Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 2. Cap 10, OSHO

O Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 2

Capítulo #10

Título do Capítulo: A lei – antiga e inexaurível

10 de Julho de 1979 na Sala Buda

 

A primeira questão:

AMADO MESTRE,

POR FAVOR CONTE-NOS MAIS SOBRE O QUE VOCÊ QUER DIZER POR DIMENSÃO DA MÚSICA.

 

Yoga Chinmaya, a vida pode ser vivida de duas maneiras – ou como cálculo ou como poesia. O ser humano interior tem dois lados: o lado calculador que cria a ciência, o negócio, a política; e o lado não-calculador, que cria a poesia, a escultura, a música. Esses dois lados ainda não foram interconectados, eles têm existências separadas. Por causa disso o ser humano está imensamente empobrecido, permanece imensamente assimétrico – eles devem ser interconectados.

Na linguagem científica diz-se que o cérebro tem dois hemisférios. O hemisfério esquerdo calcula, é matemático, é prosa; e o hemisfério direito do cérebro é poesia, é amor, é música. E eles não estão realmente interconectados, por isso o ser humano vive em um tipo de separação.

O meu esforço aqui é interconectar esses dois hemisférios.

O ser humano deve ser tão científico quanto possível, no que tange ao mundo objetivo, e tão musical quanto possível, no que tange ao mundo do relacionamento.

Há dois mundos lá fora. Um é o mundo dos objetos: a casa, o dinheiro, os móveis. O outro é o mundo das pessoas: a esposa, o marido, a mãe, os filhos, os amigos. Com os objetos seja científico; nunca seja científico com as pessoas. Se você for científico com as pessoas você as reduz a objetos e esse é um dos maiores crimes que alguém pode cometer. Se você tratar a sua esposa apenas como um objeto, como um objeto sexual, então você está se comportando de uma maneira muito feia. Se você trata o seu marido apenas como um suporte financeiro, como um meio, então isso é imoral, então esse relacionamento é imoral – é prostituição, pura prostituição e nada mais.

Não trate as pessoas como meios, elas são fins em si mesmas. Relacione-se com elas – no amor, no respeito. Nunca as possua e nunca seja possuído por elas. Não seja dependente delas e não torne as pessoas ao seu redor dependentes. Não crie dependência de maneira alguma; permaneça independente e deixe-as permanecerem independentes.

Isso é música. Essa dimensão eu chamo de dimensão da música. E se você puder ser o mais científico quanto possível com os objetos, a sua vida será rica, afluente; se você puder ser o mais musical quanto possível, a sua vida terá beleza. E há também uma terceira dimensão, que está além da mente. Esses dois pertencem à mente: o cientista e o artista. Há uma terceira dimensão, invisível – a dimensão da não-mente. Essa pertence ao místico. Essa está disponível através da meditação.

Por isso eu falo que essas três palavras devem ser lembradas – três emes assim como os três erres (NT. Os três erres são as habilidades básicas ensinadas na escola, leitura, escrita e aritmética [reading, writing, arithmetic]): a matemática, a mais baixa; a música, justamente no meio; e a meditação, a mais elevada. Um ser humano perfeito é científico em relação aos objetos, é estético, musical e poético em relação às pessoas e é meditativo em relação a si próprio. Onde esses três se encontram, uma grande celebração acontece.

Esta é a trindade real, trimurti. No Oriente, particularmente na Índia, nós veneramos um local onde três rios se encontram – chamamo-lo sangham, o local de encontro. E o maior de todos é o de Preyag, onde o Ganges, o Jamuna e o Saraswati encontram-se. Ora, você pode ver o Ganges e você pode ver o Jamuna, mas o Saraswati é invisível – você não pode vê-lo. É uma metáfora! Ele simplesmente representa, simbolicamente, o encontro interior dos três. Você pode ver a matemática, pode ver a música, mas não pode ver a meditação. Você pode ver o cientista, o seu trabalho é externo. Você pode ver o artista, o seu trabalho também é externo. Mas você não pode ver o místico, o seu trabalho é subjetivo. Isso é Saraswati – o rio invisível.

Você pode tornar-se um local sagrado, você pode santificar esse corpo e essa Terra; esse próprio corpo o Buda, esta própria Terra o Paraíso do Lótus. Este é meu slogan para os sannyasins. Um sannyasin tem que ser a síntese última de tudo o que Deus é.

Deus é conhecido apenas quando você chega a essa síntese; caso contrário você pode acreditar em Deus, mas você não vai conhecer. E a crença está apenas escondendo a sua ignorância. Conhecer é transformar, apenas o conhecimento traz entendimento. E conhecimento não é informação: conhecimento é síntese, integração de todo o seu potencial.

Onde o cientista, o poeta e o místico encontram-se e tornam-se um – quando essa grande síntese ocorre, quando todas as três faces de Deus são expressas em você – você se torna um deus. Então você pode declarar, “aham brahmasmi! – Eu sou Deus!” Então você pode dizer aos ventos, à lua, às chuvas e ao sol, “ana’l haq! – Sou a verdade!” Antes disso, você é apenas uma semente.

Quando essa síntese ocorrer, você floresce, desabrocha – você tornou-se o lótus de mil pétalas, o lótus dourado, o lótus eterno, que nunca morre: AES DHAMMO SANANTANO. Esta é a lei inexaurível que todos os budas ensinaram ao longo das eras.

 

A segunda questão:

Questão 2

AMADO MESTRE,

NO OCIDENTE SOMOS TREINADOS COM O AFORISMO: NÃO ESTEJA SIMPLESMENTE AÍ – FAÇA ALGUMA COISA! ENTRETANTO, BUDA DIRIA: NÃO FAÇA ALGO – ESTEJA AÍ! O SER HUMANO INCONSCIENTE REAGE ENQUANTO O SÁBIO OBSERVA. MAS E A ESPONTANEIDADE? A ESPONTANEIDADE É COMPATÍVEL COM O OBSERVAR?

 

Buda certamente diz: Não faça algo – esteja aí! Mas isso é apenas o início da peregrinação, não o fim. Quando você aprendeu como estar, quando você aprendeu como ser totalmente silencioso, sem mover-se, sem perturbar-se, quando você sabe como sentar-se… sentando-se silenciosamente, sem fazer nada, a primavera vem e a grama cresce por si só. Mas a grama cresce, lembre-se!

A ação não desaparece: a grama cresce por si só. O Buda não se torna inativo; uma grande ação acontece através dele, embora não haja nenhum executor mais. O executor desaparece, a execução continua. E quando não há executor, o fazer é espontâneo; não poderia ser de outra forma. É o executor que não permite a espontaneidade.

O executor significa o ego, o ego significa o passado. Quando você age, você está sempre agindo através do passado, você está agindo a partir da experiência que acumulou, você está agindo a partir das conclusões que chegou no passado. Como você poderia ser espontâneo? O passado domina e, por causa do passado você não pode nem ver o presente. Os seus olhos estão tão cheios do passado, a fumaça do passado é tanta, que ver é impossível. Você não pode ver! Você está quase completamente cego – cego por causa da fumaça, cego por causa das conclusões do passado, cego por causa do conhecimento.

O ser humano instruído é o mais cego do mundo. Porque ele funciona a partir do seu conhecimento, ele não vê qual é o caso. Ele simplesmente segue funcionando mecanicamente. Ele aprendeu algo; tornou-se um mecanismo inerente a ele… ele age a partir do conhecimento.

 

Há uma história famosa:

Havia dois templos no Japão, ambos inimigos um do outro, como os templos sempre foram ao longo das eras. Os sacerdotes eram tão antagonistas que eles pararam até mesmo de olhar um para o outro. Se eles se cruzassem na rua, não se olhariam. Se eles se cruzassem na rua, paravam de falar; por séculos esses dois templos e seus sacerdotes não se falavam.

Mas ambos os sacerdotes tinham dois pequenos garotos – para servi-los, garotos de recados. Os dois sacerdotes temiam que os garotos, afinal, seriam garotos e começariam uma amizade.

O primeiro sacerdote disse ao seu garoto, “Lembre-se, o outro templo é nosso inimigo. Nunca fale com o garoto do outro templo! Eles são perigosos – evite-os como uma pessoa evita uma doença, como uma pessoa evita a peste. Evite-os!” O garoto estava sempre interessado, porque ele se cansava de ouvir aos grandes sermões – ele não os entendia. Escrituras estranhas eram lidas, ele não podia entender a linguagem. Grandes e extremos problemas eram discutidos. Não havia ninguém para brincar, não havia ninguém para falar. E quando disseram-no, “Não fale com o garoto do outro templo,” uma grande tentação surgiu nele. É assim que a tentação surge.

Naquele dia ele não pôde evitar falar com o outro garoto. Quando o viu na rua perguntou-lhe, “Onde você está indo?”

O outro garoto era um pouco filosófico; ouvindo a grande filosofia ele tinha se tornado filosófico. Ele disse, “Indo? Não há ninguém que vem e vai! Está ocorrendo – qualquer lugar que o vento me levar…” Ele ouviu o mestre dizer muitas vezes que é assim que um buda vive, como uma folha morta: qualquer lugar que o vento levá-lo, ele vai. Então o garoto disse, “Eu não existo! Não há nenhum executor. Então como eu poderia ir? Que disparate você está falando? Sou uma folha morta. Qualquer lugar que o vento me levar…”

O outro garoto ficou mudo. Ele não podia nem responder. Ele não podia encontrar nada para dizer. Ele estava realmente constrangido, envergonhado, e também sentiu, “O meu mestre estava certo em não falar com essas pessoas – elas são perigosas! Que tipo de conversa é essa? Eu fiz uma questão simples: ‘Onde você está indo?’ De fato, eu já sabia onde ele estava indo, porque estávamos ambos indo comprar vegetais no mercado. Uma resposta simples serviria.”

Ele voltou e contou ao seu mestre, “Perdoe-me, desculpe-me. Você me proibiu, eu não o ouvi. De fato, por causa da sua proibição eu fiquei tentado. Essa é a primeira vez que falei com aquelas pessoas perigosas. Eu fiz apenas uma questão simples. ‘Onde você está indo?’ e ele começou a dizer coisas estranhas: ‘Não existe o ir, nem o vir. Quem vem? Quem vai? Sou pura vacuidade,’ ele estava dizendo, ‘assim como uma folha morta ao vento. E qualquer lugar que o vento me levar…’”

O mestre disse, “Eu te falei antes! Agora, amanhã, fique no mesmo lugar e quando ele vier pergunte a ele, ‘Onde você está indo?’ E quando ele disser essas coisas, você simplesmente diz, ‘Isso é verdade. Sim, você é uma folha morta, e eu também. Mas quando o vento não está soprando, para onde você está indo? Então, para onde você pode ir?’ Apenas diga isso, e isso irá constrangê-lo, e ele tem que ficar constrangido, tem que ser derrotado. Constantemente nós discutimos, e aquelas pessoas nunca foram capazes de nos vencer em qualquer debate. Então amanhã tem que ser feito!”

O garoto acordou cedo, preparou a sua resposta, repetiu-a muitas vezes antes de ir. Então ele ficou no local onde o outro garoto costumava cruzar a rua, repetiu várias vezes, preparou-se, e então viu o garoto. Ele disse, “Ok, é agora!”

O garoto veio. Ele perguntou, “Onde você está indo?” E ele estava esperando que agora surgiria uma oportunidade…

Mas o garoto disse, “Para qualquer lugar que as pernas me levarem…” Nenhuma menção ao vento! Nada de vacuidade! Nenhuma questão em relação ao executor! Agora o que fazer? Toda a sua resposta pronta parecia absurda. Agora falar sobre o vento seria irrelevante.

Novamente cabisbaixo, agora realmente envergonhado porque ele foi simplesmente estúpido: “E esse garoto certamente sabe algumas coisas estranhas – agora ele diz, ‘Para qualquer lugar que as pernas me levarem…’”

Ele voltou para o mestre. O mestre disse, “Eu falei para você não falar com essas pessoas – elas são perigosas! Essa é nossa experiência de séculos. Mas agora algo deve ser feito. Então amanhã você pergunta novamente, ‘Onde você está indo?’ e quando ele disser, ‘Para qualquer lugar que as pernas me levarem,’ diga a ele, ‘Se você não tiver pernas, então?’ Ele tem que ser silenciado de uma maneira ou outra!”

Então no próximo dia ele perguntou novamente, “Onde você está indo?” e esperou.

E o garoto disse, “Estou indo ao mercado buscar vegetais.”

 

O ser humano funciona a partir do passado, e a vida segue mudando. A vida não tem nenhuma obrigação de adequar-se às suas conclusões. É por isso que a vida é tão confusa – confusa para a pessoa instruída. Ela tem todas as respostas prontas: O Bhagavadgita, o Alcorão sagrado, a Bíblia, os Vedas. Ela tem tudo abarrotado, ela sabe de todas as respostas. Mas a vida nunca faz a mesma questão duas vezes; por isso a pessoa instruída não alcança nunca.

Buda certamente diz: Saiba como sentar-se silenciosamente. Isso não significa que ele diz: Siga sentando-se silenciosamente para sempre. Ele não está dizendo que você tem que ficar inativo; pelo contrário, é apenas a partir do silêncio que a ação surge. Se você não estiver em silêncio, se você não sabe como sentar-se silenciosamente, ou ficar silenciosamente em meditação profunda, qualquer coisa que você fizer é reação, não ação. Você reage.

Alguém te insulta, aperta um botão, e você reage. Você está com raiva, você pula na pessoa – você chama isso de ação? Não é ação, note, é reação. Ele é o manipulador e você o manipulado. Ele apertou um botão e você funcionou como uma máquina. Assim como você aperta o botão e a luz acende, aperta o botão e a luz apaga – é isso o que as pessoas estão fazendo com você: elas te ligam e desligam.

Alguém vem e te elogia e infla o seu ego e você se sente muito grande; então alguém vem e o perfura e você cai totalmente ao chão. Você não é o seu próprio mestre: qualquer um pode insultá-lo e você tornar-se-á triste, bravo, irritado, aborrecido, violento, louco. E qualquer um pode te elogiar e fazê-lo sentir-se nas alturas, podem fazê-lo sentir que você é o melhor – que Alexandre o Grande não era nada comparado com você.

E você age de acordo com as manipulações dos outros. Isso não é ação real.

 

Buda estava passando por uma vila e as pessoas vieram e o insultaram. E elas utilizaram todas as palavras insultantes que podiam – todas as palavras de quatro letras que conheciam. Buda manteve-se ali, ouvindo silenciosamente, muito atentamente, e então falou, “Obrigado por virem até mim, mas estou com pressa. Tenho que chegar na outra vila, as pessoas estão esperando por mim lá. Não posso devotar mais tempo para vocês hoje, mas amanhã, voltando, eu terei mais tempo. Vocês podem se reunir novamente, e, amanhã, se sobrou algo que vocês queiram dizer e não foram capazes de dizer, vocês poderão dizê-lo para mim. Mas hoje, desculpem-me.”

Essas pessoas não podiam acreditar no que estavam ouvindo, vendo: esse homem permaneceu totalmente impassível, imperturbável. Alguém perguntou, “Você não nos ouviu? Estamos te agredindo verbalmente, e você nem mesmo respondeu!”

Buda disse, “Se vocês queriam uma resposta, vocês chegaram muito tarde. Vocês deveriam ter vindo há dez anos atrás, então eu teria respondido. Mas nesses dez anos eu parei de ser manipulado pelos outros. Não sou mais um escravo, sou meu próprio mestre. Eu ajo de acordo comigo mesmo, não de acordo com outrem. Eu ajo de acordo com a minha necessidade interior. Vocês não podem forçar-me a fazer nada. Está perfeitamente bem: vocês quiseram me agredir verbalmente, vocês me agrediram verbalmente! Sintam-se preenchidos. Vocês fizeram a sua obra perfeitamente bem. Mas em relação a mim, eu não recebo insultos e, a menos que eu os receba, eles são insignificantes.”

Quando alguém o insulta, você tem que tornar-se um receptor, você tem que aceitar o que ele diz; apenas então você pode reagir. Mas se você não aceitar, se você simplesmente permanecer desprendido, se você manter a distância, se você permanecer frio, o que ele pode fazer?

Buda disse, “Alguém pode jogar uma tocha incandescente no rio. Ela permanecerá acesa até atingir o rio. No momento em que ela toca o rio, todo o fogo se esvai – o rio a esfria. Tornei-me um rio. Vocês jogam agressões verbais em mim. Elas são fogo quando vocês as jogam em mim, mas no momento em que elas me atingem, atingem o meu frescor, seu fogo desaparece. Elas não machucam mais. Vocês jogam espinhos – caindo no meu silêncio eles se tornam flores. Ajo a partir da minha natureza intrínseca.”

 

Isso é espontaneidade. O ser humano de consciência, entendimento, age. O ser humano que está distraído, inconsciente, mecânico, robotizado, reage. 

Curtis, você me pergunta, “O ser humano inconsciente reage enquanto o sábio observa.” Não é que ele simplesmente observa – observar é um aspecto do seu ser. Ele não age sem observar. Mas não entenda o Buda mal. Os budas sempre foram mal-entendidos; você não foi o primeiro a mal-entender. Todo esse país mal-entendeu o Buda; por isso todo o país tornou-se preguiçoso, abominável; o país perdeu energia, vitalidade, vida. Ele tornou-se totalmente embotado, desinteligente, porque a inteligência é aperfeiçoada apenas quando você age.

E quando você age de momento a momento a partir da sua consciência e vigilância, uma grande inteligência surge. Você começa a brilhar, reluzir, você se torna luminoso. Mas isso aconteceu através de duas coisas: observação, e ação a partir desta observação. Se a observação tornar-se inação você está cometendo suicídio. A observação deve te levar para a ação, um novo tipo de ação; uma nova qualidade é trazida para a ação.

Você observa, você está totalmente quieto e silencioso. Você vê a situação, e a partir desta visão você responde. O ser humano vigilante responde, ele é responsável – literalmente! Ele é responsivo, ele não reage. A sua ação nasce da sua consciência, não a partir da manipulação de alguém; esta é a diferença. Por isso não há nenhuma incompatibilidade entre observar e a espontaneidade. Observar é o início da espontaneidade; a espontaneidade é a realização da observação.

O ser humano de entendimento real age – age tremendamente, age totalmente, mas age no momento, a partir da sua consciência. Ele é como um espelho. O ser humano ordinário, inconsciente, não é como um espelho, ele é como um filme fotográfico. Qual é a diferença entre um espelho e um filme fotográfico? Um filme fotográfico, uma vez exposto, torna-se inútil. Ele recebe a impressão, fica impressionado por ela – o filme fotográfico carrega a imagem. Mas lembre-se, a imagem não é a realidade – a realidade segue crescendo. Você pode ir ao jardim e tirar uma foto de uma roseira. Amanhã a figura será a mesma, no dia depois de amanhã a figura também será a mesma. Vá novamente à roseira: ela não é mais a mesma. As rosas se foram, ou novas rosas chegaram. Mil e uma coisas aconteceram.

 

Diz-se que certa vez um filósofo realista foi ver um pintor famoso, Picasso. O filósofo acreditava no realismo e ele foi até lá para criticar Picasso porque as suas pinturas eram abstratas, elas não eram realistas. Elas não representavam a realidade como ela é. Pelo contrário, suas pinturas eram simbólicas, tinham uma dimensão totalmente diferente – elas eram simbolistas.

O realista disse, “Não gosto das suas pinturas. Uma pintura deve ser real! Se você pinta a minha esposa, então a sua pintura deve parecer com a minha esposa.” E ele pegou uma fotografia da sua esposa e disse, “Olhe para essa imagem! A pintura deve ser assim.”

Picasso olhou para a imagem e disse, “Essa é sua esposa?”

Ele disse, “Sim, essa é minha esposa!”

Picasso disse, “Estou surpreso! Ela é muito pequena e achatada.”

 

A foto não pode ser a esposa!

 

Há uma outra história:

Uma bela mulher foi até Picasso e disse, “Há alguns dias vi o seu autorretrato na casa de um amigo. Era tão belo, fiquei tão influenciada, quase hipnotizada, que abracei a imagem e a beijei.”

Picasso disse, “Sério? E então o que a imagem fez com você? A imagem beijou-lhe de volta?”

E a mulher disse, “Você está louco?! Uma imagem não beija de volta.”

Picasso disse, “Então não era eu.”

 

Uma imagem é uma coisa morta. A câmera, o filme fotográfico, capta apenas um fenômeno estático. E a vida nunca é estática, ela segue mudando. A sua mente funciona como uma câmera, ela segue coletando imagens – é um álbum. E então, a partir dessas imagens você reage. Por isso, você nunca é verdadeiro na vida, porque qualquer coisa que você faz é errada; qualquer coisa que você faz, repito, é errada. Nunca se adequa.

 

Uma mulher estava mostrando o álbum de família para os seus filhos, e eles cruzaram com uma foto de um belo homem: cabelos longos, barba, muito jovem, muito vivo.

O menino perguntou, “Mamãe, quem é esse homem?”

E a mulher disse, “Você não o reconhece? É o seu pai!”

O menino olhou intrigado e disse, “Se este é o meu pai, então quem é aquele homem careca que vive com a gente?”

 

Uma imagem é estática. Ela permanece como é, nunca muda. A mente inconsciente funciona como uma câmera, ela funciona como um filme fotográfico. A mente vigilante, a mente meditativa, funciona como um espelho. Ela não capta nenhuma impressão; ela permanece totalmente vazia, sempre vazia. Então qualquer coisa que ficar em frente a um espelho é refletida. Se você ficar em frente a um espelho ele refletirá você. Se você sair da frente dele, não diga que o espelho te traiu. O espelho é simplesmente um espelho. Quando você sai da frente dele, ele não reflete mais você; ele não tem mais nenhuma obrigação de refletir você. Agora outrem está na frente dele – o espelho reflete esta pessoa. Se ninguém estiver lá, ele não reflete nada. Ele é sempre verdadeiro com a vida.

O filme fotográfico nunca é verdadeiro com a vida. Mesmo se a sua foto é tirada agora, no momento em que o fotógrafo a tirar da câmera, você já não será o mesmo! Muita água correu no Ganges. Você cresceu, mudou, ficou mais velho. Talvez apenas um minuto tenha se passado, mas um minuto pode ser uma grande coisa – você pode estar morto! Apenas um minuto antes você estava vivo; depois de um minuto, você pode estar morto. A imagem nunca morrerá.

Mas no espelho, se você estiver vivo, você está vivo; se você estiver morto, você está morto.

Buda diz: Aprenda a sentar-se silenciosamente – torne-se um espelho. O silêncio faz da sua consciência um espelho, e então você funciona momento a momento. Você reflete a vida. Você não carrega um álbum dentro da sua cabeça. Então os seus olhos estão claros e inocentes, você tem claridade, você tem visão, e você nunca é falso com a vida.

Isso é o viver autêntico.

 

A terceira questão:

Questão 3

AMADO MESTRE,

POR QUE NINGUÉM GOSTA DE SER CRITICADO E, ENTRETANTO, TODO MUNDO AMA CRITICAR OS OUTROS?

 

Gayatri, o ego é muito sensível, muito frágil e tem muito medo da crítica. O ego depende da opinião dos outros. Ele não tem realidade própria. Ele não é uma entidade real, não é substancial – é apenas uma coleção das opiniões dos outros.

Alguém diz, “Você é belo,” e você coleta isso. Alguém diz, “Você é inteligente,” e você coleta isso. E alguém diz, “Nunca encontrei uma pessoa tão única,” e você coleta isso. E então um dia uma pessoa vem e diz, “Você é repulsivo!” Agora, como aceitar a crítica? Ela vai contra a imagem que você esteve criando de si próprio. Você vai retaliar, você vai lutar com unhas e dentes. Mas qualquer coisa que você fizer, a mente capturou a impressão dessa opinião também. Então alguém diz, “Você é feio,” e alguém diz, “Você é estúpido.” E existem milhões de pessoas no mundo e todas elas têm as suas próprias opiniões, gostos e desgostos.

Assim sendo o seu ego torna-se uma miscelânea, um fenômeno muito contraditório. Um fragmento diz, “Você é belo!” outro fragmento diz, “Bobagem, você é feio!” Um fragmento diz, “Você é inteligente,” outro fragmento diz, “Quieto! Cale a sua grande boca! Você é totalmente estúpido e nada mais!” Por isso as pessoas vivem em um estado confuso. Elas não sabem quem são, se são inteligentes ou estúpidas, belas ou feias, boas ou más, santas ou pecadoras – porque uma pessoa pode chamá-la de santa, outra pessoa pode chamá-la de pecadora. Há diferentes valores e diferentes critérios no mundo, há diferentes moralidades no mundo.

O seu vizinho pode ser um Cristão e você pode ser um Jaina. Ora, o Cristão não tem problema nenhum com beber vinho; de fato, o próprio Cristo amava beber vinho. Mas o Jaina não pode conceber, nem mesmo em seus sonhos, Mahavira bebendo vinho. Isso é impossível, a própria ideia é inconcebível. Mas para o Cristão o maior milagre que Jesus fez foi transformar água em vinho. Se Mahavira estivesse por perto, ele faria o milagre oposto imediatamente! Ele transformaria o vinho em água.

Ora, se você beber vinho de vez em quando, você é um santo ou um pecador? Pessoas diferentes vão falar coisas diferentes. No ashram de Mahatma Gandhi o chá era proibido; o que dizer do vinho! Chá, o pobre chá, o inocente chá foi proibido! E todos os monges Budistas ao longo das eras tomaram chá. De fato, eles pensam que o chá ajuda a meditação, e pode haver um grão de verdade nisso, porque ele o mantém acordado. E a meditação Budista é tal que você tende a cochilar: sentado por horas em uma única postura… Tente. Depois de dez minutos você começará a sonhar. Depois de uma hora é impossível manter-se acordado.

O chá deve ter ajudado. De fato, o chá foi descoberto pelos Budistas. Um dos maiores mestres Budistas, Bodidarma, descobriu o chá. O nome veio de um monastério, Ta, no qual Bodidarma costumava viver na China. Aquele monastério ficava no topo da montanha, Ta. Na China ‘ta’ pode ser pronunciado de duas maneiras: você pode pronunciá-lo como ‘ta’ ou como ‘cha’ – por isso o Hindi chai, o Marathi cha e a palavra Inglesa ‘tea’. Bodidarma, o grande fundador do Zen, o descobriu.

E o vinho foi feito nos monastérios Católicos ao longo das eras. Você ficará surpreso em saber que o melhor vinho era feito pelas freiras e monges Católicos. O vinho mais antigo está disponível apenas nos porões dos antigos monastérios da Europa, o mais antigo e o melhor. Vinho, feito em monastérios? Que tipo de monastérios eram esses? Quem decidirá?

De fato, novamente há um grão de verdade nisso. A meditação Budista significa vigilância e o chá tem alguns agentes químicos em si que ajudam a vigilância – ele tem um estimulante. Agora, um dia, é possível que outro Bodidarma venha e diga, “Fumar é bom,” porque o tabaco também tem um estimulante – a nicotina. O fumar também pode ajudar a meditação se o chá pode. O fumo ainda está a espera do seu Bodidarma aparecer. Então você será mais capaz de fumar e sentir-se muito virtuoso: quanto mais você fumar, mais santo você será!

Não é acidental que o vinho tornou-se parte da criatividade do monastério. Jesus disse: afogar-se em Deus é oração. O caminho de Jesus é o do amor, o caminho de Buda é o da meditação; por isso Buda nunca concordaria com o vinho, mas com o chá ele poderia concordar. Jesus concorda com o vinho porque o vinho te dá uma amostra de um estado totalmente perdido, do afogar-se, de sair do ego, de esquecer o ego e todas as suas preocupações. Ele te dá uma amostra, um vislumbre do desconhecido.

Mas quem decidirá sobre quem está certo e quem está errado? Todas essas coisas estão ali na atmosfera, e você as captura. A partir dessas coisas você faz algum tipo de imagem; necessariamente será uma miscelânea, não pode ser clara. Por isso você tem muito medo de alguém criticar-lhe porque essas pessoas trazem a sua miscelânea à superfície. Não é a crítica delas que você é contra; você é contra o fato que essas pessoas trazem problemas à superfície que você está, de alguma maneira, reprimindo dentro de si. Elas tornam-no consciente dos problemas e ninguém quer ser consciente dos problemas, porque os problemas então querem ser resolvidos e é uma questão árdua. Coragem é necessária para resolver problemas. Você pode não gostar de resolver problemas de fato, porque você pode ter algum investimento em seus problemas – você deve ter, porque você viveu com eles por tanto tempo que você deve ter investido neles. Você pode não gostar de alterar o seu estilo de vida. Se você é miserável talvez gostaria de manter-se miserável – qualquer coisa que você disser na superfície, isso é outra questão. A despeito do que você diz, no fundo você pode gostar de permanecer miserável.

Por exemplo, uma esposa sabe que o marido é carinhoso com ela apenas quando ela está doente. Sempre que ela está saudável ele simplesmente se esquece totalmente dela, ele nunca cuida nem um pouco dela quando ela está saudável. Quando ela está doente, por puro dever, responsabilidade, ele vem, senta-se do lado dela, coloca a sua mão na mão dela; caso contrário ele nem olha para ela. Pergunte aos maridos, “Quanto tempo faz desde que você viu a face da sua mulher, face a face?” Você pode ser capaz de reconhecer o seu cão se ele estiver perdido, mas se a sua mulher estivesse perdida você teria que perguntar aos vizinhos porque eles a reconheceriam melhor – assim como você reconheceria melhor a esposa do vizinho. Quem olha para a sua própria esposa?

 

Mulla Nasruddin foi ver uma peça. Um homem estava muito apaixonado na peça, ele estava agindo tão romanticamente que Nasruddin disse à sua esposa, “Este homem é um grande ator.” A esposa disse, “E você sabia? – a mulher que ele está atuando é realmente a sua esposa na vida real.”

Nasruddin disse, “Então ele é o maior ator do mundo!”

 

Mostrar muito romance à própria esposa… é quase impossível.

Eu viajei por vinte anos nesse país. Fiquei em milhares de casas e vi continuamente: quando o marido não está em casa, a esposa parece ser muito animada, muito feliz. No momento em que o marido entra em casa ela tem uma dor de cabeça e deita-se na cama. E eu observava, porque eu estava ficando na casa. Apenas um momento antes, tudo estava bem – como se não fosse o marido que tivesse entrado, mas uma dor de cabeça.

Vagarosamente entendi a lógica. Há um grande investimento nela. E lembre-se, não estou dizendo que ela está simplesmente fingindo. Se você fingir por muito tempo algo pode tornar-se uma realidade, pode tornar-se uma auto-hipnose. Não estou dizendo que ela não estava sofrendo de dor de cabeça, lembre-se. Ela pode estar sofrendo: apenas a face do marido é suficiente para disparar o processo! Aconteceu tantas vezes que agora virou um processo automático. Então não estou dizendo que ela está enganando o marido; ela é enganada pelos seus próprios investimentos.

Você tem uma certa imagem e não quer que ela seja alterada, e a crítica significa novamente uma perturbação.

 

Você certamente conhece a história da Chapeuzinho Vermelho:

Esta pequena menina foi ver a sua avó que vivia na floresta. O lobo mau, que queria comê-la, tomou o lugar da vovó na cama depois de devorá-la com uma mordida. Então ele estava debaixo dos cobertores com a camisola e a toca de dormir da vovó.

Quando a Chapeuzinho Vermelho chegou, ela notou algo diferente e, olhando para os olhos da vovó, perguntou:

“Mas vovó, que olhos grandes você tem!”

“É para vê-la melhor, minha querida.”

“Mas vovó, que nariz grande você tem!”

“É para cheirá-la melhor, minha querida.”

“Mas vovó, que braços grandes você tem!”

“É para abraçá-la melhor, minha querida.”

“Mas vovó, que mãos peludas você tem!”

“Ei! Você veio apenas para criticar?”

 

Há um limite. Além disso ninguém gosta de ser criticado. Mas o outro lado da história é que todo mundo gosta de criticar os outros; isso lhe dá um sentimento bom. Se os outros são maus, indiretamente isso faz você se sentir bem. Se todo mundo é um engodo, hipócritas, desonestos, espertos, isso lhe dá um sentimento bom: você não é tão mau, você não é tão desonesto. A comparação relaxa você. Ela te ajuda a permanecer desonesto, porque as pessoas são mais desonestas que você. Nesse mundo desonesto como você pode sobreviver? Você tem que jogar o jogo.

Toda manhã quando você lê o jornal, isso sempre te dá um sentimento bom – muita coisa acontecendo no mundo todo, tantas coisas feias, tanta violência, assassinato, suicídio, estupro, roubo, que comparado com tudo isso você é um santo. Por isso as pessoas não gostam de ler a Bíblia de manhã, ou o Gita, mas o jornal! Lendo o Gita você sente-se como um pecador, lendo a Bíblia você começa a sentir um tremor, que o inferno virá até você, que você está a caminho. E as escrituras descrevem o inferno tão vividamente, com tanta cor que podem fazer qualquer um temer. E uma coisa parece certa: que você não pode alcançar o paraíso. Parece ser impossível, isso demanda impossibilidades.

Ninguém gosta de ler as escrituras, ninguém gosta de ouvir as escrituras. É por isso que você vai ao templo e encontra quase todas as pessoas totalmente dormindo. Existem médicos que eu conheço que enviam as pessoas para os discursos religiosos se elas sofrem de insônia. Se nenhum tranquilizante funcionar, não se preocupe: vá ao discurso religioso. O discurso religioso é o tranquilizante definitivo – até agora nada foi capaz de vencê-lo. Ouvindo as escrituras as pessoas começam a dormir. É uma proteção, é para evitá-las; por outro lado, torna-se absolutamente certo que o paraíso não é para você, você foi feito para o inferno. E isso perturba o seu coração, surge um grande medo, e parece não haver nenhum caminho para escapar do inferno.

Por isso todo mundo gosta de criticar, e não apenas de criticar – todo mundo gosta de ampliar as falhas dos outros. Você tenta tornar as falhas dos outros tão grandes quanto possíveis porque então, em comparação, as suas falhas são insignificantes. E Deus é compassivo: Rahim, Rehman! Deus é compaixão! Você tem apenas falhas pequenas, e olhando para o mundo onde existem tantos pecadores…

Quando o Dia do Julgamento vier você pode ter certeza que o seu número não será chamado, você não será chamado. A fila será tão longa, e tem que ser decidido dentro de vinte e quatro horas. Um Dia do Julgamento e milhões e milhões de pessoas – Tamerlão, Genghis Khan, Alexandre o Grande, Adolf Hitler, Mussolini, Joseph Stalin, Mao Tsé-tung… essas serão as pessoas que estarão na frente. Você será o último da fila. O seu número não será chamado. Você pode ter certeza disso se olhar para as pessoas com uma lupa.

 

Depois de encontrar-se com uma multidão selvagem em um jogo de basquete, o árbitro apanha sua esposa e diz que seria melhor se ela não comparecesse aos jogos restantes que ele estava escalado. “Afinal,” ele disse, “deve ter sido muito embaraçoso para você quando todo mundo levantou-se e vaiou-me.”

“Não foi tão ruim,” ela replicou. “Eu me levantei e vaiei também.”

 

O ego não quer ser criticado e quer criticar todo mundo. Fique consciente da estratégia do ego, como ele nutri a si próprio, como ele protege a si próprio. A menos que você fique absolutamente consciente de todos os dispositivos astutos do ego, você nunca será capaz de livrar-se dele. E livrar-se dele é o início da vida religiosa, é o início de sannyas. Então você não está mais preocupado com o que os outros dizem sobre você.

Apenas olhe para mim… Todo o mundo segue dizendo coisas sobre mim. Eu nem mesmo as leio. Todo dia Laxmi traz centenas de reportagens que aparecem em diferentes linguagens de diferentes países. Quem se importa? Se eles estão reportando rumores, deixe-os desfrutá-los; eles não têm mais nada para desfrutar em suas vidas. Deixe-os ter um pouco de diversão. Nada está errado nisso, eles não podem me machucar. Eles podem destruir o meu corpo, mas eles não podem me machucar. E eu não tenho imagem própria; eles não podem destruir isso também. E eu não reajo, eu ajo. A minha ação sai do meu eu, não é manipulada pelos outros. Sou um homem livre, sou liberdade. Eu ajo de acordo comigo.

Aprenda a arte de agir de acordo consigo mesmo. Não se preocupe com as críticas e não se interesse por elogios. Se você está interessado em ser elogiado pelos outros, então você não pode ficar indiferente em relação à crítica. Permaneça afastado. Elogio ou crítica, é tudo igual. Sucesso ou fracasso, é tudo igual. AES DHAMMO SANANTANO.

 

A quarta questão:

Questão 4

AMADO MESTRE,

EMBORA EU QUEIRA RENDER-ME A VOCÊ E TOMAR SANNYAS, SINTO-ME DESAMPARADO PARA FAZÊ-LO. POR QUE ISSO É ASSIM? POR FAVOR, ESCLAREÇA.

 

  1. D. Prasad, é muito simples, não há nada para esclarecer. Você está com medo das pessoas, você está com medo da sociedade. Você está com medo da igreja estabelecida, da religião estabelecida, dos sacerdotes, dos políticos – você está simplesmente com medo. É o medo que está te impedindo. Sannyas necessita coragem, sannyas necessita bravura, particularmente a minha sannyas.

A velha sannyas não necessita mais de bravura, porque ela já é parte do status quo. Ela é aceita, respeitada. Se você se tornar um sannyasin à moda antiga as pessoas vão adorá-lo. Se você se tornar meu sannyasin, você estará em constante perigo. As pessoas pensarão que você está louco, as pessoas pensarão que você está hipnotizado. As pessoas pensarão que algo deu errado – que você perdeu o juízo. As pessoas dirão, “Um homem tão bom! Nós nunca pensamos, nunca sonhamos que isso iria acontecer com você.”

As pessoas rirão, espalharão rumores sobre você, fofocarão sobre você, criarão mil e um tipos de problemas para você. E você tem que existir com as pessoas, você tem que viver com elas. Em cada passo elas criarão barreiras e elas colocarão pedras em seu caminho. E não apenas aquelas que são parte de uma sociedade maior, mas até mesmo aquelas que estão muito próximas: a sua esposa pode criar muito problema para você… os seus filhos, os seus pais. Em cada canto e recanto você terá que encarar as dificuldades.

Você está com medo. Apenas tente entender o seu medo, e então é muito fácil. Uma vez que você vê que é medo, abandone-o. A despeito de todos os medos, salte para sannyas, porque permanecer no medo é tornar-se um covarde, permanecer no medo é perder toda a alegria da vida. A vida pertence àqueles que sabem como arriscar-se. A vida pertence aos aventureiros e sannyas é a maior aventura que existe. E porque estou trazendo um conceito totalmente novo de sannyas ao mundo – uma sannyas que não é escapista, uma sannyas que não acredita na renúncia, uma sannyas que acredita na celebração, uma sannyas que quer viver no mundo e, ainda assim, não estar nele…

A velha sannyas é fácil: você escapa do mundo, você abandona as oportunidades onde a tentação era possível, você escapa para as cavernas do Himalaia. Sentando-se lá você será um santo, porque você não terá nenhuma outra oportunidade. Você tem que ser um santo. O que mais você faria ali?

Existem todos os tipos de tentações no mundo. Ser um santo no mundo é algo soberbo, algo extraordinário. Se não existem mulheres nas cavernas do Himalaia… e eu não acho que existam. As mulheres nunca foram tão tolas; elas são mais terrenas, elas são mais intuitivas, não são intelectuais. Elas são muito realistas, elas não vão atrás de palavras e teorias e filosofias. É o homem que se torna muito atraído por abstrações. As mulheres não se preocupam com o outro mundo, ela quer um belo sari aqui e agora! Você é um tolo se você está esperando por alguma mulher bela no paraíso.

A mente feminina não se preocupa muito com o outro mundo. A mente feminina diz, “Veremos. Se podemos administrar aqui, poderemos administrar lá também. Se podemos encontrar um tolo aqui, o mesmo tolo estará disponível lá também. Então porque se preocupar com o outro mundo?”

Mas o homem vive em abstrações. Este é o maior erro da mente masculina. Ela vive em teorias. Ela se torna tão hipnotizada pelas palavras que está pronta para sacrificar a própria vida. Ela está pronta para ir para as cavernas, para renunciar a esta vida para alcançar a outra vida. Ela vive no passado, ela vive no futuro. A mulher vive mais no presente. Por isso não existem mulheres nas cavernas do Himalaia. Você pode ir e sentar-se lá e sonhar todos os tipos de sonhos, mas lá não há oportunidades. O dinheiro não está lá, o poder não está lá, a beleza não está lá – não há nada lá! Sentando-se na sua caverna você se torna cada vez mais embotado, vagarosamente; é um tipo de suicídio gradual.

A minha sannyas não é abandonar o mundo, mas aprofundar-se nele, alcançar o seu próprio núcleo, porque Deus está no próprio núcleo do mundo. Deus é a alma do mundo. Você não pode encontrá-lo ao escapar do mundo. Você pode encontrá-lo apenas ao ir cada vez mais fundo no mundo. Quando você alcançar o próprio centro da existência, você o encontrará. Ele está escondido no mundo, todo o mundo é permeado por ele. Ele está nas árvores, nas rochas, nos pássaros e nas pessoas. Sim, ele está em sua esposa, em seu marido e em seus filhos. Ele está em você! E a melhor possibilidade de encontrá-lo é no mundo, não fora do mundo.

Sair do mundo tem sido uma grande atração; isso também por causa do medo. O escapista é covarde; ele não pode ser suficientemente vigilante para viver no mundo e, entretanto, não ser afetado por ele. Ele não pode ser tão vigilante – ele não tem muita inteligência, ele não pode fazer aquele grande esforço para despertar – por isso ele escapa. Ele é um covarde.

Então a velha sannyas, S. D. Prasad, pode adequar-se perfeitamente a você, mas não ajudará. Você permanecerá um covarde, e você permanecerá orientado pelo medo. Na superfície parece que o sannyasin que está deixando o mundo é muito corajoso. Não é o caso. Não seja enganado pelas aparências. O soldado que está indo para a guerra parece muito corajoso – não seja enganado pelas aparências – no fundo ele está tremendo, ele teme.

 

Adolf Hitler estava preparando o seu guarda-roupa para o segundo inverno lúgubre no congelante front da Rússia.

“Mein Fuhrer,” sugeriu um dos seus casacos, “lembre-se o que Napoleão fez quando estava na Rússia. Ele vestiu um uniforme vermelho brilhante pois caso fosse ferido os seus homens não notariam o fato dele estar sangrando.”

“Excelente ideia! Excelente ideia!” ruminou Adolf. “Atire-me imediatamente a minha calça marrom.”

 

Não seja enganado pelas aparências. Mesmo as pessoas como Adolf Hitler estão tremendamente com medo, abaladas. E os seus supostos sannyasins que escaparam do mundo escaparam por medo.

Ensino a você o caminho do destemor. É o simples medo e nada mais que está te impedindo, embora você não se sentirá muito feliz com a minha resposta. Você devia estar esperando que eu fosse dizer algo muito gratificante para o seu ego. Perdoe-me, não posso dizer nenhuma inverdade. Posso apenas falar a verdade, e se ela machuca, ela machuca. É apenas através da verdade que a luz começa a entrar em seu ser. Então se você se sente ferido… porque o seu nome parece desconhecido para mim, você deve ser novo. E com as pessoas novas eu nunca sou muito rude, mas vejo uma possibilidade em você, por isso sou tão rígido.

Sempre que vejo uma possibilidade em um ser humano sou rígido. Sempre que não vejo possibilidade permaneço muito cortês. Se sou cortês, isso simplesmente quer dizer que quero livrar-me de você. Se sou rígido, se eu martelar forte na sua cabeça, isso significa que já comecei a respeitá-lo.

 

A quinta questão:

Questão 5

AMADO MESTRE,

SOU MUITO AMBICIOSO POR DINHEIRO. VOCÊ ACHA QUE FUI UM JUDEU NA MINHA VIDA PASSADA?

Suresh, por que em uma vida passada? Você é um Judeu agora! Somente nascer na Índia, nascer de uma família Hindu, não faz qualquer diferença. ‘Judeu’ não significa uma raça, é uma psicologia, é uma metafísica. O Marwari é um Judeu – o Judeu indiano. De fato, qualquer pessoa ambiciosa é Judia – a ambição é Judia.

Jesus não é um Judeu embora ele tenha nascido como um Judeu – ele não é Judeu de maneira alguma. Quando uso palavras como ‘judeu’, lembre-se sempre que não estou falando de raças. Não estou interessado em sangue. O sangue Judeu, o sangue Cristão e o sangue Hindu são todos iguais. Você pode pegar algumas amostras – você pode pegar todos os tipos de amostras aqui – você pode levar algumas amostras a um doutor e perguntá-lo qual sangue é Judeu, qual sangue é Hindu e qual sangue é Budista, e ele ficará perdido. Ele não poderá encontrar nenhuma maneira de descobrir – sangue é sangue! É claro que existem tipos de sangue, mas eles não são Judeus, Hindus e Budistas. ‘Judeu’ não é nada além de outro nome para a ambição. Neste sentido o mundo inteiro consiste de Judeus, exceto por poucas pessoas excepcionais. Quase todo mundo é um Judeu! Você é ou um Jesus ou um Judeu – essas são as únicas alternativas. Se você não quer ser um Judeu então seja um Jesus. E não tente consolar-se que em uma vida passada… Essas são invenções astutas da mente humana: “Talvez na vida passada eu fui um Judeu.” Você é um Judeu agora. Colocar a responsabilidade na vida passada mantém você intacto; então você pode continuar como você é.

 

Um velho Judeu oferece pagar o dobro do valor de uma prostituta se ela mantivesse ambas as mãos em sua cabeça durante o sexo. Mais tarde ela lhe pergunta que excitação especial ele tinha nisso.

“Nenhuma excitação,” ele disse, tirando um grande maço de notas do seu bolso, “mas por alguns dólares extras eu sei que suas mãos estão na minha cabeça e não em meus bolsos!”

 

Outra história para você, Suresh:

Um comerciante Judeu aposentado está quase quebrado pela demanda de seus filhos por dinheiro para pagar as mulheres que eles seduziram e engravidaram. Mas ele paga para não ver o nome da família desgraçado.

Alguns dias depois a sua filha vem até ele e confessa, “Papai, estou grávida.”

“Obrigado Deus, os negócios estão melhorando,” disse o velho homem.

 

E a terceira história:

Vários Judeus em uma sala estão discutindo qual negócio é o melhor. Finalmente um velho homem barbado diz, “Paremos de mentir uns para os outros. O prostíbulo é o melhor negócio: elas têm, elas vendem, elas ainda têm.”

“Do que você está falando?” grita outro velho horrorizado.

Do que estou falando? Estou falando: nenhuma despesa geral, nenhum custo de manutenção, nenhum estoque – o que pode ganhar disso?

E sim, é tudo no atacado.”

 

A ambição é Judia e todo mundo é um Judeu nesse sentido. E lembre-se que a ambição é uma projeção do medo. É por causa do medo que o ser humano torna-se ambicioso. Ele tem tanto medo, que quer acumular para o futuro. Ele tem tanto medo que sacrifica o seu hoje pelo amanhã, e o amanhã nunca chega. O ser humano ambicioso é o ser humano mais tolo do mundo. Buda o chama de “o tolo”– o tolo por excelência, porque ele segue sacrificando o presente pelo futuro que nunca chega. Ele acumula dinheiro, mas não pode utilizá-lo; ele permanece pobre.

O ser humano ambicioso nunca fica rico. Ele pode ter todo o mundo ao seu alcance, mas ele permanece pobre. Ele não pode desfrutá-lo, a sua ambição não permite isso. Ele permanece miserável. Ele sempre permanece com tanto medo do futuro que não pode separar-se do seu dinheiro. Ele acumula, acumula, desperdiça toda a sua vida e um dia morre. Ele foi um ser humano pobre por toda a vida – com as mãos vazias ele veio, com as mãos vazias ele se foi, e toda a sua vida foi para o ralo sem nenhuma significância.

Não tente se consolar que em uma vida passada você foi um Judeu. Olhe para o seu ser! Você é um Judeu. E então há uma possibilidade de você ver: “Sou um Judeu, sou ambicioso. De onde está vindo minha ambição?” Vá mais profundo na ambição, analise-a e você encontrará o medo. E quando você encontrar o medo você chegou a uma coisa muito fundamental.

Há apenas duas formas de viver a vida: uma a partir do medo e a outra a partir do amor. O ser humano que vive a partir do medo torna-se ambicioso, torna-se agressivo, violento, egoísta. E o ser humano que vive a partir do amor é necessariamente não-ambicioso, porque o amor sabe como compartilhar. O amor aprecia o compartilhar, o amor não conhece nenhuma alegria maior do que o compartilhar. Qualquer coisa que o amor tem, o amor compartilha. E o amor conhece um grande segredo: que quanto mais você compartilha, mais a energia do amor vai alcançá-lo, transbordando de alguma fonte desconhecida, inexaurível – AES DHAMMO SANANTANO.

Quanto mais você ama, mais você está no estado de oração. Quanto mais você ama, mais Deus lhe dá, porque você está dando. Qualquer coisa que você faz com as pessoas, Deus faz com você. Se você é miserável, Deus torna-se miserável com você. Se você está compartilhando, Deus está compartilhando. A existência é apenas um espelho, ela reflete a sua face, ela ecoa o seu ser. Viva através do amor e você será um Jesus.

Jesus disse: Deus é amor. Viva a partir do medo e você é um Judeu. Você pode ser um Judeu Hindu, ou um Judeu Islâmico, ou um Judeu Cristão – não importa. Os adjetivos não importam.

 

A última questão:

Questão 6

AMADO MESTRE,

POR QUE EU NÃO TE ENTENDO?

 

Ram Gopal, o entendimento é um segundo passo. O primeiro é ouvir. Você não me ouve. Você perde o primeiro passo; então o segundo não é possível.

Enquanto você está me ouvindo, mil e um pensamentos estão vagando na sua mente. Eles mantêm você surdo. As minhas palavras nunca alcançam você intactas, em sua pureza. Elas são distorcidas, elas são coloridas pelos seus pensamentos, pelos seus preconceitos, por suas conclusões. Você me ouve através do seu conhecimento – é por isso que você realmente não ouve. E qualquer coisa que alcança você é algo totalmente diferente do que foi transmitido. Estou dizendo uma coisa, você segue ouvindo outra; por isso o desentendimento. É por isso que você não me entende; caso contrário, estou usando palavras muito simples.

Não estou usando nenhum jargão intelectual, estou usando a linguagem corriqueira. Nunca uso palavras grandes – as minhas palavras são simples, tão simples quanto elas podem ser. Se você não entende, isso simplesmente quer dizer que, de alguma forma, você está internamente surdo. Um grande clamor de palavras, pensamentos, conclusões, teorias, preconceitos, conhecimento e experiência – o Hindu, o Islâmico, o Cristão, o Judeu – todos eles estão aí dentro. É muito difícil para mim encontrar um caminho para você. É quase impossível alcançá-lo.

Não é uma questão de entendimento. O entendimento florirá por si só se você puder fazer uma coisa: se você puder ouvir, se você permitir que eu te alcance, se você puder abrir o seu coração, se você não estiver surdo – então o entendimento acontecerá. A verdade ouvida é entendida, necessariamente será entendida. O entendimento não precisa de nenhum esforço, ele simplesmente precisa de uma abertura, uma vulnerabilidade. Abra apenas uma janela para mim, apenas uma janela bastará, e eu poderei te roubar. Apenas uma janela será o suficiente. Se você não pode abrir a porta da frente, não se preocupe, a porta de trás funcionará. Mas abra alguma porta para mim, deixe-me entrar, e então é impossível não entender, é impossível desentender.

A verdade tem uma claridade tal que uma vez entendida, ela transforma a sua vida. Uma vez ouvida, ela é entendida. A verdade tem um processo muito simples: uma vez ouvida, ela é entendida; uma vez entendida ela transforma a sua vida. Se ouvida corretamente você nunca pergunta como entender. Se entendida corretamente você nunca pergunta, “Agora o que eu preciso fazer para transformar a minha vida de acordo com ela?” A verdade transforma, a verdade libera.

 

Medite sobre essa pequena anedota:

Um homem entrou em um bar em Nova Iorque e comprou dois whiskies, um para si próprio e outro para seu amigo. O barman preparou os whiskies e o homem verteu um pouco de whisky em um dedal que colocou em uma perfeita miniatura de um piano grande, que tirou da sua maleta. Ele também tirou da sua maleta um homem de trinta centímetros vestido para a noite, que sentou-se em frente ao piano e começou a tocar “A Sonata da Luz da Lua.”

O barman estava incrédulo e perguntou de onde o pequeno homem era. O homem explicou, “Eu estava olhando uma loja de velharias quando encontrei uma lâmpada de óleo antiga. Eu a esfreguei um pouco com a manga da minha camisa para examiná-la melhor quando houve um clarão e um gênio apareceu dizendo que era o escravo da lâmpada e qualquer desejo meu seria tarefa sua realizá-lo. Então eu lhe disse que queria um pênis de trinta centímetros e foi isso que o surdo filho da mãe me deu!”

 

Ele ouviu “um pianista” e errou tudo.

Você segue ouvindo o que você pode ouvir. Você segue ouvindo coisas que não são ditas de maneira alguma. E então você as interpreta e todas as interpretações são más-interpretações. E qualquer coisa que você fizer você ficará frustrado, porque as suas más-interpretações não podem carregá-lo até a verdade. A verdade é uma comunhão.

Buda disse: Encontre um amigo, encontre um mestre e esteja em comunhão com o mestre. O que é comunhão? Comunhão significa retirar todas as condições, retirar todos os preconceitos, tornar-se inocente com alguém que alcançou, tornar-se uma criança novamente na frente de alguém que tornou-se desperto. Ouça como uma criança pequena: alerta, cheia de maravilhamento, de admiração, e o seu coração será imediatamente penetrado. Alcançarei você como uma flecha.

Sim, haverá um pouco de dor também, mas muito doce… tão doce que você nunca conhecerá algo mais doce que isso. Sim, quando pela primeira vez a verdade penetra o seu coração como uma flecha, ela te mata – ela te mata como um ego. É uma crucificação, mas imediatamente há uma ressurreição. Por um lado, você morre como era até agora, por outro lado você nasce novamente. Você se torna um nascido duas vezes, um dwij; você se tornar um brâmane, você se torna alguém que conhece.

Mas conhecer necessita de um grande caso de amor entre o discípulo e o mestre. Conhecer é possível apenas quando o caso de amor é total, quando o comprometimento é total, quando o envolvimento é total. Se você ouvir apenas como um espectador, você seguirá perdendo. Se você ouvir apenas por curiosidade, você seguirá perdendo. Se você ouvir com todas as suas ideias e filosofias, você ouvirá alguma outra coisa que não foi dita.

Não é uma questão de entender as minhas palavras, é uma questão de entender a minha presença. Apenas o discípulo é abençoado.

Ram Gopal, você ainda não é um discípulo. Você está curioso. Você veio para ver o que está acontecendo. Você ainda não está comprometido. Você me ouve, mas você mantém uma distância, para você poder escapar facilmente se as coisas ficarem grandes. Você permanece na periferia, você não entrou no círculo.

Entre no círculo – te faço um convite. Torne-se meu convidado, deixe-me ser seu anfitrião. Beba-me e você se afogará, e você será transformado. É uma promessa.

Por hoje é só.

Replique

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close