A água transbordou, molhando esse papel

A água estrelada lavou as pretensões de grandeza, ai de mim se pudesse acompanhar a correnteza mas seu fluxo fugidio deixou esperanças, em gotículas adocicadas de mudanças O porco já comeu; o cavalo antigo também e eu acompanho-os num contínuo vai e vém, o fogo-apagou gorjeou numa janela outrora fechada, Serei contigo um só nessa madrugada. A […]

No limiar do Bhagavad-Gita

A adaptação do Mahabharata por Jean-Claude Carrière é de uma beleza exorbitante. No fronte da guerra total por começar há dois seres conversando, aos olhos atentos de dois exércitos, o guerreiro-perfeito Arjuna e o até então semi-deus Krishna. Arjuna pela primeira vez na vida hesita, ao reconhecer e sofrer as perdas de amigos e parentes, […]

Retrato de um amor enquanto jovem, que veio a óbito apesar do esforço sempre humano para poetisar a eternidade

Texto de 09/05/2008 Permaneceremos juntos… como a lua e suas criaturas como as lembranças e seus possuidores O que vivemos… É meu, seu, de todas as pessoas as quais compartilhamos nossos sorrisos, atos, tempo Porque somos cometas, que rajam o céu soturno que levam no seio do futuro o ontem e amam, vivem, lindos, bonita […]

Musiquinha

Erga-se e veja o sutil hino do amanhã Sê fiel à lírica molhada da romã Deite na cama eterna com manha Sinta o fluir do rio do passado Volte ao quintal da criança à roda gigante das emoções de carinho Tome o líquido do infinito que escorrega em ti e mim, ao desvanecer do que fomos. Carrega […]

A Fênix e a Pomba de Shakespeare

“A Fênix e a Pomba (Tartaruga)” apareceu pela primeira vez numa coleção de poemas chamada Love´s Martyr: Or, Rosalins Complaint de Robert Chester (1601). Esse volume em quarto apresentava vários exercícios poéticos sobre a fênix e a pomba “pelos melhores e principais de nossos escritores modernos”. O poema,  atribuído a Shakespeare, tem sido universalmente aceito como […]

São Paulo, Uma romã de romance. Por Rafael Arturo Bandini.

Apavora-me as tamanhas possibilidades que se me apresentam. Queria dar de ombros, deslocá-las como não tendo a ver comigo. O que me tange, é tão variável. O escopo abarca juras de amor ao léu à possibilidade bem concreta de fazer romances proféticos ou míticos que, sobretudo, me agradem. Você precisa se recompor, Rafael. Nós precisamos […]

Ode Amarelada

Paredes vivas, que não cercavam meus sonhos! Não as avisei? Escola fervilhante de tias-avós namoradeiras de outrora. Estás no chão! Ao chão caístes sem querer. Duas árvores raras cheirosas com flores amarelo-verdinhas de minha infância espinhosa. Onde estão? O leite colo de mãe da vó servido na temperatura certa. Onde estás? Soçobraram. Convosco, contigo, soçobro. […]