Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 1. Cap 1 e 2, OSHO

Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 1

Capítulo #1

Título do Capítulo: Somos o que pensamos

21 de Junho de 1979 na Sala Buda

 

SOMOS O QUE PENSAMOS.

TUDO O QUE SOMOS SURGE COM OS NOSSOS PENSAMENTOS.

COM OS NOSSOS PENSAMENTOS CRIAMOS O MUNDO.

FALE OU AJA COM UMA MENTE IMPURA

E A CONFUSÃO LHE SEGUIRÁ

COMO AS RODAS SEGUEM O GADO QUE PUXA O CARRO DE BOI.

 

SOMOS O QUE PENSAMOS.

TUDO O QUE SOMOS SURGE COM OS NOSSOS PENSAMENTOS.

COM OS NOSSOS PENSAMENTOS CRIAMOS O MUNDO.

FALE OU AJA COM UMA MENTE PURA

E A FELICIDADE LHE SEGUIRÁ

COMO SUA SOMBRA, INABALÁVEL.

 

“OLHE COMO ELE ME ABUSOU E ME BATEU,

COMO ELE ME COLOCOU PARA BAIXO E ME ROUBOU.”

VIVA COM ESTES PENSAMENTOS E VOCÊ VIVERÁ NO ÓDIO.

 

“OLHE COMO ELE ME ABUSOU E ME BATEU,

COMO ELE ME COLOCOU PARA BAIXO E ME ROUBOU.”

ABANDONE ESTES PENSAMENTOS E VIVA NO AMOR.

 

NESTE MUNDO

O ÓDIO ATÉ AGORA NUNCA DISPERSOU O ÓDIO.

ESTA É A LEI,

ANTIGA E INEXAURÍVEL.

 

VOCÊ TAMBÉM PERECERÁ.

SABENDO DISSO, POR QUE DISCUTIR?

 

QUÃO FÁCIL O VENTO DERRUBA UMA FRÁGIL ÁRVORE.

PROCURE A FELICIDADE NOS SENTIDOS,

EXAGERE NO ALIMENTO E NO SONO,

E VOCÊ TAMBÉM SERÁ EXTIRPADO.

 

O VENTO NÃO PODE DERRUBAR UMA MONTANHA.

A TENTAÇÃO NÃO PODE TOCAR O SER HUMANO

QUE ESTÁ ACORDADO, FORTE E HUMILDE,

QUE É MESTRE DE SI MESMO E CONHECE A LEI.

 

SE O PENSAMENTO DOS SERES HUMANOS SÃO LAMACENTOS,

SE ELES SÃO IMPRUDENTES E CHEIOS DE ENGANO,

COMO PODERÃO VESTIR A TÚNICA AMARELA?

 

QUALQUER UM QUE É MESTRE DE SUA PRÓPRIA NATUREZA,

BRILHANTE, CLARO E VERDADEIRO,

ESTE PODERÁ, DE FATO, VESTIR A TÚNICA AMARELA.

Meus amados bodisatvas… sim, é dessa forma que olho para vocês. É dessa forma que vocês têm que olhar para vocês mesmos. Bodisatva significa um buda em essência, um buda em semente, um buda dormente, mas com um potencial de acordar. Nesse sentido todos são bodisatvas, mas nem todos podem ser chamados de bodisatvas – apenas aqueles que começaram a procurar a luz, que começaram a ansiar pela aurora, em cujos corações a semente não é mais uma semente mas tornou-se um broto, começou a crescer.

Vocês são bodisatvas por causa da sua ânsia por serem conscientes, de estarem alertas, por causa da sua busca pela verdade. A verdade não está muito longe, porém apenas muito poucos afortunados no mundo que a anseiam. Não está muito longe, mas ela é árdua, difícil de alcançar. É difícil de alcançar não por causa da sua natureza, mas por causa do nosso investimento nas mentiras.

Investimos por vidas e vidas em mentiras. Nosso investimento é tanto que a própria ideia da verdade nos amedronta. Nós queremos evitá-la, queremos escapar da verdade. As mentiras são belas fugas – sonhos convenientes, confortáveis. Mas sonhos são sonhos. Eles podem encantá-lo por um momento, eles podem escravizá-lo por um momento, porém, apenas por um momento. E cada sonho é seguido por uma tremenda frustração, e cada desejo é seguido por uma profunda falha.

Mas seguimos precipitando-nos em novas mentiras; se as mentiras antigas são conhecidas, imediatamente inventamos novas mentiras. Lembre-se que apenas as mentiras podem ser inventadas; a verdade não pode ser inventada. A verdade já existe! A verdade tem que ser descoberta, não inventada. As mentiras não podem ser descobertas, elas têm que ser inventadas.

A mente sente-se muito bem com as mentiras porque a mente torna-se a inventora, a executora. E conforme a mente torna-se a executora, o ego é criado. Com a verdade você não tem nada para fazer… E porque você não tem nada para fazer, a mente cessa, e junto com a mente o ego desaparece, evapora. Este é o risco, o risco definitivo.

Você se moveu na direção desse risco. Você deu alguns passos – cambaleantes, hesitantes, tateantes, com muitas dúvidas, mas ainda assim você deu alguns passos; por isso eu os chamo de bodisatvas.

E o DHAMMAPADA, o ensinamento de Gautama o Buda, pode ser ensinado apenas aos bodisatvas. Ele não pode ser ensinado à humanidade ordinária, medíocre, porque não poderá ser entendido.

Essas palavras de Buda surgem do eterno silêncio. Elas podem atingi-lo apenas se você as receber em silêncio. Essas palavras de Buda surgem da imensa pureza. Ao menos que você se torne um veículo, um receptáculo, humilde, sem ego, alerta, vigilante, você não será capaz de entendê-las. Intelectualmente você as entenderá – elas são palavras muito simples, as mais simples possíveis. Porém esta própria simplicidade delas é um problema, porque você não é simples. Para entender a simplicidade você precisa de simplicidade de coração, porque apenas um coração simples pode entender a simples verdade. Apenas os puros podem entender aquilo que surge da pureza.

Eu esperei muito… agora é a hora, vocês estão prontos. As sementes podem ser semeadas. Essas palavras tremendamente importantes podem ser expressadas novamente. Por vinte e cinco séculos tal encontro não existiu de forma alguma. Sim, existiram poucos mestres iluminados com poucos discípulos – meia dúzia no máximo – e em pequenos grupos o DHAMMAPADA foi ensinado. Mas esses pequenos grupos não podem transformar toda a humanidade. É como colocar açúcar no oceano com colheres: isso não poderá torná-lo doce – o seu açúcar é simplesmente perdido.

Um grande e inaudito experimento deve ser feito, em uma escala tão grande que ao menos a parte mais substancial da humanidade é tocada por ele – ao menos a alma da humanidade, o centro da humanidade, pode ser acordada por ele. Na periferia as mentes medíocres seguirão dormindo – deixe-as dormir – mas no centro onde existe inteligência uma luz pode ser acesa.

O tempo está maduro, o tempo chegou. Todo o meu trabalho aqui consiste em criar um campo búdico, um campo de energia onde essas verdades eternas podem ser declaradas novamente. É uma oportunidade rara. Apenas de vez em quando, depois de séculos, essa oportunidade existe. Não a perca. Esteja muito alerta, vigilante. Ouça a essas palavras não apenas com a cabeça, mas com o seu coração, com cada fibra do seu ser. Deixe que a sua totalidade seja incitada por elas.

E depois desses dez dias de silêncio é o momento exato para trazer Buda de volta, para torná-lo novamente vivo entre vocês, de deixá-lo mover-se entre vocês, de deixar os ventos de Buda passarem através de vocês. Sim, ele pode ser chamado novamente, porque ninguém nunca desaparece. Buda não é mais uma pessoa encarnada; certamente ele não existe como indivíduo em nenhum lugar – mas a sua essência, a sua alma, é parte da alma cósmica agora.

Se muitas pessoas – com o anseio profundo, com imenso anseio, com corações devotos – desejarem, apaixonadamente desejarem, então a alma que desapareceu na alma cósmica pode tornar-se novamente manifesta de milhões de formas.

Nenhum mestre verdadeiro morre, ele não pode morrer. A morte não aparece para os mestres, não existe para eles. Por isso eles são mestres. Eles conheceram a eternidade da vida. Eles viram que o corpo desaparece, mas que o corpo não é tudo: o corpo é apenas a periferia, o corpo é apenas acessório. O corpo é a casa, a habitação, mas o hóspede nunca desaparece. O hóspede apenas se move de uma habitação para outra. Um dia, finalmente, o hóspede começa a viver sob o céu, sem nenhum abrigo… mas o hóspede continua. Apenas os corpos, as casas, vêm e vão, nascem e então morrem. Mas há um contínuo interno, uma continuidade interna – que é eterna, atemporal, imortal.

Sempre que você puder amar um mestre – um mestre como Jesus, Buda, Zaratustra, Lao Tsé – se a sua paixão é total, imediatamente você se reconcilia.

A minha fala sobre Buda não é apenas um comentário: é a criação de uma ponte. Buda é um dos mais importantes mestres que já existiram na Terra – incomparável, único. E se você puder ter uma amostra do ser dele, você será infinitamente beneficiado, abençoado.

Estou imensamente feliz, porque depois desses dez dias de silêncio posso dizer a vocês que muitos estão agora prontos para comungar comigo no silêncio. Esse é o máximo em comunicação. As palavras são inadequadas; as palavras dizem, mas apenas parcialmente. O silêncio comunga totalmente.

E usar palavras é um jogo perigoso também, porque o significado permanecerá comigo, apenas a palavra o alcançará; e você dará o seu próprio significado, a sua própria cor. Não conterá a mesma verdade que ela deveria conter. Ela conterá algo a mais, algo muito mais pobre. Conterá o seu significado, não o meu significado. Você pode distorcer a linguagem – de fato é quase impossível evitar a distorção – mas você não pode distorcer o silêncio. Ou você entende ou não entende.

E para esses dez dias há apenas duas categorias de pessoas aqui: aqueles que entenderam e aqueles que não. Mas não há nenhuma pessoa que entendeu errado. Você não pode entender errado o silêncio – esta é a beleza do silêncio. A demarcação é absoluta: ou você entende ou, simplesmente, não entende – não há nada para entender errado.

Com as palavras o caso é oposto: é muito difícil entender, é muito difícil entender que você não entende; essas duas são quase impossibilidades. E a terceira é a única possibilidade: entender errado.

Nestes dez dias, eu não me senti ligado ao meu corpo. Eu me senti muito desarraigado, deslocado. É estranho estar no corpo quando você não sente que está no corpo. É também estranho viver em um lugar que não pertence mais a você – a minha casa é na outra margem. E o chamado é persistente. Mas por que você precisa de mim, é a compaixão do universo – você pode chamá-la de compaixão de Deus – que me permite estar no corpo um pouco mais.

Foi estranho, foi belo, foi misterioso, foi majestoso, foi mágico. E muitos de vocês sentiram. Muitos de vocês sentiram de formas diferentes. Alguns sentiram-no como um fenômeno muito amedrontador, como se a morte estivesse batendo na porta. Alguns sentiram-no como uma grande confusão. Alguns chocaram-se, chocaram-se completamente. Mas todos foram tocados de uma forma ou outra.

Apenas os novatos ficaram um pouco perdidos – eles não puderam compreender o que estava ocorrendo. Mas sinto-me agradecido por eles também. Apesar deles não entenderem o que ocorreu, eles esperaram – eles esperaram para que eu falasse, eles esperaram eu dizer alguma coisa, eles tiveram esperança. Muitos estavam com medo que eu não falasse nunca mais… essa era também uma possibilidade. Eu mesmo não tinha certeza.

As palavras estão se tornando cada vez mais difíceis para mim. Elas estão se tornando cada vez mais um esforço. Eu tenho que dizer algo, então sigo dizendo algo a você. Mas eu gostaria que você estivesse pronto o mais breve possível para que nós pudéssemos simplesmente nos sentar em silêncio… ouvindo os pássaros e suas músicas… ouvindo apenas a sua própria pulsação… apenas estando aqui, sem fazer nada…

Prepare-se o mais rápido possível, porque eu posso parar de falar a qualquer dia. E permita que a novidade se espalhe por todos os recantos e cantos do mundo: aqueles que querem me entender apenas através das palavras, eles devem vir logo, porque eu posso parar de falar a qualquer dia. Imprevisivelmente, a qualquer dia, pode acontecer – pode acontecer até mesmo no meio de uma sentença. Então eu não completarei a sentença! Então ela permanecerá para sempre… incompleta.

Mas dessa vez você me puxou de volta.

Essas falas de Buda são chamadas de o DHAMMAPADA. Este nome deve ser entendido. Dhamma significa muitas coisas. Significa a lei última, logos. Por “lei última” significa aquilo que mantém todo o universo unido. Invisível, intangível, mas certamente existente; de outro modo o universo desmoronaria. Este universo vasto, infinito, fluindo tão suavemente, tão harmoniosamente, é uma prova suficiente que deve existir uma corrente subterrânea que conecta tudo, que une tudo, aproxima a tudo – que nós não somos ilhas, que a menor folha de relva participa da maior estrela. Destrua uma pequena folha de relva e você destruiu algo de imenso valor para a existência.

Na existência não há hierarquia, não há nada pequeno e nada grande. A maior estrela e a menor folha de relva, ambas existem como iguais; daí o outro significado da palavra ‘dhamma’. O outro significado é justiça, a igualdade, a existência não hierárquica. A existência é absolutamente comunista; ela não conhece nenhuma classe, é tudo um. Daí o outro significado da palavra ‘dhamma’ – justiça.

E o terceiro significado é retidão, virtude. A existência é muito virtuosa. Mesmo se você achar algo que não puder chamar de virtude, deve ser por causa do seu entendimento errôneo; de outra forma a existência é absolutamente virtuosa. Qualquer coisa que ocorre aqui, sempre ocorrerá corretamente. O errado nunca ocorre. Pode parecer errado para você porque você tem uma certa ideia do que é adequado, mas quando você olha sem qualquer preconceito, nada é errado, tudo está certo. O nascimento está certo, a morte está certa. A beleza está certa e a feiura está certa.

Mas as nossas mentes são pequenas, a nossa compreensão é limitada; não podemos ver o todo, sempre vemos apenas uma pequena parte. Somos como uma pessoa que está se escondendo atrás de sua porta olhando através do buraco da fechadura para a rua. Ela sempre vê coisas… sim, alguém se move, um carro passa de repente. Em um momento ele não estava ali, em um momento ele está ali, em outro momento ele se foi para sempre. Esta é a forma que olhamos para a existência. Falamos que algo está no futuro, então ele chega ao presente, e então ele se esvai no passado.

De fato, o tempo é uma invenção humana. É sempre agora! A existência não conhece passado, não conhece futuro – ela conhece apenas o presente.

Mas estamos sentados atrás de um buraco de fechadura e olhando. Uma pessoa não está lá, então de repente ela aparece; então, tão repentinamente quanto ela aparece ela também desaparece. Agora você deve criar o tempo. Antes da pessoa aparecer ela estava no futuro; ela estava ali, mas para você ela estava no futuro. Então ela aparece; agora ela está no presente – ela é a mesma! E você não pode vê-la mais através do seu pequeno buraco de fechadura – ela tornou-se passado. Nada é passado, nada é futuro – tudo é sempre presente. Mas as nossas maneiras de ver são muito limitadas.

Por isso seguimos perguntando por que existe a miséria no mundo, por que existe isso e aquilo… por que? Se nós pudermos olhar para o todo, todos esses porquês desaparecem. E para olhar o todo, você vai ter que sair do seu quarto, você terá que abrir a porta… você terá que abandonar essa visão de buraco de fechadura.

Isso é o que a mente é: um buraco de fechadura, e um muito pequeno. Comparado com o vasto universo, o que são nossos olhos, ouvidos, mãos? O que podemos agarrar? Nada de muita importância. E aqueles pequenos fragmentos de verdade, tornamo-nos muito apegados a eles.

Se você vê o todo, tudo é como deveria ser – este é o significado de “tudo está correto”. O errado não existe. Apenas Deus existe; o demônio é criação do homem.

O terceiro significado de ‘dhamma’ pode ser Deus – mas Buda nunca usa a palavra ‘Deus’ porque ela tornou-se erroneamente associada com a ideia de uma pessoa, e a lei é uma presença, não uma pessoa. Por isso Buda nunca usa a palavra ‘Deus’, porém sempre que ele quiser expressar algo de Deus ele usa a palavra ‘dhamma’. A sua mente é a de um cientista muito profundo. Por causa disso, muitos pensaram que ele era ateu – ele não é. Ele é o maior teísta que o mundo já conheceu ou conhecerá – mas ele nunca fala sobre Deus. Ele nunca usa a palavra, isso é tudo, mas por ‘dhamma’ ele significa exatamente o mesmo. “Aquilo que é” é o significado da palavra ‘Deus’, e este é exatamente o significado de ‘dhamma’. ‘Dhamma’ também significa disciplina – diferentes dimensões da palavra. Aquele que quer saber a verdade terá que disciplinar-se de muitas formas. Não se esqueça do significado da palavra ‘disciplina’ – ela simplesmente significa capacidade de aprender, a receptividade para aprender. Por isso a palavra ‘discípulo’. ‘Discípulo’ significa alguém que está pronto para abandonar os seus preconceitos antigos, colocando sua mente de lado, e olhando para a questão sem qualquer preconceito, sem nenhuma concepção a priori.

E ‘dhamma’ também significa a verdade última. Quando a mente desaparece, quando o ego desaparece, então o que permanece? Algo certamente permanece, mas ele não pode ser chamado de ‘algo’ – por isso Buda o chama de ‘nada’. Mas deixe-me relembrá-los, pois caso contrário vocês irão compreendê-lo errado: sempre que ele usar a palavra ‘nada’ ele quer dizer não-coisa (no-thing). Divida a palavra em duas; não a use como uma palavra única – traga um hífen entre ‘não’ e ‘coisa’, então você conhecerá exatamente o significado de ‘nada’ (nothing).

A lei última não é uma coisa. Não é um objeto que você pode observar. É a sua interioridade, é a subjetividade.

Buda concordaria totalmente com o pensador dinamarquês Soren Kierkegaard. Ele diz: a Verdade é a subjetividade. Esta é a diferença entre fato e verdade. Um fato é uma coisa objetiva. A ciência segue buscando cada vez mais fatos e a ciência nunca alcançará a verdade – ela não pode pela própria definição da palavra. A verdade é a interioridade do cientista, mas ele nunca a olha. Ele segue observando outras coisas. Ele nunca se torna consciente do seu próprio ser.

Este é o último significado de ‘dhamma’: sua interioridade, sua subjetividade, sua verdade.

Uma coisa muito importante – permita que penetre fundo em seu coração: a verdade nunca é uma teoria, uma hipótese; ela é sempre uma experiência. Por isso a minha verdade não pode ser a sua verdade. A minha verdade é inescapavelmente a minha verdade; ela permanecerá a minha verdade, ela não poderá ser a sua. Não podemos compartilhá-la. A verdade é incompartilhável, intransferível, incomunicável, inexpressível.

Posso explicar a vocês como eu a atingi, porém não posso dizer o que ela é. O “como” é explicável, mas não o “porquê”. A disciplina pode ser mostrada, mas não a meta. Cada qual deve chegar até ela pelo seu próprio caminho. Cada qual deve chegar a ela em seu próprio ser interior. Na absoluta solidão ela é revelada.

E a segunda palavra é PADA. ‘Pada’ também tem muitos significados. O primeiro, o significado mais fundamental, é caminho. A religião tem suas dimensões: a dimensão do “que” e a dimensão do “como”. O “que” não se pode falar sobre; é impossível. Mas o “como” pode ser falado, o “como” é compartilhável. Este é o significado de ‘caminho’. Eu posso indicar o caminho para vocês; posso mostrar a vocês como eu viajei, como eu alcancei os picos ensolarados. Eu posso dizer a vocês sobre toda a geografia do lugar, toda a topografia. Eu posso dar a vocês um mapa topográfico, mas não posso dizer qual é sensação de estar em um pico ensolarado.

É como se você pudesse perguntar a Edmund Hillary ou Tensing como eles alcançaram o maior pico dos Himalaias, o Everest. Eles podem lhe dar um mapa de como eles atingiram. Mas se você os perguntar o que eles sentiram quando atingiram eles apenas darão de ombros. Aquela liberdade que eles devem ter conhecido é inefável; a beleza, a bendição, o céu vasto, a altura, as nuvens coloridas e o sol e o ar não poluído e a neve virgem na qual ninguém nunca antes viajou… tudo isso é impossível expressar. É necessário atingir esses picos ensolarados para conhecê-lo. ‘Pada’ significa caminho, ‘pada’ também significa passo, pé, fundação. Todos esses sentidos são significantes. Você tem que se mover para onde você está. Você tem que se tornar um grande processo, um crescimento. As pessoas tornam-se piscinas estagnadas; elas têm que se tornar rios, porque apenas os rios alcançam o oceano. E também significa fundação, porque ela é a verdade fundamental da vida. Sem dhamma, sem relacionar-se de alguma maneira com a verdade última, a sua vida não tem fundação, não tem propósito, não tem significância, ela não poderá ter qualquer glória. Ela será um exercício de total futilidade. Se você estiver conectado com o todo você não poderá ter qualquer significância própria. Você permanecerá uma madeira errante – a mercê dos ventos, sem saber para onde está indo e sem saber quem você é. A busca pela verdade, a apaixonada busca pela verdade cria a ponte, lhe dá uma fundação. Esses sutras compilados como o DHAMMAPADA devem ser entendidos existencialmente, não intelectualmente. Torne-se uma esponja: deixe-a encharcar, deixe penetrar em você. Não permaneça sentado julgando; caso contrário você perderá o Buda. Não fique sentado constantemente tagarelando em sua mente se é certo ou errado – você perderá o ponto. Não se preocupe se é certo ou errado.

A primeira coisa mais importante é entender o que é – o que é que Buda está dizendo, o que Buda está tentando dizer. Não há necessidade de julgar agora. A primeira necessidade básica é entender exatamente o que ele quer dizer. E a beleza disso é que se você entender exatamente o que ele quer dizer você se convencerá da sua verdade, você conhecerá a sua verdade. A verdade tem as suas próprias maneiras de convencer as pessoas; ela não necessita de outras provas.

A verdade nunca argumenta: ela é uma música, não um silogismo.

Os sutras:

SOMOS O QUE PENSAMOS.

TUDO O QUE SOMOS SURGE COM OS NOSSOS PENSAMENTOS.

COM OS NOSSOS PENSAMENTOS CRIAMOS O MUNDO.

Foi-lhe repetidamente dito que os místicos do Oriente acreditam que o mundo é ilusório. É verdade: eles não apenas acreditam que o mundo é irreal, ilusório, maya – eles sabem que o mundo é maya, uma ilusão, um sonho. Mas quando eles usam a palavra samsara – o mundo – eles não se referem ao mundo objetivo que a ciência investiga; não, de forma alguma. Eles não se referem ao mundo das árvores e das montanhas e dos rios; não, de forma alguma. Eles referem-se ao mundo que você cria, tece e trama dentro da sua mente, a roda da mente que segue movendo-se e girando. O samsara não tem nada a ver com o mundo externo.

Existem três coisas a serem recordadas. Há o mundo externo, o mundo objetivo. Buda nunca falará nada sobre este porque este não lhe diz respeito; ele não é um Albert Einstein. Então existe um segundo mundo: o mundo da mente, o mundo que os psicanalistas, os psiquiatras e os psicólogos investigam. Buda terá poucas coisas para dizer sobre ele, não muitas, apenas algumas poucas – de fato, uma: que ele é ilusório, que ele não tem verdade, tanto objetiva quanto subjetiva, que ele está no meio.

O primeiro mundo é o mundo objetivo, que a ciência investiga. O segundo mundo é o mundo da mente, que o psicólogo investiga. E o terceiro mundo é a sua subjetividade, sua interioridade, seu ser interior.

A indicação de Buda é em direção ao núcleo mais interior do seu ser. Porém você está muito envolvido com a mente. Ao menos que ele lhe ajude a escapar da mente, você nunca conhecerá o terceiro, o mundo real: a sua substância interior. Por isso ele começa com a declaração: SOMOS O QUE PENSAMOS. Isso é o que todos são: a sua mente. TUDO O QUE SOMOS SURGE COM OS NOSSOS PENSAMENTOS.

Imagine por um momento que todos os pensamentos cessam…então, quem é você? Se todos os pensamentos cessarem por um único momento, então quem é você? Nenhuma resposta virá. Você não poderá dizer, “Eu sou um Católico”, “Eu sou um Protestante”, “Eu sou um Hindu”, “Eu sou um Islâmico” – você não poderá dizer isso. Todos os pensamentos cessaram. Logo o Alcorão desapareceu, a Bíblia, o Gita… todas as palavras despareceram! Você não pode nem expressar o seu nome. Toda a linguagem desapareceu, então você não pode dizer a qual país você pertence, a qual raça. Quando os pensamentos cessaram, quem é você? Uma vacuidade total, uma inexistência, não-existência.

É por causa disso que Buda usou uma palavra estranha; ninguém nunca antes fez igual, ou repetiu desde então. Os místicos sempre usaram a palavra ‘sujeito’ para o núcleo mais interior do seu ser – Buda usa a palavra ‘não-sujeito’. E eu concordo perfeitamente com ele; ele é muito mais preciso, mais próximo da verdade. Usar a palavra ‘sujeito’ – mesmo se você usa a palavra ‘Sujeito’ com um ‘S’ maiúsculo, não faz muita diferença. Ela continua a dar a você um sentido de ego, e com ‘S’ maiúsculo ela pode lhe dar até mesmo um ego maior.

Buda não usa a palavra atma, ‘sujeito’, atta. Ele usa apenas a palavra oposta: ‘não-sujeito’, anatma, anatta. Ele diz que quando a mente cessa não resta nenhum sujeito – você se tornou universal, você sobrepujou os limites do ego, você é um espaço puro, incontaminado por nada. Você é apenas um espelho refletindo nada.

SOMOS O QUE PENSAMOS. TUDO O QUE SOMOS SURGE COM OS NOSSOS PENSAMENTOS. COM OS NOSSOS PENSAMENTOS CRIAMOS O MUNDO.

Se você quiser realmente saber quem você é, você terá que aprender a cessar como uma mente, como parar de pensar. E meditação é exatamente isso. Meditação significa sair da mente, abandonar a mente e se mover em um espaço chamado não-mente. E na não-mente você conhecerá a verdade última, dhamma.

E mover-se da mente para a não-mente é o passo, pada. E este é todo o segredo do DHAMMAPADA.

FALE OU AJA COM UMA MENTE IMPURA

E A CONFUSÃO LHE SEGUIRÁ

COMO AS RODAS SEGUEM O GADO QUE PUXA O CARRO DE BOI.

Sempre que Buda usar a frase ‘mente impura’ você pode entendê-lo errado. Por ‘mente impura’ ele quer dizer a mente, porque toda a mente é impura. A mente em si é impura, e não-mente é pura. Pureza significa não-mente; impureza significa mente.

FALE OU AJA COM UMA MENTE IMPURA – fale ou aja com a mente – E A CONFUSÃO LHE SEGUIRÁ… a miséria é um subproduto, a sombra da mente, a sombra da mente ilusória. A miséria é um pesadelo. Você sofre apenas porque você está dormindo. E não há formas de escapar dela enquanto você estiver dormindo. Ao menos que você acorde o pesadelo continuará. Este poderá mudar de formas, poderá ter milhões de formas, porém persistirá.

A miséria é a sombra da mente: a mente significa sono, a mente significa a inconsciência, a mente significa desatenção. A mente significa não saber quem você é e continuar fingindo que você sabe. A mente significa não saber para onde você vai e continuar fingindo que você sabe a meta, que você sabe o que a vida significa – sem saber nada sobre a vida e ainda assim acreditando saber.

Esta mente trará miséria, tão certo COMO AS RODAS SEGUEM O GADO QUE PUXA O CARRO DE BOI.

SOMOS O QUE PENSAMOS.

TUDO O QUE SOMOS SURGE COM OS NOSSOS PENSAMENTOS.

COM OS NOSSOS PENSAMENTOS CRIAMOS O MUNDO.

FALE OU AJA COM UMA MENTE PURA

E A FELICIDADE LHE SEGUIRÁ

COMO SUA SOMBRA, INABALÁVEL.

Novamente, lembre-se: quando Buda diz “mente pura” ele quer dizer não-mente. É muito difícil traduzir um homem como Buda. É um trabalho quase impossível, porque um homem como Buda usa a linguagem de sua própria maneira; ele cria a sua própria linguagem. Ele não pode usar a linguagem ordinária com significados ordinários porque ele tem algo extraordinário para expressar.

As palavras ordinárias são absolutamente sem sentido em referência à experiência de um Buda. Mas você deve entender o problema. O problema é, ele não pode usar uma linguagem absolutamente nova; ninguém entenderá. Parecerá besteira.

É assim que surgiu a palavra ‘besteira’. Ela veio de um Sufi; o seu nome era Jabbar. Ele inventou uma nova linguagem. Ninguém entendia bulhufas. Como você pode entender uma linguagem absolutamente nova? Ele parecia um louco falando disparates, plenos disparates. Isso de fato ocorreu! Será um disparate se você ouvir um Chinês e você não entender o idioma Chinês.

Alguém perguntava a um homem que foi para a China, “Como eles encontram nomes tão estranhos? – Ching, Chung, Chang…”

O homem disse, “Eles têm um jeito: eles coletam todas as colheres da casa e as jogam para cima, e quando essas colheres caem…ching! chung! chang! ou qualquer outro som que emitirem, essa é a maneira de nomear uma criança.

Mas o mesmo é o caso: se um Chinês ouvir o Inglês ele pensa, “Que disparate!”

Se esse é o caso com linguagens que milhões de pessoas utilizam, o que seria de um Buda se ele inventasse uma linguagem original? Apenas ele a entenderia e ninguém mais. Jabbar fez isso – deve ter sido um homem corajoso. As pessoas pensavam que ele era louco.

A palavra Inglesa para disparate (gibberish) vem de Jabbar. Ninguém sabia o que ele estava dizendo. Ninguém nem tentou coletá-la…como coletá-la? Não havia alfabeto. E o que ele dizia não fazia nenhum sentido, então não sabemos quais tesouros perdemos.

O problema para Buda é que ou ele tem que usar a linguagem como você a utiliza – então ele não pode expressar de maneira alguma a sua experiência – ou ele tem que inventar uma nova linguagem que ninguém entenderia. Por isso todos os grandes mestres tiveram que estar no meio. Eles utilizam a sua linguagem, mas eles dão às suas palavras as cores deles, o sabor deles. As garrafas serão suas, o vinho será deles. E pensando que por que a garrafa é sua o vinho também será seu, você as carregará por séculos. E há também uma possibilidade que, pensando que este é o seu vinho porque a garrafa é sua, às vezes, você poderá tomá-lo, você poderá embebedar-se.

É por isso que é muito difícil traduzir. Buda utilizou uma linguagem que era entendida pelas pessoas ao seu redor, mas ele torceu e retorceu as palavras de uma maneira tão sutil que mesmo as pessoas que conheciam a linguagem não notaram, não se chocaram. Elas achavam que estavam ouvindo a sua própria linguagem.

Buda usa as palavras “mente pura” para não-mente, porque se você diz “não-mente”, imediatamente torna-se impossível entender. Porém se você disser “mente pura”, então alguma comunicação é possível. Devagar ele lhe convencerá que a mente pura significa não-mente. Mas isso levará tempo; muito devagar você deve ser pego e ficar preso em uma experiência totalmente nova. Mas lembre-se sempre: a mente pura significa a não-mente, a impura significa mente.

Ao colocar esses adjetivos, impura e pura, ele está se comprometendo com você para que você não se previna muito cedo e escape. Você deve ser atraído, seduzido. Todos os grandes mestres são sedutores – está é a sua arte. Eles lhe seduzem de tal maneira que bem devagar você estará pronto para tomar qualquer coisa que eles derem. Primeiro eles fornecem a você uma água comum, então, vagarosamente, o vinho é misturado a ela. Então a água deve ser retirada…e um dia você estará completamente embriagado. Porém, deve ser um processo muito lento.

Conforme você adentra nos sutras você entenderá. A mente impura significa mente, a mente pura significa não-mente. E a felicidade lhe seguirá se você tiver uma mente pura ou não-mente…A FELICIDADE LHE SEGUIRÁ COMO SUA SOMBRA, INABALÁVEL.

A miséria é um subproduto, assim como a bem-aventurança. A miséria é o subproduto do sono, a bem-aventurança é o subproduto do estar acordado. Por isso você não pode buscar e procurar pela bem-aventurança diretamente, e aqueles que buscam e procuram pela bem-aventurança diretamente estão fadados à falha, condenados à falha. A bem-aventurança pode ser alcançada apenas por aqueles que não a buscam diretamente; pelo contrário, eles buscam a consciência (no sentido de presença total no agora, vigilância). E quando a consciência vem, a bem-aventurança vem por si só, assim como a sua sombra, inabalável.

“OLHE COMO ELE ME ABUSOU E ME BATEU,

COMO ELE ME COLOCOU PARA BAIXO E ME ROUBOU.”

VIVA COM ESTES PENSAMENTOS E VOCÊ VIVERÁ NO ÓDIO.

“OLHE COMO ELE ME ABUSOU E ME BATEU,

COMO ELE ME COLOCOU PARA BAIXO E ME ROUBOU.”

ABANDONE ESTES PENSAMENTOS E VIVA NO AMOR.

Algo de profunda importância: o ódio existe com o passado e o futuro – o amor não precisa do passado, do futuro. O amor existe no presente. O ódio tem uma referência no passado: alguém abusou de você ontem e você o carrega como um ferimento, uma ressaca. Você teme que alguém abusará de você amanhã – um medo, uma sombra do medo. E você já se prepara, se prepara para encontrá-lo.

O ódio existe no passado e no futuro. Você não pode odiar no presente – tente e você será totalmente impotente. Tente hoje: sente-se silenciosamente e odeie alguém no presente, sem nenhuma referência ao passado ou ao futuro…você não poderá fazê-lo; é impossível na própria natureza das coisas. O ódio só pode existir se você relembrar do passado: este homem fez algo a você ontem – então o ódio é possível. Ou este homem fará algo amanhã – então também o ódio é possível. Mas se você não tiver qualquer referência ao passado ou futuro – este homem não lhe fez nada e ele não lhe fará nada, este homem está apenas sentado ali – Como você odiar? Mas você pode amar.

O amor não precisa de referência – esta é a beleza do amor e a liberdade do amor. O ódio é uma servidão. O ódio é aprisionamento – imposto por você a você mesmo. O ódio cria o ódio, o ódio provoca o ódio. Se você odeia alguém você está criando ódio no coração daquela pessoa por si mesmo. E todo o mundo existe no ódio, na destrutividade, na violência, no ciúme, na competitividade. As pessoas estão nas gargantas umas das outras tanto na realidade, na atualidade, na ação, ou ao menos em suas mentes, em seus pensamentos, todo o mundo está assassinando, matando. É por isso que criamos um inferno nessa bela Terra – que poderia ter se tornado um paraíso.

Ame, e a Terra tornar-se-á novamente um paraíso. E a imensa beleza do amor é que ele não tem referência. O amor vem de você sem nenhuma razão. É o transbordamento da sua bem-aventurança, é o compartilhar do seu coração. É o compartilhar da música do seu ser. E compartilhar é tão prazeroso – por isso compartilhamos! Compartilhar por compartilhar, sem nenhum outro motivo.

Mas qualquer que seja o amor que você conheceu no passado não é o amor que Buda está falando ou eu estou falando. O seu amor não é nada mais do que o outro lado do ódio. Por isso o seu amor tem referência: alguém foi belo para você ontem, tão bom ele foi que você sente um grande amor por ele. Isso não é amor; este o outro lado do ódio – a referência é a prova. Ou alguém lhe será bom amanhã: a maneira que ele sorrirá para você, a maneira que ele falará com você, a maneira que ele lhe convidará para sua casa amanhã – ele será amável com você. E surge um grande amor.

Este não é o amor que os budas falam. Isso é ódio disfarçado de amor – é por isso que o seu amor pode tornar-se ódio a qualquer momento. Arranhe uma pessoa apenas um pouco, e o amor desaparece e o ódio surge. Não tem nem a profundidade da pele. Mesmo os supostos grandes amantes estão continuamente brigando, continuamente na garganta uns dos outros – irritantes, destrutivos. E as pessoas pensam que isso é amor…

Você pode perguntar a Ashta e Abhiyana – eles se amam tanto que Ashta está com os olhos roxos quase todo dia. Grande luta! Mas quando grandes lutas ocorrem as pessoas pensam que alguma coisa está acontecendo. Quando nada está acontecendo – nenhuma briga, nenhuma discussão – as pessoas se sentem vazias. “É melhor estar brigando do que estar vazio” – esta é a ideia de milhões de pessoas no mundo. Pelo menos a briga lhe mantém engajado, pelo menos a briga lhe mantém envolvido, e a briga lhe torna importante. A vida parece ter algum significado – um significado feio, mas pelo algum significado.

O seu amor não é realmente amor: é o seu oposto. É ódio disfarçado de amor, camuflado de amor, desfilando de amor. O verdadeiro amor não tem referência. Ele não pensa nos ontens, ele não pensa nos amanhãs. O verdadeiro amor é um jorrar espontâneo da felicidade em você… e o compartilhá-lo… e o seu derramamento… por nenhuma outra razão, por nenhum outro motivo, do que somente a alegria de compartilhá-lo.

Os pássaros cantando de manhã, esse cuco chamando distante… sem nenhuma razão.

O coração está tão pleno de alegria que uma música ecoa. Quando eu falo sobre o amor eu falo desse amor. Lembre-se. E se você puder se mover na dimensão desse amor, você estará no paraíso – imediatamente. E você começará a criar um paraíso na Terra.

O amor cria o amor assim como o ódio cria o ódio.

NESTE MUNDO

O ÓDIO ATÉ AGORA NUNCA DISPERSOU O ÓDIO.

ESTA É A LEI,

ANTIGA E INEXAURÍVEL.

Aes dhammo sanantano – essa á a lei, eterna, antiga e inexaurível.

O que é a lei? Que o ódio nunca dispersa o ódio – a escuridão não pode dispersar a escuridão – que apenas o amor dispersa o ódio. Apenas a luz pode dispersar a escuridão: o amor é a luz, a luz do seu ser, e o ódio é a escuridão do seu ser. Se você estiver escuro dentro, você seguirá lançando o ódio em tudo ao seu redor. Se você é luz dentro, luminoso, então você seguirá irradiando luz ao seu redor.

Um sannyasin tem que ser um amor radiante, uma luz radiante.

AES DHAMMO SANANTANO…Buda repete isso diversas vezes – esta é a lei eterna. O que é a lei eterna? Apenas o amor dispersa o ódio, apenas a luz dispersa a escuridão. Por que? – Porque a escuridão em si mesma é apenas um estado negativo; ela não tem uma existência positiva por si só. De fato, a escuridão não existe – como você pode dispersá-la? Você não pode fazer nada diretamente à escuridão. Se você quiser fazer algo à escuridão você terá que fazer algo com a luz. Traga a luz para dentro e a escuridão se vai, leve a luz para fora e a escuridão vem para dentro. Mas você não pode trazer a escuridão para dentro ou para fora diretamente – você não pode fazer nada com a escuridão. Lembre-se, você não pode fazer nada com o ódio também.

E essa é a diferença entre os professores da moral e os místicos religiosos: os professores da moral seguem propondo a lei falsa. Eles seguem propondo, “Lute contra a escuridão – lute contra o ódio, lute contra a raiva, lute contra o sexo, lute contra isso, lute contra aquilo!” Toda a abordagem deles é, “Lute contra o negativo,” enquanto o mestre real, verdadeiro, lhe ensina a lei positiva: aes dhammo sanantano – a lei eterna, “Não lute contra a escuridão.” E o ódio é a escuridão, o sexo é a escuridão, o ciúme é a escuridão, a ambição é a escuridão e a raiva é a ambição.

Traga a luz para dentro…

Como trazer a luz para dentro? Torne-se silencioso, sem pensamentos, consciente, alerta, acordado, desperto – é assim que a luz é trazida para dentro. E no momento que você estiver alerta, consciente, o ódio não existirá. Tente odiar alguém com consciência…

Esses são experimentos a serem feitos, não apenas palavras a serem entendidas – experimentos a serem feitos. É por isso que eu digo, não tentem entender apenas intelectualmente: tornem-se experimentadores existenciais.

Tente odiar alguém conscientemente e você verá que é impossível. Ou a consciência desaparece, então você pode odiar; ou, se você estiver consciente, o ódio desaparece. Eles não podem existir simultaneamente. Não há coexistência possível: a luz e a escuridão não podem existir juntas – porque a escuridão não é nada exceto a ausência de luz.

Os verdadeiros mestres ensinam como atingir Deus; eles nunca dizem renuncie ao mundo. A renúncia é negativa. Eles não dizem para escapar do mundo, eles ensinam a escapar em Deus. Eles ensinam a alcançar a verdade, não lutar contra as mentiras. E são milhões de mentiras. Se você seguir lutando isso levará milhões de vidas, e ainda assim nada será alcançado. E a verdade é uma; por isso a verdade pode ser atingida instantaneamente, mesmo neste momento ela é possível.

VOCÊ TAMBÉM PERECERÁ.

SABENDO DISSO, POR QUE DISCUTIR?

A vida é tão curta, tão momentânea, e você está gastando-a em discussões? Use toda a energia para a meditação – é a mesma energia. Você pode lutar contra ela ou você pode tornar-se uma luz através dela.

QUÃO FÁCIL O VENTO DERRUBA UMA FRÁGIL ÁRVORE.

PROCURE A FELICIDADE NOS SENTIDOS,

EXAGERE NO ALIMENTO E NO SONO,

E VOCÊ TAMBÉM SERÁ EXTIRPADO.

Buda diz: Lembre-se, se você depender dos seus sentidos você permanecerá muito frágil – porque os sentidos não podem lhe dar força. Eles não podem lhe dar força porque eles não podem dar uma fundação constante. Eles estão constantemente em fluxo; tudo está mudando. Você terá um abrigo onde? Você fará uma fundação onde?

Em um momento esta mulher parece bela e em outro momento outra mulher. Se você decidir apenas pelo sentido, você estará em constante agitação – você não pode decidir porque os sentidos seguem mudando as suas opiniões. Em um momento alguma coisa parece muito incrível, e em outro momento ela é apenas feia, insuportável. E dependemos desses sentidos.

Buda diz: Não dependa dos sentidos – dependa da consciência. A consciência é algo escondido por detrás dos sentidos. Não é o olho que vê. Se você for a um especialista dos olhos ele falará que é o olho que vê, mas isso não é verdade. O olho é apenas o mecanismo – através dele um outro alguém vê. O olho é apenas uma janela; a janela não pode ver. Quando você está em uma janela, você pode olhar para fora. Alguém passando na rua pode pensar, “A janela está me vendo.” O olho é apenas uma janela, uma abertura. Quem está por trás do olho?

O ouvido não ouve – quem está detrás do ouvido que ouve? Quem é que sente? Busque por isso e você encontrará alguma fundação; caso contrário a sua vida será apenas uma folha seca ao vento.

O VENTO NÃO PODE DERRUBAR UMA MONTANHA.

A TENTAÇÃO NÃO PODE TOCAR O SER HUMANO

QUE ESTÁ ACORDADO, FORTE E HUMILDE,

QUE É MESTRE DE SI MESMO E CONHECE A LEI.

A meditação lhe tornará desperto, forte e humilde. A meditação lhe acordará porque ela lhe dará a primeira experiência de si mesmo. Você não é o corpo, você não é a mente – você é apenas uma consciência pura que testemunha. E quando essa consciência testemunha é tocada, um grande despertar ocorre – como se uma serpente estivesse enrolada e repentinamente ela desenrolasse, como se alguém dormindo fosse chacoalhado e acordasse. Repentinamente um grande despertar interior: pela primeira vez você sente que você é. Pela primeira vez você sente a verdade do seu ser.

E certamente isso o torna mais forte; você não é mais frágil, não é como uma combalida árvore que qualquer vento pode derrubar. Agora você tornou-se uma montanha! Agora você tem uma fundação, algo em você está enraizado – nenhum vento pode derrubar uma montanha. Você tornou-se desperto, forte e mesmo assim você se torna humilde. Essa força não lhe traz nenhum ego. Você se torna humilde porque você se torna consciente que a mesma alma testemunhante existe em todos, mesmo nos animais, pássaros, plantas, rochas.

São apenas maneiras diferentes de dormir! Alguns dormem do lado direito, alguns dormem do lado esquerdo e outros dormem de barriga para cima…essas são apenas maneiras diferentes de dormir. Uma rocha tem a sua própria maneira de dormir, uma árvore uma maneira diferente de dormir, um pássaro uma outra maneira – mas são apenas diferenças nas formas e métodos de dormir; caso contrário no centro profundo de cada ser há o mesmo testemunhar, o mesmo Deus. Isso o torna humilde. Mesmo diante de uma rocha você sabe que você não é especial, porque toda a existência é feita da mesma matéria chamada consciência. E se você está desperto, forte e humilde, isso lhe dá uma maestria sobre si mesmo.

SE O PENSAMENTO DOS SERES HUMANOS SÃO LAMACENTOS,

SE ELES SÃO IMPRUDENTES E CHEIOS DE ENGANO,

COMO ELES PODERÃO VESTIR A TÚNICA AMARELA?

Buda escolheu para seus sannyasins o manto amarelo, da mesma maneira que eu escolhi o laranja. Esta é a diferença entre a minha abordagem e a abordagem de Buda. O amarelo representa a morte – a folha amarela. O amarelo representa o pôr do sol, a noite.

Buda enfatiza muito a morte – é um caminho. Se você enfatizar muito a morte, isso ajuda: as pessoas tornam-se cada vez mais conscientes da vida em contraste com a morte. E quando você sempre enfatiza a morte, você ajuda as pessoas a acordarem. Elas têm que acordar porque a morte está chegando. Sempre que um sannyasin era iniciado por Buda, ele lhe dizia, “Vá para o cemitério – fique lá e observe as piras funerárias, os cadáveres sendo carregados, queimados…observe. E relembre-se que isso acontecerá com você. Três meses de meditação sobre a morte, então volte.” Esse era o início de sannyas.

Há apenas dois caminhos possíveis. O primeiro é: enfatize a morte; o segundo é, enfatize a vida. Porque essas são as duas únicas coisas na existência – vida e morte. Buda escolheu a morte como um símbolo; por isso o manto amarelo.

O laranja representa a vida; é a cor do sangue. Ele representa o sol da manhã, a aurora, o céu oriental tornando-se vermelho. A minha ênfase é na vida. Porém o propósito é o mesmo. Eu quero que você esteja tão ardentemente apaixonado pela vida que esta própria paixão lhe tornará consciente, a sua própria intensidade de viver lhe despertará.

E a morte está no futuro, e a vida é agora, então se você pensar na morte você pensará no futuro. Se você pensar na morte isso será uma inferência: você verá outrem morrendo, você nunca verá a si mesmo morrendo. Você pode imaginar, você pode inferir, você pode pensar, mas isso será um pensamento.

A vida não precisa ser pensada, ela pode ser vivida. Ela pode lhe ajudar a ser mais sem mente do que a morte pode. Por isso a minha escolha é muito melhor que a de Buda, porque a vida é agora; você não precisa ir para um cemitério. Tudo que você precisa é estar alerta e a vida está em todo o lugar…nas flores, nos pássaros, nas pessoas ao seu redor, nas crianças sorrindo…e em você! …e agora! Você não precisa pensar nela, você não precisa inferi-la. Você pode apenas fechar os seus olhos e senti-la – você pode sentir o seu comichão, pode sentir sua batida. Porém ambos os métodos podem ser usados: a morte pode ser utilizada para que você se torne um meditador, ou a vida pode ser utilizada – a minha escolha é a vida. E enfatizo e repito que a minha escolha é muito melhor que a de Buda. A escolha de Buda pela morte como um símbolo pode reviver esse país – não apenas esse país, mas o mundo inteiro – porque não é apenas Buda que escolheu a morte como um símbolo, o Cristianismo também a escolheu como um símbolo – a cruz. Assim as duas maiores religiões do mundo, o Cristianismo e o Budismo, são orientadas pela morte. E por causa dessas duas religiões… e seu impacto foi o maior possível: o Cristianismo transformou o Ocidente, e o Budismo transformou todo o Oriente.

Jesus e Buda foram os maiores professores, mas a escolha da morte como símbolo foi perigosa, foi uma calamidade. Eu escolho a vida. Eu gostaria que toda essa terra estivesse cheia de vida, cada vez mais vida, vida pulsante. Mas o que Buda diz sobre o seu manto amarelo eu também diria sobre o meu manto laranja. Ele diz: SE O PENSAMENTO DOS SERES HUMANOS SÃO LAMACENTOS, SE ELES SÃO IMPRUDENTES E CHEIOS DE ENGANO, COMO ELES PODERÃO VESTIR A TÚNICA AMARELA?

QUALQUER UM QUE É MESTRE DE SUA PRÓPRIA NATUREZA,

BRILHANTE, CLARO E VERDADEIRO,

ESTE PODERÁ, DE FATO, VESTIR A TÚNICA AMARELA.

O que ele diz sobre o manto amarelo, eu digo sobre o manto laranja: QUALQUER UM QUE É… BRILHANTE, CLARO E VERDADEIRO, ESTE PODERÁ, DE FATO, VESTIR O MANTO LARANJA.

AES DHAMMO SANANTANO.

Dhammapada: O Caminho do Buda, Vol 1

Capítulo #2

Título do Capítulo: Uma cadeira vazia

22 de Junho de 1979 na Sala Buda

A primeira questão:

Questão 1

AMADO MESTRE,

UMA CADEIRA VAZIA

UMA SALA SILENCIOSA

UMA INTRODUÇÃO A BUDA –

QUÃO ELOQUENTE!

QUÃO RARA!

Sim, Subhuti, esta é a única forma de introduzir Buda a vocês. O silêncio é a única linguagem que ele pode ser expressado. As palavras são muito profanas, muito inadequadas, muito limitadas. Apenas um espaço vazio…total silêncio…pode representar o ser de um buda.

Existe um templo no Japão absolutamente vazio, nem mesmo uma estátua de Buda no templo, e é conhecido como um templo dedicado a Buda. Quando os visitantes chegam e perguntam, “Onde está o Buda? O templo é dedicado a ele…” o sacerdote ri e diz, “Este espaço vazio, este silêncio – isto é Buda!”

As rochas não podem representá-lo, as estátuas não podem representá-lo. Buda não é uma rocha, não é uma estátua. Buda não é uma forma – Buda é uma fragrância sem forma. Por isso não foi acidental que dez dias de silêncio precederam essas conversas sobre Buda. Aquele silêncio foi o único prefácio possível.

Subhuti, você está certo: “Uma cadeira vazia…”  Sim, apenas uma cadeira vazia pode representá-lo. Esta cadeira está vazia, e este homem falando para vocês está vazio. É um espaço vazio jorrando em vocês. Não há ninguém dentro, apenas um silêncio.

Porque você não pode entender o silêncio, ele deve ser traduzido em linguagem. É por causa da sua limitação que eu tenho que falar; caso contrário não haveria necessidade. A verdade não pode ser dita, nunca foi dita, nunca será dita. Todas as escrituras falam sobre a verdade, seguem falando acerca da verdade, acerca e acerca, mas nenhuma escritura foi ainda capaz de expressá-la – nem os Vedas, nem a Bíblia, nem o Alcorão – porque é impossível na própria natureza das coisas expressá-la.

Ela não pode ser dita – ela pode ser apenas mostrada. Ela não pode ser provada logicamente, mas o amor pode prová-la. Onde a lógica falha, o amor triunfa. Onde a linguagem falha, o silêncio triunfa.

Eu não posso prová-la, mas a ausência do “eu” dentro de mim pode tornar-se uma prova absoluta dela. Se vocês querem entender Buda, realmente, vocês terão que se aproximar cada vez mais desse silêncio que eu sou, vocês terão que tornarem-se cada vez mais íntimos, disponíveis, vulneráveis, a esse ninguém que está falando com vocês.

Eu não sou uma pessoa. A pessoa morreu há muito. É uma presença – uma ausência e uma presença. Sou ausente como uma pessoa, como um indivíduo; sou presente como um veículo, uma passagem, um bambu oco. Ele pode tornar-se uma flauta – apenas o bambu oco pode tornar-se uma flauta.

Eu dei a mim mesmo ao todo. Agora, qualquer que seja a vontade do todo… se ele quiser falar através de mim, eu estarei disponível; se ele não quiser falar através de mim, eu estarei disponível. A sua vontade é a única vontade agora. Eu não tenho vontade própria.

É por isso que muitas vezes vocês encontrarão contradições nas minhas declarações – porque eu não posso mudar nada. Deus é contraditório porque Deus é um paradoxo. Ele contém os opostos polares: ele é escuridão e luz, verão e inverno, vida e morte. Às vezes ele fala como vida, às vezes como morte e outras vezes ele vem como verão e outras como inverno… o que posso fazer?

Se eu interferir, irei distorcer. Se tentar ser consistente então serei falso. Posso ser verdadeiro apenas se eu permanecer disponível para todas as contradições que Deus contém.

Esta cadeira, Subhuti, está certamente vazia. E o dia que você for capaz de ver esta cadeira vazia, este corpo vazio, este ser vazio, você terá me visto, você terá me contatado.

Este é o real momento quando o discípulo encontra o mestre. É uma dissolução, um desaparecimento… a gota de orvalho escorregando no oceano, ou o oceano escorregando na gota de orvalho. É o mesmo! – o mestre desaparecendo no discípulo e o discípulo desaparecendo no mestre. E então ali prevalece um profundo silêncio.

Não é um diálogo! É nisso que as religiões Orientais, particularmente o Budismo, alcançou um ápice maior do que o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo – porque o Islamismo, o Judaísmo e o Cristianismo permaneceram apegados de alguma forma à ideia de diálogo. Mas um diálogo pressupõe uma dualidade, dois. O Islamismo, o Cristianismo e o Judaísmo são religiões da oração. A oração pressupõe que há um Deus separado de você, que você pode dirigir-se.

Por isso o livro de Martin Buber tornou-se muito famoso – EU E TU. Esta é a essência da oração. Porém ‘eu’ e ‘tu’…uma dualidade é necessária para um diálogo. E por mais belo que o diálogo possa ser, ainda é uma divisão, uma cisão; ainda não é uma união. O rio ainda não entrou no oceano. Talvez chega-se muito próximo, até mesmo na borda, mas há um recuo.

O Budismo não é uma religião de oração, é uma religião de meditação. E esta é a diferença entre uma oração e a meditação: a oração é um diálogo, a meditação é um silêncio. A oração deve ser endereçada a alguém – real, irreal, mas deve ser endereçada a alguém. A meditação não é de maneira alguma endereçada; é preciso apenas cair no silêncio, simplesmente desaparecer no nada. Quando alguém não existe, a meditação existe.

E Buda é meditação – esse é seu sabor. Esses dez dias que permanecemos em silêncio, nós permanecemos em meditação. A coisa real foi dita. Aqueles que não a ouviram, falarei agora para eles.

A meditação que prevaleceu por dez dias tinha uma diferença – e esta é a diferença entre a abordagem de Buda e a minha – uma pequena diferença, mas com uma importância tremenda. E isso deve ser entendido por vocês, porque não sou um mero comentador de Buda. Não estou apenas ecoando-o, não sou um simples espelho que o reflete; sou uma resposta, não uma reflexão. Não sou um erudito, não irei fazer uma análise erudita das suas declarações – sou um poeta!

Eu vi o mesmo nada que ele viu, e, certamente, eu o vi da minha própria maneira. Buda tem o seu próprio caminho, eu tenho meu próprio caminho – de ver, de ser. Ambos os caminhos alcançam o mesmo pico, mas os caminhos são diferentes. O meu caminho tem uma pequena diferença – pequena, mas de importância profunda, lembre-se.

Esses dez dias não foram apenas de meditação silenciosa – esses dez dias foram de música, silêncio, meditação. A música é a minha contribuição. Buda não a teria permitido. Neste ponto nós teríamos discutido. Ele não permitiria a música; ele diria que a música é uma perturbação. Ele insistiria no puro silêncio, ele diria que este é suficiente. Mas este é o ponto onde nós concordaríamos em discordar.

Para mim, a música e a meditação são dois aspectos do mesmo fenômeno. E sem música, à meditação falta alguma coisa; sem música, a meditação é um pouco enfadonha, sem vida. Sem meditação a música é simplesmente ruído – harmonioso, mas um ruído. Sem meditação a música é entretenimento. E sem música, a meditação torna-se cada vez mais negativa, tende a ser orientada para a morte.

Por isso minha insistência que a música e a meditação devem seguir juntas. Isso adiciona uma nova dimensão – a ambas. Ambas são enriquecidas.

Lembre-se dos três Ms assim como dos três Rs. O primeiro M é a matemática; a matemática é a mais pura ciência. O segundo M é a música; música é arte pura. E o terceiro M é a meditação; meditação é pura religião. Onde essas três se encontram, você atinge à trindade.

Minha abordagem é científica. Mesmo quando faço declarações ilógicas, as faço muito logicamente. Mesmo se eu declarar paradoxos, eles são declarados de maneira lógica. Qualquer coisa que eu estiver falando tem uma matemática por detrás, um método, uma certa abordagem científica. Eu não sou uma pessoa incientífica. A minha ciência serve a minha religião; a ciência não é um fim, mas ela é um belo início.

E minha abordagem é artística, estética. Eu não poderei ajudar a vocês ao menos que esse campo energético se torne musical. Música é pura arte. E se ela for combinada com a matemática, ela se torna um instrumento tremendamente poderoso para penetrar em sua interioridade. É claro, ele não será completo a não ser que a meditação seja o seu mais elevado cume, a mais pura religião.

E nós estamos tentando criar a síntese última. Esta é a minha trindade: matemática, música e meditação. Este é meu trimurti – as três faces de Deus. Você pode alcançar Deus por uma face, mas então a sua experiência de Deus não será tão rica como quando você o alcançar por duas faces. Mas ainda assim faltará algo, ao menos que você o alcance por todas as três faces. Quando você conhece Deus como uma trindade, quando você passar por todas as três dimensões, a sua experiência, o seu nirvana, a sua iluminação será a mais rica.

Buda insiste apenas na meditação; esta é uma face de Deus. Maomé insiste na oração, na música, no canto; por isso o Alcorão tem nele a qualidade da música. Nenhuma outra escritura tem tanta música quanto o Alcorão. A própria palavra Alcorão significa simplesmente “Recite! Cante!” Esta foi a primeira revelação a Maomé. Algo do além o invocou e disse, “Recite! Recite! Cante!”

O Islã é outra face de Deus. E existem religiões que se aproximaram de Deus através do terceiro M: a matemática. O Jainismo é o mais puro representante da terceira abordagem. Mahavira fala como Albert Einstein. Mahavira foi, não acidentalmente, a primeira pessoa na história humana a falar da teoria da relatividade. Depois de vinte e cinco século Albert Einstein foi capaz de prová-la cientificamente, mas Mahavira a viu em sua visão.

Se você ler Mahavira, as suas declarações são absolutamente lógicas, matemáticas. As escrituras Jainas não contém nenhum sumo – elas são secas, aritméticas. Esta é outra face de Deus. E apenas três tipos de religião existiram no mundo: as religiões da matemática, representadas pelo Jainismo; as religiões da música, representadas pelo Islamismo, Cristianismo, Judaísmo e Hinduísmo; e as religiões da meditação, representadas pelo Budismo e Taoísmo. O meu esforço aqui é dar a vocês uma religião total, que contém todos os três Ms nela. É uma aventura muito ambiciosa. Ela nunca foi tentada antes; por isso eu serei contrariado como ninguém nunca antes o foi. Vocês estão se movendo com uma pessoa perigosa, mas a jornada será de uma tremenda beleza. Perigos e riscos não tornam uma jornada feia; pelo contrário, eles a tornam tremendamente bela. Todos os perigos que vocês enfrentarão comigo trarão uma excitação. A jornada não será enfadonha, ela terá que ser muito viva. Vamos nos mover em direção a Deus de maneira multidimensional, e cada momento da jornada será precioso.

Comecei essas palestras sobre Buda com um silêncio deliberado de dez dias. Foi um estratagema começar com o silêncio – Buda ficaria muito feliz. Ele encolheria um pouco os seus ombros por causa da música, mas o que eu posso fazer? Não há o que fazer.

A minha religião deve ser uma religião da dança, do amor, do riso. Ela tem que ser orientada para a vida, tem que ser afirmadora da vida. Tem que ser um caso de amor com a vida. Não é uma renúncia e sim um regozijo.

A segunda questão:

Questão 2

AMADO MESTRE,

É SOBRE ESSA SENSAÇÃO QUE ELA SEMPRE ESTEVE AQUI, E ASSIM QUE EU A SINTO, ELA PARECE MUITO LONGE – MAS O QUE É ESSE “ELA”?

Deva Prashantam, é um desses problemas perenes encontrados por todo buscador da verdade. Você não pode agarrar a verdade – se você tentar, ela estará muito muito longe. Você não pode possuir a verdade – se você tentar, suas mãos ficarão totalmente vazias. A verdade não pode ser possuída porque ela não é uma coisa. Pelo contrário, você tem que ser suficientemente corajoso para ser possuído pela verdade – porque é um caso de amor.

Permita-se ser possuído por ela e você saberá o que ela é. Mas você está fazendo o contrário: você está tentando controlá-la. É isso que a mente anseia sempre, deseja. É isso que a mente chama “entendimento”. Ao menos que a mente seja capaz de capturar algo, a mente não fica satisfeita.

Mas a verdade é mercurial: se você tentar segurá-la em suas mãos, quanto maior o aperto, mais evasiva ela se torna, e mais distante – tão distante que você deixará de acreditar nela, de confiar nela… tão distante que você não será capaz de ver se ela realmente existe.

A verdade vem; ela não pode ser trazida. A verdade ocorre; você não pode fazer nada em relação a ela – porque aquele que faz é o problema, o impedimento, o obstáculo. Aquele que faz é o ego. E se você arranjar de tal forma e não permitir que aquele que faz interfira, ele volta pela porta dos fundos – como aquele que experiencia, como um observador. É o mesmo ego novamente, com novas vestes.

É por isso que quando você o sente, você a perde – aquele que faz vem agora como aquele que sente. Aquele que faz deve ser dissolvido totalmente; ele não deve voltar de uma maneira sutil, de uma maneira secreta.

Deixe a verdade ser! Não seja apressado em entendê-la ou senti-la – apenas deixe-a estar. Você não precisa fazer nada em relação a ela. Se você puder permanecer nesse estado de não fazer, de não esforço, de não ego, você entenderá, você sentirá, você conhecerá, você a terá. Só se pode tê-la indiretamente, não diretamente.

Prashantam, é ali que você a está perdendo. E é ali que todos a perdem. Sim, há momentos em que repentinamente ela está próxima… você gostaria de agarrá-la. O próprio desejo de agarrá-la vem da ambição, o próprio desejo de agarrá-la surge do medo. O próprio desejo de agarrá-la é um desejo da mente. E quando a mente entra, a verdade sai.

Você não consegue simplesmente ficar em silêncio, sem fazer nada – nada no nível intelectual, nada no nível físico, nada no nível emocional – sem fazer nada, apenas estando aí, totalmente quieto? E então você seria possuído pela verdade. A única forma de conhecê-la é ser possuído por ela.

Você diz, “é sobre essa sensação que ela sempre esteve aqui…”

Sim, ela sempre esteve aqui. Ela é o nosso próprio ser. Ela é a matéria que nós somos feitos. A verdade não é algo separado de você: você é a verdade. É a sua própria consciência, o próprio solo do seu ser. Você não precisa ir para nenhum outro lugar para procurá-la e buscá-la, para Kashi ou a Kaaba. Nem mesmo um único passo é necessário.

Lao Tsé diz: Você pode encontrá-la sentado em sua própria casa, sem necessidade de ir para lugar algum – porque ela já está aí! Quando você sai a procura, quando você se move na busca, você se distancia dela. Toda busca lhe distancia da verdade que já está aí. E há momentos que você a sente, que ela sempre esteve aqui – momentos de felicidade, amor, beleza. Momentos em que de repente o mundo para: um belo pôr do sol… você é arrebatado por ele. Lembre-se que eu estou dizendo que você é arrebatado, você é possuído, não que você o possui. Como você poderia possuir um pôr do sol? O pôr do sol lhe possui, lhe preenche; cada canto e recanto do seu ser transborda com a sua beleza.

E então alguém sabe, lá nas profundezas do seu ser, a verdade sempre esteve aqui. Nem mesmo as palavras são necessárias; simplesmente se sabe sem palavras – se sente.

Ou, quando você está amando… ou quando você ouve a uma bela poesia… ou as músicas dos pássaros… ou apenas o vento soprando através dos pinheiros… ou o som da água… sempre que você permitir-se ser possuído você descobrirá, de repente, do nada, a verdade aparece, Deus aparece, dhamma aparece. Você tocou algo intangível, você viu algo invisível. Você esteve em contato com algo eterno… aes dhammo sanantano – a lei eterna, a lei inexaurível.

Sempre que você está em um estado de harmonia, tudo cantarolando, funcionando em harmonia, sempre que você está em acordo… e esses momentos acontecem com todos. Esses momentos não têm nada a ver com as igrejas, os templos e as mesquitas. De fato, é muito raro encontrar uma pessoa iluminada em uma igreja ou em uma mesquita, em um templo.

Buda tornou-se iluminado sob uma árvore, assistindo a última estrela da manhã desaparecer no céu; não em um templo, não em uma igreja – sob uma árvore, olhando para uma estrela. Deve ter sido possuído. E a estrela desaparecendo, cada vez mais desaparecendo… indo, indo, foi-se. No momento anterior ela estava lá, e agora ela não estava mais. E naquele momento, de repente, alguma coisa nele, a última fortaleza do ego, também desapareceu. Assim como desaparecia a estrela da manhã, seu ego desaparecia também.

O céu estava vazio, e ele estava vazio. E sempre que duas coisas estão vazias, elas tornam-se apenas uma – porque duas coisas vazias não podem ser demarcadas. Com o que você demarcará a vacuidade? Dois nadas não podem ser mantidos separados; dois nadas tornam-se um nada. A estrela desapareceu ali, e o céu estava vazio, e o ego desapareceu no interior e o céu estava vazio no interior também… e repentinamente o interior e o exterior se foram. Era apenas um céu.

Naquele momento Buda tornou-se iluminado. Naquele momento ele conheceu dhamma, o logos, o tao, Deus, o princípio cósmico da vida.

Mahavira não se iluminou em um templo – nem mesmo em um templo Jaina! Havia templos Jainas no tempo de Mahavira. Mahavira foi o vigésimo quarto tirthankara dos Jainas – o vigésimo quarto grande mestre. Vinte e três mestres o precederam. Havia templos Jainas, mas ele não se tornou iluminado em um templo Jaina – os Jainas deveriam notar o fato. Ele se tornou iluminado na floresta. Apenas sentado ali, sem fazer nada, e de repente lhe veio. Veio como uma enchente.

Maomé tornou-se iluminado em uma montanha. E foi o mesmo caso com todos: Lao Tsé, Zaratustra, Kabir, Nanak… nenhuma pessoa tornou-se iluminada em um templo, igreja ou mesquita. Por que você vai até lá?

Saia cedo para ver o nascer do sol. Sente-se no meio da noite assistindo o céu cheio de estrelas. E você se tornará cada vez mais próximo do templo real de Deus. A natureza é o seu templo real. E ali, seja possuído – não tente possuir. O esforço de possuir é mundano; o desejo de ser possuído é divino.

Prashantam, a próxima vez que acontecer, não tente fazer nada em relação a isso. Nenhuma necessidade de entender, nenhuma necessidade de observar, nem de examinar, nem de analisar – deixe estar. Seja possuído por ela! Dance-a! Cante-a! E seja totalmente uno com ela. Esta é a única forma de conhecê-la.

Você me pergunta, “é sobre esse sentimento que ela sempre esteve aqui” – o sentimento é absolutamente verdadeiro – “e assim que eu a sinto, ela parece muito longe.” Porque com o sentimento, o ‘eu’ adentra – e o ‘eu’ é a distância entre você e a verdade. Quanto maior o ‘eu’, maior a distância, quanto menor o ‘eu’, menor a distância. Nenhum ‘eu’, nenhuma distância.

E você me pergunta, “… mas o que é esse ‘ela’?”

Eu não posso dizer. É o agora. Seja possuído! Ela está aqui. Seja possuído! Ela não está nas minhas palavras, mas nos entremeios. Não está nas minhas declarações, mas nos intervalos. Leia-a entre as linhas.

Mas lembre-se de uma coisa muito, muito significante: que você tem que ser possuído para entendê-la. E nós temos muito medo de sermos possuídos – parece que estamos perdendo o controle, parece que estamos nos dissolvendo. “Quem sabe para onde ela nos levará? Quem sabe se eu poderei voltar dela ou não?”

Todos esses medos surgem e você se encolhe. E é nesse momento que você a distancia. A distância é criação sua. Caso contrário ela está sempre aqui, é sempre agora. Não crie a distância, não tenha medo.

Em todas as linguagens do mundo há palavras para as pessoas religiosas tais como ‘tementes a Deus’ – palavras feias, mentiras absolutas, porque uma pessoa religiosa não é uma pessoa temente a Deus de maneira alguma. Uma pessoa religiosa é uma amante de Deus, não uma pessoa temente a Deus. Mas o padre depende do medo, ele explora o seu medo, e ele cria o medo em você. Todo o negócio dele depende do seu temor.

Abandone os seus medos. Não há necessidade de ter medo de Deus. Deus simplesmente quer dizer totalidade, o todo, aquilo que é. Nós somos parte! Como uma parte pode ter medo do todo? O todo cuida da parte, o todo ama a parte, porque o todo não será o todo sem a parte. Ele não pode ser indiferente à parte.

Sabendo disso, há confiança. Sabendo disso, permitimos todo o processo. Sabendo disso, abandonamos todos os medos, rendemo-nos. E apenas na rendição ela está, apenas na confiança.

Eu posso indicá-la, mas não posso explicá-la para você. E já está acontecendo com você, Prashantam. Você é abençoado. Pare apenas os seus modos de criar distância entre você e ela. E isso é facil de fazer: arrisque-se um pouco, dê um passo no desconhecido… o medo estará lá – apesar dele, vá até o desconhecido. Deixe o medo ficar lá – ainda assim vá até o desconhecido. Apenas ao irmos até o desconhecido o medo desaparece, porque você saberá que não há nada a temer.

E uma vez que você estiver encantado pelo desconhecido, então não haverá fim para essa peregrinação – é uma jornada eterna, sem fim, sempre em progresso; é inexaurível. aes dhammo sanantano – é eterna e inexaurível…

A terceira questão:

Questão 3

AMADO MESTRE,

QUAL É O SEU HOBBY?

Anando, não tenho nenhum. Não preciso de nenhum. Um hobby é necessário para lhe manter ocupado. Quando você fica cansado da sua ocupação ordinária – e naturalmente cansamos de ganhar pão e manteiga – quando alguém está cansado da sua ocupação ordinária existem apenas duas alternativas. Ou desocupar-se…  o que cria um grande medo em você, porque ficar desocupado significa ser uno consigo mesmo, ficar totalmente a sós consigo mesmo. É encarar a própria profundidade abismal – ela assusta, amedronta. Significa encarar a própria vida e a própria morte, significa encarar a própria interioridade – que é infinita, tão vasta que você não pode compreendê-la. E a própria vastidão assusta. Surge um grande tremor em você.

A primeira alternativa é: medite quando você está desocupado dos seus negócios habituais.

A segunda é: fique novamente ocupado em alguma atividade tola e chame-a de um hobby.

Algumas pessoas colecionam selos – ora, veja a estupidez disso – e elas o chamam de hobby. E todos os hobbies são assim. São maneiras e meios de procurar escapando de si mesmo.

Estou totalmente em bem-aventurança comigo mesmo. Estar sozinho, apenas estar, sem fazer nada, é uma experiência tão profunda que quando você a experimenta você abandonará todas essas atividades estúpidas chamadas de hobbies. Hobbies são pseudo-ocupações. Ora, veja a estupidez disso. Seis dias da semana você espera pelo Domingo – para que você possa relaxar, para que você possa estar consigo mesmo. Você está cansado do mundo; o mundo está com você demais. Você está cansado das pessoas, está cansado de tudo. E você espera que o Domingo venha logo, e quando o Domingo chega você está novamente ocupado – agora é o seu hobby. Você não pode permanecer desocupado; esse é o seu problema.

E às vezes ocorre que uma pessoa está mais cansada depois do Domingo do que de qualquer outro dia, por causa de tantos hobbies, e um piquenique, e o deslocamento, fazendo mil e uma coisas que você esperou por seis dias. E você pensou que iria descansar?

Você não pode descansar! Você não sabe como descansar. Você não consegue relaxar – não sabe como relaxar. Mesmo em nome do relaxamento você fará algum trabalho, algum tipo de trabalho; mesmo em nome do descanso você iniciará algum tipo de trabalho. Simplesmente por que você não é pago para fazê-lo ele se torna descanso? Você jogará cartas ou xadrez. Você não é pago para isso, é verdade, mas isso não faz muita diferença; é apenas trabalho sem remuneração.

Em vez de buscar hobbies, use as oportunidades. Sempre que você for capaz de ter um tempo vazio, totalmente desocupado, consigo mesmo, permaneça…permaneça nele, não se mova para fora dele. Não comece a colecionar selos.

Dois idosos Judeus estavam sentado no banco de um parque. “Então, o que você faz agora que está aposentado?” perguntou um.

“Eu tenho um hobby; crio pombas,” replicou o outro.

“Pombas? Onde você as mantêm? Você vive em um condomínio!”

“Mantenho-as em um armário.”

“Em seu armário? Elas não defecam em seus sapatos e em suas roupas?”

“Não,” disse o homem. “Mantenho-as em uma caixa.”

“Em uma caixa? Como elas respiram?”

“Respiram? Elas não respiram,” disse o homem, “elas estão mortas.”

“Mortas? exclamou o amigo, chocado. “Você mantém pombos mortos?”

“Que droga, é apenas um hobby!”

A quarta questão:

Questão 4

AMADO MESTRE,

ESTA MANHÃ QUANDO VOCÊ SE DIRIGIU A NÓS COMO “MEUS AMADOS BODISATVAS,” PARECEU NAQUELE MOMENTO QUE ISSO ERA VERDADE. MAS DEPOIS, MESMO A POSSIBILIDADE DE NÓS UM DIA NOS TORNARMOS BODISATVAS PARECEU COMO UM SONHO…

Sheela, é uma verdade – é por isso que quando declarada com confiança, com amor, ela imediatamente acerta algo profundo em seu coração, ela soa um sino. Mas é por causa da minha confiança que soa um sino. Digo novamente: vocês são bodisatvas – budas em essência, em semente, em potencialidade.

Quando eu digo, falo a sério. Quando falo, falo porque é verdade. E, naquele momento, você está tão afinado comigo que parece absolutamente verdade; nenhuma prova é necessária, nenhum argumento.

Não preciso argumentar pelas verdades que expresso. De fato, nenhuma verdade nunca precisa de qualquer argumento; ela é simples, mas imediatamente soa o sino. A única coisa necessária é que ela deve vir do coração, então ela alcançará o seu coração.

Eu não estou falando da minha cabeça. Estou vertendo o meu ser no seu ser. É um encontro de energias. É um encontro de almas. Por isso, quando você está comigo, parece absolutamente verdade – você não pode duvidar, é impossível. Mas quando você está sozinho e eu não estou ali, surgem as dúvidas. A sua antiga mente volta, com uma vingança e diz, “Sheela, você, um bodisatva? E o seu amor por Veetrag? – e você, um bodisatva? E seus ciúmes e sua raiva e tudo o que você é? Você um bodisatva? Ele devia estar brincando; ele te enganou!” Grandes dúvidas surgem porque elas sempre existiram lá em sua mente.

É como se você viesse até mim, nós seguíssemos juntos, andássemos lado a lado por um tempo. Eu tenho uma luz na minha mão, mas por causa da minha luz, o seu caminho também é iluminado. Então chega a hora de nos separarmos – temos que nos separar; uma encruzilhada chegou, nossos caminhos se separaram. Eu me movi em uma direção, você se moveu em outra. De repente você está no escuro e fica muito perplexo: “O que aconteceu com a luz?”

Aquela luz não era sua. É claro que seu caminho estava iluminado, mas a luz não era sua. Então quando você está comigo, há uma luz ao seu redor. Nessa luz as coisas são muito claras. Quando você não está comigo repentinamente há escuridão, e nessa escuridão você duvida de tudo que você confiava, e nessa escuridão você duvidará até mesmo da possibilidade da luz. Você duvidará até mesmo da realidade da luz que você viveu há apenas alguns minutos atrás. Sua mente dirá, “Você deve estar sonhando. Você deveria estar alucinando. Que luz? Onde está a luz? Se ela estava aqui, para onde foi?”

E isso acontecerá repetidamente. Há nisso uma profunda significância que deve ser entendida. Quando você está comigo, aqui, me ouvindo, sentando ao meu lado, a situação pode permanecer igual mesmo quando você não está fisicamente comigo. Você terá que ir um pouco mais profundo em seu amor, para que mesmo se você estiver fisicamente longe, espiritualmente você não estará. Então a confiança continuará. Então as dúvidas não ousarão vir.

As dúvidas vêm agora porque você tem um certo amor por mim, mas este ainda não é total. Há espaços no interior do seu ser que você ainda não me permitiu o acesso. E isso não é assim apenas com Sheela, o mesmo ocorre com muitos de vocês. Vocês mantêm alguns cantos próprios ocultos, separados, privados. Você não abriu o seu coração totalmente, não está totalmente nu. E se você está escondendo algo, então qualquer coisa que você esteja escondendo permanecerá como uma distância entre eu e você.

Então quando você está aqui, sob o meu impacto, quando você está aqui fisicamente comigo, a minha presença pode colocar a sua mente de lado. Mas quando você não está fisicamente comigo, a sua mente voltará – você não a colocou de lado! Aprenda uma lição: quando você se distancia de mim, quando você não pode me ver, tente estar comigo ainda. Assimile o espírito da proximidade, da intimidade – então nem mesmo a morte pode nos separar. Então não há questão de espaço e tempo. Então você estará comigo para sempre. E a confiança persistirá e a confiança continuará; ela será um fator constante em você. A única coisa que será constante será a sua confiança. Tudo o mais mudará, mas não a confiança.

Você encontrou o centro do seu ser. E essa descoberta é chegar em casa.

A última questão:

Questão 5

AMADO MESTRE,

HÁ MUITO DISPARATE EM RELAÇÃO AOS SEUS ENSINAMENTOS E AS ATIVIDADES DO SEU ASHRAM NA IMPRENSA ULTIMAMENTE. ISSO ME ENFURECE PORQUE PARECEM TÃO DISTANTES DOS FATOS REAIS. AS CARTAS EM RESPOSTA AOS OPOSITORES NÃO ESTÃO SENDO PUBLICADAS. ORA, SEI QUE ISSO NÃO DEVE FAZER NENHUMA DIFERENÇA PARA VOCÊ. É ISSO ENTÃO O QUE JESUS SIGNIFICAVA QUANDO ELE DISSE PARA VIRAR A OUTRA FACE?

Zareen, é como deveria ser. Um homem como eu não pode permanecer sem oposição. Um homem como eu deve dividir as pessoas em duas categorias: as que estão comigo e aquelas que não estão comigo.

Há poucos dias um velho amigo escreveu-me uma carta sugerindo… Agora há apenas dois tipos de pessoas: aquelas que são devotas, que me amam totalmente e aquelas que são inimigas, cheias de ódio por mim. Ele queria criar uma terceira categoria de pessoas que não seriam nem devotas nem inimigas, mas pensadoras imparciais.

A ideia dele parece lógica, mas não é possível. Nunca aconteceu e não acontecerá. Não pode ocorrer. De fato, ele próprio estava tendo dificuldade em se tornar-se um sannyasin. Ele foi um velho amigo e sentia certa dificuldade em render-se agora como um discípulo. Ele não podia ser um devoto e ele também não podia ser um inimigo. Ele me conhece, ele me ama; ele era um amigo de longa data. Então é realmente um problema dele.

Ele não pode render-se por causa do seu ego, porque era meu amigo, um colega. Ele não pode estar contra mim por causa do que sente por mim. Ele estava em uma enrascada, então queria encontrar uma saída; ele queria criar uma terceira força – as pessoas que não estão nem a favor nem contra, mas que são imparciais. Essas pessoas seriam impotentes. E não estou interessado em pessoas imparciais. Não estou interessado na terceira força de maneira alguma, por uma certa razão: porque elas seriam totalmente frias. Estou muito mais interessado nas pessoas que têm um ódio muito forte de mim – pelo menos elas são quentes, e pessoas quentes são pessoas boas. Elas podem ser transformadas; elas não são gélidas.

Aqueles que estão ardentemente no ódio contra mim mais cedo ou mais tarde tornar-se-ão devotos – porque você não pode viver no ódio por muito tempo. Ao me odiar você não pode me amar. Zareen, você está certo, não importa para mim. Se todo o mundo me odiar, não importa, não faz diferença. Eu permaneço na minha bem-aventurança absoluta.

A minha bem-aventurança não pode ser afetada pelo ódio das pessoas, pela oposição. Mas pense nessas pessoas que estão vivendo no ódio – elas estão torturando a si mesmas, elas estão se machucando, se ferindo. Quanto tempo elas podem seguir fazendo isso? Mais cedo ou mais tarde os seus ferimentos curar-se-ão. E mais cedo ou mais tarde, o antagonismo acalorado delas tornar-se-á um amor fervoroso.

Recordo-me, Zareen, de uma bela estória:

Um místico Sufi escreveu um livro sobre o Alcorão. Ele foi hostilizado por todas as autoridades, pela religião oficial. Eles o baniram, tornaram crime lê-lo. Era um sacrilégio, eles pensaram, perigoso, porque ele estava interpretando o Alcorão de maneira tal que ninguém havia interpretado anteriormente. Ele estava indo contra a tradição.

Ele chamou seu principal discípulo, lhe deu o livro e lhe disse para ir até o sumo sacerdote e apresentasse a este o livro – observando tudo. “Qualquer coisa que acontecer, você deve reportá-la corretamente. Então esteja muito alerta: qualquer coisa que acontecer… quando você der o livro de presente, como ele reage, o que faz, o que diz, lembre-se precisamente porque você terá que reportar toda a cena. “E permita-me dizer-lhe,” o mestre disse, “que isso é um tipo de teste para você. Não é apenas a questão de dar o livro para o sumo sacerdote e voltar; o principal objetivo é reportar tudo o que ocorrer.”

O homem foi, muito alerta, muito cuidadoso. Ao chegar na casa do sumo sacerdote ele tornou-se muito alerta, sacudiu o seu corpo, porque tudo tinha que ser observado minuciosamente. Então ele entrou.

Conforme apresentou o livro ao sumo sacerdote e lhe falou sobre o seu mestre, o sacerdote jogou o livro para fora da casa, na rua, e disse, “Por que você não me disse antes que isso era daquele homem perigoso? Eu não o teria nem tocado. Terei que lavar as minhas mãos agora. É um pecado tocar em seu livro!”

A esposa do sumo sacerdote estava sentada ao seu lado. Ela disse, “Você está sendo desnecessariamente duro com o pobre homem. Ele não fez nenhum mal a você. Mesmo que você quisesse jogar o livro fora, você poderia tê-lo jogado depois. E eu não vejo o porquê de você jogá-lo fora, você tem uma grande biblioteca – milhares de livros estão lá; este livro também pode ser mantido na biblioteca. Se você não quer lê-lo, não há necessidade de lê-lo. Mas você poderia ter feito pelo menos uma coisa: você poderia tê-lo jogado fora depois, lavado as suas mãos, tomado um banho, ou qualquer coisa que você quisesse fazer – mas por que você está machucando este pobre homem?”

O homem voltou, disse ao mestre todo o ocorrido, nos mínimos detalhes.

O mestre perguntou, “Qual foi então a sua reação?”

O homem disse, “A minha reação é que a mulher do sumo sacerdote é uma mulher muito religiosa. Senti muito respeito por ela. E o sumo sacerdote é simplesmente feio – quero cortar a garganta dele!”

O mestre disse, “Agora ouça: tenho mais interesse no sumo sacerdote – ele pode ser convertido porque está quente. Se ele pode estar tão cheio de ódio, ele também pode estar tão cheio de amor, porque é a mesma energia que se torna ódio ou amor. O amor de cabeça para baixo é o ódio – o amor fazendo shirshasana, um pouso de cabeça, é ódio. Mas é muito fácil colocar um homem em pé de volta. Quanto à esposa, ela é fria, gélida. Não tenho esperança por ela; ela não pode ser convertida.”

Eu concordo totalmente com esse mestre Sufi. Aqueles que estão contra mim, Zareen, por que eles estão contra mim? Os seus corações foram tocados. Algo começou a acontecer e eles não querem que isso ocorra. É arriscado. Eu comecei a influenciar as suas vidas e eles não querem seguir comigo.

Todo o investimento deles é contra isso. Eles querem me evitar e veem que não podem me evitar – eles estão se tornando acalorados. Por isso o ódio; por isso eles inventam todos os tipos de mentiras. Mas tenho muita esperança por essas pessoas – de fato, eu amo essas pessoas. Mais cedo ou mais tarde elas estarão comigo.

O problema real é com aquelas pessoas que são indiferentes, gélidas, nem a favor nem contra. Eu gostaria de dividir toda a humanidade em dois campos: os amigos e os inimigos. E quanto mais amigos eu tiver mais inimigos existirão. Há um certo equilíbrio; na vida tudo se equilibra. Se você tem muitos amigos, com certeza você terá muito inimigos; de outra forma o equilíbrio é perdido. Se você tiver mais amigos, você terá mais inimigos; o equilíbrio tem que ser mantido. A vida equilibra-se continuamente.

Eu assisto toda a cena e a desfruto.

Zareen, você não precisa se preocupar. Mas eu posso entender a sua preocupação.

Você diz, “Há muito disparate em relação aos seus ensinamentos e as atividades do seu ashram na imprensa ultimamente…”

Haverá cada vez mais a cada dia, porque cada vez mais pessoas virão até mim. Milhões estão a caminho. E quanto mais as pessoas fiquem interessadas em mim e no trabalho que está ocorrendo aqui, mais pessoas tornar-se-ão envolvidas nele, mais pessoas estarão contra ele – um tipo de equilíbrio. É como as coisas acontecem no mundo; é um fenômeno natural.

E todos os tipos de disparates serão ditos, porque as pessoas que estão contra nunca estiveram aqui. Se elas viessem elas não estariam contra, então elas vivem de acordo com os rumores. E coisas negativas têm um caminho próprio: elas se espalham mais facilmente, mais rapidamente, porque toda a humanidade vive na negatividade.

Por exemplo, há poucos dias eu recebi uma carta do Canadá dizendo que o governo Canadense está ficando preocupado, muito preocupado, em relação aos meus sannyasins e as pessoas que vêm até mim do Canadá. E eles estão seriamente investigando todo o fenômeno, porque eles temem que a minha comunidade se torne outra Jonestown. Ora, eu me sinto feliz, porque quando os governos se tornam preocupados isso quer dizer que algo está ocorrendo. Quando um país longínquo se torna muito interessado ao ponto de pensarem em enviar um time para investigar todo o fenômeno, isso significa que as coisas estão acontecendo, que eu estou me tornando um tipo de perturbação para eles. Devo estar aparecendo nos sonhos deles.

E eles estão com tantos medos sob quais fundamentos? Porque um sannyasin Americano cometeu suicídio, outro sannyasin Americano ficou louco. Estes dois exemplos são suficientes…Ora, todos os Americanos são loucos! E você já viu um Americano que nunca ponderou sobre a possibilidade de cometer suicídio? Os psicólogos dizem que todo Americano, pelo menos quatro vezes ao longo de sua vida, pensa em cometer suicídio. A maior taxa de suicídios é na América.

De cem mil sannyasins um comete suicídio – isso é suficiente! E ainda por cima um sannyasin Americano. O que mais vocês poderiam esperar de um sannyasin Americano? Outro Americano fica louco… é absolutamente normal! Porém o negativo capta sua atenção imediatamente. Quantos Americanos ficaram sãos, ninguém quer saber. E quantos Americanos foram prevenidos de cometer suicídio, ninguém conta. Eles nunca serão contados.

E jornalistas, a imprensa, as outras mídias, eles também estão interessados apenas nas coisas negativas. Ao menos que você faça algo errado, você não estará nos noticiários. George Bernard Shaw diz: Se um cão morde um homem, não é manchete. Mas se um homem morde um cão é manchete.

Algo é valoroso como notícia apenas se é estranho, se captura o olhar.

Você pode fazer mil e uma coisa e ninguém notará. Faça apenas uma coisa errada e todo o mundo de repente se interessa por você.

E então as pessoas são muito inventivas. Quando você conta um rumor para uma pessoa você adiciona algo a ele. As pessoas são criativas! E quando aquela pessoa compartilha o rumor com outrem, você acha que ela compartilhará exatamente como você a contou? Ela lhe dará uma nova cor, um pouco mais de profundidade, uma dimensão mais ampla. Ela o tornará mais atrativo, ela o exagerará. E o rumor seguirá de boca em boca.

Os rumores sempre se espalham e todos contribuem para isso. As pessoas não têm nada para relacionar com os fatos. Mas isso é como sempre foi. E então continua… eu terei ido e os rumores continuarão, e eles seguirão aumentando. Eles tornam-se forças independentes; seguem crescendo.

Eu ouvi:

Deus sofria de melancolia. São Pedro sugeriu uma viagem à Terra para pegar uma bela garota Grega, possivelmente nas antigas vestes de cisne. Deus disse, “Não. Enquanto eu me mantive com aquelas garotas Gregas foi tudo bem. Mas uma vez cometi o erro de bater na porta de uma garota Judia, há dois mil anos atrás, e eu ficaria surpreso se eles não falassem mais sobre isso!”

Os rumores espalham-se… e o que eles estão fazendo comigo não é nada incomum; é esperado. Eles sempre fizeram isso com Jesus, Sócrates, Mansur, Buda, Kabir. Se eles não fizessem isso comigo, seria uma surpresa. De fato, eu não me sentiria bem se eles não fizessem essas coisas comigo. Eu quero ser contado entre os budas – e essa é a única forma!

Jesus decidiu retornar à Terra. Ele viu que na América havia uma ressurgência de fanáticos por Jesus e batistas renascidos, então ele pensou que era uma boa hora para vir. Ele trouxe Pedro consigo.

Quando chegou na Terra ele fez o anúncio que ele era Jesus, o Filho de Deus. Ninguém acreditava nele; eles pensaram que ele era algum maluco. Então Jesus perguntou a Pedro, “Como eu poderia fazer com que eles acreditassem em mim, para convencê-los que eu sou o verdadeiro salvador?”

Pedro disse, “Lembra-se daquele truque que você fez na Galileia, quando você andou sobre a água? Aposto que isso funcionaria.”

Então eles fizeram um anúncio na imprensa que no dia seguinte Jesus andaria sobre a água. No próximo dia, a televisão e os jornais estavam no lago para assistir Jesus andar sobre a água. Jesus e Pedro chegaram e remaram até o meio do lago, então Jesus escalou um dos lados do bote e imediatamente afundou. Quando ele voltou, Pedro, em choque, perguntou, “O que aconteceu? Por que você afundou?”

“Cala a boca, idiota!” disse Jesus. “A última vez que fiz isso eu não tinha esse malditos buracos nos meus pés!”

As coisas são mais difíceis do que elas eram no tempo de Jesus e Buda! Mas eu estou curtindo, estou me divertindo. Zareen, não se preocupe. A minha sugestão é: você deve divertir-se.

Você diz, “Isso me enfurece porque parece tão distante dos fatos reais.”

Não se enfureça, não sinta raiva – isso não ajudará. A minha gente deve aprender a rir dessas coisas estúpidas que devem acontecer cada vez mais intensamente. Conforme o meu trabalho se aprofunda, cada vez mais rumores absurdos surgirão – que não terão nenhuma relação com os fatos. Ou, mesmo se eles tiverem algo a ver com os fatos, eles irão distorcê-los.

As pessoas vão inventar muitos tipos de estórias. Se você se enfurecer, de uma forma você as ajudará. É isso o que elas querem. É isso o que elas querem! – que a minha gente torne-se enfurecida, raivosa, assim elas poderão esmagá-los, destruí-los. E, certamente, elas podem esmagar e destruir vocês. Poucos são os meus, alguns poucos escolhidos.

Não se enfureça; senão você estará nas mãos delas. Quando você notar essas coisas, dê uma boa gargalhada. Aprenda a gargalhar – responda com uma gargalhada! O riso deve ser sua proteção. E seu riso fará elas parecerem estúpidas. Quando alguém diz algo contra mim, dê uma boa gargalhada. Dê-lhe um tapinha nas costas, abrace-a! Dê-lhe um bom beijo!

É isso que Jesus quis dizer, realmente: ame os seus inimigos. Mas eu sei, é fácil amar os seus inimigos – é mais difícil amar os seus vizinhos. Então eu digo, assim como Jesus disse, novamente: Ame os seus vizinhos. Eles são as mesmas pessoas! Abrace os seus vizinhos; não siga apenas os amando espiritualmente – expresse. Quando alguém está dizendo algo absurdo sobre mim, expresse o seu amor. Deixe-os se sentir intrigados – deixe-os sentir ou que eles estão loucos ou que você está louco. Eles nunca serão capazes de compreender o que aconteceu – porque você os abraçou. Eles não estavam falando coisas boas sobre o seu mestre… por que você os abraçou? Isso pode dar a eles uma vontade de virem e verem o mestre também. Quando o discípulo faz tal coisa, vale a pena ir e ver o que está acontecendo lá.

Zareen, nenhuma necessidade de ficar com raiva.

E você diz, “as cartas em resposta aos opositores não estão sendo publicadas.”

Eles não as publicarão, porque os jornais, a televisão, o rádio, eles estão nas mãos dos interesses particulares. Eles publicarão tudo o que é contra mim, porque um jornal pertence a um Hindu, outro pertence a um Jaina e outro é de um Islâmico, um Cristão – e todos os jornais pertencem à diferentes tipos de políticos. As suas cartas não serão publicadas. Essas coisas devem ser dadas como certas.

Você diz, “Ora, eu sei que isso não deve fazer nenhuma diferença para você. É isso então o que Jesus significava quando ele disse para virar a outra face?”

Sim, é exatamente o que Jesus queria dizer. Esta é a melhor maneira de transformar as pessoas, de converter às pessoas. O melhor caminho possível de converter às pessoas ao seu caminho é dar a outra face. Ame-os. Ria das suas declarações absurdas. Divirta-se com os seus rumores. Faça piadas deles, e as deixe intrigadas.

Se você puder fazer tanto, você estará fazendo o meu trabalho, Zareen.

Por hoje é só.

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