na passagem do tempo. Rápidas as andorinhas anunciam a transição tênue dos tons avermelhados do sol que se põe. […]

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Mulher Fenomenal, Maya Angelou

Belas mulheres se perguntam onde meu segredo se encontra. Não sou doce ou feita para me encaixar no tamanho de uma modelo Mas quando começo a dizê-las, Elas pensam que digo mentiras. Eu digo, Está no alcance dos meus braços, Na largura do meu quadril, No avanço do meu passo, Na espiral dos meus lábios. […]

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Os personagens do bairro escapam pelos poros

– E se essas nuvens, mosaicos de pérolas tão dinâmicas em seu ventar, e se elas trouxerem em seus seios belos as cantigas das infâncias? – E para que? – Para nos embalar em nosso orvalhar pela relva. – E os agrotóxicos? – Levantemo-nos, rijos, hirtos! contra os obstáculos! – Para chegar onde? – Não […]

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Ao Muito Antigo (Auld Lang Syne)

A uma Mestra Escoteira, Mãe e Amiga, que sabe regar a semente da bondade nos corações alheios, convocando o desabrochar da manhã da alegria. Poema de Robert Burns de 1788, baseado na versão contida em The Norton Anthology of English Literature. Optei por manter a prosódia sempre que possível. “Devem antigos conhecidos serem esquecidos, E nunca trazidos às mentes? Devem […]

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O Matrimônio do Paraíso e Inferno, William Blake

Tradução baseada no The Norton Anthology of English Literature, Fourth Edition. Notas no prelo.           A mais acessível das obras longas de Blake, é um vigoroso, deliberadamente escandaloso, às vezes cômico, ataque contra os timidamente convencionais e arrogantes membros da sociedade, assim como contra muitas das opiniões no repertório da piedade e […]

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Poesia que de tão brasileira é rueira

Se em ti me perco em suas nuances é a força do olhar marrom cortante Se em ti me vejo um sorriso de soslaio atiça o desejo de ser meu contrário Na pradaria da tua Alma banhar-me a revelia, cantar-te no coro do dia Na efusão da luz branca sugar as cores todas e distribuí-las […]

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“Gênio”, Arthur Rimbaud

Para a musa que entorpece a luz que invade meus olhos, reluzindo o arco-íris da aliança cósmica entre humanos e deuses. Para os amigos de ontem e hoje, mar primordial daquilo que somos. Gênio Ele é afeição e o presente pois ele abriu a casa para a espuma do inverno e ao rumor do verão, […]

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Redemoinho de Letrinhas

A erupção da palavra, ou a chuva fina da inspiração transmutada milagrosamente em traços, requer condições climáticas perfeitas. Ouvir os gritinhos da pluralidade de eros, o elo perdido entre a biologia e a palavra, vozes latentes que esperam por breves momentos de explosão, ao bater de uma brisa numa tarde qualquer. A experiência traduzida num texto, fenômeno de destilação, separação […]