Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 1. Cap 5 e 6, OSHO

O Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 1

Capítulo #5

Título do Capítulo: Vigília é vida

25 de Junho de 1979 na Sala Buda

A VIGÍLIA É O CAMINHO PARA A VIDA.

O TOLO DORME

COMO SE JÁ ESTIVESSE MORTO,

MAS O MESTRE ESTÁ ACORDADO

E VIVE PARA SEMPRE.

ELE OBSERVA.

ELE É CLARO.

QUÃO FELIZ ELE É!

POIS VÊ QUE A VIGÍLIA É VIDA.

QUÃO FELIZ ELE É,

SEGUINDO O CAMINHO DOS DESPERTOS.

COM GRANDE PERSEVERANÇA

ELE MEDITA, BUSCANDO

LIBERDADE E FELICIDADE.

ENTÃO ACORDE, REFLITA, OBSERVE.

TRABALHE COM CUIDADO E ATENÇÃO.

VIVA NO CAMINHO

E A LUZ CRESCERÁ EM VOCÊ.

OBSERVANDO E TRABALHANDO

O MESTRE FAZ UMA ILHA PARA SI PRÓPRIO

QUE A CHEIA NÃO PODE INUNDAR.

Uma das coisas mais importantes a serem entendidas sobre o ser humano é que ele dorme. Mesmo quando pensa que está acordado, ele não está. Sua vigília é muito frágil; a sua vigília é tão minúscula que ela não importa. A sua vigília é apenas um belo nome, mas totalmente vazio.

Você dorme de noite, você dorme de dia; do nascimento até a morte você segue mudando os seus padrões de sono, mas você nunca acorda realmente. Apenas por abrir os olhos não se engane que você está acordado. A menos que os olhos interiores se abram, a menos que seu interior se torne cheio de luz, a menos que você possa ver a si próprio, quem você é, não pense que você está acordado.

Esta é a maior ilusão que o ser humano vive. E uma vez que você aceita que já acordou, então não há meio de fazer qualquer esforço para acordar.

A primeira coisa a guardar no fundo do seu coração é que você está dormindo, totalmente dormindo. Você está sonhando, entra dia, sai dia. Você sonha às vezes com os olhos abertos e às vezes com os olhos fechados, mas você está sonhando, você é um sonho. Você ainda não é uma realidade.

E, é claro, em um sonho qualquer coisa que você faz é sem sentido, qualquer coisa que você pensa é inútil, qualquer coisa que você projeta permanece parte dos seus sonhos e nunca permite que você veja aquilo que é. Por isso a insistência de Buda… e não apenas Gautama o Buda, mas todos os budas insistem em apenas uma coisa: Acorde! Continuamente, por séculos, todo o ensinamento deles pode estar contido em uma única palavra: Acorde!

E eles têm criado métodos, estratégias, eles têm criado contextos e espaços, e campos energéticos nos quais você pode ser chocado pela vigilância. Sim, a menos que você se choque, que suas fundações tremam, você não acordará. O sono foi tão longo, ele atingiu o próprio núcleo do seu ser; você está encharcado nele. Cada célula do seu corpo e cada fibra da sua mente tornou-se plena de sono. Não é um fenômeno pequeno. Por isso um grande esforço é necessário para estar alerta, ser atento, vigilante, tornar-se uma testemunha.

Se os budas de todo o mundo concordam em um tema, esse é o tema: que o ser humano dorme, e o ser humano deveria estar acordado. A vigilância é o objetivo e a vigilância é o sabor de todos os seus ensinamentos. Zaratustra, Lao Tzé, Jesus, Buda, Bahauddin, Kabir, Nanak – todos os seres iluminados ensinaram um único tema, em diferentes linguagens, com diferentes metáforas, mas a sua música é a mesma. Assim como o mar é salgado – seja o mar provado no Norte, ou no Leste ou no Oeste, o mar sempre é salgado – o gosto da budidade é a vigilância.

Mas você não fará nenhum esforço se você seguir acreditando que já está acordado; então não há possibilidade de qualquer esforço. Por que se preocupar? E vocês criaram religiões, deuses, orações, rituais, a partir dos seus sonhos – os seus deuses são tão parte dos seus sonhos como qualquer outra coisa. A sua política é parte do seu sonho, a sua religião é parte do seu sonho, a sua poesia, pintura, arte – qualquer coisa que você faça, porque você está dormindo, você a faz de acordo com o próprio estado da sua mente.

A Bíblia diz que Deus criou o homem à sua própria imagem – a verdade parece ser o exato oposto: o homem criou Deus à sua própria imagem. Os seus deuses são falsos porque você é falso. A sua religião é pseudo porque você é pseudo. As suas escrituras não podem significar nada porque você não tem nenhuma significância.

Dois padres jogavam golfe. O mais jovem perdeu uma fácil tacada e disse, “Merda!” O mais velho o repreendeu por isso, dizendo que se continuasse a utilizar profanidades como aquela Deus certamente o acertaria com um raio. Eles continuaram jogando e o padre mais novo perdeu outra tacada e disse novamente, “Merda!”

O céu de repente abriu-se: um raio iluminou o céu, e atingiu o padre mais velho, matando-o. Houve uma pausa e ouviu-se uma voz celeste falando com voz de trovão, “Merda!”

Os seus deuses não podem ser diferentes de você. Quem os criaria? Quem os daria molde, cor e forma? Você os cria, você os esculpe; eles têm olhos como os seus, narizes como os seus – e mentes como as suas! O Deus do Velho Testamento diz, “Sou um deus muito ciumento!” Ora, quem criou esse Deus que é ciumento? Deus não pode ser ciumento. E se Deus é ciumento, então qual o problema em ser ciumento? Se mesmo Deus é ciumento, por que você acha que está fazendo algo errado quando tem ciúme? Então o ciúme é divino.

O Deus do Velho Testamento diz, “Sou um Deus muito bravo! Se você não seguir os meus mandamentos, destruir-te-ei. Você será jogado no fogo infernal pela eternidade. E porque sou muito ciumento,” o Deus diz, “não adore mais ninguém”. Não posso tolerá-lo.”

Quem criou tal Deus? Deve ser do nosso próprio ciúme, da nossa própria raiva, que criamos essa imagem.

Um Judeu que estava tendo muita má sorte foi até a floresta e levantou sua voz em oração e recriminação. “Ó, Deus,” ele perguntou aos céus lastimosamente, “não fui sempre um bom Judeu? Não dei sempre caridade, mesmo para aqueles malditos goyim? Eu não criei minha família decentemente? Nunca bebi, jurei, joguei; nenhuma mulher má, nada! Por que você faz isso comigo, Deus? Por quê? Por quê?”

Uma nuvem escura apareceu sobre sua cabeça e uma tremenda voz respondeu, “Você me irrita!”

Deus certamente não pode ser diferente de você. Ele é a sua projeção, a sua sombra. Ele te ecoa e a ninguém mais. É por isso que existem tantos deuses no mundo. Os Hindus têm uma certa ideia de Deus – a ideia Hindu – ele reflete a mente Hindu.

Se você for até as escrituras Hindus você ficará surpreso. Você não acreditará que tipos de deuses os Hindus criaram – muito sexuais. O adultério é muito comum entre os deuses Hindus, e não apenas eles jogam os seus jogos de adultério no paraíso Hindu, eles não podem nem mesmo deixar a Terra de fora; eles vêm até a Terra também, para estuprar as mulheres, para seduzirem mulheres simples. Eles não deixam nem as esposas dos grandes sábios em paz. E porque eles têm poderes infinitos eles podem até aparecer como os maridos, eles podem se parecer como os seus maridos. E as mulheres não têm ideia quem se esconde por detrás de uma fachada.

Quem criou esses deuses? – deve ter sido no fundo uma alma muito sexual.

E o mesmo é caso com todos os outros deuses de todas as outras religiões. É por causa disso que Buda nunca fala sobre Deus. Ele diz: Qual é o ponto de falar sobre Deus para pessoas que estão dormindo? Elas escutarão dormindo. Elas sonharão sobre quaisquer coisas contadas para elas, e elas criarão os seus próprios deuses – que serão totalmente falsos, totalmente impotentes, totalmente sem sentido. É melhor não ter tais deuses.

É por isso que Buda não está interessado em falar sobre deuses. Todo o seu interesse está em acordar-te.

Diz-se que um mestre iluminado Budista estava sentado ao lado de um rio uma noite, apreciando o som da água, o som do vento passando através das árvores… Um homem veio e perguntou-lhe, “Você pode dizer-me em uma única palavra a essência da sua religião?”

O mestre permaneceu silencioso, totalmente silencioso, como se não tivesse ouvido a questão. O inquiridor disse, “Você é surdo ou o que?”

O mestre disse, “Ouvi a sua questão, e a respondi também! O silêncio é a resposta. Permaneci em silêncio – aquela pausa, aquele intervalo, foi minha resposta.”

O homem disse, “Não posso entender tal resposta misteriosa. Você não pode ser mais claro?”

Então o mestre escreveu com seus dedos em letras pequenas na areia “meditação.” O homem disse, “Agora posso ler. É um pouco melhor que a primeira. Pelo menos tenho uma palavra para ponderar. Mas você não pode torná-la uma pouco mais clara?”

O mestre escreveu novamente “MEDITAÇÃO.” É claro que dessa vez ele escreveu com letras grandes. O homem se sentia um pouco constrangido, intrigado, ofendido, bravo. Ele disse, “Novamente você escreveu meditação? Você não pode ser mais claro para mim?”

E o mestre escreveu em letras muito grandes, maiúsculas, “M E D I T A Ç Ã O.”

O homem disse, “Você parece louco.”

O mestre disse, “Já fui longe demais. A primeira resposta foi a resposta correta, a segunda não foi tão correta, a terceira ainda mais errada, a quarta foi muito errada” – porque quando você escreve “MEDITAÇÃO” com letras maiúsculas você tornou-a um deus.

É por isso que a palavra ‘Deus’ é escrita com um D maiúsculo. Sempre que você quiser fazer algo supremo, último, você escreve com letra maiúscula.

O mestre disse, “Já cometi um pecado.” Ele apagou todas as palavras que havia escrito, e disse, “Por favor ouça à minha primeira resposta – apenas ali sou verdadeiro.”

O silêncio é o espaço no qual alguém acorda, e a mente barulhenta é o espaço na qual alguém permanece dormindo. Se a sua mente continua a tagarelar, você está dormindo. Sentando silenciosamente, se a mente desaparece e você pode ouvir o canto dos pássaros sem nenhuma mente dentro, um silêncio… esse assobio de um pássaro, o gorjeio, e nenhuma mente funcionando na cabeça, total silêncio… então a vigilância brota em você. Ela não vem de fora, ela surge em você, cresce em você. Caso contrário lembre-se: você está dormindo.

Um casal está dormindo. Por volta das três da manhã a esposa sonha com um encontro secreto com outro homem. Então sonha que vê o seu marido chegando.

Em seu sonho ela grita, “Céus, meu marido!”

Seu marido, acordando de repente, pula pela janela.

E lembre-se, não é uma questão de dar risada; é a realidade, é como vocês estão vivendo. É como o ser humano existe em seu estado ordinário.

Uma esposa tenta ganhar de volta o amor de seu marido, seguindo o conselho de uma amiga, traz suas pantufas e seu cachimbo quando ele volta tarde da noite, lhe dá um drinque grande, e se envolve em seu quadril vestida apenas com um roupão de seda e termina com uma oferta murmurante, “Vamos para o andar de cima, querido!”

“Pode ser também,” disse seu perplexo marido, “Vou até o inferno quando chegar em casa de qualquer forma!”

Seguimos vivendo absolutamente desatentos ao que está acontecendo ao nosso redor. Sim, nos tornamos muito eficientes em fazer as coisas. O que estamos fazendo, nos tornamos tão eficientes em fazer isso que não precisamos de qualquer vigilância para fazê-lo. Tornou-se mecânico, automático. Funcionamos como robôs. Ainda não somos seres humanos; somos máquinas.

É isso o que George Gurdjieff costuma falar repetidas vezes, que o ser humano, tal como ele existe, é uma máquina. Ele ofendeu muitas pessoas, porque ninguém gosta de ser chamado de máquina. Máquinas gostam de ser chamadas de deuses; então elas se sentem felizes, envaidecidas. Gurdjieff costumava chamar as pessoas de máquinas, e ele estava certo. Se você observar-se você saberá o quão mecanicamente você se comporta.

O psicólogo Russo Pavlov e o psicólogo Americano Skinner estão noventa e nove vírgula nove por cento corretos sobre os humanos: eles creem que o ser humano é uma bela máquina, isso é tudo. Não há alma neles. Eu digo que eles estão certo noventa e nove vírgula nove por cento; eles erram apenas por uma pequena margem. Nesta pequena margem estão os budas, os iluminados. Mas eles podem ser esquecidos, porque Pavlov nunca conheceu um buda – ele conheceu milhões de pessoas como você.

Skinner estudou os seres humanos e os ratos e não encontrou diferenças. Os ratos são seres simples, isso é tudo; o ser humano é mais complicado. O homem é uma máquina altamente sofisticada, os ratos são máquinas simples. É mais fácil estudar ratos; é por isso que os psicólogos seguem estudando ratos. Eles estudam os ratos e concluem sobre o homem – e suas conclusão são quase corretas. Digo “quase”, note, porque aquele zero vírgula um por cento é o fenômeno mais importante que já ocorreu: um Buda, um Jesus, um Maomé. Essas poucas pessoas iluminadas são seres humanos reais, mas onde B.F. Skinner poderia encontrar um buda? Certamente não na América.

Ouvi dizer:

Um homem perguntou a um rabino, “Por que Jesus não escolheu nascer na América do Séc. XX?”

O rabino deu de ombros e disse, “Na América? Seria impossível. Onde você encontraria uma virgem, em primeiro lugar? E em segundo lugar, onde você encontraria três homens sábios?”

E sem uma mãe virgem e três homens sábios, como Jesus pode nascer?

Ouvi dizer:

Em uma igreja o padre pediu à audiência, “Por favor, levantem todas as mulheres que são virgens!”

Apenas uma mulher com um pequeno bebê levantou-se. Certamente ela era a mãe, e o padre disse, “Você pensa que é virgem? Você é mãe!”

Ela disse, “Sim, sou – mas essa menina é virgem e ela não pode levantar-se sozinha.”

Onde B.F. Skinner encontraria um buda? E mesmo se ele encontrasse um buda, os seus preconceitos, suas ideias, não permitiriam que ele visse. Ele continuaria vendo os seus ratos. Ele não pode entender nada que os ratos não podem. Ora, os ratos não meditam, os ratos não se tornam iluminados. E sua concepção do ser humano é apenas a de uma forma amplificada de rato. E ainda assim digo que ele está correto em relação a grande maioria das pessoas; as suas conclusões não estão erradas. E os budas concordariam com ele sobre a assim chamada humanidade normal: a humanidade normal está totalmente adormecida. Mesmo os animais não estão tão adormecidos.

Você já viu um veado na floresta – quão alerta ele parece, quão vigilante ele anda? Você já viu um pássaro sentado em uma árvore – quão inteligente ele segue observando o que está acontecendo em todo o seu entorno? Você se move em direção ao pássaro – há um certo espaço que ele permite; além disso, um passo a mais, e ele voa longe. Ele tem uma certa vigilância em relação a seu território. Se alguém entrar naquele território então é perigoso.

Se você olhar em volta ficará surpreso: o ser humano parece o animal mais adormecido da Terra.

Uma mulher compra um papagaio em um leilão de mobília de um requintado prostíbulo e mantém a gaiola do papagaio coberta por duas semanas para fazê-lo esquecer de seu vocabulário profano. Quando a gaiola é finalmente descoberta, o papagaio olha em volta e observa, “Awrrk! Nova casa. Nova madame.” Quando a filha da mulher entra, ele adiciona, “Awrrk! Novas garotas!”

Quando o seu marido chega em casa à noite, o papagaio diz, “Awrrk! Awrrk! Os mesmos velhos clientes. Oi, Joe!”

O ser humano está em um estado muito decaído. De fato, este é o significado da parábola Cristã da queda de Adão, sua expulsão. Mas por que Adão e Eva foram expulsos do paraíso? Eles foram expulsos porque eles comeram da fruta do conhecimento. Eles foram expulsos porque tornaram-se mentes e perderam suas consciências. Se você se torna uma mente você perde a consciência – a mente significa sono, a mente significa barulho, a mente significa algo mecanizado.

Se você se tornar uma mente você perde a consciência. Assim, todo o trabalho que deve ser feito é: como tornar-se uma consciência novamente e perder a mente. Você tem que jogar fora do seu sistema tudo que você coletou como conhecimento. É o conhecimento que lhe mantém adormecido; por isso, quanto mais instruída uma pessoa é, mais adormecida.

Essa tem sido a minha observação também. Aldeões inocentes estão muito mais alertas e acordados do que os professores nas universidades e os pânditas nos templos. Os pânditas não são nada mais que papagaios; os acadêmicos nas universidades estão cheios de nada além de esterco de vaca sagrado, cheio de um barulho absolutamente sem sentido – mentes apenas e nenhuma consciência.

As pessoas que trabalham com a natureza – lavradores, jardineiros, lenhadores, carpinteiros, pintores – elas estão muito mais alertas do que as pessoas que funcionam nas universidades como reitoras e vice-reitoras e chanceleres. Porque quando você trabalha com a natureza, a natureza está alerta, as árvores estão alertas; a forma de vigilância delas é certamente diferentes, mas elas estão muito alertas.

Agora existem provas científicas de sua vigilância. Se um lenhador vai com um machado em suas mãos e com um desejo deliberado de cortar a árvore, todas as árvores que o veem vindo tremem. Agora existem provas científicas disso; Não estou falando de poesia, estou falando de ciência quando digo isso. Agora existem instrumentos para medir se uma árvore está feliz ou infeliz, com medo ou sem medo, triste ou extática. Quando o lenhador chega, todas as árvores que o veem começam a tremer. Elas se tornam conscientes que a morte está próxima. E o lenhador ainda não cortou nenhuma árvore – apenas a sua vinda…

E mais uma coisa, muito mais estranha: se o lenhador está simplesmente passando entre as árvores sem nenhuma ideia deliberada de cortar uma árvore, então nenhuma árvore fica com medo. É o mesmo lenhador, com o mesmo machado. Parece que a sua intenção de cortar uma árvore afeta as árvores. Significa que a sua intenção está sendo entendida; significa que a energia está sendo decodificada pelas árvores.

E um fato mais significante foi observado cientificamente: que se você vai até a floresta e mata um animal, não é apenas o reino animal em volta que se abala, mas as árvores também. Se você mata um cervo, todos os cervos ao redor sentem a energia do assassinato, entristecem-se; um grande tremor surge neles. De repente eles têm medo por nenhuma razão particular. Eles não precisam ver o cervo sendo morto, mas de alguma forma, de uma maneira sutil, eles são afetados – instintivamente, intuitivamente. Mas não é apenas o cervo que é afetado – as árvores são afetadas, os papagaios são afetados, os tigres são afetados, as águias são afetadas, as folhas de relva são afetadas. O assassinato ocorreu, a destruição ocorreu, a morte ocorreu – tudo em volta é afetado. O ser humano parecer ser o mais adormecido…

Esses sutras de Buda devem ser profundamente meditados, embebidos, seguidos.

A VIGÍLIA É O CAMINHO PARA A VIDA.

Você está vivo apenas na proporção que está consciente. A vigilância é a diferença entre a morte e a vida. Você não está vivo porque respira, você não está vivo porque o seu coração está batendo. Fisiologicamente você pode ser mantido vivo em hospital, sem nenhuma consciência. O seu coração continuará a bater e você será capaz de respirar. Você pode ser mantido em tal arranjo mecânico que lhe manterá vivo por anos – no sentido da respiração, da pulsação e circulação sanguínea. Existem agora muitas pessoas em todo o mundo nos países avançados que estão apenas vegetando nos hospitais, porque a tecnologia avançada tornou possível que sua morte seja prorrogada indefinidamente – por anos, por séculos, você pode ser mantido vivo. Se isso é vida, então você pode ser mantido vivo. Mas isso não é vida de forma alguma. Apenas vegetar não é viver.

Os Budas têm uma definição diferente. A definição deles consiste na vigilância. Eles não dizem que você está vivo porque você pode respirar, eles não dizem que você está vivo porque o seu sangue circula; eles dizem que você está vivo se você está acordado. Então, exceto os seres iluminados, ninguém está realmente vivo. Vocês são corpos – que andam, falam, fazem coisas – vocês são robôs.

A VIGÍLIA É O CAMINHO PARA A VIDA, diz Buda. Torne-se mais desperto e você tornar-se-á mais vivo. E a vida é Deus – não há outro Deus. Por isso Buda fala sobre a vida e a vigilância. A vida é o objetivo e a vigilância é a metodologia, a técnica para atingi-la.

O TOLO DORME…

E todos dormem, portanto, todos são tolos. Não se sinta ofendido. Os fatos devem ser declarados como eles são. Você funciona no sono; é por isso que você segue tropeçando, segue fazendo coisas que não quer fazer. Você segue fazendo coisas que decidiu não fazer. Segue fazendo coisas que você sabe que não são certas, e você não faz as coisas que sabe que são certas.

Como isso é possível? Por que você não anda em linha reta? Por que você fica preso nos caminhos secundários? Por que você segue perdendo-se?

Pede-se a um jovem homem com uma voz fina que participe de uma peça cortejo, embora ele tente esquivar-se, dizendo que sempre fica constrangido sob tais circunstâncias. Asseguram-no que será bem simples, e ele só teria uma linha: “Vim arrebatar-lhe um beijo, dardo na fenda. Ouça! Ouço um tiro de pistola…” e então poderia deixar o palco.

Na performance ele entrou no palco, já muito constrangido pela bermuda colonial apertada que teve que colocar no último momento e ficou totalmente desestabilizado ao ver a bela heroína deitada em um banco de jardim, esperando-o, com um vestido branco. Ele limpou a garganta e anunciou: “Vim para beijar-lhe o seio – não! – arrebatar-lhe um beijo, e peidar na carreta – quero dizer, dardo na fenda! Ouça! – Ouço um furo de gaiola – não, um peido de pistola, uma merda de gaiola. Ó, merda de morcego, bosta de rato, merda em todos vocês! Eu nunca quis estar nessa maldita peça de qualquer forma!”

É o que está acontecendo. Veja a sua vida: tudo o que você faz é muito confuso. Você não tem nenhuma claridade, você não tem nenhuma percepção. Você não está alerta. Você não pode ver! Você não pode ouvir! Certamente você tem ouvidos para poder escutar, mas não há ninguém dentro para entender. Certamente você tem olhos para ver, mas não há ninguém presente dentro. Portanto os seus olhos seguem vendo e seus ouvidos seguem escutando, mas nada é compreendido.

Se você realmente tivesse olhos você veria Deus em todo lugar. E se você pudesse ouvir você ouviria a música celestial, você ouviria a harmonia da existência.

E em cada passo você tropeça, em cada passo você faz algo errado. E ainda assim você segue acreditando que está acordado. Abandone essa ideia completamente. Abandoná-la é um grande salto, um grande passo, porque uma vez que você abandona a ideia que “Eu estou consciente” você começa a buscar e procurar por formas e maneiras de ficar alerta. Então a primeira coisa a considerar é que você está adormecido, totalmente adormecido.

A psicologia moderna descobriu algumas coisas que são significantes; apesar delas terem sido descobertas apenas intelectualmente, ainda assim é um bom começo. Se elas foram descobertas intelectualmente, então em breve também existencialmente elas serão experienciadas.

Freud é um grande pioneiro; não é um buda, é claro, mas ainda assim é um homem de grande significância, porque foi o primeiro a tornar a ideia aceita pela maioria da humanidade que o ser humano tem um grande inconsciente escondido em si. A mente consciente é apenas um décimo e a mente inconsciente é nove vezes maior do que a consciente.

Então seu discípulo, Jung, foi um pouco mais longe, um pouco mais profundo, e descobriu o inconsciente coletivo. Por trás da inconsciência individual existe um inconsciente coletivo. Agora outra pessoa é necessária para descobrir mais uma coisa que está lá, e eu espero… que cedo ou tarde as investigações psicológicas que estão ocorrendo, de ambos os lados da Cortina de Ferro, descobrirão – a inconsciência cósmica. Os budas falaram sobre esta.

Então podemos dizer: a mente consciente, uma coisa muito frágil, uma parte muito pequena do seu ser. Por trás da mente consciente está o subconsciente – vago. Você pode ouvir os seus sussurros, mas você não o pode entender. Ele está sempre ali, por detrás do consciente, puxando as suas cordas.

Terceira: a mente inconsciente que você encontra apenas nos sonhos ou quando você usa drogas. Então, a mente inconsciente coletiva. Você a encontra quando você investiga profundamente a mente inconsciente; então você encontra o inconsciente coletivo. E se você for ainda mais fundo, encontrará a inconsciência cósmica.

A inconsciência cósmica é a natureza. O inconsciente coletivo é toda a humanidade que viveu até agora, é parte de você. O inconsciente é o inconsciente individual que a sociedade reprimiu em você, que a expressão não foi permitida. Por isso ela volta pela porta dos fundos à noite, em seus sonhos. E a mente consciente… eu a chamarei de assim chamada mente porque é apenas assim chamada. Ela é tão minúscula, apenas uma centelha, mas mesmo que ela seja uma centelha é importante porque ela tem a semente; as sementes são sempre pequenas. Elas têm um grande potencial.

Agora uma dimensão totalmente nova está se abrindo. Assim como Freud abriu a dimensão abaixo do consciente, Sri Aurobindo abriu a dimensão acima do consciente. Freud e Sri Aurobindo são duas das pessoas mais importantes dessa era. Ambos são intelectuais, nenhum deles é uma pessoa iluminada, mas ambos fizeram um grande serviço para a humanidade. Intelectualmente eles nos tornaram alertas que não somos tão pequenos quanto parecíamos na superfície, que a superfície esconde grandes profundezas e alturas.

Freud foi até as profundezas, Sri Aurobindo tentou penetrar nas alturas. Acima da nossa assim chamada mente está a mente real consciente; que é atingida apenas através da meditação. Quando a sua mente ordinária é adicionada à meditação, quando a sua consciência ordinária é somada à meditação, ela se torna a verdadeira mente consciente. Além da mente real consciente está a mente superconsciente.

Quando você está meditando você tem apenas vislumbres. A meditação é um tatear no escuro. Sim, poucas janelas abrem-se, mas você retrocede repetidas vezes. A mente superconsciente significa samadhi – você atingiu uma percepção tão clara quanto o cristal, você atingiu uma consciência integrada. Agora você não pode decair; ela é sua. Mesmo no sono ela permanecerá com você.

Para além da superconsciência há a superconsciência coletiva; a superconsciência coletiva é a superconsciência cósmica que vai até mesmo além dos deuses. Buda a chama de nirvana, Mahavira a chama de kaivalya, os místicos Hindus chamaram-na de moksha; você pode chamá-la de verdade.

Esses são os nove estados do seu ser, e você está vivendo em apenas um canto pequeno do seu ser – a minúscula mente consciente; como se alguém tivesse um palácio e, se esquecendo completamente do palácio, começasse a morar na varanda – pensando que isso é tudo.

Freud e Sri Aurobindo são ambos intelectuais gigantes, pioneiros, filósofos, mas ambos fazem uma ótima adivinhação. Em vez de ensinar Bertrand Russel, Alfred North Whitehead, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, aos estudantes de filosofia, seria muito melhor se ensinassem mais sobre Sri Aurobindo, porque ele é o maior filósofo da sua era. Mas ele é completamente negligenciado, ignorado pelo mundo acadêmico – por uma certa razão.

A razão é, até mesmo ler Sri Aurobindo fará você sentir que você não está alerta; e ele próprio ainda não é um buda, mas mesmo assim ele criará uma situação muito embaraçosa para você. Se ele estiver certo, então o que você está fazendo? Então por que você não está explorando as alturas do seu ser?

Freud foi aceito com grande resistência, mas finalmente foi aceito. Sri Aurobindo ainda não foi aceito. De fato, não há nem oposição a ele; Sri Aurobindo é simplesmente ignorado. E a razão é clara. Freud fala sobre algo abaixo de você – isso não é tão embaraçoso; você pode sentir-se bem sabendo que é consciente e abaixo da sua consciência há um subconsciente, um inconsciente e um inconsciente coletivo. Mas esses estados estão todos abaixo de você; você está no topo, você pode sentir-se muito bem. Mas se você estudar Sri Aurobindo, você se sentirá constrangido, ofendido, porque há estados maiores que você – e o ego humano nunca quer aceitar que há qualquer coisa acima dele. O ser humano quer acreditar que é o cume mais elevado, o clímax, o Gourishankar, o Everest – que não há nada maior que si mesmo…

É por isso que o homem moderno quer rejeitar Deus, porque aceitar a Deus significa que você deve aceitar algo que está mais elevado que você. E o ego moderno é tão inchado que a mente moderna diz que não há nenhum Deus e não há nenhum além e nenhuma além-vida. E está tudo bem – rejeitando o seu próprio reino, evitando as suas próprias alturas, você se sente muito bem. Veja a tolice disso.

Buda está certo. Ele diz:

O TOLO DORME

COMO SE JÁ ESTIVESSE MORTO,

MAS O MESTRE ESTÁ ACORDADO

E VIVE PARA SEMPRE.

A consciência é eterna, não conhece nenhuma morte. Apenas a inconsciência morre. Então se você permanecer inconsciente, dormente, você terá que morrer novamente. Se você quer livrar-se de toda essa miséria de nascer e morrer repetidamente, se você quer livrar-se da roda dos nascimentos e mortes, você tem que tornar-se absolutamente alerta. Você terá que alcançar cada vez mais consciência.

E essas coisas não devem ser aceitas em solos intelectuais; essas coisas devem tornar-se experienciais, essas coisas devem tornar-se existenciais. Não estou lhe dizendo para ser convencido filosoficamente, porque a convicção filosófica não traz nada, nenhuma colheita. A colheita real vem apenas quando você faz um grande esforço para acordar a si próprio.

Mas esses mapas intelectuais podem criar um desejo, um anseio em você; podem tornar-te consciente do potencial, do que é possível; podem tornar-te consciente que você não é o que aparenta ser – você é muito mais.

O TOLO DORME COMO SE JÁ ESTIVESSE MORTO, MAS O MESTRE ESTÁ ACORDADO E VIVE PARA SEMPRE.

ELE OBSERVA.

ELE É CLARO.

Declarações simples e belas. A verdade é sempre simples e sempre bela. Apenas ver a simplicidade dessas duas declarações… mas quanto elas contêm – palavras dentro de palavras, infinitas palavras. ELE OBSERVA. ELE É CLARO.

A única coisa que deve ser aprendida é a vigilância. Vigie! Vigie cada ato que você faz. Vigie todo pensamento que passa em sua mente. Vigie todo o desejo que toma posse de você. Observe até mesmo os pequenos gestos – andar, falar, comer, tomar um banho. Siga observando tudo. Deixe que tudo se torne uma oportunidade para a observação.

Não coma mecanicamente, não siga apenas se entupindo – seja bastante vigilante. Mastigue bem e atentamente… e você se surpreenderá com o quanto você perdeu até agora, porque cada mordida te dá uma tremenda satisfação; se você comer vigilantemente, a comida se tornará mais saborosa. Mesmo uma comida ordinária tem sabor se você está atento; e se você não está atento, você pode comer a comida mais saborosa que não haverá sabor nela, porque não haverá ninguém para observar. Você simplesmente está se entupindo.

Coma devagar, vigilantemente; cada mordida deve ser mastigada, saboreada. Sinta o cheiro, toque, sinta a brisa e os raios do sol. Olhe para a lua e torne-se apenas uma poça silenciosa de vigilância, e a lua será refletida em você com uma beleza tremenda. Mova-se na vida permanecendo continuamente vigilante.

Repetidas vezes você se esquecerá. Não se torne miserável por causa disso; é natural. Por milhões de vidas você nunca tentou a vigilância, então é simples, natural, que você se esquecerá repetidas vezes. Mas no momento que você lembrar-se, observe novamente.

Recorde-se de uma coisa; quando você lembrar que você esqueceu de observar, não se arrependa; caso contrário, novamente você estará perdendo tempo. Não se sinta miserável: “Errei de novo.” Não comece a sentir, “Sou um pecador.” Não comece a condenar-se, porque isso é uma completa perda de tempo. Nunca se arrependa do passado! Viva no momento. Se você esqueceu-se, e daí? Foi natural – tornou-se um hábito, e os hábitos custam para morrer. E esses não são hábitos assimilados em uma vida; esses hábitos são assimilados em milhões de vidas. Então se você conseguir permanecer vigilante até mesmo por alguns momentos, sinta-se grato a Deus – sinta-se grato. Mesmo aqueles poucos momentos são mais do que o esperado.

ELE OBSERVA. ELE É CLARO.

E quando você observa, uma claridade surge. Por que a claridade surge da vigilância? Porque quanto mais vigilante você se torna, mais a sua precipitação diminuirá. Você se tornará mais gracioso. Conforme você observa, sua mente tagarela menos, porque a energia que se tornava o tagarelar dá a meia volta e se torna vigilância – é a mesma energia! Agora cada vez mais energia será transformada em vigilância e a mente não obterá o seu alimento. Os pensamentos começarão a ficar cada vez menores, eles começarão a perder peso. Vagarosamente, eles começarão a morrer. E conforme os pensamentos começam a morrer, a claridade surge. Agora a sua mente se torna um espelho.

QUÃO FELIZ ELE É! E quando alguém se torna claro, este alguém se torna bem-aventurado. A confusão é a causa raiz da miséria; a claridade é a fundação da bem-aventurança.

QUÃO FELIZ ELE É!

POIS VÊ QUE A VIGÍLIA É VIDA.

E agora ele sabe que não há morte, porque a vigilância nunca pode ser destruída. Quando a morte chega, você a observará também. Você morrerá observando; o observar não morrerá. O seu corpo desaparecerá, do pó ao pó, mas a sua vigilância permanecerá; ela fará parte do todo cósmico. Ela se tornará a consciência cósmica.

Nesses momentos os videntes dos Upanishads declaram, “Aham brahmasmi! – Sou a consciência cósmica!” São nesses espaços que al-Hillaj Mansoor anunciou, “Ana’l haq! – eu sou a verdade!”

Essas alturas são seu direito de nascença. Se você não as está atingindo, apenas você é responsável e ninguém mais.

QUÃO FELIZ ELE É! POIS VÊ QUE A VIGÍLIA É VIDA.

QUÃO FELIZ ELE É,

SEGUINDO O CAMINHO DOS DESPERTOS.

COM GRANDE PERSEVERANÇA

ELE MEDITA, BUSCANDO

LIBERDADE E FELICIDADE.

Ouça à essas palavras muito atentamente: COM GRANDE PERSEVERANÇA… A menos que você tenha um esforço total não será possível acordar a você mesmo. Esforços parciais são fúteis. Você não pode ser apenas mais ou menos, você não pode ser morno. Não acontecerá. A água morna não pode evaporar, e os esforços mornos para tornar-se alerta falharão. A transformação acontece apenas quando você coloca toda sua energia nela. Quando você fervendo a cem graus, então você evapora, então a mudança alquímica acontece. Então você começa a elevar-se.

Você não observou? – a água flui para baixo, mas o vapor sobe. Exatamente o mesmo ocorre: a inconsciência vai para baixo e a consciência vai para cima. E uma coisa mais: para cima é sinônimo de interno, e para baixo é sinônimo de externo. A consciência vai para dentro, a inconsciência vai para fora. A inconsciência faz você se interessar nos outros – coisas, pessoas, mas são sempre os outros. A inconsciência o mantém completamente na escuridão; os seus olhos seguem focados nos outros. Ela cria um tipo de exterioridade, ela o torna extrovertido. A consciência cria a interioridade, ela o torna introvertido; ela o leva para dentro, cada vez mais profundo.

E cada vez mais profundo também significa cada vez mais alto; eles crescem simultaneamente, assim como uma árvore cresce. Você vê apenas ela indo para cima, você não vê as raízes indo para baixo. Mas primeiro as raízes devem ir para baixo, somente então a árvore pode ir para cima. Se uma árvore quiser alcançar o céu, então ela terá que enviar as raízes até a base, o mais profundo possível. A árvore cresce simultaneamente em ambas as direções. Exatamente da mesma maneira a consciência cresce para cima… e para baixo, ela envia às suas raízes ao seu ser.

Falei sobre os nove estados da consciência. Os seus galhos de consciência irão para cima, da consciência – assim chamada consciência – até a consciência real, da consciência real até a superconsciência, da superconsciência até o consciente coletivo, do consciente coletivo à consciência cósmica. E suas raízes crescerão da chamada consciência até o subconsciente, do subconsciente até o inconsciente, do inconsciente até o inconsciente coletivo, do inconsciente coletivo até a inconsciência cósmica. O momento em que suas raízes alcançam à natureza, as suas flores começam a desabrochar em Deus. Por isso a natureza e Deus não são divididos – Natureza e Deus estão conectados nos seres iluminados.

Os seres realmente iluminados não estão contra a natureza, não podem estar; eles estão a favor da natureza. De fato, eles lhe ajudam a seguir por ambos os caminhos – de um lado até a natureza, e do outro lado até Deus. Esse é o meu esforço aqui. Eu gostaria que você se tornasse natural, tão natural que as suas raízes alcançariam o núcleo mais profundo do seu ser – porque esta é a única forma de ajudá-lo a crescer para cima. As raízes têm que estar fortes no solo, tão fortes que elas podem suportar um cedro do Líbano muito alto. Se tiver que ir a centenas de pés de altura, ele necessitará de raízes grandes. Por causa disso estou sendo mal-entendido por todo esse país particularmente, e em todo o mundo em geral.

As raízes devem atingir à energia sexual, porque esta é a mais baixa, o mais básico em você; só assim as suas flores podem desabrochar na superconsciência, em samadhi. O lótus pode desabrochar apenas se está enraizado na lama no fundo do lago. Isso é possível apenas com grande perseverança. O ser humano é muito preguiçoso; porque está adormecido ele é preguiçoso.

Essa história é a de um casal que concordou que quem falasse primeiro teria que fechar a porta da rua que foi deixada aberta acidentalmente. Ladrões encontraram a porta aberta, entraram, e ao veremos o casal silencioso sem fazer nenhum movimento, comeram a comida da mesa, pegaram todos os pertences de valor, e finalmente estupraram a esposa, e se propuseram a aparar a barba do marido.

“Certo,” disse o marido naquele momento, “Vou fechar a bosta da porta!”

As pessoas são realmente preguiçosas, totalmente preguiçosas. A preguiça é parte do sono. Por isso a perseverança, o esforço, contínuo esforço, é necessário. Você retrocederá várias vezes. Você está em um estado de embriaguez; por isso retroceder é perdoável. Mas no momento que você reconhecer, sempre que um raio de luz ocorrer e você relembrar-se, coloque toda a sua energia nisso novamente. Não permaneça um tolo, não permaneça adormecido, não permaneça um bêbado.

Três bêbados andavam na rua. Um carregava uma fatia de pão, o outro uma jarra de vinho e o terceiro a porta de um carro. Conforme eles caminhavam, um policial parou-os e perguntou, “Onde vocês estão indo?”

“A um piquenique,” replicou o homem com o pão.

“A um piquenique?” disse o policial. “O pão posso entender – vocês podem comê-lo quando tiverem fome; o vinho vocês podem tomar quando tiverem sede. Mas por que a porta de carro? – Isso eu não posso entender.”

“Bem,” disse o homem com a porta, “se ficar muito frio posso fechar a janela.”

Você terá que deixar muitos níveis de bebedeira. A ambição é um estado de embriaguez, e todos são ambiciosos – ambição por mais. A mente continuamente pede por mais e mais, e a demanda nunca acaba. Se você busca dinheiro, mais dinheiro. Se você estiver buscando poder político, mais poder. Se você está atrás de prestígio, mais prestígio. Se você está interessado em tornar-se humilde, então mais humildade, porque você tem que ser o ser humano mais humilde do mundo. Se você está em busca de renúncia, então mais e mais renúncia. Não há nunca qualquer fim para a demanda constante da mente – mais…

A ambição é embriaguez, é um sono. Da mesma forma a raiva. Você não observou que quando está com raiva você pode fazer coisas que não poderia fazê-las ordinariamente? Você diz coisas que você se arrependerá depois. E você não pode acreditar depois que você disse tal disparate, que você foi capaz de declarar tamanha bobagem. O que aconteceu quando você está com raiva? Você está em um estado de embriaguez.

Torne-se mais vigilante e a raiva será menor e a ambição será menor e a inveja será menor.

Não digo a você: Não fique com raiva, porque é isso que tem sido dito para você ao longo das eras. Os seus assim chamados santos disseram, “Não fique com raiva!” então você aprende formas de reprimir a raiva. Mas quanto mais você reprime a raiva, maior a inconsciência que você cria em si próprio. Você está jogando coisas no porão, e então você terá medo de entrar no porão, porque todas essas coisas – raiva e ambição e sexo – estão lá. Você sabe! Você os jogou lá. Todos os tipos de bobagens estão lá, perigosas, venenosas. Você não estará pronto para ir para dentro.

É por isso que as pessoas não querem ir para dentro, porque ir para dentro significa encontrar todas essas coisas. E ninguém quer encontrar essas coisas; as pessoas querem evitá-las. Por milhares de anos disseram-lhe para reprimir, e por causa da repressão você se tornou cada mais inconsciente. Não posso dizer-lhe para reprimir. Gostaria de falar o exato oposto: não reprima – observe, esteja alerta. Quando a raiva surgir, sente-se no seu quarto, feche as portas e observe-a.

Você conhece apenas dois caminhos: ou estar com raiva, violento, destrutivo ou reprimi-la. Você não conhece o terceiro caminho, e o terceiro caminho é o caminho dos budas: nem se deixe levar, nem reprima – observe. O deixar-se levar cria o hábito. Se você tiver raiva hoje e novamente amanhã e no dia depois de amanhã, você está criando um hábito; você está condicionando a si mesmo a ficar cada vez mais raivoso.

Então o deixar-se levar não pode tirar a raiva de você. É aqui que o movimento de crescimento moderno está empacado. Grupos de encontro, terapia primal, gestalt, bioenergética…e tantas coisas belas acontecendo no mundo, mas elas estão empacadas em um ponto. O problema delas é: elas ensinam a expressão – e é bom, é muito melhor que a repressão. Se houver apenas essa escolha, reprimir ou expressar, então eu sugeriria a expressão. Mas essa não é a escolha real; há uma terceira alternativa muito mais importante do que essas duas. Se você exprimir, você se torna habitual; você aprende ao fazer isso repetidamente – você não pode livrar-se dela.

Nessa comuna existem pelo menos cinquenta grupos de terapia acontecendo, por uma certa razão. É apenas para balancear os milhares de anos de repressão; é apenas para balancear. É apenas para trazer à luz tudo o que vocês reprimiram como Cristãos, Hindus, Islâmicos, Jainas, Budistas. É apenas para desfazer o velho dano de séculos que foi causado a você.

Mas lembre-se, esses grupos não são o fim; eles apenas te preparam para a meditação. Eles não são o fim; eles são simples meios de desfazer o erro do passado. Uma vez que você jogou fora do seu sistema tudo o que te reprimia, eu tenho que te conduzir rumo à vigilância. Agora será mais fácil observar.

Mas você não deve tornar-se uma pessoa viciada em grupos, não deve tornar-se um fanático por grupos. Agora há pessoas no mundo que são viciadas em grupos; elas vão de um grupo para outro. Um encontro termina – então outra maratona, então gestalt, então isso e aquilo… Depois de alguns poucos dias a coceira surge – pois onde expressar? Na sociedade normal elas não podem expressar, elas têm que reprimir.

Então o grupo torna-se apenas um escoadouro. A sociedade normal te força a reprimir, o grupo o ajuda a expressar mas você não está crescendo realmente. Mais uma vez você voltará à sociedade normal, novamente reprimindo. E se você expressar na sociedade normal, você entrará em situações muito mais perigosas. Você pode assassinar alguém – você tem muita raiva. Você irá para a cadeira, para sempre emprisionado. Ou se você seguir brigando com todo mundo – se você der um tapa no chefe no escritório, se você bater em sua esposa, suas crianças, seu marido – então toda a sua vida tornar-se-á um caos, será impossível vivê-la. Então depois de alguns dias de acumulação você precisará de outro encontro. Alguns dias de encontro e você sentirá um alívio; de volta à sociedade você se sentirá sobrecarregado novamente.

Isso não ajudará. Isso é um alívio momentâneo. Você pode gritar para o desejo do seu coração em um grupo de terapia primal, mas se você começar a gritar na rua, então você será levado à delegacia de polícia. Você pode gritar em um contexto de grupo – é permitido, ajudado, provocado; você é persuadido a gritar, porque desde a sua infância você o tem reprimido. Ele tornou-se um ferimento; ele deve ser aberto. Se o pus exsudar e o ferimento for mantido aberto aos ventos e ao sol e à chuva, ele curar-se-á, porque você tem uma energia curadora; ela é intrínseca. Mas de volta à sociedade novamente… por quanto tempo você pode permanecer em um grupo de terapia primal? De volta à mesma sociedade novamente, você terá que reprimir; você não pode seguir gritando ali.

Então o grito acumula, então o vapor acumula. Então um dia você terá que ir para o grupo novamente. Isso é um alívio temporário; bom pelo tempo que durar, mas não pode te transformar em um buda. É nisso que essa comuna é diferente de institutos como o de Esalen. Eles terminam com grupo – nós começamos com grupos. Onde eles terminam, este é exatamente o ponto em que começamos.

E não é uma coincidência que milhares de terapeutas interessaram-se por meu trabalho. Eles vieram até aqui… Entre os meus sannyasins, o maior grupo de todas as profissões é o de psicoterapeutas. Uma grande necessidade é sentida agora em todo o mundo que os encontros, a terapia primal, a gestalt, podem ajudar um pouco a desafogar às pessoas, mas não podem ajudá-las a tornarem-se budas – não podem ajudá-las a tornarem-se iluminadas.

A indulgência cria um hábito, a repressão reúne o veneno no interior. Na indulgência você joga o veneno nos outros, mas elas não permanecerão em silêncio – elas o jogarão de volta. Torna-se uma competição: você joga a sua raiva nos outros e eles jogam a raiva deles em você – mas ninguém é ajudado, todo mundo é prejudicado e ferido.

E se você reprimir… Por causa dessa futilidade da indulgência, os sacerdotes inventaram a repressão. Ela o mantém longe do perigo. A repressão mantém-te um bom cidadão, um cavalheiro. Ela o mantém longe dos perigos de ser pego pela lei, de ser pego pela hostilidade; ela o mantém tranquilo. A repressão o ajuda a tornar-se uma pessoa social melhor, isso é verdade. Mas ela cria um ferimento dentro, apenas um ferimento, e o pus se acumula. Fora ela funciona como uma agente de lubrificação, mas dentro você se tornar cada vez mais louco.

Se essa sociedade e esse século são os mais loucos de toda a história, o crédito vai para o passado. Cinco mil anos de conselho santo às pessoas – o crédito vai para os santos. Se as pessoas estão ficando loucas, se as pessoas estão ficando insanas, assassinas, o crédito certamente vai para todos os seus assim chamados santos, sacerdotes, pregadores, líderes. Eles são os responsáveis.

Outro dia eu estava dizendo a vocês que o governo do Canadá quer investigar, fazer uma investigação profunda desta comuna porque um cidadão Americano que era um sannyasin cometeu suicídio e outro Americano que era sannyasin ficou louco. Ora, para minha surpresa a pessoa que cometeu suicídio tinha sessenta anos. Ele foi Cristão por sessenta anos, mas a Cristandade não é investigada. E ele foi um sannyasin por apenas sessenta dias! O crédito vai para a Cristandade, não para mim.

O homem que ficou louco era Protestante. Ora, sou condenado porque ele era um sannyasin, mas a igreja Protestante não é condenada. E ele cresceu como Protestante, viveu como Protestante por trinta e cinco anos e foi um sannyasin apenas por alguns dias. Ora, a sociedade Americana não é condenada.

Essa é uma lógica estranha… e estou tentando ajudar as pessoas. Quando ele chegou aqui, ele já estava louco. Ele veio para cá depois de seis anos de psicanálise; porque a psicanálise não pode ajudá-lo ele veio para cá e tornou-se um sannyasin. Mas eles fizeram um trabalho tão bom que foi difícil trazê-lo de volta à Terra.

E ele não ficou muito por aqui; ele esteve aqui por apenas três semanas. Ora, o crédito não pode ir para mim. Se ele ficou louco, eu não posso ser o responsável. Mas essa estranha lógica existe.

Aqui, também, a mesma lógica continua. Se um sannyasin se comporta mal, sou condenado. Mas tantos Hindus são mandados à prisão todo dia – o Hinduísmo não é condenado. Tantos Islâmicos se comportam mal, mas os Islâmicos não são condenados. Se um Sikh assassinar alguém, o Sikhismo não é condenado. Esse mundo é muito estúpido e absurdo.

As pessoas vêm até mim em busca de ajuda. Muitas são ajudadas. Noventa e nove por cento das pessoas são ajudadas. Mas um por cento foi tão danificado que é quase impossível ajudá-las. Elas também podem ser ajudadas, mas não tenho permissão de ajudá-las.

Por exemplo, um exibicionista vem aqui e frequentemente expõe-se nu. Ora, ele pode ser ajudado, facilmente ajudado – se lhe for permitido andar nu. Ele não é perigoso; não está fazendo mal a ninguém. Ele simplesmente tem essa ideia excêntrica… ele gosta dela para chocá-lo. Esta é a forma de chocá-lo, uma maneira de ganhar a atenção: expor-se nu. Se simplesmente permitirmos que ele fique nu e ninguém o notar, ele se curará.

A cura é simples, muito simples! Não fique chocado e não o note. É para chocá-lo e ter a sua atenção que ele é um exibicionista. Se ninguém ligar, se ele for até você nu e você conversar como se ele não estivesse nu, ele ficaria intrigado. Ele não seria capaz de entender o que está ocorrendo. Ele vai olhar no espelho para ver se está nu ou não! E qual é o ponto? Se ninguém dá atenção e ninguém fica chocado, ele talvez tentará usar roupas – talvez essas são pessoas estranhas e elas podem ser chocadas ao usar roupas!

As pessoas podem ser ajudadas, mas a sociedade não me permite ajudá-las. Mesmo aquele um por cento pode ser curado, porque ninguém é realmente incurável. Mas tempo é necessário, perseverança é necessária.

Buda diz: COM GRANDE PERSEVERANÇA ELE MEDITA, BUSCANDO LIBERDADE E FELICIDADE.

Medite – a meditação significa vigilância – e você alcançará liberdade e bem-aventurança.

ENTÃO ACORDE, REFLITA, OBSERVE.

TRABALHE COM CUIDADO E ATENÇÃO.

VIVA NO CAMINHO

E A LUZ CRESCERÁ EM VOCÊ.

A luz cresce por si só. Você simplesmente se torna mais silencioso, mais vigilante, mais meditativo, e a luz descerá em você – por si só. Você não precisa ir para lugar algum.

OBSERVANDO E TRABALHANDO

O MESTRE FAZ UMA ILHA PARA SI PRÓPRIO

QUE A CHEIA NÃO PODE INUNDAR.

A sua vigilância se torna uma ilha, uma fortaleza, a qual nenhuma paixão, nenhum desejo, nenhuma raiva, pode possuir. Com essa ilha, pela primeira vez você se torna um indivíduo integrado. Pela primeira vez você se torna um ser humano.

Este ser humano é absolutamente necessário hoje, esse novo ser humano – homo novus.

Por hoje é só.

O Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 1

Capítulo #6

Título do Capítulo: Através de um vidro sombrio

26 de Junho de 1979 na Sala Buda

A primeira questão:

Questão 1

AMADO MESTRE,

SINTO QUE CONHEÇO AS RESPOSTAS. POR QUE AINDA PERMITO QUE AS QUESTÕES SE TORNEM PROBLEMAS?

Savita, não existem respostas, existe apenas uma resposta. E a resposta não é da mente, a resposta não pode ser da mente. A mente é uma multiplicidade. A mente tem muitas respostas, mas não a resposta.

Esta resposta é um estado de não-mente. Não é verbal. Você pode conhecê-la, mas você não pode reduzi-la ao conhecimento. Você pode conhecê-la, mas não pode dizê-la. Ela é conhecida nos recônditos mais profundos do seu ser. É luz que simplesmente ilumina a sua interioridade.

Não é uma resposta a nenhuma questão particular. É o fim de todo o questionamento, não se refere a nenhuma questão. Ela simplesmente dissolve todas as questões e sobra um estado sem qualquer questão… esta é a resposta. A menos que seja conhecida, nada é conhecido.

Consequentemente, você pode sentir que conhece as respostas, mas outras questões continuam a aparecer, as questões continuam a te torturar. As questões continuam a surgir porque a raiz ainda não foi cortada. Novas folhas brotarão, novos galhos surgirão.

A raiz é cortada apenas quando você desconecta a si mesmo da mente, quando você se torna tão consciente, tão vigilante que você pode ver a mente como separada de você. Quando toda a identidade com a mente é abandonada, quando você é um observador nos cumes e a mente é deixada lá embaixo na escuridão dos vales, quando você está nos picos ensolarados, apenas uma pura testemunha, observando, assistindo, mas não se tornando identificado com nada – bem ou mal, pecador ou santo, isso ou aquilo – naquele testemunhar todas as questões dissolvem-se. A mente derrete, evapora. Você é deixado como um ser puro, apenas uma pura existência – uma respiração, um bater do coração, totalmente no momento, sem passado, sem futuro, logo, sem presente também.

A menos que esse estado ocorra você sentirá muitas vezes que conhece as respostas, mas cada resposta apenas cria novas questões. Cada resposta vai disparar novas cadeias de questões em você. Você pode ler, estudar, pensar, mas você vai afundar-se cada vez mais no atoleiro da mente, mais enredado, mais preso. Deslize para fora da mente!

Por isso não estou dando respostas a vocês, estou tentando apontar a resposta. Você não pode usar o plural porque ela é única. É um estado de total silêncio, paz, sem pensamento. Buda a chama de atenção plena correta – sammasati. E ele diz que àqueles que estão em atenção plena correta, alertas, acordados, percipientes, a verdade vem por si só. Você não precisa ir para lugar algum, ela vem. Você não precisa nem buscar, pois como você a buscaria? A partir da sua ignorância, quaisquer coisas que você fizer trará mais ignorância. A partir da sua ignorância, qualquer lugar que você for você se perderá. A partir da confusão, como você pode encontrar claridade? A partir da confusão você ficará cada vez mais confuso – em busca de claridade.

Por isso Buda diz: O mestre observa, o mestre é claro. Aes dhammo sanantano – esta é a lei, a lei última, eterna, inexaurível.

Estar em silêncio é ter a resposta. Estar em silêncio é não ter questões… e a raiz é cortada, então nenhuma folha surge novamente.

Savita, você diz, “Sinto que conheço as respostas.”

Isso é apenas uma ilusão. E a mente é muito astuta em criar novas ilusões. A mente é muito enganosa: ela pode enganar-te no conhecimento também. Ela pode enganar-te em tudo! Ela pode até fazer você acreditar que você está iluminado, que você já é um buda. Cuidado! O único inimigo é a mente; não há outro inimigo.

As antigas escrituras falam sobre a mente. Elas têm um nome especial para a mente – elas chamam-na de Demônio. O Demônio não é algo fora de você; é a sua própria mente que segue te tentando, que segue te traindo, enganando, que continua criando novas ilusões em você. Cuidado, observe a mente! E no observar as questões desaparecem – não que elas foram respondidas, permita-me repetir novamente.

O buda não conhece nenhuma resposta – não é que ele chegou à conclusão de todas as questões, não, de maneira alguma. Pelo contrário, ele não tem mais questões. Porque não tem mais questões, todo o seu ser tornou-se a resposta.

Savita, esse momento é possível.

Esse é todo o meu trabalho aqui. Não estou aqui para dar mais informações a vocês; isso vocês podem obter em qualquer lugar. Milhares de universidades existem, milhares de bibliotecas. A informação vocês podem obter em qualquer lugar, vocês podem tornar-se instruídos em qualquer lugar. Meu esforço aqui é fazer vocês desaprenderem tudo o que aprenderam até agora, torná-los inocentes para que possam começar a funcionar a partir de um estado de não-conhecimento. Para que você não tenha qualquer resposta, para que você aja espontaneamente, não a partir do passado ou das conclusões já alcançadas. Para que você não tenha nenhuma fórmula pronta para nada… para que você seja como uma criança espelhando a realidade.

E quando você está em silêncio, nenhum conhecimento clamando em seu interior, a sua percepção é clara – nenhuma poeira no espelho… você reflete aquilo que é. E a partir dessa reflexão qualquer ação que surja é virtude.

A segunda questão:

Questão 2:

AMADO MESTRE,

VOCÊ QUER QUE SEJAMOS INDIVIDUAIS, MAS DURANTE O TRABALHO NO ASHRAM TEMOS QUE SER MUITO DISCIPLINADOS. DISCIPLINA E INDIVIDUALISMO – ELES NÃO SÃO DIAMETRALMENTE OPOSTOS?

Sudarshan, quero que vocês sejam individuais, mas não individualistas. E há uma grande diferença. O individualista ainda não é um individual. O individualista que acredita no individualismo é apenas um egoísta. E ser egoísta não é ser um indivíduo. É o contrário: o indivíduo não tem ego, e o ego não tem individualidade.

O ego é um fenômeno ordinário – todos o tem! Não há nada de especial nele, não há nada único no ego. Todos têm ego! É tão comum! A coisa incomum é a falta de ego.

Apenas uma consciência sem ego alcança à individualidade. E por individualidade simplesmente quero dizer o significado literal da palavra: individual significa indivisível, individual significa integrado; um indivíduo significa alguém que não é vários, que não é uma multidão, que não é multipsíquico; alguém que atingiu a unidade, que se tornou um ser cristalizado. Gurdjieff usa a palavra ‘cristalização’ para a individualidade. Mas o requerimento básico para a cristalização é abandonar o ego, porque o ego é uma entidade falsa. Ele não lhe permitirá ser real, não lhe permitirá ser autenticamente real. Ele não lhe permitirá crescer. Ele é falso, o ego é uma fraude, uma ilusão. Você não está separado da existência, mas o ego segue fingindo separação.

E a outra palavra que você usou na questão também deve ser entendida: disciplina. Disciplina não significa nada imposto a você. Nada é imposto nessa comuna. Se você entra nessa comuna é por sua própria escolha. As portas estão abertas – você pode partir a qualquer momento. De fato, entrar é difícil e fazemos todo o esforço possível para ajudá-lo a sair. Ninguém é impedido de sair, embora todo o esforço possível é feito para impedi-lo de entrar. Entrar é muito difícil.

Se você escolheu ser parte dessa comuna, esta é sua decisão – a sua disposição de comprometer-se, de envolver-se.

A partir dessa decisão uma disciplina surge. Você pode escolher sair da comuna, mas uma vez que você está na comuna isso significa que você assumiu uma responsabilidade. E é através da responsabilidade que uma pessoa cresce. Ao cumprir totalmente a sua responsabilidade o crescimento torna-se possível.

Há poucas pessoas aqui, somente alguns, que seguem tentando enganar a comuna. Elas estão simplesmente enganando a si mesmos; ninguém é enganado! Elas não querem trabalhar, elas tentam evitá-lo de toda a maneira possível. Elas encontram desculpas, elas até mesmos ficam doentes apenas para evitar o trabalho. Mas isso é estúpido! Você entrou na comuna para trabalhar sobre si mesmo. Você entrou na comuna para fazer um esforço concentrado para tornar-se um indivíduo integrado. Você entrou na comuna para o seu crescimento espiritual, para a iluminação. E se você evitar… e essa parece ser a questão real por detrás da questão aparente.

Você diz, Sudarshan, “O individualismo e a disciplina – eles não são diametralmente opostos?”

Eles não são! Um indivíduo é sempre um fenômeno disciplinado. Alguém que não é disciplinado não é um indivíduo; é apenas um caos, muitos fragmentos. Todos estes fragmentos estão funcionando separadamente, até mesmo em oposição um ao outro. É assim que as pessoas são ordinariamente: uma parte da mente vai para o sul, outra parte vai ao norte; uma parte diz uma coisa, outra parte a opõe. Você sabe disso! Estou simplesmente declarando um fato – você pode observá-lo. Uma parte diz “Faça isso.” Outra parte imediatamente diz “Não!” Algo diz “Sim,” e algo imediatamente o destrói ao dizer “Não.”

Essa é a sua situação! Você é um indivíduo nessa situação, quando você não pode nem dizer um sim total ou um não total? O seu não é sempre hesitante e seu sim também – e você pensa que é um indivíduo?

Um indivíduo significa alguém que pode funcionar como uma totalidade, como uma unidade orgânica. Como você se torna uma unidade orgânica? Só pode ser através da disciplina consciente.

É isso o que Buda está dizendo repetidamente: perseverança, esforço, um esforço consciente e deliberado para crescer – e esforço total, não morno. Você tem que ferver a cem graus. Sim, às vezes é doloroso, mas tudo depende de você, em como você interpreta. Se você realmente quer crescer não é doloroso – é tremendamente prazeroso. Cada passo mais fundo na disciplina traz cada vez mais alegria, porque isso lhe dá cada vez mais alma, ser.

Disciplina significa prontidão para aprender; por isso a palavra ‘discípulo’, ambas vêm da mesma raiz. Quem é um discípulo? – alguém que se curva, se submete, e está pronto para aprender. E o que é disciplina? – a prontidão, a abertura, a vulnerabilidade para aprender.

Ao entrar nessa comuna você está entrando em um campo búdico. É uma entrega, é uma confiança! Estou aqui para torná-los indivíduos, mas vocês terão que passar por diversos estratagemas. Você terá que passar por muitas chamas, muitos testes. Somente então, vagarosamente, você será fundido em uma unidade. E você permaneceu uma multiplicidade por muito tempo, por muitas vidas, que a menos que um esforço concentrado seja feito, a não ser que você seja atacado, a menos que seu sono seja quebrado de toda a forma possível, que você se abale e se choque, o indivíduo não nascerá.

O trabalho que está ocorrendo na comuna não é realmente o que parece na superfície. É outra coisa – é um estratagema! Temos que usar estratagemas.

Alguém vem até mim e quer fazer parte da comuna, eu digo a essa pessoa, “Vá até Deeksha.” Deeksha é meu estratagema! Dei-lhe poderes totais – dei-lhe total poder porque ela é tão amorosa, tão suave, tão cuidadosa. Ela machuca as pessoas, mas ela também cura. Com uma mão ataca, com a outra consola. Ela é um estratagema.

E quando digo a você, “Vá e trabalhe com Deeksha,” e ela grita com você e de todas as formas possíveis lhe provoca, é uma disciplina observar – não agir de acordo com as suas maneiras antigas, como você sempre agiu. E ela é tão maternal que é muito simples reagir a ela como você reage com seus próprios pais. É tão simples que ela criará uma reação em você que sua mãe criou em você. As mães são criaturas intoleráveis – e Deeksha é uma mãe perfeita!

Eu sei, Sudarshan, é difícil – mas o crescimento é difícil. Muitos outros estratagemas serão criados. Você será enviado para muitas dimensões. Nenhum canto do seu ser ficará subdesenvolvido, porque senão você tornar-se-á assimétrico.

E o primeiro princípio da disciplina é a entrega. Aparentemente parece contraditório, porque foi isso o que lhe disseram: que se você se entrega, então você não é mais um indivíduo.  E eu digo a você que se você não pode entregar-se você não é um indivíduo. Apenas um indivíduo pode entregar-se. Entregar-se é um grande fenômeno, apenas um ser humano com grande força de vontade pode entregar-se. É o máximo da vontade. Abandonar a sua vontade deve ser o máximo da vontade. Colocar-se a si próprio de lado, absolutamente de lado, e dizer a algo um sim total – que a sua mente resiste, o seu velho hábito resiste…

E às vezes você está certo – é aí que toda a beleza se encontra. Você está certo, e ainda assim tem que entregar-se a algo que não parece logicamente certo.

Deeksha é louca! Você pode ser muito mais intelectual, muito mais racional – mas você terá que render-se a Deeksha. Sua loucura é sua qualidade – é por isso que a escolhi. Eu tenho muitas pessoas mais racionais: eu poderia ter escolhido um Ph.D. que lhe convenceria que ele está certo. Mas quando você é convencido e segue, não é entrega. Quando você não está convencido de maneira alguma, você vê a aparente estupidez de uma coisa, e ainda assim entrega-se, este é um grande passo, um grande passo para deixar o seu passado.

Essa comuna é um laboratório, essa comuna é um processo alquímico. Vocês chegam aqui como uma multidão e eu tenho que os fundir em uma unidade. Terei que martelar muito e vocês sairão de todo esse processo como puros indivíduos.

A disciplina é o caminho para criar individualidade. Mas lembre-se: ser um indivíduo não é ser um individualista. Individualismo é uma viagem do ego. E as pessoas que acreditam no individualismo não são indivíduos, lembre-se – lembre-se bem. Lá no fundo eles sabem que não são indivíduos, por isso eles criam uma fachada de filosofia, de lógica, de argumento, porque lá no fundo eles não se sentem indivíduos. Eles fingem exteriormente que são indivíduos – eles acreditam no individualismo. Acreditar no individualismo não é se tornar um indivíduo. A crença é sempre falsa.

Quando você é um indivíduo você não precisa acreditar no individualismo. Quando é uma verdade do seu ser, a crença não é necessária. A crença é necessária apenas para cobrir as coisas: você não conhece Deus e você acredita em Deus. Aquele que acredita é um ateu. Ele pode ser um Cristão, um Hindu, Islâmico, Budista, não importa: aquele que crê é um ateísta. Ele não conhece Deus, e ainda assim acredita. Isso significa que ele está tentando enganar Deus! Ele é um hipócrita, é um papagaio. Como um papagaio ele segue repetindo o que as escrituras dizem, o que os outros dizem. E os papagaios podem repetir lindamente, sem entender nada, sem conhecer nada, mecanicamente.

Um Negro entrou em uma pecuária no Harlem, querendo comprar um bom papagaio falante. O proprietário disse que eles tinham uma ampla seleção de papagaios, e perguntou-lhe que tipo ele gostaria?

O Negro pediu um papagaio de cinquenta dólares. “Polly quer um biscoito? Polly quer um biscoito?” ele chamou assim que o papagaio apareceu. O papagaio não disse nada.

“Quero papagaio que fala bem,” ele disse. “Mostre-me um bom.”

Então o proprietário trouxe um papagaio de duzentos dólares: “Polly quer um biscoito? Polly quer um biscoito?” Nenhuma resposta.

“Você tem um papagaio melhor que esse?” perguntou o Negro.

O proprietário disse sim, e levou o Negro para trás do balcão, onde um papagaio de dois mil dólares, com uma bela plumagem e olhar suspeito, claramente um papagaio muito especial, estava sentado em uma gaiola luxuosa.

“Polly quer um biscoito? Polly quer um biscoito?” veio do Negro, mas o papagaio nem olhou.

“Cara, esse é seu melhor papagaio?” perguntou o Negro, “porque quero um que fala bem e esse parece bobo.”

O proprietário o levou para atrás da loja onde em uma gaiola polida de latão do tamanho de um quarto pequeno sentava o orgulho da coleção do proprietário – um papagaio de cinco mil dólares. O papagaio, vestido com uma jaqueta de seda e sentado em um poleiro aveludado, estava fumando um cachimbo e lendo o Financial Times.

“Polly quer um biscoito? Polly quer um biscoito?” berrou o Negro.

O papagaio fungou e olhou para ele por cima dos seus óculos folhados a ouro com um desdém aristocrático.

“Polly quer um biscoito? Polly quer um biscoito?” berrou novamente o Negro.

“Polly quer um biscoito?” disse o papagaio em um sotaque impecável de Oxford. “Negro quer melancia?”

O crente é um papagaio. O crente não sabe de nada. O crente é um ateu camuflado. Ele está tentando enganar a si mesmo, o mundo e até Deus.

O homem que acredita no individualismo não é um indivíduo. Aquele que realmente é um indivíduo não precisa acreditar – ele sabe, então qual é o ponto em acreditar? A crença é sempre necessária na ignorância, e o individualismo é uma crença. Ser um indivíduo é uma experiência! O individualismo é muito barato, mas para ser um indivíduo é necessária uma árdua disciplina. É necessária grande perseverança, trabalho, vigilância. Ele vem apenas depois de anos de esforço na vigilância, na meditação.

E o que quer que esteja ocorrendo aqui nessa comuna, Sudarshan, não é nada além de formas diferentes de introduzi-lo à meditação. Na cozinha, na loja da carpintaria, no workshop de sabonete, na butique – qualquer coisa que ocorra, aparentemente é a mesma coisa ordinária que ocorre em qualquer lugar. Não é. Se você for e ver os carpinteiros trabalhando, é claro que eles seguem trabalhando como quaisquer carpinteiros em outros lugares – mas com uma qualidade diferente. Esta qualidade você não pode ver. Você tem que tornar-se um participante, somente assim vagarosamente você vai senti-la. Essa qualidade é a confiança, o amor.

Os meus sannyasins estão aqui porque eles me amam, por nenhuma outra razão. Eles estão aqui comigo por estarem aqui comigo. Para estarem aqui comigo eles estão prontos para fazer qualquer coisa. Mas qualquer coisa que eles fizerem é apenas a parte externa. Você verá o corpo do trabalho, mas você não será capaz de ver o espírito do trabalho. Para isso você terá que tornar-se um participante.

E, Sudarshan, parece que você ainda é um espectador. Talvez você esteja trabalhando na comuna mas ainda não se tornou um participante – caso contrário a sua pergunta seria impossível.

A terceira questão:

Questão 3

AMADO MESTRE,

POR QUE SINTO QUE ESTOU PERDENDO ALGO? QUE EU DEVERIA SER OUTRA COISA? POR FAVOR ME AJUDE A ABANDONAR ESSE LIXO.

Dhyana Yogi, se isso é um lixo, se você realmente entende que isso é um lixo, então não há como ajudá-lo a abandoná-lo. Sabê-lo lixo é abandoná-lo!

Mas parece que você ouviu-me dizer que é lixo. Isso tornou-se uma crença em você; não é o seu próprio conhecimento, não é a sua própria experiência. Você ainda está apegado a ele.

No fundo você ainda pensa que ele é precioso, que não é lixo. No fundo você ainda pensa que isso é diamante não pedregulho. No fundo, em algum lugar, você ainda acredita que é um tesouro a ser protegido e guardado.

Não comece a acreditar em mim, porque isso não fará diferença. Você acreditava em Maomé, acreditava em Cristo, ou em Buda, e então você começa a acreditar em mim. Isso não é uma revolução, não é conversão. Você simplesmente altera o objeto da sua crença, mas a crença permanece – a mesma mente crente. Você crê em Jesus, mas Jesus fala uma linguagem que tem agora dois mil anos. Você não pode interpretá-la; o contexto que ela era relevante foi perdido. Eu falo a linguagem do Século Vinte. Você pode interpretá-la, então você retira a sua crença de Jesus e começa a acreditar em mim. Isso é muito simples e barato.

Não estou dizendo acredite em mim. Estou dizendo abandone toda a crença e comece a ver, porque a crença permanecerá uma cegueira – comece a ver! É realmente lixo que você está carregando? É seu entendimento que isso é lixo? Então você não perguntará como abandoná-lo. Ninguém pergunta como abandonar o lixo. O problema surge apenas porque no fundo você sabe que ele é ouro. E alguém diz que é lixo e diz muito convincentemente, e você não pode argumentar, esse alguém o silencia. E o ser humano tem tamanha autenticidade, tamanha integridade, que em sua presença você simplesmente torna-se inundado com seu ser. Você simplesmente começa a dizer, “Sim, é lixo.” Mas no fundo você ainda sabe que não é lixo, é ouro! Por isso o problema surge: como abandoná-lo?

Se você entender por si só que é lixo, você nunca perguntará como abandoná-lo. Ver que é lixo é abandonar, sabendo-o lixo é abandoná-lo! O lixo não está apegado a você, você está apegado ao lixo. O lixo não liga para você, o lixo não está interessado em você. Se você abandoná-lo, ele não fará muito rebuliço – “Por que você está me abandonando?” Ele não falará palavra alguma, não criará qualquer problema para você. Ele não irá ao tribunal. Você não se divorciará! Se você abandoná-lo, o lixo será realmente mais feliz do que é agora. Estará acabado com você, ele se libertará de você. Ele deve estar cansado de você. Você que está apegado. Por que você está apegado? Por que alguém se apega a algo? – porque no fundo acredita que é precioso.

Dhyana Yogi, você diz, “Por que sinto que estou perdendo algo?”

Porque desde criança foi-lhe dito que em seu interior, intrinsicamente, você é inútil. Como você é, você não tem valor. O valor deve ser alcançado, o valor tem que ser provado. Desde criança ensinaram-lhe isso milhões de vezes. Os pais, os professores, os sacerdotes, os políticos, eles estão todos em uma conspiração secreta para destruir a criança. E o melhor caminho para destruir a criança é destruir a sua confiança própria.

Para destruir a confiança na criança você tem que provar à criança que o valor não é um fenômeno inerente, que ele deve ser alcançado na vida e que se pode perdê-lo. A menos que você trabalhe, que seja ambicioso, que lute contra os outros… e é uma luta de dentes e unhas e você tem que cortar a garganta dos outros para alcançá-lo. Você tem sido condicionado a ser violento, ambicioso, cheio de desejos: ter mais dinheiro, mais poder, mais prestígio. Porque disseram-lhe que intrinsicamente você não tem valor algum, esse problema surge.

E eu digo que vocês têm valor intrínseco, que vocês nascem como budas. Vocês estão inconscientes, totalmente esquecidos da realidade dos seus próprios seres, mas vocês são deuses escondidos. O que digo é tão totalmente diferente do que lhe foi dito que um problema surge. Digo que vocês são budas – vocês são budas agora! – mas todo o treinamento e ensinamento, todo o condicionamento é: como você pode ser um buda agora? Amanhã talvez, um dia certamente, em algum futuro a vida acontecerá… mas agora? Parece impossível.

Você acreditou muito em seus pais, em seus professores, em seus políticos, em seus sacerdotes e qualquer coisa que eles lhe disseram você coletou. É lixo, mas você carregou o lixo por tanto tempo que abandoná-lo repentinamente parece impossível – tanto tempo você ficou apegado a ele, você pensou-o belo por tanto tempo, precioso, nutritivo. Agora eu digo: é tudo bobagem! Abandone-o e seja apenas um buda a partir desse momento! Não é uma questão de alcançar, é apenas uma questão de tornar-se consciente. É apenas uma questão de tornar-se consciente, alerta, acordado, não é uma questão de conquista.

Então você me ouve: uma parte da sua mente diz, “Sim, o Mestre deve estar certo!” Uma parte de si simplesmente acena que sim, porque o que está sendo dito é uma simples verdade da vida. Mas todo o seu treinamento é contra isso. Quando você está próximo de mim você começa a sentir que é verdade. Quando você vai para longe de mim a mente pula de volta em você – com vingança. E é claro que ela é muito poderosa. A mente é tão poderosa, por isso que ela destrói a sua inteligência.

A inteligência não tem nada a ver com a mente; a inteligência tem algo a ver com o coração. É a qualidade do coração. A intelectualidade é a qualidade da cabeça. O intelectual não é necessariamente uma pessoa inteligente e a pessoa inteligente não é necessariamente um intelectual.

O seu intelecto está cheio de lixo – e estou tentando acordar a sua inteligência. E toda a sociedade tentou torná-lo inconsciente em relação à sua própria inteligência. A sociedade é contra a sua inteligência. Ela quer que você seja medíocre, porque apenas as pessoas medíocres podem ser bons escravos. A sociedade quer que você seja ignorante e estúpido, porque apenas as pessoas estúpidas podem ser dominadas.

E as pessoas estúpidas são obedientes, as pessoas estúpidas nunca se rebelam, as pessoas estúpidas simplesmente vegetam. Elas não fazem qualquer esforço para viver as suas vidas no ótimo. Elas não tentam queimar as suas tochas vitais em ambas as extremidades simultaneamente. Elas não têm intensidade. A estupidez é obediência, e a obediência cria estupidez.

Um cara bem simples andava pela cidade de dia plenamente nu. O xerife o chamou e disse, “Jake, o que você está fazendo andando pela cidade sem nenhuma roupa?”

“Bem, xerife,” disse Jake, “é uma longa história. Eu estava andando até a cidade para comprar alguns alimentos para meu pai, quando encontrei com uma senhorita na estrada que me pediu ajuda. Ora, meu pai sempre me disse para ajudar as senhoritas, então desci do meu cavalo e ajudei-a a carregar a sua cesta de piquenique até o rio. Então ajudei-a a arranjar sua manta, e ajudei-a com tudo que ela me pediu. Então ela disse, ‘O que você acha de retirar as suas botas, cowboy?’ Assim eu o fiz, xerife, e então ela disse, ‘O que você acha de retirar as suas roupas, cowboy?’ E eu disse, ‘Claro, madame.’ E ela estava naquela manta, nua como no dia em que nasceu. Então ela reclinou-se e disse, ‘Vá para a cidade cowboy!’ …e aqui estou, xerife.”

A obediência é uma forma de estupidez – e a sociedade quer que você seja estúpido. As pessoas estúpidas são pessoas boas. Elas sempre permanecem com o status quo, elas nunca vão contra este. Mesmo se veem a podridão das coisas, elas simplesmente fecham os seus olhos, ou elas estão sempre prontas para aceitar qualquer explicação estúpida.

Por exemplo, este país foi pobre por séculos, faminto, sofrido. Mas porque as pessoas são religiosas, obedientes, estúpidas, foi-lhes dada uma explicação qualquer e elas aceitaram. Algumas acreditam que Deus as fez pobres porque a pobreza é muito religiosa. Elas cultuam à pobreza; na Índia a pobreza é cultuada. Se você renunciar às suas riquezas e tornar-se um faquir nu, milhões de pessoas pensarão que você é um grande sábio. Você pode ser apenas estúpido, mas apenas porque você renunciou às riquezas você é um grande sábio. Vi muitos sábios estúpidos.

Ora, é uma contradição em termos – como uma pessoa estúpida pode ser sábia? Um sábio deve ser sábio! Mas é muito difícil nesse mundo ser sábio e ser cultuado. As pessoas sábias devem ser assassinadas, crucificadas, envenenadas. As pessoas estúpidas são cultuadas. As pessoas estúpidas simplesmente seguem qualquer coisa que a sociedade diz. Quaisquer coisas que a sociedade quer que elas façam, elas simplesmente fazem. Então algumas poucas pessoas têm cultuado a pobreza.

Gandhi chamava as pessoas pobres daridra narayana – “os pobres são divinos.” A pobreza é divina! As pessoas pobres são deuses! Se isso é verdade então quem não gostaria de ser pobre? Se as pessoas pobres são deuses, quem não gostaria de ser um deus?

E então existem outras explicações: que você é pobre porque nas suas vidas passadas você cometeu pecados. Essas explicações foram inventadas por aquelas pessoas que não acreditam em Deus. Os Jainas, os Budistas, eles não acreditam em Deus, então você não pode dar a primeira explicação para eles. Eles precisam de outra explicação: a teoria do carma. Mas o propósito é o mesmo! Se você cometeu pecados em sua vida passada, então é melhor esgotar o carma. Atravesse a pobreza, e atravesse-a sem qualquer resistência. Se você criar resistência, você novamente criará mau carma e sofrerá em sua vida futura. O suficiente, afinal, é suficiente! Agora esgote tudo – sofra nesse momento alegremente. Então as pessoas tornaram-se vacas e búfalos; elas estão sofrendo alegremente, sem resistência, sem rebelião.

A sociedade quer que você seja estúpido, burro. A inteligência é perigosa. Inteligência significa que você começará a pensar por si só, você começará a procurar por si próprio. Você não acreditará nas escrituras; você acreditará apenas em sua própria experiência.

Dhyana Yogi, por favor não acredite no que digo.

Experimente, medite, experiencie – a menos que se torne o seu próprio entendimento, nada ajudará.

Você me pergunta, “Por que sinto que estou perdendo algo?”

Porque sempre lhe foi dito que você tem que encontrar algo. Agora você não está encontrando-o, então esse sentimento surge que você está perdendo. E eu estou te dizendo que você nunca o perdeu em primeiro lugar! Por favor pare de tentar procurá-lo, pare de buscá-lo. Você já o tem! Qualquer coisa necessária, você já a tem. Apenas olhe para dentro e você encontrará tesouros infinitos, tesouros inexauríveis de alegria, amor, êxtase.

Nada está sendo perdido se você olhar para dentro, mas se você continuar buscando fora você se sentirá cada vez mais frustrado. E conforme você envelhece, é claro, você sentirá que sua vida está escapando das suas mãos e que você não encontrou ainda. E toda a ironia está no fato que você nunca o perdeu. Ele sempre esteve em seu interior… está nesse momento em seu interior.

Mas não acredite em mim. Não estou aqui para criar crentes, estou aqui para ajudá-lo a experimentar. No momento que tornar-se a sua experiência, esta libera. A verdade libera, diz Jesus – não a crença, mas a verdade.

Mas a minha verdade não pode ser a sua verdade; a minha verdade será a sua crença. Apenas a sua verdade pode ser verdadeira para você. A verdade certamente libera, mas permita-me adicionar que a verdade tem que ser a sua verdade. A verdade de mais ninguém pode libertá-lo. A verdade de outrem tornar-se-á apenas um aprisionamento.

Dhyana Yogi, você não está perdendo nada. Ninguém está perdendo. Na natureza das coisas nós não a podemos perder. Somos parte de Deus e Deus é parte de nós. Não há nenhuma maneira de a perder, nenhum caminho possível. Como você pode escapar de si mesmo? Onde? Onde quer que for você permanecerá você mesmo. Mesmo no inferno, porque você não pode escapar de si próprio, você não pode escapar de Deus.

Ele está lá esperando, pacientemente esperando você olhar para dentro.

Você diz, “…que eu deveria ser outra coisa?”

Isso foi-lhe dito repetidas vezes: “Seja alguém! Olhe para Gautama Buda, Krishna, Cristo. Seja um Buda, seja um Krishna, seja um Cristo!” Então certamente você morrerá na angústia, frustrado – totalmente frustrado, chorando – porque você não pode ser um Buda. Você não foi feito para ser um Buda! Você não pode ser um Cristo, não pode ser um Krishna. Você só pode ser você mesmo.

Um grande mestre Hassídico, Zusiya, estava morrendo. As pessoas reuniam-se – discípulos, simpatizantes. Alguém perguntou, um homem velho, “Zusiya, quando você encontrar Deus – e em breve você encontrará Deus porque você está morrendo – você será capaz de dizer a ele que você seguiu Moisés absolutamente, verdadeiramente?”

Zusiya abriu os seus olhos, e essas foram suas últimas palavras. Ele disse, “Pare de dizer bobagens! Deus não vai me perguntar, ‘Zusiya, por que você não foi um Moisés?’ Ele me perguntará ‘Zusiya, por que você não foi um Zusiya?’”

Você tem que ser você mesmo e ninguém mais. E de fato é isso que a budidade significa: ser você mesmo. É isso o que a consciência crística significa: apenas ser você mesmo. Buda não foi uma imitação de outrem. Você não acha que haviam muitos grandes homens que o precederam? Com certeza disseram-lhe, “Seja um Krishna! Seja um Parshvanath! Seja um Adinatha!” Ele deve ter ouvido belas histórias, mitologias. Ele deve ter lido as PURANAS, estórias antigas sobre os grandes homens, Rama, Krishna, Parasuram. Ele deve ter ouvido tudo isso, deve ter recebido o legado. Mas nunca tentou ser alguém. Ele queria ser ele próprio, ele queria conhecer quem ele era. Ele nunca se tornou um imitador; é por isso que um dia ele se tornou iluminado.

Jesus nunca tentou ser Abraão, Moisés, Ezequiel. Jesus simplesmente tentou ser ele próprio. Este foi o seu crime, é por isso que foi crucificado. As mesmas pessoas que crucificaram Jesus o teriam adorado se ele fosse simplesmente um imitador, uma cópia em carbono de Moisés. Se ele fosse simplesmente uma gravação em um gramofone repetindo os Dez Mandamentos os Judeus o teriam adorado. Mas eles tinham que crucificar o homem – ele era apenas ele próprio.

A sociedade podre, a multidão, a mente da aglomeração, não pode tolerar indivíduos. É impossível para elas tolerarem um Sócrates. Você sabe qual foi a acusação contra Sócrates? Exatamente a mesma coisa é dita sobre mim! Este foi o crime de Sócrates, que ele corrompia as mentes dos jovens. É exatamente isso que os meus inimigos dizem: que estou corrompendo a mente das pessoas, particularmente a mente dos jovens.

Sócrates estava corrompendo a mente dos jovens? Ele estava tentando acordar a inteligência deles, mas a sociedade ficou com medo. Se muitas pessoas tornarem-se muito autênticas, verdadeiras, então os interesses pessoais estarão em perigo. Então você não poderá conduzir as pessoas como gado. E é isso o que os sacerdotes apreciam e os políticos também.

Há uma conspiração entre o sacerdote e o político para explorar as pessoas, para dominar as pessoas, para oprimir as pessoas. E o fundamental é: nunca permita que elas se tornem inteligentes. Dê substitutos às pessoas. O que é o substituto da inteligência? – intelectualidade. Dê educação às pessoas; mande-as para escolas, colégios, universidades, para que então elas se tornem intelectuais.

Você já ouviu dizer que as universidades criam inteligência? Elas criam intelectuais, elas criam eruditos, elas criam pessoas que conhecem as escrituras – pessoas que podem repetir as escrituras ao pé da letra – mas as universidades não criam pessoas inteligentes. Elas servem à sociedade; o sistema educacional foi inventado por essa sociedade podre para servir aos seus próprios propósitos. O sistema educacional não está lá para ajudá-lo, está lá para mantê-lo na servidão.

Dhyana Yogi, não posso te ajudar a abandonar esse lixo, posso apenas ajudá-lo a tornar-se mais consciente. E se você está consciente o lixo vai ser abandonado naturalmente. Um dia repentinamente você o verá desaparecendo… subitamente desaparecendo. Conforme a consciência se aprofunda, todo o lixo desaparece – assim como você traz luz para dentro e a escuridão dispersa.

Buda diz: torne-se mais consciente e a luz começará a fluir… aes dhammo sanantano.

A quarta questão:

Questão 4

AMADO MESTRE,

FREQUENTEMENTE LEIO O ‘HINO AO AMOR’ NO NOVO TESTAMENTO. PARECE-ME QUE É EXATAMENTE A SUA MENSAGEM. É SIGNIFICANTE, TAMBÉM, QUE ELE NUNCA USA A PALAVRA ‘DEUS’. NÃO ENCONTRO NADA QUE CONTRADIGA SUA MENSAGEM BÁSICA NESSE ADORÁVEL POEMA. POR OUTRO LADO, PARECE SER EXATAMENTE O QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO EM SEUS DISCURSOS. ESTOU CERTO?

VOCÊ TEM UMA VOZ TÃO BONITA QUE SERIA MUITO AGRADÁVEL OUVI-LO FALAR PARTES DO HINO OU ELE TODO, ESPECIALMENTE PORQUE SINTO QUE EM BREVE VOCÊ PARARÁ DE FALAR PUBLICAMENTE. AQUI ESTÁ UMA CÓPIA DO HINO.

Premartha, a mensagem de todos os budas é sempre a mesma porque a verdade é uma. As expressões podem diferir, diferentes linguagens podem ser usadas, mas aquilo que é indicado é o mesmo.

Milhões de dedos podem apontar para a mesma lua. Os dedos são necessariamente diferentes – o meu dedo é diferente do dedo de Jesus ou Buda ou Moisés ou Abraão – mas a lua é a mesma. E este hino é um belo dedo apontando para a lua. É a própria essência de todos os ensinamentos de todos os budas de todas as eras – passado, presente e futuro também.

AINDA QUE EU FALE AS LÍNGUAS DOS HOMENS E DOS ANJOS, SE NÃO TIVER AMOR, SEREI COMO O SINO QUE RESSOA OU COMO O PRATO QUE RETINE. AINDA QUE EU TENHA O DOM DE PROFECIA E SAIBA TODOS OS MISTÉRIOS E TODO O CONHECIMENTO, E TENHA UMA FÉ CAPAZ DE MOVER MONTANHAS, SE NÃO TIVER AMOR, NADA SEREI. AINDA QUE EU DÊ AOS POBRES TUDO O QUE POSSUO E ENTREGUE O MEU CORPO PARA SER QUEIMADO, SE NÃO TIVER AMOR, NADA DISSO ME VALERÁ.

 O AMOR É PACIENTE, O AMOR É BONDOSO. NÃO INVEJA, NÃO SE VANGLORIA, NÃO SE ORGULHA. NÃO MALTRATA, NÃO PROCURA SEUS INTERESSES, NÃO SE IRA FACILMENTE, NÃO GUARDA RANCOR. O AMOR NÃO SE ALEGRA COM A INJUSTIÇA, MAS SE ALEGRA COM A VERDADE.  TUDO SOFRE, TUDO CRÊ, TUDO ESPERA, TUDO SUPORTA.

O AMOR NUNCA PERECE; MAS AS PROFECIAS DESAPARECERÃO, AS LÍNGUAS CESSARÃO, O CONHECIMENTO PASSARÁ. POIS EM PARTE CONHECEMOS E EM PARTE PROFETIZAMOS; QUANDO, PORÉM, VIER O QUE É PERFEITO, O QUE É IMPERFEITO DESAPARECERÁ. QUANDO EU ERA MENINO, FALAVA COMO MENINO, PENSAVA COMO MENINO E RACIOCINAVA COMO MENINO. QUANDO ME TORNEI HOMEM, DEIXEI PARA TRÁS AS COISAS DE MENINO. AGORA, POIS, VEMOS APENAS UM REFLEXO OBSCURO, COMO EM ESPELHO; MAS, ENTÃO, VEREMOS FACE A FACE. AGORA CONHEÇO EM PARTE; ENTÃO, CONHECEREI PLENAMENTE, DA MESMA FORMA COMO SOU PLENAMENTE CONHECIDO.

ASSIM, PERMANECEM AGORA ESTES TRÊS: A FÉ, A ESPERANÇA E O AMOR. O MAIOR DELES, PORÉM, É O AMOR.

Essas são as qualidades essenciais de uma pessoa religiosa. Esta é minha mensagem – esta é a mensagem.

A linguagem é antiga, e porque é antiga ela tem uma beleza própria, porque quanto mais antiga uma linguagem, mais poesia tem. Conforme fomos ficando cada vez mais científicos a nossa linguagem tornou-se cada vez mais científica.

Porque o hino tem dois mil anos, ele tem algo de inocência primitiva em si, uma qualidade de maravilhamento infantil, de ficar surpreso com o misterioso. Mas, Premartha, você está perfeitamente certo: não há nada nele que me contradiz, e não há nada nele que eu gostaria de contradizer também. Quem quer que o tenha escrito deve ter sido um iluminado.

Mas não siga simplesmente repetindo-o. É belo repetir, é belo cantá-lo, mas não é suficiente. Pratique-o, permita-o ser o próprio sabor da sua vida. Deixe-o dissolver-se em seu sangue, em seus ossos, em sua espinha. Permita-o cercar-lhe como uma aura invisível. Não siga apenas repetindo-o. Ele é belo – e esse é o perigo. Você pode tornar-se tão encantado, tão hipnotizado pela sua beleza, que pode seguir repetindo-o por toda a sua vida. E quanto mais repeti-lo, mais belo parecerá… porque essas mensagens antigas têm um tremendo poder e muitas camadas de significado.

Mas não faça análise linguística ou filosófica dela. É uma oração! – e uma oração não é algo a ser dito, mas algo a ser sentido. Uma oração não é algo a ser lido, mas algo a ser vivido. Viva-a!

É verdade: ASSIM, PERMANECEM AGORA ESTES TRÊS: A FÉ, A ESPERANÇA E O AMOR. O MAIOR DELES, PORÉM, É O AMOR.

Você pode pensar no amor, você pode ter belos voos de imaginação em relação ao amor, você pode ter belos sonhos de amor, mas isso não ajudará. O que ajudará é, você tem que tornar-se amor. O amor tem que tornar-se o seu núcleo essencial. Tudo o mais deve ser sacrificado pelo amor, tudo o mais tem que tornar-se parte da sua vida de amor.

Então, somente assim essa oração será verdade para você. E então ela não será Cristã, ela não pertencerá ao Novo Testamento. Ela será algo que é parte do seu coração; você irá respirá-la. E quem quer que chegue perto de você terá um pequeno vislumbre dela. Uma pequena luz será irradiada no caminho de todos… se você a viver.

As escrituras podem ser entendidas apenas se forem praticadas primeiro. As pessoas fazem o oposto: elas leem a escritura e tentam entendê-la. Intelectualmente não é difícil entender essas escrituras, elas são simples. As pessoas tornam-se muito proficientes, muito eficientes, em repetir as escrituras – e terminam aí. Elas permanecem papagaios.

E o que você pode entender sobre as escrituras? Intelectualmente qualquer coisa que você entenda não estará certo, porque isso refletirá o estado da sua mente, não o estado da mente que proferiu essas palavras.

Um fazendeiro de gado aposentado, com 65 anos, vendeu o seu rancho e foi para Nova Iorque para ver as atrações turísticas e deu entrada em um hotel no centro.

Uma vez no andar de cima, instalou-se confortável e relaxado na cama. Enquanto descansava, viu a porta abrir-se vagarosamente e ali diante dele estava uma loira com curvas trajando apenas uma camisola transparente.

“Ó,” ela desculpou-se quando viu o senhor, “Devo estar no quarto errado.”

“Não,” ele corrigiu, “você está no quarto certo, mas você está em torno de uns quarenta anos atrasada!”

A interpretação sempre será sua. Você pode ler Jesus, pode ler Buda, mas quem irá interpretá-los? Você irá interpretá-los. E qual é o seu entendimento? Qual luz você tem? Esses belos provérbios permanecerão belos provérbios, belos nadas. Sim, boa poesia, mas a poesia não lhe pode liberar a menos que se torne a sua própria experiência, a não ser que você se torne uma testemunha das escrituras.

“Sua deslealdade contínua prova que você é um absoluto canalha,” atacou a furiosa esposa que acabou de pegar o seu marido pela sétima vez em uma folia esportiva com outra mulher.

“Pelo contrário!” veio a fria réplica. “Meramente prova que sou muito bom para ser verdadeiro.”

As suas interpretações sempre refletirão você. Quando você olha no espelho você olha para a sua face, você olha para si próprio. Você não pode ver o espelho, você pode apenas ver a sua face refletida nele. Você será capaz de ver o espelho apenas quando você perder a sua face, quando você perder a sua cabeça, quando você não existir. Quando você se torna um nada, um ninguém, então fique na frente de um espelho e você verá o espelho e sua reflexão e você não será espelhado nele, não será refletido nele. Você não estará presente. Antes de você tornar-se uma ausência, ir até um espelho não tem utilidade.

E é isso o que as pessoas estão fazendo: lendo a Bíblia, o Alcorão, O DHAMMAPADA, elas leem a si mesmas.

A mãe preocupada aconselhava a sua filha adolescente na questão da moralidade sexual. “É claro que sei que você pode ficar tentada quando está em um encontro. Se você ficar, querida, por favor pergunte-se essa questão fundamental: uma hora de prazer vale toda uma vida de humilhação?”

“Puxa, mãe,” perguntou a filha, “como você faz durar uma hora?”

Relembre-se sempre, você não pode entender Jesus, Moisés, Zaratustra. A sua face vai adentrar muito.

Um paciente recém-casado estava reclamando para seu doutor sobre suas relações conjugais. Parece que a primeira vez que fez amor com sua esposa foi maravilhoso, mas na segunda vez ele transpirou e suou.

O doutor decidiu consultar à esposa. “Não é estranho,” o médico perguntou para a mulher quando ela chegou, “que foi maravilhoso a primeira vez e na segunda ele transpirou e suou?”

“Por que seria estranho?” ela sorriu maliciosamente. “A primeira vez foi em Janeiro e a segunda em Julho!”

Você não pode ir diretamente até os ensinamentos dos budas. Primeiro você tem que ir para dentro de si próprio. O encontro básico deve ser com sua própria originalidade, e então todos os budas serão claros a você. E então mais uma coisa começa a ocorrer: então Jesus e Buda e Moisés e Maomé não estão dizendo coisas diferentes – eles estão dizendo as mesmas coisas.

A menos que uma pessoa se torne uma testemunha da verdade última ela própria, ela continuará pensando que Buda está dizendo uma coisa e Jesus está dizendo algo contrário; que o Budismo é contra o Hinduísmo, que o Hinduísmo é contra o Jainismo, que o Jainismo é contra o Islamismo. A não ser que você testemunhe a verdade você seguirá acreditando naquelas trezentas religiões, e você fará parte da discussão, do conflito, do antagonismo continuamente instalado entre essas religiões. O dia em que você ver a verdade do seu próprio ser, todas aquelas trezentas religiões simplesmente desaparecem, evaporam.

Uma vez – assim como Premartha – um missionário Cristão foi ver um mestre Zen. Ele queria converter o mestre Zen, então ele levou consigo o Sermão da Montanha. Então começou a ler o Sermão da Montanha: ele havia lido apenas as primeiras duas ou três sentenças, e o mestre Zen disse, “Pare! Quem quer que tenha dito isso foi um buda!”

O missionário ficou surpreso. Ele disse, “Mas essas são as palavras de Jesus!”

O mestre disse, “Não importa qual era o nome do buda, mas quem quer que tenha dito isso foi um buda. Ele chegou.”

E eu digo isso para você porque eu sei também. Uma vez que você prove, você saberá. Em qualquer que seja a forma que a verdade vir você imediatamente a reconhecerá. Mas seja primeiro uma testemunha.

A última questão:

Questão 5

AMADO MESTRE,

SOMENTE UM PASSO?

Digambara, sim, de fato, nem um… porque não temos que ir a lugar algum. Já estamos em Deus! Digo “somente um passo” apenas para consolá-lo, porque sem qualquer passo você ficaria muito intrigado. Eu o reduzi ao mínimo, apenas um passo, para que algo permaneça para você fazer, porque você entende unicamente a linguagem do fazer. Você é um fazedor! Se eu disser, “Nada deve ser feito, nem mesmo um único passo deve ser dado,” você se perderá na interpretação.

A verdade é, nem mesmo um único passo é necessário. Sentando silencioso sem fazer nada, a Primavera vem e a grama cresce por si só. Mas isso poderia ser muito. A sua mente fazedora poderia simplesmente ignorá-lo ou pensar que é algum disparate. Como você pode alcançar Deus sem fazer nada? Sim, um atalho a mente pode entender; é por isso que digo, “um único passo.” É o mais curto – não pode ser reduzido a menos que isso.

Um único passo! Isso é apenas para que você entenda que o fazer é não-essencial. Para atingir o ser, o fazer é absolutamente não-essencial. Quando você concorda e está convencido que apenas um passo é necessário, então vou sussurrar em seu ouvido, “Nem mesmo um – você já está lá!”

Rabiya, uma grande mística Sufi estava passando… Era a rua que ela costumava passar todos os dias em seu caminho até o mercado, porque ela ia no mercado todos os dias e gritava a verdade que tinha alcançado. E por muitos dias ela observava um místico, um místico bem conhecido, Hassan, sentado na frente da porta da mesquita e orando a Deus, “Deus, abra a porta! Por favor abra a porta! Deixe-me entrar!”

Rabiya não podia tolerá-lo naquele dia. Hassan estava chorando, as lágrimas caiam, e ele gritava repetidamente, “Abra a porta! Deixe-me entrar! Por que você não me ouve? Por que não ouve as minhas orações?”

Todo dia ela ria, sempre que ouvia de Hassan ela ria, mas aquele dia foi demais. Lágrimas… e Hassan estava realmente chorando, chorando do fundo do seu coração. Ela foi até lá, sacudiu Hassan e disse, “Pare com toda essa bobagem! A porta está aberta – de fato você já entrou!”

Hassan olhou para Rabiya e aquele momento tornou-se um momento de revelação. Olhando para os olhos de Rabiya ele curvou-se, tocou os pés dela e disse, “Você chegou a tempo; caso contrário eu teria chorado por toda a minha vida! Por anos eu tenho feito isso – onde você estava antes? E eu sei que você passa por essa rua todos os dias. Com certeza você deve ter me visto chorando, orando.”

Rabiya disse, “Sim, mas a verdade só pode ser dita em um momento certo, em um certo espaço, em um certo contexto. Eu estava esperando pelo momento certo, maduro. Hoje ele chegou; por isso me aproximei de você. Se eu tivesse lhe dito ontem, você se sentiria irritado; você poderia ficar até com raiva. Você poderia reagir de maneira antagônica; você me diria, “Você atrapalhou minha oração!” – e não é certo atrapalhar a oração de ninguém.”

Mesmo o rei não tem permissão de atrapalhar a oração de um mendigo. Quando um criminoso, um assassino, está orando nos países Islâmicos, a polícia tem que esperar até que ele termine a sua oração, apenas então podem prendê-lo. A oração não pode ser perturbada.

Rabiya disse, “Eu queria ter lhe dito isso, “Hassan, não seja um tolo, a porta está aberta – de fato, você já entrou!” Mas tive que esperar pelo momento certo.”

Digambara, eu digo “somente um passo” – e mesmo isso parece ser inacreditável para você, por isso a questão.

Você me pergunta, “Amado Mestre, somente um passo?”

Nem mesmo um, Digambara. Mas o momento certo ainda não veio, pelo menos para você. Quando ele vier vou sussurrar em seu ouvido, “Você já está dentro. Nem mesmo um passo é necessário” – porque não vamos para fora. Os passos são necessários para ir para fora, os passos não são necessários para ir para dentro.

É como um homem sonhando, e em seus sonhos ele vai para muito longe. Ele precisará de uma longa jornada de volta para casa? Ele já está em casa, ele está dormindo em sua casa… mas ele pode estar em Timbuktu em seu sonho. Tudo que é necessário é ele ser sacudido.

Assim como Rabiya sacudiu Hassan, Digambara, um dia eu sacudirei você! É necessário apenas jogar água fria em você – água realmente fria, tão fria quanto o gelo, para que em choque você abra os olhos.

Você acha que você me perguntaria, “Como voltar para casa – pois estou em Timbuktu?”

Não, você não perguntaria, se você visse que você já está em sua casa, que caiu no sono e sonhou com Timbuktu. Você nunca foi para lá.

Você nunca foi para fora de Deus! Você não pode ir, é impossível, porque apenas Deus existe. Para onde podemos ir, para onde podemos ir? Não há lugar onde Deus não está. Estamos sempre nele e ele está sempre em nós. Mas isso precisa de um despertar.

Nem mesmo um passo – isso é apenas para lhe trazer um pouco mais próximo da verdade. Vagarosamente, você deve ser persuadido. Mil passos são reduzidos a um passo, e então eu darei este passo para longe de você. Mas isso precisa do momento certo. As verdades últimas podem ser ditas apenas na situação certa, madura.

Este momento também virá.

Apenas esteja pronto para recebê-lo, para lhe dar as boas-vindas…

Por hoje é só.

Anúncios

Replique

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close