Introdução À Primeira Parte de Rei Henrique IV

            A abertura de Henrique IV é tensa e grave em tom. A Inglaterra está “abalada” e “pálida pelas preocupações.” As dificuldades de Ricardo II, as quais a presente peça (cerca de 1596-1597) é uma rigorosa sequência, não foram deixadas para trás. Não importando o quanto o Rei Henrique optasse por unir seus compatriotas contra [...]

Seu Alfredo a revirar as latas das emoções contidas numa esquina

Viver é uma mão a tecer Um fio dourado num tear Contínuo cometa a esquecer Para cada vez mais lembrar   Seu Alfredo a esquadrinhar às arestas da multitude Uma mina que jorra o tesouro úmido ancestral A distribuir às máscaras à carente juventude Apenas outro homem que só não quer ser igual   Ancião [...]

Introdução À Tragédia do Rei Ricardo Segundo

            Ricardo II (cerca de 1695-1596) é a primeira peça da grande saga histórica de quatro peças, ou tetralogia, que continua com as duas partes de Henrique IV (cerca de 1596-1598) e conclui-se com Henrique V (1599). Nessa segunda tetralogia, Shakespeare dramatiza o início do grande conflito chamado de Guerra das Rosas, tendo já dramatizado [...]

Brevíssima Ode a Sebastião Salgado

Se os olhos de Sebastião piscaram diante das carências e sucessos, das vivências e dos excessos? Com certeza visitaram o celeiro das contradições a brotar do peito e que, tecnicamente capturadas, eternizam-se (estátua de mármore encarnada).  Sua obra coleciona várias das rasuras no grande texto da História do Século XX, porém defende com todo o custo uma fagulha de [...]

Introdução à Tragédia do Rei Ricardo Terceiro

            O fascinante governante maléfico que nomeia Ricardo III já apareceu na terceira parte de Henrique VI, na sequência de quatro peças que formam a primeira incursão de Shakespeare na história Inglesa. No último episódio dessa tetralogia, Ricardo, Duque de Gloucester, encontra-se totalmente revelado como o gênio maligno da prolongada crise da guerra civil da [...]

Introdução à Terceira Parte de Rei Henrique VI

            Henrique VI, Parte III, deve ser considerada não apenas como parte da primeira série de quatro peças históricas de Shakespeare, mas também como uma peça por si só, presumidamente vista pela primeira vez por uma plateia Elisabetana que, apesar de cônscia de um contexto mais amplo, testemunhou essa ação dramática como um evento independente. [...]

Introdução À Segunda Parte de Rei Henrique VI

          Henrique VI, Parte Dois é, ao mesmo tempo, uma continuação da narrativa histórica iniciada em 1 Henrique VI (baseado nas mesmas crônicas fontes) e uma peça independente, que deve ter sido representada em uma ocasião separada no teatro de Shakespeare. Como a segunda peça de uma série de quatro, ela [...]

Introdução À Primeira Parte de Rei Henrique VI

            Durante a maior parte do século XV, a Inglaterra sofreu a devastação da guerra civil. Dos longos conflitos entre os Lancastres e os Yorkistas, a chamada Guerra das Rosas, o país emergiu, em 1485, abalado mas finalmente unido sobre o forte governo dos Tudors. Para os Elisabetanos, esse período de guerra civil era, ainda, [...]

Introdução à Noite de Reis; ou, O Que Você Quiser

            Noite de Reis é, possivelmente, a última das três comédias festivas, incluindo Muito Barulho por Nada e Como Quiserem, com as quais Shakespeare atingiu o clímax do estilo distintamente filosófico e alegre da escrita cômica. Interpretada em 2 de Fevereiro de 1602, no Templo do Meio, e escrita possivelmente ainda em 1599, Noite de [...]

Seu Alfredo, um combatente camuflado nessa Floresta Amazônica

-"Fecha um olho. Prende a respiração. Foca. Atira!"     Ser membro inexorável da Família Diviaggi implicava correr alguns riscos, fracassar em muitas áreas, nobreza medieval em pleno Século XXI, mas, mais importante de tudo, era necessário saber atirar. Os meus tios falavam disso como assunto de estado, como se o tiro fosse o carro de [...]

Introdução a Como Quiserem

            Como Quiserem representa, juntamente com Muito Barulho por Nada e Noite de Reis, a conclusão das realizações de Shakespeare na comédia feliz e festiva durante os anos 1598-1601. Como Quiserem contém vários motivos encontrados em outras comédias Shakespearianas: a jornada de uma corte exausta a um ambiente silvestre transformador e de volta a uma [...]

“Letras Póstumas”, Reportagem do Correspondente Alfredo Diviaggi para o Jornal Morto

Idos de 1969: Quando a estranha brisa chegar o futuro descalço vier me buscar Aqui estará alguém esperando Uma tocha de si inflamando Cubra-me com sua sutileza Partiu o barco da tristeza Deixo frases e uma lembrança Um brinquedo gasto de criança Lá pelas tantas de 1980: Morri a seu lado, sem dores Lobo a [...]

Introdução Às Alegres Comadres de Windsor

            De acordo com uma antiga tradição do século dezoito, Shakespeare compôs As Alegres Comadres de Windsor por ordem da Rainha Elizabeth. John Dennis, um crítico e dramaturgo, afirma em 1702 que a Rainha “estava tão ansiosa para vê-la interpretada, que ela comandou que a peça ficasse pronta em catorze dias.” O editor Nicholas Rowe [...]

Introdução a Muito Barulho por Nada

            Muito Barulho por Nada pertence ao grupo das comédias românticas mais maduras de Shakespeare, conectada com obras similares, que incluem também Como Gostais e Noite de Reis (com o subtítulo O Que Você Quiser). Todas datam do período que vai de 1598 a 1600. Essas peças são a culminação da verve exuberante, filosófica e [...]

Introdução a O Mercador de Veneza

            Apesar de Shylock ser o mais proeminente personagem de O Mercador de Veneza, ele não toma parte nem do início nem do final da peça. E, embora o título da peça pareça sugerir que ele é o “Mercador” de Veneza, Shylock é, estritamente falando, um agiota cuja usura é retratada como o próprio oposto [...]

Nas crateras da mineração de Seu Alfredo revelam-se mundos oníricos

          Com mais ou menos quinze anos, Seu Alfredo, ao percorrer os túneis esburacados da montanha desmoronada de si mesmo, descobriu um lugar festivo, de fauna e flora completamente peculiares.  Sempre que a dureza da materialidade das coisas, ou a inconstância contida no olhar cansado de alguém lhe constrangia, Seu Alfredo voltava-se sorrateiro para esse Jardim [...]

Introdução a Sonho de uma Noite de Verão

          Uma das muitas realizações surpreendentes de Sonho de uma Noite de Verão (cerca de 1594-1595) é seu desenvolvimento da ideia central do amor como uma jornada imaginativa, de um mundo de conflito social a um mundo de fantasia criado pelo artista, terminando com o retorno à realidade que foi parcialmente [...]

Dia de Pescaria de Seu Alfredo ou A plateia de Tilápias

Amarrava às tralhas na Belina 75 e pensava - "fundar os nexos para os que ouvem; entreter uma plateia com uma fatia risonha do meu tempo." Engarrafado no fluxo de cores, cheiros e movimentos, Seu Alfredo desviava do trânsito que ora parecia constituído de carros, ora de cápsulas de energias radiantes, prisma incontido de luz matinal. [...]