Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 2. Cap 3, OSHO

O Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 2

Capítulo #3

Título do Capítulo: E viaje

3 de Julho de 1979 na Sala Buda

 

QUEM DEVE CONQUISTAR ESSE MUNDO

E O MUNDO DA MORTE COM TODOS OS SEUS DEUSES?

QUEM DEVE DESCOBRIR

O CAMINHO BRILHANTE DA LEI?

 

VOCÊ DEVE, ASSIM COMO O HOMEM

QUE BUSCA FLORES

ENCONTRA A MAIS BELA,

A MAIS RARA.

 

ENTENDA QUE O CORPO

É MERAMENTE A ESPUMA DE UMA ONDA,

A SOMBRA DE UMA SOMBRA.

QUEBRE AS FLEXAS DE FLORES DO DESEJO

E ENTÃO, INVISÍVEL,

ESCAPE DO REI DA MORTE.

 

E VIAJE.

 

A MORTE SUPERA O HOMEM

QUE COLHE FLORES

QUANDO COM UMA MENTE DISTRAÍDA E SENTIDOS SEDENTOS

ELE BUSCA EM VÃO A ALEGRIA

NOS PRAZERES DO MUNDO.

A MORTE O CARREGA

COMO UMA ENCHENTE CARREGA UMA VILA QUE DORME.

A MORTE O VENCE

QUANDO COM UMA MENTE DISTRAÍDA E OS SENTIDOS SEDENTOS

ELE COLHE FLORES.

ELE NUNCA FICARÁ SATISFEITO

COM OS PRAZERES DO MUNDO.

 

A ABELHA COLHE O NÉCTAR DA FLOR

SEM MACULAR A SUA BELEZA OU PERFUME.

ENTÃO DEIXE O MESTRE ESTABELECER-SE, E PEREGRINE.

 

OLHE PARA AS SUAS PRÓPRIAS FALHAS,

O QUE VOCÊ FEZ OU DEIXOU DE FAZER.

RELEVE A FALTA DOS OUTROS.

 

COMO UMA AMÁVEL FLOR,

BRILHANTE MAS SEM AROMA,

SÃO AS BELAS MAS VAZIAS PALAVRAS

DO SER HUMANO QUE NÃO COMPREENDE O QUE DIZ.

 

COMO UMA AMÁVEL FLOR,

BRILHANTE E FRAGRANTE,

SÃO AS BELAS E VERDADEIRAS PALAVRAS

DO SER HUMANO QUE COMPREENDE O QUE DIZ.

 

COMO GUIRLANDAS TRANÇADAS DE UMA PILHA DE FLORES,

APARECEM NA SUA VIDA DE ACORDO COM AS BOAS AÇÕES.

 

Deus não é realmente o centro da investigação religiosa – a morte o é. Sem a morte não haveria religião de maneira alguma. É a morte que faz os seres humanos buscarem o além, aquilo que não morre.

A morte nos envolve como um oceano envolve uma pequena ilha. A ilha pode ser inundada a qualquer momento. O próximo momento pode nunca vir, o amanhã pode nunca chegar. Os animais não são religiosos pela simples razão que eles não estão conscientes da morte. Eles não podem conceber a si mesmos morrendo, embora eles vejam outros animais morrendo. É um salto quântico concluir, vendo outro ser morrendo, que “eu também morrerei.” Os animais não estão tão alertas, conscientes, para chegarem a essa conclusão.

E a maioria dos seres humanos são, também, sub-humanos. Um ser humano está realmente maduro quando ele chega a essa conclusão: “Se a morte acontece com todas as outras pessoas, então eu não posso ser uma exceção.” Uma vez que essa conclusão infiltra-se profundamente em seu coração, a sua vida nunca mais poderá ser a mesma. Você não pode permanecer apegado à vida da mesma forma. Se ela será levada, qual é a razão de ser tão possessivo? Se ela desaparecerá um dia por que aferrar-se e sofrer? Se ela não permanecerá para sempre, então por que viver em tamanha miséria, angústia, preocupação? Se ela for, ela irá – não importa quando ela irá. O tempo não é tão importante – hoje, amanhã, depois de amanhã. Mas a vida escapará das suas mãos.

O dia que você se torna consciente que você morrerá, que a sua morte é uma certeza absoluta… de fato a única certeza na vida é a morte. Nada mais é tão absolutamente certo. Mas, de alguma maneira, seguimos evitando essa questão, essa questão da morte. Seguimos nos mantendo ocupados com outras coisas. Às vezes falamos sobre coisas grandes – Deus, céu e inferno – apenas para evitar a questão real. A questão real não é Deus, não pode ser, que familiaridade você tem com Deus? O que você sabe sobre Deus? Como você pode inquirir sobre algo que é absolutamente desconhecido para você? Será uma investigação vazia. Será no máximo curiosidade, ela será juvenil, infantil, estúpida.

As pessoas estúpidas perguntam sobre Deus, a pessoa inteligente pergunta sobre a morte. As pessoas que perguntam sobre Deus nunca encontram Deus, e a pessoa que pergunta sobre a morte com certeza encontrará Deus – porque é a morte que lhe transforma, a sua visão. A sua consciência é afiada porque você fez uma questão real, uma questão autêntica, a questão mais importante da vida. Você criou um desafio tão grande que você não pode permanecer dormindo por muito tempo; você terá que acordar, você terá que estar alerta o suficiente para encontrar a realidade da morte.

É assim que a busca de Buda começou:

No dia em que Buda nasceu… ele era o filho de um grande rei, e o filho único, e ele nasceu quando o rei estava ficando velho, muito velho; por isso houve uma grande comemoração no reino. As pessoas esperaram muito. O rei era muito amado pelas pessoas; ele as serviu, era gentil e compassivo, amoroso e generoso. Ele tornou o seu reino um dos mais ricos e amados daqueles dias.

As pessoas oravam para que o seu rei tivesse um filho porque não havia ninguém para herdar o reino. E então Buda nasceu quando o rei estava muito velho – inesperado foi o seu nascimento. Uma grande celebração, um grande júbilo! Todos os astrólogos do reino reuniram-se para prever o futuro de Buda. O seu nome era Sidarta – este nome lhe foi dado, Sidarta, porque significa realização. O rei estava realizado, o seu desejo estava realizado, a sua mais profunda ânsia fora realizada – ele queria um filho, ele quis um filho por toda a sua vida; por isso o nome Sidarta. Este nome simplesmente significa realização do desejo mais profundo.

Este filho tornou a vida do rei significativa, significante. Os astrólogos, grandes astrólogos, predisseram – todos eles concordavam exceto um jovem astrólogo. O seu nome era Kodanna. O rei perguntou, “O que acontecerá na vida do meu filho?” E todos os astrólogos levantaram dois dedos, exceto Kodanna que levantou apenas um dedo.

O rei pediu, “Por favor não falem em símbolos – sou um homem simples, não sei nada sobre astrologia. Digam-me, o que vocês querem dizer com dois dedos?”

E todos eles disseram, “Ou ele será um chakravartin – um conquistar do mundo – ou ele renunciará ao mundo e tornar-se-á um buda, uma pessoa iluminada. Essas duas alternativas existem, por isso levantamos dois dedos.”

O rei estava preocupado com a segunda alternativa, que seu filho renunciaria ao mundo. “Então novamente o problema: quem herdará o meu reino se ele renunciar ao mundo?” E então perguntou a Kodanna, “Por que você levantou apenas um dedo?”

Kodanna disse, “Estou absolutamente certo que ele renunciará ao mundo – ele tornar-se-á um buda, um iluminado, um desperto.”

O rei não ficou feliz com Kodanna. A verdade é muito difícil de se aceitar. Ele ignorou Kodanna; Kodanna não foi recompensado de forma alguma – a verdade não é recompensada nesse mundo. Pelo contrário, a verdade é punida de mil e uma maneiras. De fato, o prestígio de Kodanna caiu depois daquele dia. Porque ele não foi recompensado pelo rei, espalhou-se um rumor que ele era um tolo. Quando todos os astrólogos concordavam, ele foi o único a não concordar.

O rei perguntou aos outros astrólogos, “O que vocês sugerem? O que devo fazer para que ele não renuncie ao mundo? Não quero que ele seja um mendigo, não gostaria de vê-lo um sannyasin. Eu gostaria que ele se tornasse um chakravartin – um governante de todos os seis continentes.” A ambição de todos os pais. Quem gostaria que seu filho ou filha renunciasse ao mundo e se movesse para as montanhas, para ir até a sua própria interioridade, para buscar pelo si?

Os nossos desejos são extrovertidos. O rei era um homem ordinário, assim como todo mundo – com os mesmos desejos e as mesmas ambições. Os astrólogos disseram, “Pode ser arranjado: dê a ele o máximo de prazer possível, mantenha-o no máximo de conforto e luxúria humanamente possível. Não o deixe conhecer a doença, a velhice e particularmente a morte. Não o deixe conhecer a morte e ele nunca renunciará.”

Por um lado, eles estavam certos, porque a morte é a questão central. Uma vez que ela surge em seu coração, o seu estilo de vida deve mudar. Você não pode seguir vivendo da mesma maneira tola. Se essa vida terminará na morte, então essa vida não pode ser a vida real, então essa vida deve ser uma ilusão. A verdade tem que ser eterna se ela é verdadeira – apenas as mentiras são momentâneas. Se a vida é momentânea, então ela deve ser uma ilusão, uma mentira, uma concepção falsa, um mal-entendido; então a vida deve ser enraizada na ignorância. Devemos estar vivendo-a de tal forma que ela chega em um fim.

Podemos viver de um modo diferente para que possamos nos tornar parte do fluxo eterno da existência. Apenas a morte pode lhe dar esta mudança radical.

Então os astrólogos disseram, “Por favor, não deixe que ele conheça qualquer coisa sobre a morte.” E o rei fez todos os preparativos. Ele construiu três palácios para Sidarta para as diferentes estações em locais diferentes, para que ele nunca conhecesse os desconfortos da estação. Quando estava quente ele tinha um palácio em certo lugar nas montanhas onde estava sempre frio. Quando estava muito frio ele tinha outro palácio ao lado de um rio que era sempre quente. O rei fez todos os preparativos para que ele nunca sentisse nenhum desconforto.

Nenhum idoso podia entrar nos palácios onde ele vivia – apenas pessoas jovens. O rei reuniu todas as jovens e belas mulheres do reino ao redor dele para que ele permanecesse seduzido, fascinado, para que ele permanecesse sonhando, desejando. Um doce mundo dos sonhos foi criado para ele. Os jardineiros recolhiam todas as folhas mortas à noite; as flores esmaecidas e murchas deviam ser retiradas à noite – pois, quem sabe? – vendo uma folha morta ele poderia começar a perguntar sobre o que estava acontecendo com a folha, e a questão da morte poderia surgir. Vendo uma rosa murchando, as pétalas caindo, ele poderia perguntar, “O que está acontecendo com essa rosa?” e ele poderia começar a matutar, meditar, sobre a morte.

Ele foi mantido absolutamente inconsciente da morte por vinte e nove anos. Mas, por quanto tempo é possível evitar? A morte é um fenômeno importante – por quanto tempo é possível enganar? Mais cedo ou mais tarde ele teria que entrar no mundo. Agora o rei estava ficando muito velho e o filho deveria conhecer os caminhos do mundo, então, vagarosamente, ele foi sendo autorizado, mas sempre que ele passava através de qualquer rua da capital, os idosos eram removidos, os mendigos eram removidos. Nenhum sannyasin podia atravessar enquanto ele passava, porque ao ver um sannyasin ele poderia perguntar “Que tipo de homem é esse? Por que ele está de laranja? O que está acontecendo com ele? Por que ele parece diferente, desprendido, distante? Os seus olhos são diferentes, o seu aroma é diferente, a sua presença tem uma qualidade diferente. O que aconteceu com esse homem?” E então a questão da renúncia, e, fundamentalmente, a questão da morte surgiria… Mas um dia teria que acontecer. Não poderia ser evitado.

Nós também estamos fazendo o mesmo. Se alguém morre e a procissão está passando, a mãe puxa a criança para dentro da casa e fecha a porta.

A história é muito significante, simbólica, típica. Nenhum pai e mãe quer que suas crianças saibam sobre a morte, porque eles imediatamente começariam a fazer questões desconfortáveis. É por isso que construímos os cemitérios fora da cidade, para que ninguém precise ir até lá. A morte é um fato central; o cemitério deveria ser exatamente no centro da cidade para que todos tivessem que atravessá-lo várias vezes ao dia – indo ao escritório, vindo para casa, indo para a escola, a faculdade, voltando para casa, indo para a fábrica… para que a pessoa seja relembrada muitas vezes sobre a morte. Mas nós fazemos o cemitério fora da cidade, e fazemos o cemitério muito belo: flores, árvores. Tentamos esconder a morte – particularmente no Ocidente, a morte é um tabu! Assim como uma vez o sexo foi um tabu, agora a morte é o tabu. A morte é o último tabu.

Alguém como Sigmund Freud é necessário – um Sigmund Freud que pode trazer a morte de volta ao mundo, que pode expor o fenômeno da morte para as pessoas. Quando uma pessoa morre no Ocidente, o seu corpo é decorado, banhado, perfumado, pintado. Agora há especialistas que fazem todo esse trabalho. E se você ver uma mulher ou um homem morto, você ficará surpreso – ele parece muito mais vivo do que quando estava realmente vivo! Maquiado, com as bochechas vermelhas, sua face radiante; ele parece estar dormindo em um local calmo e quieto.

Estamos nos enganando! Não estamos enganando o morto, ele não está mais aqui. Não há ninguém, apenas um corpo morto, um cadáver. Mas estamos nos enganando ao pintar a sua face, ao colocar guirlandas em seu corpo, belas roupas, carregar o seu corpo em um carro luxuoso, uma grande procissão e muita apreciação pela pessoa que morreu. Ela nunca foi apreciada enquanto estava viva, mas agora ninguém a critica, todos elogiam-na.

Estamos tentando nos enganar; estamos tornando a morte tão bela quanto possível para que a questão não surja. E seguimos na ilusão que é sempre o outro que morre – obviamente, você não verá a sua própria morte, você sempre vê os outros morrendo. Uma conclusão lógica – é sempre os outros que morrem, então por que preocupar-se? Você parece ser especial, Deus criou uma regra diferente para você.

Lembre-se, ninguém é uma exceção. AES DHAMMO SANANTANO – apenas uma lei governa a todos, uma lei eterna. Qualquer coisa que ocorra à formiga ocorrerá ao imperador também. Pobre ou rico, ignorante ou instruído, pecador ou santo, a lei não faz distinção – a lei é muito justa.

E a morte é muito comunista – ela equaliza as pessoas. Ela não se importa com quem você é. Ela nunca olha as páginas dos livros publicados, como Quem é Quem. Ela simplesmente nunca se preocupa se você é paupérrimo ou Alexandre o Grande.

Um dia Sidarta teria que tornar-se consciente, e ele tornou-se. Ele iria participar de um festival da juventude; ele iria inaugurá-lo. O príncipe, é claro, deveria inaugurar o festival da juventude anual. Era uma bela noite; os jovens do reino reuniram-se para dançar, cantar e celebrar por toda a noite. O primeiro dia do ano – uma noite inteira de celebração. E Sidarta iria abri-lo.

No caminho ele encontrou o que seu pai tinha medo que ele um dia visse – ele encontrou aquelas coisas. Primeiro ele viu um homem doente, a sua primeira experiência da doença. Ele perguntou, “O que aconteceu?”

A história é muito bela. Ela diz que o cocheiro iria mentir, mas uma alma desencarnada possuiu o cocheiro, forçando-o a falar a verdade. Ele teve que dizê-la, apesar de si mesmo, “Este homem está doente.”

E Buda imediatamente fez uma questão inteligente, “Então eu também posso ficar doente?”

O cocheiro iria mentir novamente, mas a alma de um deus, uma alma iluminada, uma alma desencarnada, forçou-o a dizer, “Sim.” O cocheiro intrigou-se pois quis dizer não, mas o que saiu da sua boca foi, “Sim, você também ficará doente.”

Então eles cruzaram com um idoso – e o mesmo questionamento. Então eles encontraram com um cadáver sendo carregado para o ghat de cremação, e a mesma questão… e quando Buda viu o cadáver ele perguntou, “Eu também morrerei um dia?” o cocheiro disse, “Sim, senhor. Ninguém é exceção. Desculpe dizer isso, mas ninguém é exceção – até mesmo você morrerá.”

Buda disse, “Então volte essa charrete. Então não faz sentido ir a um festival da juventude. Já fiquei doente, já me tornei idoso, estou à beira da morte. Se um dia eu morrerei, então qual o sentido de todo esse disparate? – viver e esperar pela morte. Antes que ela venha, eu gostaria de conhecer algo que nunca morre. Agora vou devotar toda a minha vida a buscar algo imortal. Se existe algo imortal, então a única coisa significante na vida é a sua busca.”

E enquanto dizia isso, eles tiveram a quarta visão – um sannyasin, um monge, de laranja, caminhando muito meditativamente. E Buda falou, “O que aconteceu com esse homem?” E o cocheiro disse, “Senhor, isso é o que você está pensando em fazer. Este homem viu a morte ocorrendo e saiu em busca do imortal.”

Na mesma noite, Buda renunciou ao mundo; ele deixou a sua casa em busca do imortal, em busca da verdade.

A morte é a questão mais importante da vida. E aqueles que aceitam o desafio da morte, eles são imensamente compensados.

Os sutras, Buda diz:

QUEM DEVE CONQUISTAR ESSE MUNDO

E O MUNDO DA MORTE COM TODOS OS SEUS DEUSES?

QUEM DEVE DESCOBRIR

O CAMINHO BRILHANTE DA LEI?

 

Ele está lançando um desafio a você. Ele está levantando a questão em seu coração. Ele está perguntando: QUEM DEVE CONQUISTAR ESSE MUNDO E O MUNDO DA MORTE COM TODOS OS SEUS DEUSES?

Este mundo é o mundo da morte e os deuses que você criou na sua imaginação fazem parte desse mundo – eles morrerão. Você, o seu mundo, os seus deuses, eles todos morrerão, porque esse mundo é criado pelo seu desejo e os deuses são, também, criados pelo seu desejo e imaginação.

Você não sabe quem você é – como você pode conhecer o Deus real? E como você pode conhecer o mundo real? Qualquer coisa que você conhece é uma projeção, é um tipo de sonho. Sim, quando o sonho está lá, ele parece real. Toda noite você sonha e você sabe que enquanto sonha você nunca suspeita dele, você nunca duvida dele, você nunca coloca uma questão.

Gurdjieff costumava dizer a seus discípulos, “Toda noite quando você vai dormir, quando você está no limite e a cortina do sono está caindo sobre você, um pouco você ainda lembra, ainda não mergulhado na escuridão do sono, um pouco de consciência, e o sono está chegando… nesses momentos, nesses intervalos entre a vigília e o sono,” Gurdjieff costumava dizer, “esses momentos são muito significantes. Faça uma questão em sua mente e repita-a enquanto pega no sono. Uma questão simples: Isso é real? É de verdade? Siga repetindo a questão enquanto você pega no sono, até que um dia no sonho você possa se perguntar: isso é real?” Esse dia trará uma grande bênção.

Se você puder perguntar em um sonho, “Isso é real?” o sonho imediatamente desaparece. Você se pergunta e então o sonho não existe mais. Repentinamente um grande despertar ocorre por dentro. No sono você se torna alerta. O sono continua; daí a tremenda beleza da sua experiência. O sono continua; o corpo permanece dormindo, a mente permanece dormindo, mas algo além do corpo e da mente se torna alerta; uma testemunha surge em você. “Isso é real?” – se você perguntar em seu sonho… é muito difícil lembrar-se porque quando você está sonhando você esqueceu-se completamente de si mesmo. Por isso o truque – enquanto você cai no sono, siga repetindo essa questão: isso é real? isso é real? Durma repetindo essa questão.

Em algum momento entre três e nove meses, um dia acontece – no sonho, de repente, a questão surge: isso é real? E você terá uma das mais profundas experiências da sua vida. No momento em que a questão surge, o sonho imediatamente desaparece, e há uma total vacuidade e silêncio. O sono está lá e, contudo, uma pequena luz de consciência ocorreu.

E somente então você estará consciente dessa vida e sua ilusoriedade; então você será capaz de ver que o mundo dos desejos, invejas, ambições, é apenas um sonho visto com os olhos abertos. E se você puder ver que esse mundo é também um sonho, você estará no limite da iluminação.

Mas lembre-se, a crença não ajuda. Você pode acreditar que esse mundo é ilusório – na Índia milhões de pessoas acreditam e repetem continuamente, como um papagaio: “Este mundo é maya, ilusão” – isso e aquilo. E o que todos eles estão falando é apenas uma besteira, um disparate, porque não é a experiência autêntica deles. Eles ouviram as pessoas dizendo, e eles estão repetindo. Eles não sabem por si próprios, eles não o testemunharam; logo, isso nunca muda as suas vidas. Eles seguem repetindo, “Este mundo é irreal,” e seguem vivendo nesse mundo assim como aqueles que o pensam ser real – não há diferença, nenhuma diferença qualitativa.

Qual é a diferença entre o materialista e a suposta pessoa religiosa? Qual é a diferença? É por que ele vai à igreja todo domingo? Ou por que vai ao templo de vez em quando? Esta é a única diferença; do contrário, na vida real, você verá que eles são exatamente os mesmos. Às vezes a pessoa irreligiosa pode ser mais honesta, mais autêntica, mais sincera, mais verdadeira, do que a religiosa – porque a pessoa religiosa já está sendo desonesta em ser religiosa sem ter qualquer experiência própria. A sua religiosidade é baseada na desonestidade; ela cometeu a maior desonestidade que um ser humano pode cometer: ela acredita em Deus e não sabe nada de Deus; ela acredita na vida eterna e não sentiu o seu gosto. Ela não viu nada, e, entretanto, segue fingindo. A sua religiosidade é basicamente desonesta; por isso não é de se admirar, não é uma surpresa que nos países supostamente religiosos como a Índia você descobrirá que pessoas são mais desonestas do que nos países supostamente materialistas do Ocidente.

O materialismo Ocidental é mais sincero. A pessoa religiosa Indiana é muito pobre, desonesta, enganadora, porque se você pode enganar Deus, quem você não enganaria? Se a sua religião é pseudo, toda a sua vida será pseudo. A pessoa que tem a ousadia de falar, “A menos que eu conheça Deus não irei acreditar,” é tacitamente sincera, honesta. Esta é a minha observação: que os ateus têm mais possibilidade de conhecer Deus do que os supostos teístas.

QUEM DEVE CONQUISTAR ESSE MUNDO E O MUNDO DA MORTE COM TODOS OS SEUS DEUSES? QUEM DEVE DESCOBRIR O CAMINHO BRILHANTE DA LEI?

AES DHAMMO SANANTANO – quem irá descobrir a lei eterna, inexaurível? AES MAGGO VISUDDHYA quem encontrará o caminho da pureza eterna, da inocência eterna? Quem? Buda lança um desafio a você e então diz:

 

VOCÊ DEVE, ASSIM COMO O HOMEM

QUE BUSCA FLORES

ENCONTRA A MAIS BELA,

A MAIS RARA.

 

Sim, você pode conquistar esse mundo da morte – porque no núcleo mais profundo do seu ser você é parte da eternidade, você não é parte do tempo. Você existe no tempo, mas você pertence à eternidade. Você é uma penetração da eternidade no mundo do tempo. Você é imortal, vivendo num corpo de morte. A sua consciência não conhece a morte, não conhece o nascimento. É apenas o seu corpo que nasce e morre. Mas você não está ciente da sua consciência; você não está consciente da sua consciência.

E esta é toda a arte da meditação: tornar-se consciente da própria consciência. No momento em que você conhece quem está residindo em seu corpo, quem você é, nesta própria revelação você transcendeu a morte e o mundo da morte. Você transcendeu tudo o que é momentâneo.

VOCÊ DEVE, ASSIM COMO O HOMEM QUE BUSCA FLORES ENCONTRA A MAIS BELA, A MAIS RARA.

Jesus diz: busque e você encontrará, peça e lhe será dado, bata e a porta será aberta para você.

Uma grande indagação é necessária, uma grande busca é necessária. Assim como a ciência indaga sobre o mundo objetivo, a religião é uma indagação sobre o mundo subjetivo. A ciência indaga sobre aquilo que você vê, e a religião indaga sobre o próprio vidente. A religião, é claro, é a ciência das ciências.

A ciência nunca pode ser mais importante do que a religião; é impossível que a ciência seja mais importante que a religião, porque a ciência, afinal, é um esforço humano. É o que você faz – mas quem é o executor dentro de você? O executor nunca pode ser menor do que a sua ação. O pintor nunca pode ser menor do que a sua pintura, e o poeta nunca pode ser menor do que a sua poesia. O cientista sabe sobre o mundo, mas não sabe nada sobre o próprio cientista.

Albert Einstein em seus últimos dias costumava dizer, “Às vezes suspeito que a minha vida foi um desperdício. Indaguei sobre as estrelas mais distantes e esqueci completamente de indagar por mim mesmo – e eu era a estrela mais próxima!”

Apenas porque estamos conscientes, o tomamos como certo – o meditador nunca o toma como certo. Ele vai para dentro, ele bate na porta do seu próprio ser interior, ele procura no íntimo, ele revira todas as pedras. Ele entra em seu próprio ser. E grande é sua satisfação, a maior, porque ele encontra aquilo que é mais raro. Sim, existem muitas flores, mas não há uma flor igual a flor da sua consciência. Ela é a mais rara – é o lótus de mil pétalas, é um lótus dourado. A menos que você a conheça, você não conhecerá nada. A menos que você a encontre, todas as riquezas são inúteis, todo o poder é fútil.

 

ENTENDA QUE O CORPO

É MERAMENTE A ESPUMA DE UMA ONDA,

A SOMBRA DE UMA SOMBRA.

QUEBRE AS FLEXAS DE FLORES DO DESEJO

E ENTÃO, INVISÍVEL,

ESCAPE DO REI DA MORTE.

 

O corpo é um fenômeno momentâneo. Um dia ele não existia, um dia ele não existirá novamente. Ele existe apenas em um átimo – é como a espuma das ondas do mar; parece tão bela da praia, a espuma, a espuma branca de uma onda. E se o sol está a pino, em torno da espuma pode ser criado um arco-íris; parece tão bela, como diamantes, parece tão branca e tão pura. Mas se você a tomar em suas mãos, ela começará a desaparecer. Apenas as suas mãos ficarão molhadas, isso é tudo.

O mesmo ocorre com o corpo. Ele parece belo, mas a morte está crescendo nele, a morte está escondida nele, a velhice está aguardando logo ali. É apenas uma questão de tempo.

Não é que algum dia você morre. De fato, a realidade é que no dia em que você nasceu, você começou a morrer. A criança que tem um dia de idade morreu um pouco, ela morreu um dia. Ela seguirá morrendo a cada dia. O que você chama de seu nascimento não é realmente o seu nascimento – você deveria chamá-lo de dia de sua morte. O homem que está celebrando o seu quinquagésimo aniversário está realmente celebrando o seu quinquagésimo dia de morte. A morte chegou mais perto. Agora, se ele fosse viver até os setenta anos, restam apenas vinte anos. Cinquenta anos ele já morreu!

Nosso corpo está continuamente morrendo… ele é espuma desaparecendo. Não seja enganado por setenta anos porque setenta anos não quer dizer nada na vastidão da eternidade – qual é o significado de setenta anos? Eles são espumas, momentâneas.   

ENTENDA QUE O CORPO É MERAMENTE A ESPUMA DE UMA ONDA, A SOMBRA DE UMA SOMBRA. Ele não é nem mesmo a sombra, mas a sombra de uma sombra. Buda quer enfatizar a sua irrealidade. Ele é o eco do eco, extremamente distante da realidade. Deus é o real – chame-o de verdade. Buda gostaria de chamá-lo de dhamma – a lei. Deus é a realidade última; então a alma é a sua sombra e o corpo é a sombra da sombra. Mova-se do corpo para a alma e da alma para dhamma – para Deus, a lei eterna.

A menos que você tenha alcançado a lei eterna, não descanse, porque ninguém sabe – hoje você está aqui, amanhã você pode não estar. Não desperdice esses dias preciosos almejando, ansiando por coisas fúteis. As pessoas seguem coletando tranqueiras, e então, um dia, elas se vão. E então toda a tranqueira que elas coletaram durante toda a sua vida é deixada para trás. Elas não podem levar uma única coisa consigo.

Diz-se que quando Alexandre o Grande morreu, ele pediu para seus ministros que quando o seu caixão estivesse sendo carregado ao túmulo, as suas mãos deveriam ser deixadas penduradas para fora.

“Por quê?” os ministros perguntaram. “Ninguém nunca ouviu tal coisa! Isso nunca foi feito! Não é tradicional. Por que essa ideia estranha, excêntrica? Por que as suas mãos devem ser deixadas penduradas para fora do caixão?”

Alexandre disse, “Quero que as pessoas saibam que mesmo eu, Alexandre o Grande, partirei de mãos vazias. Não levarei nada comigo. Toda a minha vida tem sido um total desperdício. Eu trabalhei duro” – e ele realmente trabalhou duro, ele lutou muito, ele era uma pessoa realmente ambiciosa, louca pelo poder, queria ser o conquistador do mundo, e teve algum sucesso, ele tornou-se mais ou menos o conquistador do então mundo conhecido… Mas até mesmo ele diz, “eu estou morrendo e não posso levar nada comigo; logo, todo o esforço foi apenas um exercício em futilidade. Deixe as pessoas saberem, deixe-as tornarem-se conscientes, deixe-as entender a minha insensatez, a minha idiotice. Isso pode ajudá-las a entender os seus padrões de vida, os seus estilos de vida.”

QUEBRE AS FLEXAS DE FLORES DO DESEJO E ENTÃO, INVISÍVEL, ESCAPE DO REI DA MORTE.

Se você puder tornar-se sem desejos, então a morte não poderá ter nenhuma influência sobre você. É a mente desejosa que cai na rede da morte, e nós estamos cheios de desejos: desejo por dinheiro, por poder, por prestígio, respeitabilidade – mil e um desejos. Os desejos criam a ambição, a ambição cria a competição, a competição cria a inveja. Uma coisa leva a outra, e seguimos caindo nessa bagunça, na desordem do mundo. É um mundo muito muito louco, mas a causa raiz da loucura é o desejo.

Uma vez que você semeou as sementes do desejo… o desejo significa ter mais. Você tem uma certa quantidade de dinheiro, você gostaria de ter o dobro daquilo. Desejo significa a ânsia por mais. E ninguém pensa duas vezes que qualquer mudança quantitativa não o satisfará. Se você não pode ficar satisfeito com dez mil rúpias, como você poderia ficar satisfeito com vinte mil rúpias? As rúpias serão dobradas. Mas se dez mil rúpias não lhe podem dar qualquer satisfação, a sua satisfação não pode ser dobrada; não havia nenhuma satisfação em primeiro lugar. De fato, quando você tem dez mil rúpias você tem uma certa quantidade de ansiedade, medo – essas ansiedades serão dobradas quando você tiver vinte mil rúpias, triplicadas quando você tiver trinta mil rúpias, e assim por diante. Você pode seguir multiplicando…

E qualquer coisa que você tiver, alguém sempre terá mais – é um mundo grande. Por isso a inveja, e a inveja é a febre da alma. Exceto a meditação, não há remédio para ela. O médico pode lhe ajudar se o seu corpo está sofrendo com febre, mas apenas um mestre pode ajudá-lo, um Buda pode ajudá-lo, se você está sofrendo de febre da alma. Pouquíssimas pessoas estão sofrendo de uma febre física, e quase todo mundo está sofrendo de uma febre espiritual – a inveja.

A inveja significa que alguém tem mais do que você. E é impossível ser o primeiro em tudo. Você pode ter a maior quantidade de dinheiro do mundo, mas você pode não ter uma bela face. E um mendigo pode torná-lo invejoso – seu corpo, sua face, seus olhos, e você tem inveja. Um mendigo pode tornar um imperador invejoso.

Napoleão não era muito alto – ele tinha apenas um metro e cinquenta. Não vejo nada de errado nisso; está perfeitamente certo – eu tenho um metro e cinquenta e nunca sofri por causa disso, porque não importa a sua altura, um metro e cinquenta ou um metro e oitenta, os seus pés chegam igualmente a terra! Então, onde está o problema? Se a pessoa de um metro e cinquenta ficasse pendurada a trinta centímetros da terra, então haveria um problema! Mas Napoleão sofreu muito. Ele estava continuamente consciente do fato que ele não era alto. E, é claro, ele estava entre pessoas muito altas. Os soldados, os generais, eles eram todos altos e ele muito pequeno.

Ele costumava ficar de pé sobre algo mais alto… Exatamente o mesmo é o caso do primeiro ministro da Índia, Jawarharlal Nehru. Ele também tinha um e cinquenta – esse um e cinquenta é alguma coisa! E o último vice-rei da Índia, Lord Mountbatten, era muito alto – a Senhora Mountbatten era ainda maior. Ora, quando Lord Mountbatten deu-lhe o juramento de primeiro ministro… você pode ver nas fotos, essas fotos estão disponíveis em todos os lugares: Nehru está em pé em um degrau e Mountbatten está no chão, apenas para parecer igual, ou até mesmo maior que Mountbatten. Nem assim ele era maior que Mountbatten, mesmo em um degrau… um grande senso de inferioridade.

Napoleão estava continuamente autoconsciente. Um dia ele estava consertando um relógio e sua mão não podia alcançá-lo. O relógio estava alto na parede. O seu guarda-costas – e guarda-costas devem ser pessoas mais altas, mais fortes – o seu guarda-costas disse, “Espere, sou mais alto que você, vou arrumá-lo.”

Napoleão ficou muito bravo e disse, “Estúpido! Peça perdão! Você não é mais alto que eu, você é apenas mais alto que eu. (NT. trocadilho higher/taller) Mude a sua palavra. Mais alto? O que isso quer dizer? Ele se ofendeu muito. E o pobre guarda-costas não quis dizer nada para insultá-lo – ele nem estava consciente que dizer “mais alto” é ofensivo. Ora, Napoleão tinha tudo, mas o tamanho era o problema.

É muito difícil ter tudo do mundo e ser o primeiro em tudo. É impossível! Então a inveja persiste, continua. Alguém tem mais dinheiro que você, alguém tem mais saúde, alguém tem mais beleza que você, alguém é mais inteligente que você… e você está constantemente comparando. A mente desejosa continua a comparar.

 

Goldstein e Weinberg eram sócios e passavam por um mau momento. Um dia Goldstein, enquanto passeava no bosque, foi surpreendido por uma fada divina que lhe disse, “Concedo-lhe três desejos, mas lembre-se, qualquer coisa que você quiser Weinberg ganhará em dobro.”

Voltando para casa Goldstein ponderou, “Eu gostaria de uma mansão espaçosa.” E, antes de entender o que estava ocorrendo, ali estava – a sua mansão. Mas, ao mesmo tempo, ele viu Weinberg do outro lado da rua orgulhosamente observando suas duas mansões. Goldstein reprimiu sua inveja e foi ver a sua nova casa. Conforme entrou no quarto, um segundo desejo tomou posse dele: “Eu gostaria de uma mulher como a Sophia Loren.” E, naquele mesmo momento, ali estava – um ser maravilhoso muito semelhante a Sophia Loren. Mas, ao olhar pela janela do quarto, ele viu Weinberg em sua sacada com duas mulheres maravilhosas.

“Bem,” ele suspirou e, pensando na fada divina, disse, “você pode cortar uma das minhas bolas!”

 

A inveja é inveja… Se você não puder ter tudo, pelo menos você pode impedir que qualquer um o tenha. A inveja se torna destrutiva, a inveja se torna violência. E a inveja é a sombra do desejo. O desejo sempre compara e, por causa da comparação, há sofrimento. As pessoas perdem as suas vidas no desejo, na inveja, na comparação, e o precioso tempo é simplesmente perdido. Mesmo se Deus lhe conceder três desejos, você fará o mesmo que Goldstein – porque o Judeu existe em todos. Apenas um buda não é um Judeu; caso contrário todas as pessoas o são.

A natureza do desejo é Judia. Ela quer mais, ela está louca por mais. E aqueles que vivem no desejo necessariamente serão vítimas da morte. Apenas a pessoa que entende a insensatez do desejo, da ambição, da constante ânsia por mais, da inveja, da comparação, alguém que se tornou consciente de todo esse disparate e o abandona, vai para além da morte. Ele se torna invisível. Buda utiliza uma palavra bela. Ele diz: E ENTÃO, INVISÍVEL, ESCAPE DO REI DA MORTE.

A morte só pode ver uma pessoa que vive com as vestes do desejo. A morte só pode ver o desejo. Se o desejo é abandonado, você se torna invisível para a morte; a morte não lhe pode tocar, porque sem desejo você é apenas consciência pura e nada mais. Você não está mais identificado com o corpo ou a mente. Você simplesmente sabe de uma coisa, que você é uma testemunha. A morte não pode lhe ver – você pode ver a morte.

Ordinariamente, a morte pode lhe ver, você não pode ver a morte – porque o desejo é grosseiro, ele pode ser visto pela morte. A consciência é invisível, não é matéria – é pura energia, é luz. Você pode ver a morte, mas a morte não pode lhe ver. E ver a morte é uma grande experiência, uma experiência hilária. Quando alguém vê a morte esse alguém começa a gargalhar – a morte é tão impotente. O seu poder não é seu, o poder da morte está em sua mente desejosa. Você lhe deu poder. Quanto mais você deseja, mais você tem medo da morte. Quanto mais ambicioso você é, mais medo você sentirá. Quanto mais você tiver, naturalmente mais ansioso você estará – a morte virá e tudo será levado.

QUEBRE AS FLEXAS DE FLORES DO DESEJO E ENTÃO, INVISÍVEL, ESCAPE DO REI DA MORTE.

E VIAJE.

Lembre-se dessa sentença: E VIAJE.

Então a jornada real, a peregrinação começa. Antes disso você estava apenas se movendo em círculos – os mesmos desejos: mais dinheiro, mais dinheiro, mais poder, mais poder… círculo vicioso, sem ir a lugar algum. Uma vez que você tenha abandonado todo o desejo, a sua consciência está livre de toda a grosseria do desejo. Agora VIAJE – agora você pode ir até a existência infinita, você pode mover-se pela eternidade da existência. Agora, cada vez mais mistérios se abrirão à sua frente. Agora toda a existência está disponível para você, em sua totalidade ela é sua… agora VIAJE.

 

A MORTE SUPERA O HOMEM

QUE COLHE FLORES

QUANDO COM UMA MENTE DISTRAÍDA E SENTIDOS SEDENTOS

ELE BUSCA EM VÃO A ALEGRIA

NOS PRAZERES DO MUNDO.

A MORTE O CARREGA

COMO UMA ENCHENTE CARREGA UMA VILA QUE DORME.

 

Se você se distrair muito com os desejos, prazeres, gratificações, e se os seus sentidos estiverem muito sedentos por excitações, se você está buscando estupidamente por felicidade no mundo externo, então a morte vem e lhe carrega como uma enchente carrega uma vila que dorme.

O ser humano que está buscando felicidade no mundo externo é um ser humano que está totalmente dormindo. Ele não está consciente do que ele está fazendo, porque a felicidade nunca foi encontrada fora. E qualquer coisa que pareça felicidade prova, afinal, ser a fonte da infelicidade e nada mais. O mundo externo apenas promete, mas nunca entrega os bens. Quando você está distante, as coisas parecem muito belas. Quanto mais próximo você chega, mais elas começam a desaparecer. Quando você as conseguiu depois de um esforço longo e árduo, você está simplesmente perdido. Você não pode acreditar no que aconteceu – era uma miragem.

As coisas são belas apenas à distância. Quando você as tem, elas não têm nada nelas. O dinheiro é significante apenas para aqueles que não o tem. Aqueles que o têm, estes sabem da sua futilidade. A fama é significante apenas para aqueles que não a tem. Aqueles que a tem… pergunte para eles: eles estão cansados de serem famosos, eles estão totalmente cansados de serem famosos. Eles querem ser anônimos. Eles querem ser ninguéns.

Voltaire escreveu em suas memórias que quando ele não era famoso o seu único desejo era ser famoso; ele estava pronto para sacrificar tudo pela fama. E se você seguir buscando uma certa coisa, você com certeza irá encontrá-la, lembre-se. Um dia ele se tornou famoso, e então escreveu, “Eu estava tão cansado da minha fama, porque toda a privacidade desapareceu da minha vida, todos os relacionamentos íntimos desapareceram – Eu era tão famoso que sempre era rodeado por pessoas, em todos os lugares, onde quer que eu fosse. Se eu fosse dar um passeio no jardim, então uma multidão seguiria. Eu era quase como um show, um tipo de circo ambulante.”

A sua fama alcançou picos tais que ela tornou-se perigosa para sua vida. Uma vez, quando ele estava indo da estação até a sua casa depois de uma viagem, ele chegou em casa quase nu, todo arranhado, escorrendo sangue por várias partes – porque na França, naqueles dias, isso era superstição, que se você pegasse um pedaço de roupa de um homem famoso você também tornar-se-ia famoso. Então as pessoas rasgaram as suas roupas, e ao rasgá-las, elas arranharam o seu corpo.

Ele chorou naquele dia e disse, “Quão tolo eu era que eu quis ser famoso. Quão belo era quando ninguém me conhecia e eu era um homem livre. Agora eu não sou mais um homem livre.”

Então ele queria ser um ninguém. E também ocorreu, a fama desapareceu. Nessa vida nada é permanente – um dia você é famoso, outro dia você é um ninguém. No dia em que ele morreu, apenas quatro seres seguiram-no até a sua sepultura; e um desses seres era o seu cachorro – então apenas três pessoas realmente. As pessoas esqueceram-se completamente dele, esqueceram que ele estava vivo. Elas ficaram sabendo apenas quando os jornais publicaram a reportagem que Voltaire havia morrido. Então as pessoas ficaram conscientes e começaram a perguntar para as outras pessoas, “Ele ainda estava vivo?”

Se você tem fama, você se cansa dela. Se você tem dinheiro, você não saberá o que fazer com ele. Se você é respeitado pelas pessoas, você se torna um escravo, porque então você terá que preencher às expectativas delas; caso contrário a sua respeitabilidade desaparecerá. Apenas quando você não é famoso você pensa que isso é algo significante. Quando você não é respeitado, você anseia por respeito. Quando você é respeitado, você tem que pagar pela respeitabilidade. Quanto mais as pessoas lhe respeitam, mais de perto elas lhe observam – se você está preenchendo as suas expectativas ou não. Toda a sua liberdade é perdida. Mas essa é a forma que as pessoas estão vivendo.

Buda diz que isso é como uma vila que dorme – a enchente vem e inunda toda a vila, a enchente da morte vem.

A MORTE O VENCE

QUANDO COM UMA MENTE DISTRAÍDA E OS SENTIDOS SEDENTOS

ELE COLHE FLORES.

ELE NUNCA FICARÁ SATISFEITO

COM OS PRAZERES DO MUNDO.

 

E ninguém nunca pode se contentar no mundo – isso é impossível. Você pode tornar-se cada vez mais descontente, isso é tudo, porque o contentamento ocorre apenas quando você vai para dentro. O contentamento é a sua natureza mais interior. O contentamento não pertence às coisas. Você pode estar confortável com as coisas – uma bela casa, um belo jardim, nenhuma preocupação com dinheiro – sim, você pode estar confortável, mas você permanece o mesmo: confortavelmente descontente. De fato, quando você tem todos os confortos e não tem nada para fazer para ganhar dinheiro, vinte e quatro horas por dia, você fica consciente do seu descontentamento, porque não lhe resta nenhuma outra ocupação.

É por isso que as pessoas ricas são mais descontentes que as pessoas pobres. Não deveria ser assim – logicamente não deveria ser assim – mas é dessa forma que a vida é. A vida não segue Aristóteles e a sua lógica. As pessoas ricas vindas do Ocidente ficam muito intrigadas quando veem os Indianos com faces contentes. Elas não podem acreditar. Essas pessoas não têm nada – por que elas parecem contentes? E os supostos santos Indianos, mahatmas e líderes políticos, eles seguem gabando-se para o mundo que “O nosso país é espiritual – veja! as pessoas estão tão contentes mesmo pobres, porque elas são ricas interiormente.”

Isso é tudo bobagem. Elas não são ricas interiormente. O contentamento que você vê nas faces dos Indianos pobres não é o da realização interior. É simplesmente porque eles estão tão preocupados com dinheiro, pão e manteiga, que eles não se podem dar ao luxo de ficarem descontentes. Eles não se podem dar ao luxo de sentar-se e matutar sobre as suas misérias. Eles são tão miseráveis que não têm tempo para se sentirem miseráveis! Eles são tão miseráveis e nunca conheceram qualquer prazer, portanto eles não têm qualquer padrão de comparação.

Quando uma sociedade enriquece, ela tem tempo para pensar, “O que vem agora…?” E parece que não resta nada. Quando todas as coisas externas estão disponíveis você começa a pensar, “O que estou fazendo aqui? Todas as coisas estão aí, mas estou tão vazio como nunca.” A pessoa começa a voltar-se para o interior. Os mendigos parecem contentes porque eles não têm qualquer amostra da riqueza. Mas uma pessoa rica torna-se muito descontente. Porque a partir da sua riqueza ela se torna consciente da futilidade de todas as riquezas. A MORTE O VENCE QUANDO COM UMA MENTE DISTRAÍDA E OS SENTIDOS SEDENTOS ELE COLHE FLORES. ELE NUNCA FICARÁ SATISFEITO COM OS PRAZERES DO MUNDO.

Você não pode ficar satisfeito. É impossível. Você não pode se satisfazer com as coisas; a mente continuará pedindo mais. Quanto mais você tem, mais problemas você criará para si próprio – porque você pode arcar com os problemas, você tem tempo. De fato, você tem tanto tempo em suas mãos que não sabe o que fazer com ele. Você vai começar a vadiar. Você criará mais misérias, mais ansiedades para si próprio. E, sem encontrar satisfação externa, você pode tornar-se tão insatisfeito que poderá começar a pensar em cometer suicídio.

Mais pessoas cometem suicídio nos países ricos do que nos países pobres. Ou você pode tornar-se tão insatisfeito que você pode ficar louco, você pode pirar. Mais pessoas ficam loucas nos países ricos do que nos países pobres.

Ser rico é perigoso de todas as formas: isso pode lhe conduzir para o suicídio, pode lhe conduzir para algum tipo de loucura – mas também é muito significante porque isso pode lhe conduzir para a religião, para a interioridade, para dentro, isso pode tornar-se uma revolução interior. Depende de você – as alternativas estão abertas. Uma pessoa rica tornar-se-á necessariamente ou neurótica, suicida, ou meditadora; não há terceira alternativa disponível para ela.

O ser humano pobre não pode ser suicida, não pode ser neurótico; ele não tem nem o pão suficiente, o que dizer da mente? Ele está tão cansado à noite, ele não pode pensar, não há energia para pensar… ele adormece. Pela manhã novamente a velha rotina do ganhar pão. Todo dia ele tem que ganhar, para manter-se vivo de alguma forma, para sobreviver. Ele não pode dar-se ao luxo de ter neuroses, ele não pode ter as luxúrias da psicanálise – essas são luxúrias que apenas as pessoas ricas podem ter! E ele também não pode ser um meditador. Ele irá ao templo, mas pedirá algo mundano. A sua esposa está doente, as crianças não conseguem vaga na escola, ele está desempregado. Ele vai ao templo e pede essas coisas. A qualidade da religião do pobre é muito pobre.

Há dois tipos de religiosidade no mundo: a religiosidade do pobre – muito mundana e muito materialista – e a religiosidade do rico – muito espiritual, muito não-materialista. Quando um homem rico ora, a sua oração não pode ser por dinheiro. Se ele ainda está orando por dinheiro, ele ainda não é rico o suficiente.

 

Havia um santo Sufi, Farid. Um dos moradores da vila perguntou-lhe, “Farid, o grande rei Akbar veio ver-lhe várias vezes – por que você não pede para ele abrir uma escola para os pobres da nossa vila? Nós não temos uma escola.”

Farid disse, “Bom, então por que eu deveria esperá-lo vir? Eu irei até lá.”

Ele foi para Delhi e foi recebido – todos sabiam que Akbar o respeitava tremendamente. Akbar estava orando em sua mesquita privada e a Farid foi-lhe dada permissão para entrar. Ele entrou e viu Akbar orando. Ele estava atrás de Akbar – ele podia ouvir o que Akbar falava. Com as mãos juntas, Akbar estava terminando a sua oração, a sua namaz, e ele dizia a Deus, “Todo Poderoso e Compassivo, derrame mais riquezas sobre mim! Dê-me um grande reino!”

Farid imediatamente virou as costas e caminhou para a saída. Era o fim da oração e Akbar tornou-se consciente de que alguém veio e foi embora. Ele olhou para trás, viu Farid descendo os degraus, correu, tocou os pés de Farid e perguntou-lhe, “Por que você veio?” – Farid disse, “Eu vim com a ideia que você era rico, mas ouvindo a sua oração entendi que você ainda é pobre. E se você ainda pede por dinheiro, por mais dinheiro, então não é bom para mim pedir-lhe dinheiro, porque eu vim para pedir-lhe um pouco de dinheiro para uma escola na minha vila. Não, não posso pedir a um homem pobre. Você próprio precisa de mais. Vou coletar algo da vila e dar-lhe! E, em relação à escola, se você está pedindo a Deus, eu posso pedir para ele diretamente – por que eu usaria o rei como um meio?”

A história é reportada pelo próprio Akbar em sua autobiografia. Ele diz, “Pela primeira vez eu me tornei consciente que, sim, ainda não sou rico o suficiente, eu ainda não estou satisfeito com todo esse dinheiro. Ele não me deu nada e eu sigo pedindo mais, quase completamente inconsciente! É a hora de terminar com isso. A vida voou e eu ainda estou pedindo lixo. Eu acumulei tanto – isso não me deu nada.”

 

Mas quase mecanicamente as pessoas seguem pedindo. Lembre-se, a religião que nasce quando você vive no mundo e conhece o mundo e a sua futilidade tem um aroma completamente diferente da religião que nasce em você porque as suas necessidades físicas não são satisfeitas.

A religião do ser humano pobre é pobre, a religião do ser humano rico é rica. E eu gostaria de uma religião rica no mundo; por isso não sou contra a tecnologia, contra a industrialização. Não sou contra a criação de uma sociedade afluente, sou totalmente a favor dela, porque essa é a minha observação: que a religião atinge o seu clímax apenas quando as pessoas estão totalmente frustradas com suas riquezas mundanas e o único caminho para torná-las totalmente frustradas é permitindo que elas experimentem as riquezas.

 

A ABELHA COLHE O NÉCTAR DA FLOR

SEM MACULAR A SUA BELEZA OU PERFUME.

ENTÃO DEIXE O MESTRE ESTABELECER-SE, E PEREGRINE.

 

Buda chamava os seus monges de “mendigos,” madhukari. Madhukari significa coletar mel como uma abelha. O bhikku, o sannyasin Budista, vai de casa em casa; ele nunca pede apenas em uma casa porque isso seria um fardo muito grande. Então ele pede em várias casas, apenas um pouco de uma, um pouco de outra, para que ele não seja um fardo para ninguém. E ele nunca pede novamente na mesma casa. Isso chama-se madhukari – como uma abelha tira o mel. A abelha vai de flor em flor, move-se de flor em flor – isso é não-possessividade.

A ABELHA COLHE O NÉCTAR DA FLOR SEM MACULAR A SUA BELEZA OU PERFUME. Ela tira apenas um pouco de cada flor para que a beleza não seja maculada, o perfume não seja destruído. A flor simplesmente nunca se torna consciente da abelha; ela chega em silêncio e parte em silêncio.

Buda diz: o ser humano de consciência vive nesse mundo como a abelha. Ele nunca macula a beleza desse mundo, ele nunca destrói o perfume desse mundo. Ele vive silenciosamente, move-se silenciosamente. Ele pede apenas o que é necessário. A sua vida é simples, não é complexa. Ele não guarda para amanhã. A abelha nunca guarda para amanhã, o hoje é suficiente por si só.

ENTÃO DEIXE O MESTRE ESTABELECER-SE, E PEREGRINE. Uma declaração muito estranha… ESTABELECER-SE, E PEREGRINE. Estabelecer-se dentro e fora ser um peregrino: no interior totalmente enraizado e no exterior não ficando muito tempo em apenas um lugar, não ficando com uma pessoa por muito tempo, porque o apego surge, a possessividade surge. Então seja apenas como uma abelha.

Outra noite eu estava lendo as memórias de um poeta. Ele diz, “Encontrei uma coisa muito estranha: quando eu me apaixono por uma pessoa realmente bela, eu não posso possuí-la. E se eu a possuo, imediatamente vejo que estou destruindo a beleza da pessoa. Se fico apegado, de alguma forma estou ferindo a outra pessoa, a sua liberdade.”

Os poetas são pessoas sensíveis; eles podem tornar-se conscientes de muitas coisas que as pessoas ordinárias nunca tornar-se-ão conscientes. Mas é uma bela percepção, de uma grande profundidade: se você está realmente apaixonado por uma pessoa bela você não quer possuí-la, porque possuir é destruir. Você será como uma abelha; você vai apreciar a companhia, apreciar a amizade, compartilhar o amor, mas você não a possuirá. Possuir é reduzir a pessoa a uma coisa. É destruir o espírito dela, é torná-la uma mercadoria – e isso pode ser feito apenas se você não ama. Isso só pode ser feito se o seu amor não é nada exceto ódio mascarado de amor.

Buda diz: mova-se na vida exatamente como a abelha – apreciando, celebrando, dançando, cantando, mas como uma abelha – de uma flor para outra flor. Tenha todas as experiências, porque é apenas através das experiências que você se torna maduro. Mas não seja possessivo, não fique preso em lugar algum. Permaneça fluindo como um rio – não fique estagnado. Estabeleça-se dentro, certamente, torne-se cristalizado dentro, mas permaneça um peregrino fora.

 

OLHE PARA AS SUAS PRÓPRIAS FALHAS,

O QUE VOCÊ FEZ OU DEIXOU DE FAZER.

RELEVE A FALTA DOS OUTROS.

 

A maneira ordinária dos seres humanos é relevar as próprias falhas e enfatizar, magnificar, as falhas alheias. Esta é a maneira do ego. O ego sente-se muito bem quando ele vê, “Todo mundo têm tantas falhas e eu não tenho nenhuma.” E o truque é: releve as suas falhas, amplie a falhas dos outros, então, certamente, todos parecerão monstros e você parecerá um santo.

Buda diz: inverta o processo. Se você realmente quer ser transformado, releve a falha dos outros – isso não é da sua conta. Você não é ninguém, você não foi chamado para interferir, você não tem direito, então por que se preocupar? Mas não releve as suas próprias falhas, porque elas devem ser alteradas, superadas.

Quando Buda diz, OLHE PARA AS SUAS PRÓPRIAS FALHAS, O QUE VOCÊ FEZ OU DEIXOU DE FAZER, ele não diz para você se arrepender se você fez algo de errado; ele também não diz para você se gabar, vangloriar-se, se você fez algo de bom. Não. Ele simplesmente diz para você observar, para que você se lembre no futuro que nenhum erro deve ser repetido, para que você se lembre que o bem deve ser ampliado, melhorado, e o mal deve ser reduzido – não pelo arrependimento, mas pela lembrança.

Essa é a diferença entre a atitude Cristã e a atitude Budista. Os Cristãos se lembram de se arrepender; por isso o Cristianismo cria a culpa. O Budismo nunca cria qualquer culpa, não é a favor do arrependimento, é a favor da lembrança. O passado é passado; ele se foi e se foi para sempre – não há necessidade de se preocupar com ele. Apenas lembre-se de não repetir os mesmos erros. Seja mais consciente.

 

COMO UMA AMÁVEL FLOR,

BRILHANTE MAS SEM AROMA,

SÃO AS BELAS MAS VAZIAS PALAVRAS

DO SER HUMANO QUE NÃO COMPREENDE O QUE DIZ.

 

Aqueles que segue repetindo as escrituras mecanicamente, as suas palavras são belas, mas vazias. Eles são como flores, amáveis, brilhantes, mas sem perfume. Eles são como flores de papel ou plástico – não podem ter perfume, não podem ter vivacidade. A vivacidade, o perfume é possível apenas quando você fala por si próprio, não a partir da autoridade das escrituras; quando você fala com a sua própria autoridade, quando você fala como uma testemunha da verdade, não como um erudito, não como um pândita, mas quando você fala como alguém que está acordado.

 

COMO UMA AMÁVEL FLOR,

BRILHANTE E FRAGRANTE,

SÃO AS BELAS E VERDADEIRAS PALAVRAS

DO SER HUMANO QUE COMPREENDE O QUE DIZ.

 

Lembre-se de não repetir as palavras dos outros. Experiencie e diga apenas aquilo que você experienciou, e todas as suas palavras terão substância, peso; e as suas palavras terão um resplendor, as suas palavras terão perfume. As suas palavras atrairão as pessoas; não apenas atrairão – influenciarão. As suas palavras estarão repletas de grande significado, e aqueles que estiverem prontos para ouvi-las serão transformados por elas. As suas palavras respirarão, vivas; elas terão um coração pulsante.

 

COMO GUIRLANDAS TRANÇADAS DE UMA PILHA DE FLORES,

APARECEM NA SUA VIDA DE ACORDO COM AS BOAS AÇÕES.

 

Deixe a sua vida ser uma guirlanda – uma guirlanda de boas ações. Mas as boas ações, de acordo com Buda, surgem apenas se você se tornar mais consciente, mais alerta, mais atento. As boas ações não devem ser cultivadas como caráter; as boas ações devem ser subprodutos da sua consciência maior.

O Budismo não enfatiza o caráter, mas a consciência – essa é a maior contribuição para a humanidade e a evolução da humanidade.

Por hoje é só.

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