Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 2. Cap 9, OSHO

O Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 2

Capítulo #9

Título do Capítulo: Semeando a bem-aventurança

9 de Julho de 1979 na Sala Buda

 

POR UM TEMPO O DANO DO TOLO

TEM UM SABOR DOCE, TÃO DOCE QUANTO O MEL.

MAS NO FINAL ELE TORNA-SE AMARGO.

E QUÃO AMARGAMENTE ELE SOFRE!

 

POR MESES O TOLO PODE JEJUAR,

COMENDO DA PONTA DE UMA LÂMINA DE GRAMA.

MESMO ASSIM ELE NÃO VALE UM CENTAVO

EM COMPARAÇÃO AO MESTRE CUJO ALIMENTO É O CAMINHO.

 

O LEITE FRESCO LEVA TEMPO PARA AZEDAR.

DA MESMA FORMA O DANO DO TOLO

LEVA TEMPO PARA ALCANÇÁ-LO.

COMO AS BRASAS DE UM FOGO

O DANO ARDE DENTRO DE SI.

 

QUALQUER COISA QUE UM TOLO APRENDE,

APENAS O TORNA MAIS EMBOTADO

O CONHECIMENTO DIVIDE A SUA CABEÇA.

 

POIS ENTÃO ELE QUER RECONHECIMENTO.

UM LOCAL PERANTE AS OUTRAS PESSOAS.

UM LOCAL SOBRE AS OUTRAS PESSOAS.

 

“DEIXE-OS CONHECER O MEU TRABALHO,

DEIXE QUE TODOS PROCUREM-ME EM BUSCA DA DIREÇÃO.”

TAIS SÃO OS SEUS DESEJOS,

TAL É O SEU ORGULHO INCHADO.

 

UM CAMINHO LEVA À RIQUEZA E A FAMA,

O OUTRO AO FINAL DO CAMINHO.

 

NÃO BUSQUE RECONHECIMENTO

MAS SIGA O DESPERTO

E LIBERTE-SE.

 

As últimas palavras de Gautama o Buda na Terra foram: seja uma luz para si próprio. Não siga os outros, não imite, porque a imitação, o seguir alguém, cria a estupidez. Você nasceu com uma tremenda possibilidade de inteligência. Você nasceu com uma luz interior. Ouça a silenciosa, a singela voz interior e ela te guiará. Ninguém mais pode te guiar, ninguém mais pode tornar-se um modelo para a sua vida, porque você é único. Ninguém nunca foi exatamente igual a você, e ninguém nunca será exatamente igual a você novamente. Esta é a sua glória, a sua grandeza – que você é totalmente insubstituível, que você é apenas você mesmo e ninguém mais.

A pessoa que segue os outros torna-se falsa, torna-se pseudo, torna-se mecânica. Ela pode ser uma grande santa aos olhos dos outros, mas no fundo, ela é simplesmente desinteligente e nada mais. Ela pode ter um caráter muito respeitável, mas isso é apenas a superfície, não tem nem a profundidade da pele. Arranhe-a um pouco e você ficará surpreso que no interior ela é uma pessoa totalmente diferente, totalmente o oposto do seu exterior.

Ao seguir os outros você pode cultivar um belo caráter, mas você não pode ter uma bela consciência e, a menos que você tenha uma bela consciência você nunca poderá ser livre. Você pode seguir alterando as suas prisões, você pode seguir alterando os seus cativeiros, as suas escravidões. Você pode ser um Hindu ou um Islâmico, um Cristão ou um Jaina – isso não o ajudará. Ser um Jaina significa seguir Mahavira como um modelo. Ora, não há ninguém como Mahavira e nunca haverá. Seguindo Mahavira você tornar-se-á uma entidade falsa. Você perderá toda a realidade, perderá toda a sinceridade, você será falso para si próprio. Você tornar-se-á artificial, desnatural, e ser artificial, ser desnatural é o caminho do medíocre, do estúpido, do tolo.

Buda define sabedoria como viver na luz de sua própria consciência, e tolice como seguir os outros, imitar os outros, tornar-se uma sombra de alguém. O mestre real cria mestres, não seguidores. O mestre real joga você de volta para você. Todo o seu esforço é torná-lo independente dele, porque você foi dependente por séculos e isso não te levou a lugar algum. Você ainda continua a tropeçar na noite escura da alma.

Apenas a sua luz interior pode tornar-se um nascer do sol. O falso mestre persuade você a segui-lo, a imitá-lo, a ser apenas uma cópia em carbono dele. O mestre real não permitirá que você seja uma cópia em carbono, ele quer que você seja original. Ele te ama! Como ele pode tornar você um imitador? Ele tem compaixão por você, ele gostaria que você fosse totalmente livre – livre de todas as dependências externas.

Mas o ser humano ordinário não quer ser livre. Ele quer ser dependente. Ele quer que alguém o guie. Por quê? Porque então ele pode jogar toda a responsabilidade nos ombros de outrem. E quanto mais responsabilidade você joga nos ombros de alguém, menor é a possibilidade de um dia você tornar-se inteligente. É a responsabilidade, o desafio da responsabilidade, que cria a sabedoria.

É preciso aceitar a vida com todos os seus problemas. É preciso passar pela vida desprotegido; é necessário buscar e investigar o próprio caminho. A vida é uma oportunidade, um desafio, de encontrar a si mesmo. Mas o tolo não quer seguir o caminho difícil, o tolo escolhe o atalho. Ele diz a si próprio, “Buda alcançou – por que preocupar-me? Vou apenas observar o comportamento dele e imitar. Jesus alcançou, então por que eu deveria buscar e investigar? Posso simplesmente tornar-me uma sombra de Jesus. Posso simplesmente segui-lo para qualquer lugar que ele for.”

Mas seguindo outra pessoa, como você se tornará inteligente? Você não dará nenhuma chance para sua inteligência explodir. É necessária uma vida desafiadora, uma vida aventureira, uma vida que conhece o risco e como ir até o desconhecido, para a inteligência surgir. E apenas a inteligência pode salvar-te – ninguém mais – a sua própria inteligência, note, a sua própria consciência, pode tornar-se o seu nirvana.

Seja uma luz para si próprio e você será sábio; deixe os outros serem os seus líderes, os seus guias, e você permanecerá estúpido, você seguirá perdendo todos os tesouros da vida – que são seus! E como você pode decidir se o caráter do outro é um caráter correto para seguir?

Um Buda vive de sua própria maneira, um Mahavira também vive de sua própria maneira, um Jesus também. Um Maomé é um Maomé, ele não é um Mahavira. Quem você seguirá? Apenas pelos acidentes de nascença você decidirá a sua vida, o seu destino? Então você permanecerá acidental. E o tolo é acidental. O homem sábio nunca vive acidentalmente. Ele não se torna Hindu porque nasceu em uma família Hindu; ele não se torna Cristão porque os seus pais são Cristãos; ele não se torna comunista porque ele nasceu na Rússia. Ele busca, ele investiga.

A vida é uma peregrinação tremendamente bela, mas apenas para aqueles que estão prontos para buscar e investigar.

Jesus diz: Busque e você encontrará; peça e te será dado; bata e as portas serão abertas para você.

Ele não está dizendo: Siga, imite. Ele não está falando: Seja um Cristão e as portas serão abertas para você. Ele não está falando: Eu bati nas portas e as abri para você. Ele está dizendo: Bata e as portas serão abertas para você. E todo mundo tem que bater, porque todo mundo tem que entrar por portas diferentes. As pessoas são tão únicas, as pessoas são individuais.

Esta é a sua glória. Não a evite; caso contrário você permanecerá um tolo. Isso não significa não aprenda com os budas, com os despertos – aprenda! Embeba o espírito! Beba da primavera deles, primaveras frescas de alegria. Esteja na companhia deles, torne-se afinado com a música interior deles, ouça a harmonia deles, e seja preenchido com grande alegria pois um ser humano como você, assim como você, alcançou, então você também pode alcançar. Fique entusiasmado que um ser humano exatamente como você, feito de sangues e ossos, tornou-se iluminado, então você também pode tornar-se iluminado. Um buda não deve ser seguido, mas entendido. Um buda não deve ser imitado, mas ouvido – ouvido em um tremendo silêncio, amor, confiança. E quanto mais você entende um buda, mais você sentirá que ele não está falando a partir do exterior, mas a partir do interior, do próprio núcleo do seu ser. Ele é um espelho que reflete a sua face original – mas ele é apenas um espelho. Todos os grandes mestres são espelhos, eles refletem a sua face original. Mas não se apegue ao espelho. O espelho não é a sua face!

Esses sutras de Buda são de imenso valor. Vá até eles meditativamente. E quando digo vá até eles meditativamente, quero dizer não tenha um estado de espírito argumentativo – este não é o caminho para ouvi-los. Esteja com um estado de espírito receptivo, seja feminino. Não esteja de guarda, não seja defensivo. Não se esconda em uma armadura. Não traga a sua mente para interpretar o que está sendo dito. Coloque a sua mente de lado e deixa o coração dançar com esses sutras. É isso o que quero dizer quando digo ouça meditativamente. Deixe o coração jubilar-se. E neste júbilo está um tipo totalmente diferente de entendimento – não do intelecto, mas da inteligência.

Você não se tornará mais bem informado se você ouvir a partir do coração; você ficará cada vez mais sábio. Se você ouvir a partir da cabeça, em primeiro lugar o seu ouvir será distorcido porque todos os seus preconceitos serão misturados com ele, e todas as suas conclusões a priori serão uma distração, e sua mente dará a sua cor para o que lhe está sendo dito. Em primeiro lugar você não ouvirá o que está sendo dito; a sua mente fará muito barulho e você ouvirá o seu próprio barulho. Em segundo lugar, qualquer coisa que você recolher tornar-se-á conhecimento, não sabedoria. O conhecimento é superficial, ele não é profundo, ele não pode ser profundo. O conhecimento é uma forma de esconder a sua ignorância, ele não a destrói. A sabedoria é uma luz, ela dissipa a escuridão.

Mas a sabedoria é sempre do coração, lembre-se, não é nunca da cabeça. Quando você chega perto de um buda, esqueça tudo da sua cabeça. É abordar o seu ser de uma forma totalmente diferente – através do coração. Ouça através dos seus batimentos, torne-se afinado – como se você estivesse ouvindo a uma grande música. É uma grande música; de fato, que música maior poderia existir?

Esses sutras são a maior poesia, a poesia do ser último. Esses sutras são flores de lótus, nascidas no lago da consciência de alguém que está acordado. Ouça atentamente, meditativamente, carinhosamente, em profunda confiança, e você será imensamente beneficiado, abençoado.

 

O primeiro sutra:

POR UM TEMPO O DANO DO TOLO

TEM UM SABOR DOCE, TÃO DOCE QUANTO O MEL.

MAS NO FINAL ELE TORNA-SE AMARGO.

E QUÃO AMARGAMENTE ELE SOFRE!

 

Há uma famosa parábola Budista. Buda amava contá-la repetidas vezes:

Um homem está sendo perseguido por seus inimigos. Eles estão chegando cada vez mais perto; ele pode ouvir o som dos cascos dos cavalos chegando cada vez mais perto. É a morte! E parece não haver escapatória, porque era um cul-de-sac, o final da rua. Ele está diante de um grande abismo. Se ele pular necessariamente morrerá. Ele não pode voltar porque o inimigo irá matá-lo. Ele esperava ter alguma chance ao pular – poderia ficar aleijado, mas talvez, por um milagre, ele poderia sobreviver – mas isso também parecia impossível porque ele vê no fundo do abismo dois leões olhando para ele, prontos para devorá-lo.

Não encontrando nenhum outro caminho – não podia voltar, não podia seguir em frente – ele se segura nas raízes de uma árvore, justamente no meio. É uma manhã fria, as suas mãos estão quase congeladas. Ele sabe que em alguns minutos ele não será capaz de segurar as raízes de maneira alguma; as suas mãos estão escorregando, ele está perdendo a pegada. Ele sabe que a morte está tornando-se mais certa a cada momento.

E então ele vê que dois ratos, um preto e um branco, estão comendo a raiz, cortando a raiz. Esses dois ratos representam o dia e a noite – eles representam o tempo, que está cortando a raiz da vida de todos. Dia e noite a morte está aproximando-se. Então agora torna-se ainda mais absolutamente certo que é apenas uma questão de pouco tempo e ele será liquidado. A raiz está ficando mais fraca a cada segundo, mais fina a cada segundo. Os ratos estão trabalhando; as suas mãos estão ficando mais congeladas, ele pode ouvir os leões rugindo lá no fundo do vale e ele pode ouvir o inimigo aproximando-se cada vez mais. Você pode entender a má situação que se encontra esse homem.

E então, de repente, ele vê que no topo da árvore há uma colmeia e uma gota de mel está pingando. Ele se esquece totalmente dos inimigos, dos leões que rugem, dos ratos branco e preto, suas mãos congelando – por um momento ele se esquece completamente de tudo. Toda a sua mente se torna focada naquela gota de mel. Ele abre a sua boca, a gota de mel cai em sua língua… e ela é tão doce.

 

Esta é a situação do tolo. Esta é a situação de todos os seres humanos na Terra. Quão doce é o sabor! Mas por quanto tempo este sabor pode continuar? Em breve a morte estará chegando por todas as direções. Mas é dessa forma que vamos vivendo – vivendo para prazeres momentâneos, deleite, comida, sexo, dinheiro, poder, prestígio… apenas gotas de mel. Quão doce elas são e, naquele momento, você se esquece completamente o que acontecerá. O momento toma posse de nós e nos esquecemos da realidade da vida: que está enraizada na morte, que ela desaparecerá.

Buda diz: POR UM TEMPO O DANO DO TOLO TEM UM SABOR DOCE, TÃO DOCE QUANTO O MEL. MAS NO FINAL ELE TORNA-SE AMARGO. E QUÃO AMARGAMENTE ELE SOFRE! Observe-se. O que você está fazendo aqui na Terra? O que você fez até agora? No que consiste a sua vida? Você fez algo real, ou está vivendo de sonhos? Você se aproximou de alguma forma do eterno? Ou você está muito ocupado com o momentâneo? Você fez algum plano, quaisquer projetos, para a verdade última? Ou você está apenas embebedando-se com o mundano, com o ordinário, caindo na mesma rotina todos os dias, movendo-se na mesma rotina todos os dias? A manhã chega e você corre até o mercado, e a noite vem e você está cansado e volta para casa… e o mesmo círculo segue girando, a mesma roda. E isso tem acontecido por muitas vidas. Quando você ficará cansado disso? Quando você vai tornar-se um pouco mais alerta em relação a o que você está fazendo com a sua vida? Isso é um desperdício total.

Mas Buda diz: certamente há alguma doçura, momentânea, e há um sofrimento por causa desta doçura. Ela se torna, inevitavelmente, amargura. Observe sua vida. Você pode ganhar muito dinheiro e enquanto você está ganhando ele tem um sabor adocicado. Mas você não está consciente que está perdendo a sua vida ao ganhar lixos, que a vida está escorrendo para fora de suas mãos, que é um negócio muito custoso o que você está perseguindo, totalmente tolo, estúpido.

A vida não pode ser comprada de volta; nem mesmo um único momento, com toda a sua riqueza, você pode comprar de volta. Ela não pode ser reivindicada novamente. Tamanho tempo precioso sendo desperdiçado! Você está acumulando riquezas que serão tiradas pela morte, e você irá de mãos vazias… tão de mãos vazias quanto como você veio para a Terra. Então você sentirá a amargura, que você desperdiçou toda a sua vida por algo que não ficará com você. Você desperdiçou toda a sua vida em poder, políticas; você desperdiçou toda a sua vida em tornar-se respeitável e agora a morte chegou e tudo será levado embora. E você não provou nem um único momento da sua realidade eterna – você não provou nada imortal. Isso é o que Buda chama de abordagem de tolo em relação à vida. Tudo fica amargo: seu amor, sua amizade, sua família, seu negócio, sua política… tudo, finalmente, prova-se ser venenoso, torna-se amargura. Aquele que é sábio tornar-se-á consciente enquanto houver tempo e algo puder ser feito. 

 

POR MESES O TOLO PODE JEJUAR,

COMENDO DA PONTA DE UMA LÂMINA DE GRAMA.

MESMO ASSIM ELE NÃO VALE UM CENTAVO

EM COMPARAÇÃO AO MESTRE CUJO ALIMENTO É O CAMINHO.

 

Buda não está dizendo torne-se um asceta. Buda não está dizendo renuncie ao mundo, renuncie à comida, passe fome, jejue, torture o seu corpo – ele não está dizendo isso. Ele não o poderia dizer. Ele aprendeu uma lição, uma grande lição ao fazer essas coisas ele próprio.

Quando deixou seu palácio ele seguiu o caminho tradicional por seis anos, torturando a si mesmo, jejuando, destruindo o seu corpo. Chegou a um ponto em que ele estava no limite da morte – ele havia torturado muito a si mesmo. Naquele momento ele se tornou consciente, “O que estou fazendo? Primeiro eu estava exagerando na satisfação, todo o meu dia e noite era devotado ao regozijo: mulher, vinho, boa comida, roupas, palácios, charretes douradas, caça… Essa era a minha vida, a minha vida de príncipe. Eu estava fazendo algo que provou-se fútil.”

Ele tinha apenas vinte e nove quando deixou o seu palácio – deve ter sido um homem de muita inteligência. Há pessoas que tem setenta ou setenta e nove e ainda não se tornaram conscientes da tolice de suas vidas. Ele tinha apenas vinte e nove. Deve ter sido um homem de raro discernimento. Ele deveria estar observando, olhando o que ele estava fazendo, meditando sobre as coisas. De repente ele ficou consciente, “Tudo isso é bobagem – todas essas mulheres, todo esse vinho, caça, todo esse deleite não me dará nada de eterno.”

O Oriente sempre esteve em busca do eterno. A definição da verdade no Oriente é: aquilo que é eterno. E a definição da inverdade? Aquilo que é momentâneo. Quando os místicos Orientais dizem que algo é ilusório, eles querem dizer que este algo é momentâneo. Eles não querem dizer que isso não existe, eles sabem que existe, mas somente por um momento, como uma bolha de sabão. Ela existe! E, às vezes, uma bolha de sabão pode parecer realmente bela. Se os raios de sol passarem através dela, ela pode ser cercada por um arco-íris, todas as cores. Uma bolha de sabão existe, mas a sua existência é tão momentânea, tão enganosa, que é melhor dizer que ela não existe; por isso os místicos Orientais dizem que o mundo é maya – ilusório. Não que é ele não exista, mas é tão momentâneo que é quase irrelevante se ele existe ou não. É melhor chamá-lo de ilusório, porque isso o tornará alerta, desperto.

Esses vinte e nove anos foram suficientes para torná-lo consciente que ele estava brincando com bolhas de sabão. Ele escapou, renunciou ao seu reino. Mas como quase sempre ocorre, a mente se move para o oposto. A mente é como um pêndulo de um relógio antigo: vai da direita para a esquerda, da esquerda para a direita – ao oposto. Ela nunca fica no meio. E o meio é o segredo. Se o pêndulo parar no meio, o relógio para, o tempo para, o mundo para. Mas o pêndulo vai da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e ele mantém o relógio rodando, mantém o relógio se movendo – ele mantém o tempo vivo. E o tempo é o mundo.

Ir para além do tempo é conhecer algo imortal; por isso, na Índia, para o tempo e a morte nós usamos a mesma palavra, kal – a mesma palavra para tempo e a mesma palavra para morte. Não é coincidência, isso tem uma significância. O tempo é morte, porque no tempo tudo é momentâneo, tudo morrerá. Em um momento algo existe, no outro momento este algo se foi, e se foi para sempre. No momento em que você vai para além do tempo, você vai para além da morte.

Mas a mente funciona assim – ela se move para o oposto – a mente do Buda também moveu-se para o oposto. Ele escapou do palácio. Até agora ele preocupou-se com o seu corpo; agora ele começou a torturar o corpo. Até agora ele era muito obcecado com boa comida; agora ele começou a jejuar, longos jejuns. Ele tornou-se um asceta famoso. As pessoas começaram a respeitá-lo, as pessoas começaram a segui-lo. Ele era um homem belo, um dos mais belos que já andou sobre a Terra, mas esses seis anos de autotortura e masoquismo destruíram o seu corpo. Ele ficou sombrio, magro, feio.

Mas um dia um grande discernimento surgiu nele, “O que estou fazendo? Primeiro eu estava obcecado com o alimento, agora estou obcecado com o jejum – basicamente ainda estou obcecado com o alimento. Primeiramente era uma obsessão positiva, agora é uma obsessão negativa. Mas eu não mudei nem um pouco. Primeiro eu estava obcecado com as mulheres, agora estou obcecado com brahmacharya – celibato. Basicamente eu não mudei – ainda estou obcecado com o sexo. Primeiro eu estava correndo atrás de sexo, agora estou correndo para longe do sexo, mas o sexo permanece o centro do meu ser.” A revelação foi grande. Esta revelação criou o contexto no qual ele tornou-se iluminado. Na noite em que ele entendeu isso, algo tremendamente importante aconteceu com ele. Ele riu perante todo o ridículo da sua mente. Ele riu da traiçoeira mente – que ele estava pensando estar indo contra a mente, mas ele não estava indo contra a mente – a mente pregara uma peça. A mente o enganou, a mente o iludiu. A mente entrou pelas portas dos fundos. Primeiro ela entrava pela porta da frente, agora ela estava entrando pela porta de trás, e é mais perigoso quando ela entra pela porta de trás. Pela porta da frente, pelo menos você está consciente do que você está fazendo. Quando ela entra pela porta de trás, indiretamente, de maneira sutil, escondida, ela se oculta por trás de uma fachada.

A mente é tão astuta que ela pode esconder-se nas vestes do seu oposto. A partir do deleite ela pode tornar-se ascetismo, do materialismo ela pode tornar-se espiritualista, de mundana ela pode tornar-se transcendental. Mas mente é mente – quer ela seja a favor do mundo ou contra o mundo você permanece engaiolado na mente. Contra ou a favor, ambas são partes da mente.

Quando a mente desaparece, a mente desaparece em uma consciência sem escolhas, quando você para de escolher, quando você não é nem a favor nem contra – isso é o parar no meio. Uma escolha leva à esquerda, um extremo; outra escolha leva à direita, o outro extremo. Se você não escolher, você está exatamente no meio. Isso é relaxamento, descanso. Isso é renúncia verdadeira. Não é oposta ao mundo, não é oposta ao corpo, não tem nada a ver com o corpo. É um total despertar da consciência. Você se torna sem escolhas, sem obsessão, e, nesse estado, surge a inteligência que estava nas profundezas, dormente em seu ser. Você se torna uma luz para si próprio. Você não é mais um tolo.

Do regozijo você pode mover-se para a repressão; isso não ajudará. É neste ponto que todas as religiões foram fisgadas.

 

A madre superiora é assaltada em uma noite no momento em que ela está voltando do banco onde depositou a caridade da semana. “Você está perdendo o seu tempo, jovem,” ela diz ao assaltante. “Eu não tenho dinheiro. Eu o depositei à noite no banco.”

“Veremos,” ele diz sombriamente, e começa a passar a mão por dentro do seu hábito em busca do dinheiro.

“Ó! O que você está fazendo?” lamenta-se. “Ó! Ó! Ó Jesus, Maria! Não pare agora – vou assinar um cheque para você!”

 

A repressão não é o caminho, não pode ser. Tudo o que você reprimiu está esperando a sua oportunidade. Simplesmente foi para o inconsciente – pode voltar a qualquer momento. Qualquer provocação e tudo voltará à superfície. Você não está livre dele. A repressão não é o caminho da liberdade. A repressão é um tipo muito pior de servidão do que o regozijo, porque através do regozijo a pessoa se cansa em algum momento, mas através da repressão a pessoa nunca se cansa.

Veja o ponto: o regozijo necessariamente vai te amarrar e cansar. Mais cedo ou mais tarde você vai começar a pensar como livrar-se dela. Mas a repressão manterá as coisas vivas. Porque você não viveu, como você poderia cansar-se? Você não viveu; como você poderá ficar farto? Porque você não viveu, o charme continua, a hipnose continua; ela aguarda lá no fundo.

E as pessoas que desfrutam são normais comparadas com as pessoas que reprimem; a pessoa que reprime torna-se patológica. A indulgente pelo menos é natural – é assim que a natureza o fez – mas reprimir é tornar-se antinatural. É fácil ir da natureza mais baixa para a natureza mais alta. É muito difícil ir do antinatural para a natureza mais alta. Buda chama a verdade última, “a natureza última” – AES DHAMMO SANANTANO. Esta é a natureza última, a lei última, ele declara. O que é a lei última? O eterno, o imortal, a consciência pura.

É fácil alcançar esta lei eterna a partir da natureza, porque a natureza é mais baixa, porém, ainda assim, é natureza. E do mais baixo para o mais alto você pode dar um passo; o mais baixo torna-se um degrau. Mas no momento em que você se torna antinatural isso se torna muito difícil. Do antinatural não há como atingir à natureza suprema.

Por isso a minha sugestão é: se você for escolher, escolha o regozijo em vez da repressão. A melhor coisa é não escolher, permanecer sem escolhas, ser apenas uma testemunha, ver os seus instintos, desejos, e não se identificar com eles, a favor ou contra. A melhor coisa é ser uma testemunha porque no testemunhar, no fogo do testemunhar, todos os desejos são queimados – não apenas os desejos, mas as próprias sementes dos desejos são queimadas. Um ser se torna nirbeej – sem semente.

Mas não escolha o negativo. Uma vez que você se torna repressivo, você se torna patológico, você fica doente. De fato, apenas as pessoas patológicas tornam-se interessadas em sistemas repressivos de pensamento.

 

Em um convento na Bélgica todas as freiras exceto uma ficaram grávidas logo após a guerra. O cardeal fez um inquérito pessoal e descobriu que todas as freiras foram estupradas pelos soldados Alemães.

“Mas por que eles não estupraram você?” ele pergunta para a magra, pequena, feia e repulsiva freira que não está grávida.

“Quem, eu?” ela disse. “Eu resisti!”

 

O patológico também pode encontrar racionalizações. Você conhece a antiga fábula de Ésopo?

A raposa diz, “As uvas estão azedas,” porque a raposa não podia pegar as uvas – elas estavam muito altas. Ela olhou em volta, ela tentou muito alcançá-las, mas as uvas estavam muito altas, além do seu alcance. Ela olhou em volta, não havia ninguém. Ela se afastou, mas uma lebre estava observando, escondida atrás de um arbusto. E a lebre disse, “Tia, o que aconteceu? Você não conseguiu pegar as uvas?’

A raposa disse, “Não, não é uma questão de pegar as uvas – elas ainda não estão maduras, elas estão muito azedas.”

 

As pessoas que não conseguem pegar as uvas podem racionalizar que elas estão azedas. Essas racionalizações podem enganar os outros, mas como podem enganar a você? A raposa sabe perfeitamente bem que ela não foi capaz de alcançar. Ora, é uma racionalização, e a mente é muito astuta na racionalização.

 

Jake voltou para casa no meio da tarde. Na porta ele encontrou sua esposa e seu filho. O seu filho exclamou, “Pai, há um bicho papão no closet!”

Jake correu até o closet e abriu a porta. Ali, no meio dos casacos estava seu sócio, Sam. “Sam,” gritou Jake, “por que diabos você veio aqui à tarde e assustou meu filho?”

 

A mente é muito astuta e esperta na racionalização das coisas, em encontrar maneiras e meios. A mente pode sugerir a repressão para você muito facilmente, porque se você reprimir você estará muito mais no poder da mente do que você já esteve antes na vida de regozijo. E a mente terá um domínio maior sobre você.

Buda aprendeu isso através da sua própria experiência – seis anos de grande tortura. Com Buda o mundo entrou em uma nova fase de religiosidade. Antes de Buda ninguém falou isso: que a repressão, as austeridades, jejum, torturar o corpo, nada disso ajuda. Com Buda, a humanidade entrou em uma nova fase, em uma fase superior.

Buda é um marco muito significante na evolução da consciência humana, mas ele não foi entendido corretamente, porque, novamente, os intérpretes eram aqueles velhos eruditos, pânditas, sacerdotes. Eles novamente interpretaram Buda de uma tal maneira… eles começaram a interpretar Buda quase completamente contra a sua própria experiência. Eles começaram a falar muito desses seis anos; as escrituras Budistas estão cheias de descrições desses seis anos. E se você ler as escrituras Budistas você verá que parece que foi por causa desses seis anos de austeridades que ele atingiu a iluminação. Não foi por causa disso. Não foi por causa desses seis anos de austeridades que ele atingiu a iluminação; ele atingiu a iluminação no dia em que abandonou todas essas austeridades. Ao abandoná-las ele alcançou a iluminação, não por causa ou através delas.

Mas se você ler as escrituras, particularmente àquelas escritas na Índia, você começará a ter uma impressão totalmente falsa. Elas fazem parecer como se Buda não tivesse contribuído em nada para a consciência humana, como se ele fosse apenas o tipo antigo de asceta – talvez muito mais inteligente na expressão, muito mais convincente, lógico, indo muito mais profundo em seu discernimento, mas nada novo. É a mesma velha religião que ele trouxe em palavras novas, com uma nova lógica; o mesmo vinho velho em uma garrafa nova, isso é tudo. É assim que os Indianos fizeram Buda parecer. Isso é falsificação. Buda não representa o velho. Ele é um passo além do velho. Ele é uma nova fase. E, assim como ele deu um novo passo, novamente outro passo é necessário. Vinte e cinco séculos passaram-se.

A minha nova comuna será este novo passo – um passo adicional da evolução humana, da consciência humana.

Embora Buda tenha abandonado o ascetismo ele não fala muito contra este; ele não poderia, porque ele tinha que comunicar-se com as pessoas que estavam cheias de conhecimento antigo e ideologia antiquada. Ele tinha que falar com as pessoas que seriam absolutamente incapazes de entender se ele estivesse falado como eu. Mesmo eu não sou compreensível para as pessoas. Vinte e cinco séculos passaram-se e as pessoas ainda estão presas. As pessoas estão no Séc. XX, mas apenas fisicamente; espiritualmente elas estão a milhares de anos atrás. Buda não pôde fazer nem um esforço. Ele falou para os seus discípulos mais próximos que, “Não foi através do ascetismo que eu alcancei. Alcancei ao abandonar o ascetismo – aquilo era tudo tolice.” Esses sutras foram dados aos seus discípulos mais próximos.

Ele diz: POR MESES O TOLO PODE JEJUAR, COMENDO DA PONTA DE UMA LÂMINA DE GRAMA. MESMO ASSIM ELE NÃO VALE UM CENTAVO EM COMPARAÇÃO AO MESTRE CUJO ALIMENTO É O CAMINHO.

Se você realmente quer uma transformação, então faça de dhamma o seu alimento – permita que o próprio caminho para Deus seja o seu alimento. Alimente-se dele! Jesus diz de outra forma: Coma-me! Ele diz aos seus discípulos: Beba-me! Absorva-me, digira a mim!

Buda diz: …CUJO ALIMENTO É O CAMINHO. O caminho significa dhamma, religião, a lei última, que mantém todo o mundo em harmonia. Aquele que começar a alimentar-se dessa harmonia atingirá – não ao jejuar. Não é pelo jejum da comida grosseira, mas pela alimentação do alimento sutil que se alcança.

Sim, há um alimento sutil disponível. Quando você olha para uma rosa, apenas observe. Permita que a beleza da rosa seja absorvida em você, e você sentir-se-á alimentado. Você não comeu a rosa, mas algo sutil que está em torno da rosa, a aura da rosa, a dança da rosa ao vento, a fragrância que é invisível. Você não a sentiu? Vendo uma bela rosa, de repente você se sente saturado, contente. Olhando para o céu cheio de estrelas, você não se sente nutrido? Assistindo ao nascer ou pôr-do-sol, ou apenas ouvindo o chamado distante de um cuco, uma música distante, você não se sente nutrido, ficando cheio de algo desconhecido…?

O seu corpo precisa de alimento, a sua alma também precisa de alimento. O alimento do corpo é grosseiro, obviamente; o corpo é parte do mundo grosseiro. O alimento espiritual é invisível – na música, na poesia, na beleza, na dança, na canção, na oração, na meditação…e você vai cada vez mais fundo na alimentação espiritual.

Buda diz: não é ao abandonar a alimentação grosseira, através do jejum, que alguém alcança, mas ao alimentar-se do caminho. Uma expressão estranha – alimentar-se de dhamma. O que é dhamma? Há alguns dias alguém perguntou, “Amado Mestre, eu amo quando você diz: AES DHAMMO SANANTANO, mas o que exatamente isso significa?” Significa a harmonia da existência, significa a melodia da existência, significa a dança última que acontece a todo momento. Significa a celebração que existe em todos os lugares. As árvores estão celebrando, os pássaros, os animais, os rios e as montanhas… toda essa existência é feita de uma matéria chamada bem-aventurança.

Isso é o que Buda quer dizer quando diz: AES DHAMMO SANANTANO – está é a lei última, inexaurível. Você pode seguir alimentando-se dela, mas você não pode exauri-la. E quanto mais você se alimenta, mais alma você terá. Quanto mais você se alimenta dela, mais divino você se torna. Buda está dizendo: não estou ensinando o jejum – estou ensinando a você uma nova forma de regozijo, um tipo mais elevado de regozijo. Ele não está dizendo exatamente desse modo, mas eu estou falando. Estou te ensinando uma forma mais elevada de amor, uma forma mais elevada de celebração, uma forma mais elevada de dança, uma forma mais elevada de absorver a energia de Deus em si próprio – tornando-se cada vez mais receptivo e feminino para que você possa tornar-se repleto de Deus.

Ele chama o homem que continua jejuando de tolo. Mas esses tolos são adorados na Índia, e não apenas na Índia – em quase todo o mundo. De fato, a maior parte do povo consiste de tolos; por isso, sempre que um tolo começa a seguir o caminho sovado, podre, o caminho tradicional das massas, estas ficam muito excitadas. Seus egos ficam muito satisfeitos. Este homem prova que as massas estão certas, que os seus pais estavam certos, a sua herança provou-se certa: “Olhe, este homem está jejuando!” E as pessoas espirituais sempre estiveram jejuando – as massas têm essa ideia.

Sim, às vezes uma pessoa espiritual pode jejuar, mas a razão é totalmente diferente do que você pensa. Mahavira jejuou, jejuou por doze anos, e por longos períodos de tempo. Diz-se que nesses doze anos ele alimentou-se apenas por trezentos e sessenta e cinco dias – ou seja, apenas um ano. Um mês ele jejuava e no outro ele se alimentava por um dia; em doze anos um ano significa que, em média, ele se alimentava uma vez a cada doze dias. Essa era a sua forma de jejuar.

Mas Mahavira nunca se cansou e Buda cansou-se depois de seis anos. O que ocorreu? E Mahavira atingiu o mesmo patamar que Buda atingiu. Buda atingiu ao abandonar o seu jejum e sua austeridade; Mahavira nunca a abandonou. Ora, ambos não podem estar certos – e eu digo a você que ambos estão certos. Mas as razões são tão diferentes, quase inconcebíveis.

O jejum de Mahavira tem uma qualidade totalmente diferente. Ele não é um asceta, ele não está jejuando – de fato, ele está se alimentando tanto de Deus que ele não precisa comer. A sua alma está tão transbordante de energias sutis que seu corpo fica satisfeito. Ele não sente a necessidade de comer. De fato, dizer que ele jejua não está correto. Se me permite, eu diria: ele não podia comer. E você às vezes também observa isso.

Quando eu vinha para Puna eu costumava ficar com Sohan e ela ficava muito intrigada. Um dia ela perguntou-me, “O que é isso? Uma ou duas vezes por ano você vem para Puna. Eu espero o ano todo – ele virá, ele virá – e então você vem e fica por três ou quatro dias. Por três ou quatro dias eu não posso comer de maneira alguma. Qual a razão de eu não poder comer? Eu não estou jejuando,” ela me disse. “Eu quero comer, mas simplesmente não consigo. Sinto-me repleta.”

Eu disse a ela, “Sempre que você está tremendamente feliz, você não será capaz de comer. A sua bem-aventurança está tão transbordante que ela não deixa nenhum apetite, ela não deixa nenhum vazio em você. Não apenas a sua alma está transbordante, o seu corpo começa a ser afetado pela sua alma. O seu corpo é uma sombra da sua alma.”

Você ficará surpreso: as pessoas miseráveis comem mais, as pessoas felizes comem menos. Uma pessoa miserável sente-se tão vazia que ela quer abarrotar-se, estufar-se com alguma coisa ou outra. A pessoa miserável segue comendo, ela segue estufando-se. Ela se sente tão vazia e perdida que não sabe o que fazer. Parece fácil ir até a geladeira e comer mais um pouco; talvez isso dará um sentimento de preenchimento. E certamente isso não dá, em um nível muito grosseiro, uma sensação de preenchimento.

Ora, a América é o país que mais sofre em relação ao sobrepeso e a razão é simples: a América está sofrendo agora de um grande vazio. A razão é espiritual, por isso nenhuma dieta pode ajudar. E quanto tempo você pode fazer dieta? Você pode fazer dieta por alguns dias com grande força de vontade; você tem que forçar-se. Então, depois de alguns dias você se cansa de fazer o esforço e então pula sobre a comida com vingança; e você ganhará mais peso do que você perdeu fazendo dieta.

Na América isso é um problema. Em todos os países ricos isso será um problema, porque você tem alimento e você tem o vazio ambos disponíveis. Sobra apenas o alimento para você se preencher, apenas o sexo para você se preencher. Siga comprando novas bugigangas, novas coisas; se você não pode ter nada a mais você pelo menos pode seguir acumulando mobiliário. Você pode preencher a casa se você não pode preencher o seu ser. Uma forma secundária de sentir-se cheio. Justamente o oposto ocorre quando você está realmente feliz, alegre, quando você está voando, quando você se sente leve.

Eu falei para Sohan, “Isso é perfeitamente lógico. Isso é o jejum real!”

Em Sânscrito, a palavra para ‘jejum’ tem uma beleza própria. A palavra Inglesa não tem essa qualidade. A palavra Inglesa ‘fast’ [NT. jejum] simplesmente quer dizer passar fome através da força de vontade. A palavra Sânscrita é upawas – ela significa ‘estar mais próximo de Deus’. Literalmente quer dizer estar mais próximo de Deus; upawas não tem nada a ver com jejum. Ela significa estar próximo de Deus, tão cheio de Deus que você esquece tudo sobre o seu corpo, que você esquece tudo sobre a nutrição do seu corpo. Você está tão nutrido pelo alimento sutil, a energia sutil que segue derramando-se sobre você.

Mahavira não estava jejuando da mesma maneira que Buda estava; Mahavira estava comendo Deus e Buda estava simplesmente jejuando. O jejum de Mahavira era upawas – estar próximo de Deus. O seu jejum era o que jejum quer dizer em Sânscrito; O jejum de Buda era o que jejum quer dizer em Inglês – apenas passar fome. Por isso Mahavira atingiu sem abandonar o seu jejum. Não era jejum em primeiro lugar – não havia necessidade de abandoná-lo. Buda teve que abandoná-lo, era apenas o oposto do regozijo. Ele estava simplesmente passando fome com a motivação que ao passar fome é possível atingir.

Como você pode atingir Deus ao privar o corpo? Qual é a lógica disso? Qual é sua razão científica? Você pensa que Deus é alguém como Adolf Hitler, que desfruta de suas torturas? Quem gosta de ver as suas crianças com fome e sonhando com comida? Quem gosta de ver as pessoas ficando feias, doentes? Deus é compaixão, Deus é amor. Ele gostaria que você estivesse cheio dele. E quando você está cheio dele você pode não sentir a necessidade de comer. Mahavira não estava jejuando, ele estava simplesmente não sentindo a vontade de comer, isso é tudo. E essa é uma grande diferença.

Buda diz: POR MESES O TOLO PODE JEJUAR, COMENDO DA PONTA DE UMA LÂMINA DE GRAMA. MESMO ASSIM ELE NÃO VALE UM CENTAVO EM COMPARAÇÃO AO MESTRE CUJO ALIMENTO É O CAMINHO.

Um dia ele descobriu que havia um outro tipo de alimento: é possível alimentar-se da harmonia da existência, é possível tornar-se parte da harmonia, é possível tornar-se parte da celebração, a festividade que sempre continua, sem nenhum começo nem fim. Então você está cheio e satisfeito.

 

O LEITE FRESCO LEVA TEMPO PARA AZEDAR.

DA MESMA FORMA O DANO DO TOLO

LEVA TEMPO PARA ALCANÇÁ-LO.

COMO AS BRASAS DE UM FOGO

O DANO ARDE DENTRO DE SI.

 

Se você faz algo, leva tempo para os resultados chegarem. Você pode nem ser capaz de conectar os dois, a causa e o efeito.

Você sabia que na África ainda existem tribos primitivas que não têm a concepção que o nascimento de uma criança tem algo a ver com a relação sexual – porque há um intervalo tão grande, nove meses. E não somente o intervalo é muito grande… eles não têm formas de calcular o tempo, então, para eles, nove meses é realmente um tempo longo; eles não registram o tempo. Eles não têm calendários, relógios, nenhuma ideia do tempo de maneira alguma. Eles vivem realmente em um mundo primitivo onde o tempo ainda não foi inventado, então como eles poderiam conceber que a relação sexual entre um homem e uma mulher pode ser a causa do nascimento de uma criança?

E então existem outras razões: nem sempre ocorre. Você pode fazer amor com uma mulher e pode não vir nenhuma criança, então não é uma coisa inevitável. Então como a criança nasce? A criança nasce não por causa da relação sexual, não pelo relacionamento sexual, não há biologia por detrás – ela vem como um presente de Deus a quem quer que ele escolha. Se você seguir a religião da tribo, você será abençoado com uma criança; caso contrário, não há nenhuma chance.

Quando os missionários Cristãos descobriram a tribo pela primeira vez, eles não acreditavam que essas pessoas por séculos viveram, deram à luz aos filhos, e não tinham nenhuma ideia de causa e efeito. E é isso que todos nós somos, de muitas formas – primitivos.

Hoje, de repente, você começa a sentir-se triste sem nenhuma razão; você não pode encontrar qualquer razão nas proximidades – nada aconteceu. À noite quando você foi para cama, tudo estava bem; Você estava fluindo, brilhante, e de manhã você está repentinamente triste. Ninguém o insultou, nada ocorreu, nenhuma notícia ruim chegou… por quê? De onde veio essa tristeza? Você deve ter feito algo; talvez há um intervalo de tempo, talvez um intervalo de três meses ou três anos. E aqueles que foram fundo nesse fenômeno, eles dizem que talvez mesmo na vida passada… às vezes algumas sementes demoram muito para brotarem.

E por causa disso, o tolo segue vivendo da mesma forma, da mesma forma tola, porque ele não pode ver que o sofrimento da sua vida é causado pelas suas próprias escolhas. Estas escolhas podem ter sido feitas há muito tempo atrás. Você pode ter jogado as sementes um ano antes, e então você se esqueceu completamente dessas sementes. A chuva vem, as sementes começam a brotar, e você fica surpreso – de onde? De onde essas plantas estão vindo? E, é claro, as sementes que seguimos semeando em nossas almas são muito invisíveis. Você pode estar com raiva, violento, invejoso, e elas permanecerem dentro de você.

Buda diz: COMO AS BRASAS DE UM FOGO O DANO ARDE DENTRO DE SI. Ele segue dentro de você, preparando-se, esperando pela primavera, e então ele explode de repente. O ser humano é responsável por qualquer coisa que aconteça com ele. O sábio torna-se consciente disso e para de semear miséria e começa a semear alegria. Em breve você estará pronto para colher o resultado.

O paraíso é isso: um ser humano sábio semeando sementes de bem-aventurança, amor, compaixão. E, um dia, o jardim está pronto. Você sabia? a palavra ‘paraíso’ vem do Persa e tem um belo significado. Em Persa é firdaus; de ‘firdaus’ ela tornou-se ‘paraíso’ em Inglês. ‘Firdaus’ significa um jardim murado da verdade. Se você seguir semeando alegria, beleza, dança, música, meditação, oração, em breve você criará um jardim murado da verdade – isso é paraíso. Caso contrário, você necessariamente criará o inferno. Viva inconscientemente, viva mecanicamente, viva tolamente, e o inferno será o resultado disso.

 

QUALQUER COISA QUE UM TOLO APRENDE,

APENAS O TORNA MAIS EMBOTADO

O CONHECIMENTO DIVIDE A SUA CABEÇA.

 

O tolo não está muito interessado em tornar-se inteligente, porque a inteligência é perigosa. A inteligência é rebelde, por isso é perigosa. A inteligência traz a individualidade a você, e, no momento em que você se torna um indivíduo integrado a multidão começa a ficar contra você; ela não pode tolerar um indivíduo. A multidão não pode perdoar um Jesus ou um Buda. Ela está muito feliz com os tolos, porque os tolos são iguais à multidão – de fato, um pouco mais engrandecidos, um pouco mais decorados, um pouco mais sofisticados. A multidão está muito feliz com os tolos. Ela está muito feliz com os políticos, com os professores, com os pânditas, mas a multidão não está feliz com um Jesus ou um Sócrates ou um Buda. Por quê? Porque a presença de um buda faz a multidão parecer estúpida. A própria presença de um buda e ela começa a sentir-se estúpida. Como a multidão poderia perdoá-los?

E a multidão não quer ela própria ser inteligente, porque é uma longa jornada e não há atalho. É difícil, árduo. Tornar-se inteligente significa afiar a sua consciência continuamente; tornar-se inteligente significa estar cheio de amor. O amor é o centro da inteligência, a lógica é o centro da intelectualidade.

O tolo torna-se intelectual; então ele pode gabar-se que sabe. Ele está interessado no conhecimento. Ele lerá a Bíblia, os Vedas e o Alcorão, ele abarrota-se de informação. Ele transforma a sua mente em um computador, ele se torna uma Enciclopédia Britânica andante. Isso é fácil, isso é simples, isso pode ser feito por uma máquina; para isso a inteligência não é necessária. E as suas escolas, colégios e universidades apenas transformam as pessoas em computadores.

Ainda temos que criar universidades onde a inteligência seja aperfeiçoada. As nossas universidades apenas embotam a inteligência porque elas preparam escravos para a sociedade. As universidades estão a serviço dos interesses vigentes; elas são agentes do status quo. Elas não servem o futuro da humanidade, elas servem o passado, elas servem os mortos. Elas não estão interessadas em criar pessoas que são inteligentes, criativas, alertas, vigilantes; elas estão interessadas em pessoas indiferentes, estúpidas, mas eficientes. Atendentes, coletores de impostos, gerentes – eficientes! Eles podem fazer somente o seu trabalho com muita eficiência. E lembre-se, as máquinas são mais eficientes que os seres humanos, então as universidades não estão interessadas nos seres humanos; elas estão interessadas em reduzir os seres humanos a máquinas.

Buda diz: QUALQUER COISA QUE UM TOLO APRENDE, APENAS O TORNA MAIS EMBOTADO. Quanto mais conhecimento ele recolhe, mais embotado ele se torna, mais estúpido ele se torna. E essa é a minha observação também. Eu tenho visto aldeões muito mais inteligentes do que os PhD e os D.Litt. e os professores das universidades, decanos, vice-reitores e reitores. Estas parecem ser as pessoas mais embotadas do mundo.

Um aldeão, um lenhador, parece ser muito mais inteligente. Ele não tem informação, é claro; não é instruído – mas ele é inocente e a inocência é parte da inteligência. Ser instruído é ser como uma máquina – e as máquinas são embotadas. Você já viu uma máquina inteligente? Apenas olhe para a máquina, e olhe para o decano e o vice-reitor…!

De fato, quanto mais embotado você é, maior a possibilidade que você se torne um vice-reitor – porque os políticos não gostariam que um Buda se tornasse um vice-reitor, eles não permitiriam que Sócrates se tornasse um vice-reitor. Este foi o crime que Sócrates foi acusado: que ele estava corrompendo os jovens. Sócrates, corrompendo a juventude? E esses tolos – os magistrados, os vice-reitores, os primeiros ministros e os presidentes – esses tolos não estão corrompendo? Sócrates está corrompendo a juventude – o que eles querem dizer com isso?

De uma forma, eles estão certos: ele está corrompendo a juventude porque ele está preparando os jovens para o futuro. Ele tem que destruir o passado, ele tem que criar dúvida, perscrutar, ele tem que criar buscadores, não crentes. E a sociedade quer crentes e as pessoas embotadas são ótimas crentes. Um Islâmico, um Cristão, um Hindu, um Jaina – quanto mais embotados são, mais eles vão crer, melhor eles vão crer… porque a pessoa embotada não pode inquirir, não pode arriscar. Ela teme: ela sabe que não é capaz de conhecer a verdade por si só, ela tem que acreditar em alguém.

O CONHECIMENTO DIVIDE A SUA CABEÇA, diz Buda. O conhecimento não o ajuda, mas torna-se um fardo, o peso de um Himalaia em seu ser.

 

POIS ENTÃO ELE QUER RECONHECIMENTO.

UM LOCAL PERANTE AS OUTRAS PESSOAS.

UM LOCAL SOBRE AS OUTRAS PESSOAS.

 

Todo o seu conhecimento se torna uma viagem do ego e esta é a maior servidão que existe. Ser livre do ego é redimir-se. Mas o tolo aprende apenas a ficar famoso, a ser reconhecido como uma autoridade, a ser um especialista. O tolo acumula conhecimento para que possa gabar-se e exibir-se, para que possa mostrar para as pessoas quão inteligente ele é. E a inteligência não é do ego; a inteligência vem apenas quando você está em um profundo estado sem ego. A inteligência é o desaparecimento do ego, encontrando-se e fundindo-se com o todo, esquecendo a separação, tornando-se uma onda no oceano de Deus – então você é inteligente.

 

“DEIXE-OS CONHECER O MEU TRABALHO,

DEIXE QUE TODOS ME PROCUREM EM BUSCA DA DIREÇÃO.”

TAIS SÃO OS SEUS DESEJOS,

TAL É O SEU ORGULHO INCHADO.

 

UM CAMINHO LEVA À RIQUEZA E A FAMA,

 

Buda diz: mas deixe-me torná-lo consciente que se você quer riqueza e fama, então siga o caminho do tolo – porque a pessoa tola é capaz de tornar-se famosa mais facilmente do que a pessoa inteligente. Se a pessoa inteligente se torna famosa, isso é apenas acidental – ela nunca tentou. Se a pessoa inteligente é renomada, isso não é por causa do seu esforço. A sua fragrância pode ter alcançado às pessoas, mas não há um esforço positivo do seu lado para ser reconhecida. Ela conhece o seu ser, ela não depende do reconhecimento dos outros. Ela sabe quem ela é, ela não precisa do certificado de ninguém.

Quando eu saí da universidade fui ver o ministro da educação. Eu falei para ele, “Essas são as minhas qualificações. Se você puder me dar um vaga em algum lugar, qualquer lugar estará bom.” Ele olhou para as minhas qualificações, ficou muito impressionado – as pessoas ficam impressionadas por disparates – porque eu era um medalhista de ouro, o primeiro da classe. Ele ficou muito impressionado. Ele disse, “Imediatamente vou apontá-lo como professor universitário. Mas uma coisa você tem que fazer: você tem um certificado de caráter?”

Eu disse, “Eu tenho um caráter, mas nenhum certificado de caráter. Olhe nos meus olhos, segure a minha mão! Posso abraçá-lo…!”

Ele disse, “Mas esse… esse não é o ponto. Onde está o certificado de caráter?”

Eu disse, “Eu não tenho nenhum certificado de caráter.”

Ele disse, “Você pode ir até o vice-reitor, ou ao chefe do seu departamento – apenas um certificado de caráter. É uma formalidade.”

Eu disse, “Não posso pedir ao vice-reitor, porque não acredito que ele tenha qualquer caráter! Qual peso esse certificado carregaria? E o chefe do departamento? Eu conheço ele mais do que ele próprio se conhece. Eu não posso dar a ele um certificado de caráter!”

Ele ficou muito intrigado. Ele realmente queria me ajudar. De fato, ele realmente ficou interessado em mim. Ele nunca tinha conhecido alguém assim – muitas pessoas devem ter se aproximado dele, mas ninguém disse, “Olhe nos meus olhos, ou segure as minhas mãos e sinta! Ou eu posso vir e viver com você por uma semana, na sua casa. Apenas veja o meu caráter de todas as formas possíveis. Não vou fechar nem mesmo a porta do meu banheiro. Vou manter tudo aberto, para que você possa observar…!”

Ele disse, “Essas coisas não são necessárias de maneira alguma! Apenas um simples certificado de caráter.”

Então eu disse, “Então eu posso escrever um simples certificado de caráter para mim mesmo” – e foi isso o que eu fiz. Eu escrevi um certificado, na frente dele, e ele disse, “O que você está fazendo? Mas isso nunca foi feito: você fazendo um certificado de caráter para si mesmo? A assinatura de outra pessoa é necessária!”

Então eu disse, “Ok, então eu assinarei pelo chefe do departamento, em seu nome. Esta é uma cópia verdadeira,” eu disse a ele, “e o original eu vou pegar do chefe do departamento.”

Então eu fui ao chefe do meu departamento. Eu disse, “Eu dei esse certificado de caráter em seu nome – por favor dê-me o original.”

Ele disse, “Isso é estranho! O original é necessário em primeiro lugar.” Mas ele amou a ideia e me deu um original.

 

UM CAMINHO LEVA À RIQUEZA E A FAMA… Se você seguir o caminho do tolo, você pode tornar-se muito rico, você pode tornar-se famoso. Você pode tornar-se o presidente de um país, um primeiro ministro de um país – você pode tornar-se qualquer coisa. Você pode ter tanta riqueza quanto você queira – apenas siga o caminho do tolo. Não seja inteligente, permaneça estúpido, pois, de fato, com exceção de uma pessoa estúpida, quem quer correr atrás de dinheiro? Sim, às vezes acontece, o dinheiro vem para uma pessoa inteligente, mas ele vem correndo atrás dela, ela não corre… a fama também às vezes vem para uma pessoa inteligente. A fama vem por si só; a pessoa não está interessada de maneira alguma.

 

…O OUTRO AO FINAL DO CAMINHO.

 

Mas se você quer finalizar todo esse disparate que persistiu ao longo das eras por muitas vidas, a mesma roda repetitiva de nascimentos e mortes, se você quer pará-la, então há um outro caminho, o caminho da pessoa inteligente, o caminho do sábio… seja uma luz para si próprio.

 

NÃO BUSQUE RECONHECIMENTO

MAS SIGA O DESPERTO

E LIBERTE-SE.

 

Não se preocupe, não deseje reconhecimento. Se milhões de tolos o reconhecem, o que importa? Milhões de tolos reconhecendo você simplesmente prova que você é um tolo maior do que eles. Nada mais é provado.

MAS SIGA O DESPERTO… O que Buda quer dizer quando diz SIGA O DESPERTO? Ele não quer dizer imite. Ele simplesmente quer dizer torne-se desperto como o desperto tornou-se. Esteja acordado – isso é seguir o desperto. Não siga nos detalhes: como ele vive, como come, quando vai dormir – isso é estupidez. Siga o desperto ao tornar-se desperto.

E LIBERTE-SE – porque é apenas a consciência, o estado de uma consciência desperta que traz liberdade. A inteligência é liberdade. Meditação é liberdade. Consciência é liberdade. E aqueles que vivem mecanicamente, inconscientemente, desinteligentemente, eles vivem em prisões. E viver em uma prisão é sofrer.

A liberdade é o valor máximo da vida.

SIGA O DESPERTO E LIBERTE-SE.

AES DHAMMO SANANTANO…

Por hoje é só.

 

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