Introdução Às Alegres Comadres de Windsor

            De acordo com uma antiga tradição do século dezoito, Shakespeare compôs As Alegres Comadres de Windsor por ordem da Rainha Elizabeth. John Dennis, um crítico e dramaturgo, afirma em 1702 que a Rainha “estava tão ansiosa para vê-la interpretada, que ela comandou que a peça ficasse pronta em catorze dias.” O editor Nicholas Rowe [...]

Introdução a Muito Barulho por Nada

            Muito Barulho por Nada pertence ao grupo das comédias românticas mais maduras de Shakespeare, conectada com obras similares, que incluem também Como Gostais e Noite de Reis (com o subtítulo O Que Você Quiser). Todas datam do período que vai de 1598 a 1600. Essas peças são a culminação da verve exuberante, filosófica e [...]

Introdução a O Mercador de Veneza

            Apesar de Shylock ser o mais proeminente personagem de O Mercador de Veneza, ele não toma parte nem do início nem do final da peça. E, embora o título da peça pareça sugerir que ele é o “Mercador” de Veneza, Shylock é, estritamente falando, um agiota cuja usura é retratada como o próprio oposto [...]

Nas crateras da mineração de Seu Alfredo revelam-se mundos oníricos

          Com mais ou menos quinze anos, Seu Alfredo, ao percorrer os túneis esburacados da montanha desmoronada de si mesmo, descobriu um lugar festivo, de fauna e flora completamente peculiares.  Sempre que a dureza da materialidade das coisas, ou a inconstância contida no olhar cansado de alguém lhe constrangia, Seu Alfredo voltava-se sorrateiro para esse Jardim [...]

Introdução a Sonho de uma Noite de Verão

          Uma das muitas realizações surpreendentes de Sonho de uma Noite de Verão (cerca de 1594-1595) é seu desenvolvimento da ideia central do amor como uma jornada imaginativa, de um mundo de conflito social a um mundo de fantasia criado pelo artista, terminando com o retorno à realidade que foi parcialmente [...]

Dia de Pescaria de Seu Alfredo ou A plateia de Tilápias

Amarrava às tralhas na Belina 75 e pensava - "fundar os nexos para os que ouvem; entreter uma plateia com uma fatia risonha do meu tempo." Engarrafado no fluxo de cores, cheiros e movimentos, Seu Alfredo desviava do trânsito que ora parecia constituído de carros, ora de cápsulas de energias radiantes, prisma incontido de luz matinal. [...]

Introdução a A Megera Domada

            A Megera Domada (cerca de 1592-1594) mostra o gênio cômico de Shakespeare no seu melhor. Ao mesmo tempo, ela compartilha com as peças anteriores uma antecipação das direções que seu gênio irá tomar em Muito Barulho por Nada e outras comédias do final de 1590. Ao habilidosamente justapor dois enredos e uma introdução, ou [...]

Opereta a Seu Alfredo Diviaggi ou o Despertar do Aquífero Guarani

Seu Alfredo sempre dizia que escrever é: "a grafia do ser, enfiada goela abaixo da vida". Arquitetava cada parágrafo da sua profissão com ousadia e uma caótica organização. Gostava, e, principalmente, era pago, para escrever em revistas e jornais, material suficiente para a produção de um livro a cada seis meses.         [...]

Introdução a Os Dois Cavalheiros de Verona

          Se por “comédia romântica” exprimimos uma história de amor na qual os amantes superam os obstáculos colocados pelos seus pais, ciúmes, separações e perigos para serem finalmente unidos na felicidade do casamento, então Os Dois Cavalheiros de Verona é, talvez, a primeira de Shakespeare. Apesar de A Comédia dos Erros [...]

Introdução a Trabalhos de Amor Perdidos de Shakespeare

            Da mesma maneira que A Comédia dos Erros é o aprendizado de Shakespeare em Plauto e na comédia neoclássica, Trabalhos de Amor Perdidos é seu aprendizado em relação ao elegante drama de John Lyly dos anos 1580, ao baile de máscara da corte, e às convenções da poesia lírica de Petrarca. A peça utiliza [...]

Chora, minha retroescavadeira em obras

O escritor esforçava-se para arrancar sentidos cruciais de uma mera folha em branco. Farfalhavam as quaresmeiras entoando cantigas de seitas desconhecidas. Relembrava dos indígenas ancestrais que ali viveram, venceram e pereceram. O amor desde cedo fazia sua função básica de entorpecer cada gotícula das sensações humanas. Invadido pelos rituais de outrora, podia comunicar-se com a energia [...]

I don´t want to say this in English ou O Ocaso dos Tizius.

Pensar em outra língua, obnoxious invasion of my lake, my ocean. I don´t want to say this in Português Irmãos na Língua: congregai! knowledge and capacity to build the wall of justice I don´t want to say isso em Português Deixa o fardo triste, levanta! There is a world, we wanna engraft peace in everyone like [...]

Introdução a A Comédia dos Erros de Shakespeare

            A Comédia dos Erros é uma ótima ilustração do “aprendizado” de Shakespeare na comédia. Ela imita mais a comédia clássica, especialmente Plauto, do que a obra madura de Shakespeare. Seu humor verbal, incluindo piadas escatológicas sobre gases, os desbocados chistes sobre chifres, e os diálogos abertamente ingênuos (como em 2.2), são, às vezes, adolescentes. [...]

Aqui há um poço artesiano com dentes afiados

Exorcizar o fracasso acumulado Vomitar a fel desse céu fustigado Reconhecer o nada a embalar esta cantiga A maldade absurda a enublar toda a vida. Fazer do ócio a profissão perante o ódio de plantão O fruto podre na compota há tanto doce que enoja. Alcançar metas ridículas a longo prazo Ser a seta, horizonte, do próprio ocaso [...]

Aqui Termina Nosso Jogo – Ideias de Encerramento nas Peças Tardias

Tradução do Sétimo Capítulo de: As Ideias de Shakespeare, Mais Coisas entre Céu e a Terra, David Bevington, 2008. 7 Aqui Termina Nosso Jogo Ideias de Encerramento nas Peças Tardias             Ou Shakespeare estava consciente ao modelar um projeto global a sua carreira de dramaturgo e poeta, ou o intenso escrutínio crítico de séculos encontrou tal [...]