Introdução a O Conto do Inverno

            O Conto do Inverno (cerca de 1609-1611), com sua divisão quase simétrica em duas metades, de tragédia sombria e romance cômico, ilustra, talvez, mais claramente que qualquer outra peça Shakespeariana, o gênero da tragicomédia. De fato, todos os romances tardios apresentam jornadas de separação, mortes aparentes e chorosas reconciliações. Marina e Thaísa em Péricles, [...]

Introdução a Cimbelino

            A notável combinação, em Cimbelino, de uma narrativa romântica com uma história quase real, nos encoraja à pensarmos na peça como uma fantasia genealógica sobre as origens britânicas. Ao escolher como cenário uma Bretanha antiga, a peça busca por uma identidade nacional através de uma redescoberta da história nacional. Para ser verdadeiramente bretã, a [...]

Introdução a Péricles

                Péricles é uma peça enganosamente simples. Apesar de ter sido popular em seu próprio tempo e, nos últimos anos, ter-se mostrada um sucesso profundamente tocante no palco, a peça pode parecer ingênua e trivial na página impressa. Sua aparente falta de profundidade parece especialmente surpreendente quando nós a comparamos com suas contemporâneas, Rei Lear, [...]

Introdução a Coriolano

            Coriolano pode ser a última tragédia de Shakespeare. Mesmo que a evidência externa de sua data real seja escassa, o estilo sugere um momento por volta de 1608. Se assim o é, a palavra final de Shakespeare sobre o destino trágico da humanidade é desiludida, irônica, quase anticlimática, similar a suas tragédias Romanas e [...]

Introdução a Antônio e Cleópatra

            Shakespeare provavelmente escreveu Antônio e Cleópatra em 1606 ou 1607; ela foi registrada para a publicação em 20 de Maio de 1608, e aparentemente influenciou uma revisão de Cleopatra de Samuel Daniel que foi publicada “novamente alterada” em 1607. Antônio e Cleópatra foi, assim, aproximadamente contemporânea de Rei Lear e Macbeth. Entretanto o contraste [...]

Introdução a Macbeth

            Macbeth é, aparentemente, a última das quatro grandes tragédias Shakespearianas - Hamlet (cerca de 1599-1601), Otelo (cerca de 1603-1604), Rei Lear (1605-1606) e Macbeth (cerca de 1606-1607) - que examinam as dimensões do mal espiritual, diferentemente do conflito político das tragédias Romanas tais como Júlio César, Antônio e Cleópatra e Coriolano. Se Shakespeare teve [...]

Introdução a Rei Lear

            Em Rei Lear Shakespeare eleva ao limite a hipótese de um universo maligno ou indiferente no qual a vida humana é insignificante e brutal. Poucas peças exceto Hamlet e Macbeth aproximam-se de Rei Lear ao evocar a desventura da existência humana, e mesmo elas não podem disputar com o espetáculo devastador do Conde de Gloucester [...]

Introdução a Otelo, o Mouro de Veneza

            Otelo difere em vários aspectos das outras três tragédias principais de Shakespeare com as quais é geralmente comparada. Escrita aparentemente no momento de sua performance na corte pelos Homens do Rei (a companhia de atuação de Shakespeare) em 1 de Novembro de 1604, depois de Hamlet (cerca de 1599-1601) e antes de Rei Lear [...]

Introdução a Hamlet, Príncipe da Dinamarca

          Um motivo recorrente em Hamlet é o de um aparente exterior saudável ocultando uma doença interior. A mera pretensão de virtude, como Hamlet adverte sua mãe, “seria um bálsamo nas úlceras, / Enquanto a corrupção te vai minando, / Invisível, cruel” (3.4.154-6). Polônio confessa, quando está prestes a usar sua [...]

Mestre de si mesmo

Não se lembra? Quantas vezes falamos sobre isso? E por quantas vidas sabemos de verdades cruciais? Nós que lemos os Gênesis aos pés de tantas crianças, Que recitamos Shakespeare em belos teatros mentais, Que clamamos às linhas de frente de tantas revoluções! Essas letras que escreveram-se tantas vezes! Essa história recontada, conto de fadas erótico! [...]

Introdução a Júlio César

            Júlio César encontra-se no ponto médio da carreira dramática de Shakespeare, em uma conjuntura crítica. Em parte, ela é um epílogo as suas peças de história Inglesa dos anos 1590; por outro lado, ela introduz o período das grandes tragédias. A peça evidentemente foi interpretada pela primeira vez no novo teatro Globe no outono [...]

Tradução do Tractatus Coislinianus para o Português

A poesia é (I) não-mimética ou (II) mimética. (I) A poesia não-mimética divide-se em (A) histórica, (B) instrutiva. (B) A poesia instrutiva é dividida em (1) didática, (2) teorética.           (II) A poesia mimética divide-se em (A) narrativa, (B) dramática e [diretamente] apresentando a ação. (B) A poesia dramática, ou que [...]

Introdução a Romeu e Julieta

            Apesar de ser uma tragédia, Romeu e Julieta é, de várias maneiras, mais intimamente comparável às comédias românticas de Shakespeare e seus primeiros escritos do que com suas tragédias posteriores. Estilisticamente pertencendo aos anos 1594-1596, ela está no filão lírico dos sonetos e de Sonho de uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza [...]

Lua Azul

Aqui, de frente às águas tuas, ó Mãe das esperanças cruas, ó Luz a percorrer os sorrisos, um farol da praia do céu a guiar os destinos. Seu ciclo épico permanente, a outra metade da face oculta, símbolo da saudade da gente, de onde o marulho das ondas oriunda. Solta as rédeas dos sentidos, conduz cada [...]

Introdução a Tito Andrônico

            Apesar de Tito Andrônico ter sido distinguida por alguns críticos como indigna do gênio de Shakespeare - T. S. Eliot chamou-a “uma das peças mais estúpidas e sem inspiração já escrita” - a recente história da performance mostra que Tito pode ser brilhantemente bem-sucedida com as plateias. Em sua produção memorável em Stratford-upon-Avon em [...]

Introdução À Vida do Rei Henrique VIII

            Não importa o quanto gostemos de pensar A Tempestade (cerca de 1610-1611) como a despedida de Shakespeare de sua arte, celebrando sua aposentadoria em Stratford em 1611 ou 1612, sua carreira ainda não estava, de fato, terminada. A Famosa História da Vida do Rei Henrique Oitavo foi interpretada pelos homens do Rei, a companhia [...]

Introdução À Vida do Rei Henrique V

            Henrique V (1599) é a expressão culminante de Shakespeare no gênero da peça de história Inglesa. Diferentemente da última e atípica Henrique VIII (1613), que é separada das outras peças histórias de Shakespeare em torno de catorze anos, Henrique V resume os temas históricos com os quais Shakespeare esteve fascinado por toda uma década. [...]

A minha Índia

Debaixo daquela araucária, canta o fogo-apagou às vezes és de onde venho, às vezes para onde vou Dança o filete de grama, implora um riso, um amor Inundado de certezas, não há resquícios de dor Debaixo daquela araucária, canta o fogo-apagou Convoca um novo tipo de sonho, o teu já voou Transmuta-te indígena, transmuta-te de [...]

Introdução À Segunda Parte de Rei Henrique IV

            Shakespeare escreveu 2 Henrique IV logo após 1 Henrique IV, talvez em 1597, em parte, sem dúvida, para capitalizar sobre o enorme sucesso teatral de Falstaff e em parte para finalizar a história da rejeição de Falstaff. Ao escrever 2 Henrique IV, Shakespeare utiliza materiais similares aqueles utilizados em 1 Henrique IV, notavelmente as [...]