Liberdade e Beatitude, B. K. S. Iyengar

Capítulo 29

Dhyāna (Meditação)

  1. Dhyāna significa absorção. É a arte do autoestudo, reflexão, ávida observação, ou a busca pelo Infinito interior. É a observação dos processos físicos do corpo, o estudo dos estados mentais e a contemplação profunda. Significa olhar para dentro para o ser mais íntimo. Dhyāna é a descoberta do Ser.
  2. Quando os poderes do intelecto e do coração estão harmoniosamente mesclados, isso é dhyāna. Toda a criatividade procede dela, e seus resultados bons e belos beneficiam à humanidade.
  3. Dhyāna é como o sono profundo, mas com uma diferença. A serenidade do sono profundo vem como um resultado do esquecimento inconsciente da própria identidade e individualidade, ao passo que a meditação traz serenidade que é alerta e consciente do começo ao fim. O sādhaka permanece uma testemunha (sākṣī) de todas as atividades. Os tempos cronológico e psicológico não têm existência no sono profundo ou na absorção total. No sono o corpo e a mente recuperam-se dos desgastes do dia a dia e sentem-se renovados ao acordar. Na meditação o sādhaka experiencia a iluminação.
  4. Dhyāna é a total integração do contemplador, o ato da contemplação e o objeto contemplado, que unificam-se. A distinção entre o conhecedor, o instrumento do conhecimento e o objeto conhecido desaparece. O sādhaka torna-se vibrante, alerta e equilibrado. Ele se torna livre da fome, sede, sono e sexo, assim como do desejo, raiva, ambição, paixão, orgulho e inveja. Ele não é assaltado pelas dualidades do corpo e mente, ou mente e si. A sua visão reflete o seu verdadeiro si como um espelho bem nítido. Isso é Ātma-Darśana, a reflexão da Alma.
  5. Jesus disse que o homem não vive apenas de pão, mas através de toda a palavra que procede da boca de Deus. Ponderando sobre o significado da vida, o ser humano convenceu-se que habita lá no interior de sua alma uma força ou luz muito maior do que a si mesmo. Entretanto, em sua caminhada na vida o ser humano é assediado por muitas preocupações e dúvidas. Enredado no meio-ambiente da civilização artificial desenvolveu um falso senso de valores. Suas palavras e ações correm contra os seus pensamentos. Ele ficou desnorteado por essas contradições. Ele percebeu que a vida é cheia de opostos – dor e prazer, angústia e alegria, conflito e paz. Vendo essas polaridades, esforçou-se para equilibrá-las e encontrar um caminho de estabilidade para poder experienciar a liberdade da dor, angústia e conflito. Em sua busca descobriu os três nobres caminhos da palavra (jñāna), obra (karma) e devoção (bhakti), que o ensina que a luz interior é o único guia que conduz ao domínio da própria vida. Para alcançar essa luz interior o ser humano se volta para a meditação ou dhyāna.
  6. Para ter uma noção clara da verdadeira natureza humana, do mundo e de Deus, o sādhaka deve estudar os livros sagrados (Śāstras). Então poderá distinguir o real do irreal. O conhecimento das três verdades (tattva traya) – a alma (chit), o mundo (achit) e Deus (Īśvara) – é essencial para quem busca a liberação. Tais conhecimentos fornecem discernimento nos problemas da vida e suas soluções, e fortalecem o seu sādhana espiritual. Entretanto, apenas o conhecimento adquirido pela leitura não conduzirá à liberação. É pela coragem e fé inabalável nos ensinamentos contidos nos livros sagrados e ao colocá-los em prática até que se tornem parte da vida cotidiana que o sādhaka ganha liberdade da dominação dos sentidos. O conhecimento dos livros sagrados e o sādhana são as duas asas pelas quais o sādhaka voa rumo à liberação.
  7. O ser humano é atraído por dois caminhos: um arrasta-o para baixo em direção à satisfação dos desejos voluptuosos e a gratificação dos sentidos, conduzindo à escravidão e à destruição; o outro guia-o para cima em direção à pureza e a realização do seu Si interior. O desejo esfumaça a mente do sādhaka e vela o seu verdadeiro Si. É apenas a mente que conduz à escravidão ou à liberação. É a razão ou inteligência do sādhaka que ou controla a mente ou permite ser dominada.
  8. Uma mente não treinada alça voo em todas as direções. A prática da meditação a traz para um estado de estabilidade e então direciona-a para proceder a partir do conhecimento imperfeito até a perfeição. A mente e a inteligência do sādhaka trabalham como um time integrado liderado pela sua força de vontade. Ele encontra harmonia entre seus pensamentos, discursos e ações. Sua mente e inteligência queimam imóveis como uma lâmpada num local sem vento com simplicidade, inocência e iluminação.
  9. O ser humano tem grandes potencialidades dormentes em seu interior. O seu corpo e mente são como um campo de pousio selvagem e não semeado. Um agricultor sábio ara a sua terra (kśetra), fornece água e fertilizante, planta as melhores sementes, cuida da safra e finalmente colhe uma boa colheita. Para o sādhaka, o seu próprio corpo, mente e intelecto são o campo que ele ara com energia e ação correta. Ele semeia as melhores sementes do conhecimento, rega-as com devoção e cuida delas com incansável disciplina espiritual para colher a harmonia e a paz. Ele então se torna um sábio dono (kśetrajña) do seu campo e seu corpo torna-se um local sagrado. A germinação das sementes dos bons pensamentos (savichāra), plantados com perfeita lógica (savitaraka), traz claridade à sua mente e sabedoria para o seu intelecto (sāṣmita). Ele se torna uma habitação da alegria (ānanda) e todo o seu ser é preenchido por Deus.
  10. A jornada à lua e ao espaço sideral demandou anos de treinamento rigoroso e disciplina, estudo profundo, pesquisa e preparação. A jornada interior do ser humano a fim de alcançar o seu Si demanda o mesmo tipo de esforço inabalável. Anos de disciplina e prática longa e ininterrupta dos princípios morais e éticos de yama e niyama, treinamento do corpo pelos āsanas e prāṇāyāmas, contenção dos sentidos através de pratyāhāra e dhāraṇā, garantem o crescimento da mente e da consciência interior – dhyāna e samādhi.
  11. Dhāraṇa (derivado da raiz dhṛ, significando sustentar, ou concentração) é como uma lâmpada que está coberta e não ilumina a área externa. Quando a cobertura é removida, a lâmpada ilumina toda a área. Isto é dhyāna, que é a expansão da consciência. Então o sādhaka adquire uma mente unificada e mantém uma consciência dinâmica constante em sua pureza prístina. Como o óleo nas sementes e a fragrância nas flores, a alma humana permeia todo o seu corpo.
  12. O lótus é o símbolo da meditação. Ele simboliza pureza. Sua beleza quieta o deu-lhe um lugar privilegiado no pensamento religioso indiano. Ele está conectado com a maioria das deidades Hindus e suas sedes nos chakras. O estágio da meditação é como o de um botão de lótus escondendo sua beleza interior enquanto aguarda a transformação em um lótus totalmente desabrochado. Assim como o botão abre para revelar a sua beleza resplandecente, também a luz interior do sādhaka é transformada e transfigurada pela meditação. Ele se torna uma alma iluminada (siddha) e um sábio inspirado. Ele vive no eterno agora – o presente, sem ontens nem amanhãs.
  13. Este estado de passividade do sādhaka é conhecido como manolaya (manas significando mente, e laya significando absorção ou fusão). Ele organizou totalmente a sua inteligência (prajñā) e energia (prāṇa) a fim de prevenir a intrusão do pensamento externo. O seu estado é pleno de vigilância dinâmica. Quando tanto os pensamentos internos quanto os externos são acalmados e silenciados não há gasto de energia física, mental ou intelectual.
  14. Dhyāna é uma experiência subjetiva de um estado objetivo. É difícil descrever a experiência em palavras, pois as palavras são inadequadas. O deleite experienciado na primeira mordida em uma manga deliciosa é indescritível. Assim também o é com a meditação. Na meditação não há inquirição ou busca, pois a alma e a meta tornaram-se uma. O néctar da infinitude deve ser saboreado, a graça abundante do Deus interior deve ser experienciada. Então a alma individual (jivātmā) torna-se uma com a Alma Universal (Paramātmā). O sādhaka experiencia a plenitude cantada pelos Upaniṣads: Aquilo está pleno; isso é pleno. A plenitude origina-se da plenitude. Mesmo quando a plenitude é retirada do pleno, a plenitude ainda permanece.

SABĪJA OU SAGARBHA DHYĀNA

  1. Na meditação o cântico de mantras é, às vezes, fornecido ao iniciante para acalmar a sua mente errante e para mantê-lo longe dos desejos mundanos. No início o mantra deve ser recitado em voz alta, então é dito mentalmente; finalmente vem o silêncio. Isso é conhecido como sabīja ou sagarbha dhyāna (bīja significando semente, garbha embrião). Sentar em meditação sem recitar mantras é conhecido como nirbīja ou agarbha dhyāna. (Os prefixos ‘nir’ e ‘a’ denotam a ausência de algo, e significam sem, veja o Cap. 17).
  2. Antes de proceder às técnicas de dhyāna é preciso cuidado para diferenciar entre a vacuidade e a tranquilidade dos sentidos por um lado, e a iluminação e serenidade do espírito de outro. A meditação (dhyāna) tem três categorias: sátvica, rajástica e tamásica. No Uttara Kāṇda do épico Rāmāyāna conta-se que o Rei Rāvaṇa e seus dois irmãos Kumbhakarṇa e Vibhīśaṇa gastaram muitos anos para adquirir o conhecimento sagrado. O esforço de Kumbhakarṇa o fez cair morto – como um torpor, pois a sua meditação fora tamásica. Rāvaṇa tornou-se enredado em buscas amorosas e ambições, pois a sua meditação fora rajástica. Apenas Vibhīśaṇa permaneceu verdadeiro e correto e absteve-se do pecado, pois sua meditação fora sátvica.

Técnica

  1. Meditação é a técnica de interpenetrar as cinco camadas (kośas) do sādhaka para fundi-las num todo harmonioso.
  2. O corpo é conhecido como a cidade de Brahmā (Brahmapuri) com nove portões. Estes portões são os olhos, ouvidos, narinas, boca, ânus e os órgãos reprodutivos. Alguns adicionam o umbigo e a coroa da cabeça e dizem que o corpo tem onze portões. Todos devem estar fechados na meditação. A cidade é controlada pelos dez ventos (vāyus), cinco órgãos da percepção (jñānendriyas), cinco órgãos da ação (karmendriyas) e sete chakras ou câmaras internas. Como as pérolas são enfileiradas juntas para formar um colar, assim também os chakras devem estar conectados ao si para formar uma pessoa íntegra.
  3. Na meditação o cérebro deve estar bem balanceado em relação à espinha. Qualquer irregularidade em sua posição perturba a quietude da meditação. As energias dos hemisférios esquerdo e direito do cérebro devem ser trazidas para o centro. A atividade pensante do cérebro cessa. Assim como se retira energia de um membro particular ou parte do corpo para torná-la passiva, da mesma maneira o fluxo da energia até o cérebro deve ser reduzido e direcionado para o coração – a sede da alma. A chave para a técnica da meditação repousa no manter o cérebro como um observador passivo.
  4. As várias técnicas preparatórias de yama, niyama, āsana e prāṇāyāma moldam o corpo e a mente, pacificando-os e equilibrando-os. Em uma postura firme e estável, livre de perturbações físicas e mentais, uma circulação equânime de sangue arterial e venoso, de fluido linfático e cérebro-espinhal é mantida, por toda a cabeça e coluna espinhal. Essa igualdade da circulação e estimulação permite que o cérebro e a mente alcancem uma unificação do conhecimento e experiência.
  5. O cérebro é dividido em três porções principais: o córtex cerebral, o hipotálamo e o cerebelo. O córtex cerebral funciona nos processos de pensamento, fala, memória e imaginação. O hipotálamo regula as atividades dos órgãos internos e imprime reações emocionais de prazer e dor, alegria e angústia, contentamento e decepção. O cerebelo é o centro da coordenação muscular. A parte de trás do cérebro é considerada como a parte que funciona na meditação; ela é a sede da sabedoria e da clareza.
  6. A arte de sentar-se correta e silenciosamente é essencial para alcançar harmonia física e mental enquanto pratica meditação.
  7. Qualquer posição confortável pode ser assumida ao sentar-se, apesar de padmāsana (grav. 13) ser ideal.

Alinhamento do Corpo

  1. Sem realizar o jālandhara bandha, siga corretamente as instruções fornecidas no Cap. 11 sobre a Arte de Sentar-se.
  2. Eleve as porções frontais e posteriores do corpo igualmente, com atenção e ritmicamente, sem balançar.
  3. Mantenha a espinha ereta e o peito elevado. Isso retarda o fluxo da respiração, diminui a atividade do cérebro e conduz à cessação de todos os pensamentos.
  4. Mantenha o corpo alerta, com nítida consciência. Mantenha o cérebro passivo, sensível e silencioso, como a ponta fina de uma folha, que balança mesmo em uma brisa suave.
  5. O colapso do corpo traz apatia intelectual e uma mente distraída perturba a constância do corpo. Evite ambos.

A Cabeça

  1. Mantenha a coroa da cabeça paralela ao limite superior da cabeça sem incliná-la para a direita ou esquerda, para frente ou para trás, para cima ou para baixo.
  2. Se a cabeça está para baixo, o sādhaka está pensando sobre o passado, a mente está apática e tamásica. Se ela se move para cima, o sādhaka está divagando no futuro, que é rajástico. Quando a cabeça é mantida nivelada, ele está no presente, e este é o estado puro (sátvico) da mente.

Olhos e Ouvidos

  1. Feche os olhos e olhe para dentro. Feche os ouvidos para os sons externos. Ouça as vibrações interiores e siga-as até que elas se unam com sua fonte. Qualquer ausência de atenção ou de consciência nos olhos e ouvidos cria flutuações na mente. O fechamento dos olhos e ouvidos conduz o sādhaka à meditação sobre Deus que é verdadeiramente o olho do olho, o ouvido do ouvido, a fala da fala, a mente da mente e a vida da vida.
  2. Dobre os braços nos cotovelos, eleve às mãos e junte as palmas na frente do peito com os polegares apontando para o esterno. Isso é chamado ātmānjali ou hṛdayānjali mudrā (gravuras: visão frontal 147 e visão lateral 148).
  3. A inteligência oscilando entre a cabeça e o coração cria múltiplos pensamentos. Quando a mente oscilar, pressione as palmas para trazer a atenção da mente para o Si. Se a pressão das palmas se torna frouxa, isso é um sinal que a mente está oscilando. Novamente junte-as firmemente a fim de recordar-se do Si.
  4. Dhyāna é a integração do corpo, mente, inteligência, vontade, consciência, ego e o si. O corpo é a camada externa da mente, a mente da inteligência, a inteligência da vontade, a vontade da consciência, a consciência do ‘eu’ ou ego e o ‘eu’ do puro Si (Ātmā). Dhyāna é o processo de interpenetração de todas essas camadas, uma unificação de tudo o que é conhecido no desconhecido, ou do finito no Infinito.
  5. A mente age como o sujeito e o Si como objeto; entretanto, na realidade o Si é o sujeito. A finalidade da meditação é fazer com que a mente submerja no Si para que toda a procura e a busca terminem. Então o sādhaka experiencia a sua própria universalidade, atemporalidade e plenitude.
  6. Permaneça em meditação pelo máximo de tempo que você conseguir, sem permitir que o corpo colapse. Então faça śavāsana (grav. 182).

Notas

  1. Não sente para a meditação imediatamente após fazer āsanas e prāṇāyāma. Apenas aqueles que podem sentar-se firmemente por um longo período de tempo podem fazer prāṇāyāma e dhyāna juntos. Do contrário os membros terão dores e isso perturbará o equilíbrio mental.
  2. O melhor momento para meditar é quando se está fresco no corpo e mente, ou no momento de dormir quando há um sentimento de paz.
  3. Não permita que os olhos se voltem para cima, pois isso conduz à retenção da respiração e cria tensão nos nervos, músculos, vasos sanguíneos, cabeça e cérebro.
  4. Apenas as pessoas que ficam facilmente abatidas ou aborrecidas e que têm mentes embotadas e fracas são aconselhadas a direcionar o olhar para o centro das sobrancelhas (grav. 149 e 150) com os olhos fechados por pequenos períodos de tempo. Isso deve ser feito quatro ou cinco vezes durante a meditação, com um intervalo entre cada tentativa. Esta prática traz estabilidade mental e perspicácia intelectual. Entretanto, as pessoas com hipertensão não devem seguir esses procedimentos.
  5. Pare a meditação no momento em que o corpo começa a balançar para frente, para trás ou para os lados ou se uma fraqueza é sentida. Não persista quando isso ocorrer, pois significa que o tempo diário da meditação acabou. Se você persistir, isso pode levar à desequilíbrios mentais.

Efeitos da Meditação

  1. Na meditação a mente retraça a sua origem e descansa ali como uma criança repousa no colo de sua mãe. O iogue, tendo encontrado seu próprio lugar de descanso e refúgio espiritual, vê a realidade subjacente ao seu redor e em seu interior.
  2. A meditação abole a polaridade entre a consciência analítica dominante do cérebro frontal e o subconsciente ou inconsciente recuado da parte de trás do cérebro. Ela controla e desacelera certas funções físicas automáticas que normalmente estimulam o cérebro, tais como as contrações intestinais, respiração e o batimento cardíaco. Todos os estímulos externos que normalmente perturbam à consciência humana através dos vários órgãos dos sentidos são desligados, assim como os nove portões do corpo são fechados em dhyāna.
  3. Na meditação a mente e a matéria estão fundidas. Esta fusão queima todos os pensamentos distrativos. O sādhaka torna-se dinâmico, criativo e extremamente atento. Ele tem inesgotáveis reservas de energia e compromete-se a ajudar a humanidade.
  4. O sādhaka experiencia uma nova dimensão no interior de seus sentidos e sua chitta torna-se absolutamente clara. Ele vê as coisas como elas são e está livre dos preconceitos e das ilusões. Isso é Jāgṛtāvasthā, um estado de consciência vigilante. Sua alma está acordada, porém seus sentidos estão sob controle. Ele está cheio de conhecimento (prajñā), entendimento, precisão, liberdade e verdade. Iluminado pelo fogo divino interior, ele irradia alegria, unidade e paz.
  5. O sādhaka progressivamente alcança os sete estados de consciência superior. Estes são desejo (śubhechhā), reflexão correta (vichāraṇā), desaparecimento da mente (tanumānasā), auto-realização (sattavāpatti), desapego (aśaṁsakta), não percepção dos objetos (padārthābhāva), e a experiência do estado que está além das palavras. Este é a soma total de todo o conhecimento: conhecimento (jñāna) do corpo (śarīra), respiração (prāṇa), mente (manas) e inteligência (vijñāna); conhecimento ganho pela experiência (ānubhāvika), pela compilação dos vários sentimentos e sabores que a vida oferece (rasātmaka), e conhecimento do Si (Ātmā-jñāna).
  6. Seus sentidos são recolhidos. Seus pensamentos são puros. Livre do apego e das ilusões ele se torna estável e um jīvana-mukta (livre das escravidões da vida).

O estado de jīvana-mukta é descrito assim no Bhagavad Gītā (Capítulo XVIII, 53-56): ‘Aquele que deixou para trás de si a vaidade, a violência e a arrogância. Foi além da lascívia, raiva e ambição. Tornou-se sem ego e tranquilo – está apto para tornar-se um com o Eterno. Aquele que habita com o Eterno e é tranquilo no espírito, que não sofre nem deseja. O seu amor é o mesmo por toda a criação; ele tem um amor supremo por Deus.’

Capítulo 30

Śavāsana (Relaxamento)

  1. Śava em Sânscrito significa um cadáver e āsana uma postura. Assim śavāsana é uma postura que simula um corpo morto e evoca a experiência de permanecer em um estado similar à morte e de término da melancolia e dos choques que a carne herda. Significa relaxamento e, portanto, recuperação. Não é simplesmente se deitar sobre as costas com uma mente e olhar vagos, nem termina em ronco. É o mais difícil dos āsanas da Yoga para aperfeiçoar, mas também o mais revigorante e gratificante.
  2. Um śavāsana perfeito precisa de disciplina perfeita. É fácil relaxar por poucos minutos, porém relaxar sem movimento físico ou sem oscilar o intelecto requer longo treinamento. No começo uma longa permanência em śavāsana não é apenas muito desconfortável para o cérebro, ela faz com que o corpo se sinta como um pedaço de madeira seco e morto. Sensações de aferroadas são sentidas na pele e nos membros e elas tornam-se mais agudas se a posição for continuada.

Ritmo

  1. Quando śavāsana é bem realizado a respiração se move como um cordão que mantém as pérolas de um colar juntas. As pérolas são as costelas que se movem lentas, constantes e reverentemente, reverentes porque quando alguém está neste estado preciso o corpo, a respiração, a mente e o cérebro se movem em direção ao Si (Ātmā) real, como uma aranha retornando ao centro de sua teia. Neste momento um estado de samahita chitta (equanimidade da mente, do intelecto e do si) é sentido.
  2. No início as costelas não relaxam, a respiração é áspera e desigual, enquanto a mente e o intelecto oscilam. O corpo, a respiração, a mente e o intelecto não estão unidos com Ātma ou o Si. Para um śavāsana correto deve haver uma unidade do corpo, respiração, mente e intelecto onde o Si mantém as rédeas. Todos os quatro prostram-se respeitosamente ao Ātmā. Então a chitta (isto é, manas, buddhi e ahaṁkāra ou ego, que é o estado que certifica que ‘Eu sei’) tornam-se samahita chitta, no qual a mente, o intelecto e o ego estão equilibrados. Este é um estado de quietude.
  3. Este estado é alcançado pela disciplina controlada do corpo, dos sentidos e da mente. Ele não deve, entretanto, ser confundido pelo silêncio. Na quietude há uma rigidez por causa da força de vontade. Aqui a atenção é focada em manter a consciência (chitta) quieta (dhārana), ao passo que no silêncio aquela atenção é expandida e liberada (dhyāna) e a vontade é submersa no Ātmā. Essa distinção sutil entre quietude e silêncio pode ser conhecida apenas pela experiência. Em śavāsana a tentativa é de alcançar o silêncio em todas as cinco camadas ou kośas: annamaya (anatômica), prāṇamaya (fisiológica), manomaya (mental ou emocional), vijñānamaya (intelectual) e ānandamaya (o corpo de bem-aventurança), que abarca a pessoa da pele até o si.
  4. Uma estrela pulsa com energia e esta é traduzida em raios de luz, que podem levar muitos anos-luz para alcançar os olhos humanos na Terra. O Ātman é como esta estrela e ele transmite e imprime os seus gostos e desgostos na mente. Esses desejos latentes, como a energia estelar traduzida em luz, podem ressurgir ao nível da mente, rompendo o silêncio.
  5. Primeiro aprenda a alcançar o silêncio do corpo. Então controle os movimentos sutis da respiração. Depois aprenda sobre o silêncio da mente, das emoções e então do intelecto. A partir disso proceda a fim de aprender e estudar o silêncio do Si. Só então o ego ou pequeno si (ahaṁkara) do praticante pode fundir-se com o si (Ātman). As flutuações da mente e do intelecto cessam, o ‘eu’ ou ego desaparece e śavāsana provê uma experiência de pura bem-aventurança.

Estágios de Consciência

  1. A yoga ensina quatro estados principais da consciência. Os três estados normais são o sono profundo ou ignorância espiritual (suśupti), o estado onírico ou indolente (svapna) e finalmente o estado de vigilância ou consciência (jāgṛta). Há diversos estágios entre eles. O quarto (turīya) tem uma dimensão diferente na qual o sādhaka está espiritualmente iluminado. Alguns chamam-no o Eterno Agora, além do espaço e tempo. Outros chamam-no alma tornando-se una com o Criador. Isso pode ser experienciado no śavāsana perfeito quando o corpo está em repouso como no sono profundo, os sentidos como em um sonho, porém o intelecto está alerta e consciente. Tal perfeição é, entretanto, raramente alcançada. O sādhaka então renasce ou emancipa-se (siddha). Sua alma canta as palavras de Śankarācharya:

Eu fui, eu sou, devo ser, então por que temer o nascimento e a morte?

De onde vem essa sede e fome? Não tenho vida nem respiração.

Não sou nem a mente nem o ego, a delusão ou a angústia podem me triturar?

Sou apenas o instrumento, as ações podem libertar-me ou me prender-me?

Técnicas

  1. É necessário descrever com grande detalhe a técnica para a prática de śavāsana. Entretanto, um iniciante não precisa se desencorajar em relação ao domínio dos detalhes. Quando aprende pela primeira vez a dirigir um carro, ele se confunde. Entretanto, com a ajuda de um instrutor, ele gradualmente aprende a dominar às complexidades até que todas tornem-se instintivas. É o mesmo com śavāsana, exceto que o trabalho do corpo humano é mais complexo do que o de qualquer carro.
  2. Śavāsana é difícil de aprender pois envolve a quietude do corpo, dos sentidos e da mente enquanto o intelecto mantém-se alerta. O praticante aproxima-se de śavāsana ao estudar os vários aspectos de seu ser – o corpo, os sentidos, a mente, o intelecto e o Si. O conhecimento acadêmico não é suficiente. A prática correta é essencial para dominar śavāsana.
  3. Antes de começar a prática remova qualquer roupa que constrinja, cintos, óculos, lentes de contato, aparelhos auditivos etc.

Tempo e Local

  1. Embora śavāsana possa ser realizado em qualquer momento, é aconselhável realizá-lo nas horas quietas. Nas cidades grandes e áreas industriais é difícil encontrar uma atmosfera livre de fumaça, nevoeiro ou poluição química. Escolha um local limpo e nivelado, livre de insetos, barulho e cheiros desagradáveis. Não pratique em um chão duro, ou em uma superfície rígida ou colchão macio, porque o corpo afundará desigualmente.

Alinhamento

  1. Śavāsana é realizado deitando-se de costas completamente em uma manta aberta no chão. Desenhe uma linha reta para posicionar o corpo corretamente (grav. 151). Deite-se sobre a linha com os joelhos nivelados e os pés juntos (grav. 152). Gradualmente abaixe as costas vértebra por vértebra ao longo da linha desenhada no chão ou na manta. Posicione o corpo precisamente para que o meio da espinha permaneça exatamente na linha reta desenhada no chão ou manta (grav. 153 a 155).
  2. Pressione os pés contra o chão, eleve o quadril assim como a região sacrilíaca e, com as suas mãos, mova a carne e a pele da parte de trás da cintura para baixo em direção às nádegas (grav. 156).
  3. Primeiro ajuste a parte de trás do corpo. Então ajuste a cabeça a partir da frente. A razão para ajustar a cabeça a partir da frente é que desde o nascimento a parte de trás da cabeça torna-se desigual, porque os bebês apoiam-se em um lado, resultando que um lado da cabeça é mais comprimido que o outro. Assim é importante ajustar a cabeça a partir da frente e senti-la a partir de trás (grav. 157-158). Então estenda primeiro uma perna e então a outra completamente. (veja grav. 47-49). Junte ambos os calcanhares e os joelhos. Os calcanhares unidos, joelhos, virilha, centro do cóccix, a coluna espinhal e a base do crânio devem repousar em uma linha reta (grav. 159). Então ajuste à frente do corpo, mantendo o centro das sobrancelhas, a ponte do nariz, queixo, esterno, umbigo e centro do púbis alinhados.

Equilíbrio

  1. Para prevenir qualquer inclinação do corpo mantenha-o reto e nivelado. Para verificar o alinhamento desenhe uma linha reta imaginária por todo o centro da fronte, sobrancelhas, raiz do nariz, meio dos lábios, queixo, garganta e esterno, centro do diafragma, umbigo e púbis e então através do espaço entre os lados internos das coxas, joelhos, panturrilhas, tornozelos e calcanhares. Então verifique se o corpo está nivelado, começando com a cabeça, mantendo os dois ouvidos, os cantos externos dos olhos, os lábios e a base da mandíbula paralelos ao solo (grav. 160 e 161). Finalmente alongue e ajuste a parte de trás do pescoço, para que ele fique posicionado centralmente no chão (grav. 162).

Torso

  1. Prenda o ápice (ponto interno) de cada escápula no chão (grav. 163 e 164). Role a pele do topo do peito a partir das clavículas em direção às escápulas e ajuste as costas para repousar perfeitamente na manta (grav. 165). Veja se as áreas dorsais e lombares da coluna repousam igualmente em cada lado e se as costelas abrem-se uniformemente. Em torno de noventa e nove por cento das pessoas não repousam igualmente em ambas as nádegas, descansando apenas em uma. Desenhe uma linha entre os mamilos, costelas flutuantes (grav. 160 e 161) e osso pélvico para mantê-los paralelos ao solo.

Pés

  1. Mantenha os pés unidos e alongue as extremidades externas dos calcanhares (grav. 160); então deixe que os pés caiam para fora igualmente (grav. 166). Os dedos maiores devem sentir-se sem peso e resistência (grav. 167). É errado forçar os dedos menores para que toquem o solo. As pessoas com rigidez nas pernas podem manter os seus pés até cerca de 90 centímetros de distância, pois isso irá capacitá-los a manter às costas repousada no solo (grav. 168). Mantenha as partes de trás externas dos joelhos tocando o chão. Se não puderem repousar utilize uma manta enrolada ou travesseiro atrás delas (grav. 85). Se as pernas não se sentem relaxadas, coloque pesos sobre as coxas (11 a 22 kg) (grav. 169). Isso remove a tensão ou dureza nos músculos e mantém as pernas quietas.

Mãos

  1. Mantenha as mãos afastadas do corpo, formando um ângulo de quinze a vinte graus nas axilas. Curve os braços nos cotovelos, tocando o topo dos ombros com os dedos (grav. 170). Estenda o tríceps na porção de trás da parte superior dos braços e leve os ombros o mais longe que você conseguir dos pés. Mantenha a parte superior dos braços com as extremidades externas dos ombros e os cotovelos no chão (grav. 171). Não perturbe as pontas dos cotovelos. Abaixe os antebraços. Estenda as mãos dos punhos até a articulação, as palmas viradas para cima (grav. 172 e 173). Mantenha os dedos passivos e relaxados, com a parte de trás dos dedos médios tocando o chão até a primeira articulação (grav. 174). Veja se o plano mediano dos braços, cotovelos, pulsos e palmas estão em contato com o solo. Se os braços são mantidos próximos ao corpo e este não repousa adequadamente, e uma rigidez é sentida nos braços ou nos músculos do tórax nas costas, abra os braços até o nível dos ombros (grav. 175). O sentimento de deitar-se no chão deve ser como se o corpo afundasse na Mãe Terra.

Tensões Inconscientes

  1. É possível estar-se inconsciente de uma tensão nas palmas, dedos da mão, nas solas ou dedos dos pés (grav. 176 e 177). Perceba e solte essa tensão quando e onde ela ocorrer e recoloque essas partes em suas posições corretas.

Remoção das Tensões

  1. Primeiro aprenda a relaxar a parte de trás do corpo do tórax até o pescoço, braços e pernas. Depois relaxe à frente do corpo do púbis até a garganta, onde ocorrem as turbulências emocionais e então do pescoço à coroa da cabeça. Dessa forma aprenda a relaxar o corpo inteiro.
  2. Experimente a sensação de não-existência ou vacuidade nas axilas, nas cavidades internas da virilha, diafragma, pulmões, músculos espinhais e abdômen. O corpo então sente-se como um graveto descartado. Em correto śavāsana a cabeça parece ter diminuído.
  3. Aprenda a silenciar os tecidos do corpo físico antes de lidar com a mente. O corpo físico grosseiro (annamaya kośa) deve ser trazido sob controle antes de proceder à aquietação dos corpos sutis mental (manomaya) e intelectual (vijñānamaya kośas)
  4. Completa serenidade do corpo é o primeiro requisito e é o primeiro signo da realização da tranquilidade espiritual. Não há emancipação da mente ao menos que exista um sentimento de serenidade em todas as partes do corpo. O silêncio no corpo trará o silêncio na mente.

Os Sentidos

  1. Olhos. Em śavāsana o sādhaka volta o seu olhar para dentro e olha para o interior de si mesmo. Essa introspecção o prepara para pratyāhāra, o quinto dos oito passos da Yoga, onde os sentidos estão recolhidos no interior e ele começa a jornada até a fonte do seu ser, o Ātmā.
  2. Os olhos são as janelas do cérebro. Cada um tem pálpebra, que agem como persianas. A íris em torno da pupila serve como um regulador automático da quantidade de luz que alcança a retina. A íris reage automaticamente aos estados intelectuais e emocionais da pessoa. Ao fechar as pálpebras é possível impedir a entrada de tudo o que é externo e tornar-se consciente do que está no interior. Se as fecha muito forte os olhos são comprimidos causando cores, luzes e sombras que aparecem e o distraem. Gentilmente mova a parte superior das pálpebras em direção aos cantos dos olhos. Isso relaxa a pele logo acima deles e cria espaço entre as sobrancelhas. Trate os olhos gentilmente como as pétalas de uma flor. Eleve as sobrancelhas somente o suficiente para soltar qualquer rigidez na pele da testa (grav. 178).
  3. Ouvidos. Estes são importantes tanto em śavāsana quanto no prāṇāyāma. Enquanto os olhos são mantidos passivos, os ouvidos devem estar quietos e receptivos. A tensão ou relaxamento em qualquer um deles afeta a mente da mesma maneira e vice-versa. A sede do intelecto está na cabeça enquanto a mente está enraizada no coração. Quando existem ondas de pensamento os ouvidos internos perdem sua receptividade. Pelo treinamento cuidadoso, o processo pode ser revertido e os ouvidos podem enviar mensagens de volta para cessar às flutuações para que a mente se aquiete. Se os olhos são mantidos tensos os ouvidos tornam-se bloqueados, e se aqueles são relaxados estes também o são.
  4. Língua. Mantenha a raiz da língua passiva como no sono e repousando no palato inferior. Qualquer movimento ou pressão da língua nos dentes ou palato superior indica uma mente flutuante. Se ela se move para um lado, a cabeça faz o mesmo, tornando o relaxamento total difícil. Mantenha os cantos dos lábios relaxados ao alongá-los lateralmente.
  5. Pele. A pele que cobre o corpo provê a estrutura para o que é, talvez, o mais importante dos sentidos. Os cinco órgãos do conhecimento são os olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. Os elementos primários sutis da luz, cor, som, cheiro, gosto e toque (os tanmātras) deixam as suas impressões nos órgãos do sentido. Estes, por seu turno, enviam mensagens para o cérebro e recebem-nas de volta para resposta ou questionamento. Os nervos que controlam os sentidos são relaxados pelo soltar da tensão dos músculos faciais, enquanto o cérebro fica livre do contato com os órgãos do conhecimento. Preste especial atenção nas áreas das têmporas, maçãs do rosto e do maxilar inferior. Isso o capacitará a sentir uma sensação de quietude entre o palato superior e a raiz da língua. Em śavāsana os músculos relaxam, os poros da pele encolhem-se e os nervos relevantes repousam.

Respiração

  1. Observe se a respiração flui igualmente em cada lado das narinas. Comece pela inalação normal, porém exale suave, profunda e longamente. Para algumas pessoas, a inalação profunda cria uma perturbação na cabeça e tronco, com tensões nas pernas e braços. Para eles a inalação normal com exalações profundas e suaves são recomendadas. Isso aquieta os nervos e a mente. Para aqueles que se tornam inquietos no momento em śavāsana é tentada, eles devem realizar inspirações e exalações profundas, lentas e prolongadas até que a quietude seja alcançada. O momento em que se sente a quietude, eles devem parar a respiração profunda e deixar o ar fluir por si próprio. Quando a arte da exalação é aperfeiçoada, sente-se como se a respiração esvanecesse a partir dos poros da pele no peito, que é um sinal de relaxamento perfeito. Cada expiração leva a mente do sādhaka em direção a seu próprio si e purga o seu cérebro de todas as tensões e atividades. A exalação é a melhor forma de submissão do sādhaka de tudo o que é seu – sua respiração, vida e alma – ao seu Criador.

Cabeça

  1. Assegure-se que a cabeça esteja alinhada e paralela ao teto. Se ela se inclina para cima (grav. 179) a mente habita no futuro. Se para baixo (grav. 180), rumina o passado. Se inclina para um lado (grav. 181), o ouvido interno (o aparato vestibular, utrículo sáculo e canais semicirculares) a segue. Isso afeta o cérebro central e tende-se a cair no sono e perder a consciência. Aprenda a manter a cabeça nivelada com o solo para que a mente permaneça sempre no presente (grav. 182). A correção de qualquer inclinação ajudará a trazer equilíbrio (samatva) entre os dois hemisférios do cérebro e do corpo que é um dos portais à divindade.
  2. No início o queixo move-se para cima e para baixo inconscientemente na respiração. Verifique isso ao manter conscientemente a parte de trás da cabeça paralela ao solo alongando-a a partir do pescoço até a parte de trás da coroa da cabeça (grav. 182).

Cérebro

  1. Se o cérebro ou a mente estão tensos, também o está a pele e vice-versa. Aprenda a disciplinar-se dos poros da pele até o Si e também o caminho contrário. A energia total do corpo, mente e inteligência deve submergir no Si. Utilize a vontade para aquietar a mente e o intelecto. Finalmente sublime a vontade.
  2. Enquanto os sentidos estiverem ativos, Ātmā permanece dormente. Quando eles são tranquilizados e silenciados, Ātmā brilha conforme as nuvens do desejo são dispersadas. Como os movimentos em disparada de um peixe na água de um lago são os movimentos da mente e do intelecto (buddhi) – tanto no interior quanto no exterior do corpo. Quando a água está serena, a imagem refletida ali é contínua e imóvel. Quando as flutuações da mente e do intelecto são aquietadas, a imagem do Si (Ātmā) eleva-se imperturbável até a superfície, livre de desejos. Este estado sem desejo, de simplicidade e pureza é conhecido como kaivalyāvasthā.
  3. O objetivo em śavāsana é manter o corpo em repouso, a respiração passiva, enquanto a mente e o intelecto são gradualmente sublimados. Quando as flutuações ocorrem interna e externamente, as energias mentais e intelectuais são desperdiçadas. Em śavāsana as reviravoltas internas ou emocionais na mente são acalmadas, causando o estado de manolaya (manas significando mente e laya imersão). Então a mente, livre das flutuações, dissolve e une-se no si, como um rio no mar. É um estado negativo de passividade, descrito nos textos da Yoga como ‘vazio’ (śūnyāvasthā), uma fusão da identidade ao nível emocional. Então o sādhaka previne os pensamentos futuros que distraem e dissipam a sua energia intelectual. Nesse nível ele experiencia um estado de clareza no qual o intelecto está em pleno comando e não permite que pensamentos invasores o perturbem. Este estado é conhecido como aśūnyavāsthā (A significando não, sūnya vazio). Quando tiver o controle sobre sua mente e cérebro ele alcança um novo estado positivo além de manolaya e amanaskatva, que é puro ser.
  4. Manolaya ou śūnyāvasthā pode ser comparado a uma lua nova, onde a lua, apesar de girar em torno da Terra, não é visível. Os estados de amanaskatva ou aśūnyāvasthā podem ser comparados à lua cheia, refletindo a luz do sol, o Ātmā. Tanto em śūnyāvasthā quanto em aśūnyāvasthā o corpo, a mente e o intelecto do sādhaka estão bem equilibrados e irradiam energia. Ele alcança perfeito equilíbrio entre as duas ondas da vacuidade da emoção e a plenitude do intelecto.
  5. Para alcançar este estado o sādhaka deve desenvolver discernimento. Isso, por seu turno, levará à clareza e o capacitará a relaxar melhor. Quando a clareza é obtida, as dúvidas extinguem-se, trazendo iluminação. Seu ser então funde-se no Infinito (Paramātmā). Esta é a experiência do sādhaka, o néctar de śavāsana.
  6. Pratique śavāsana por cerca de dez a quinze minutos para experienciar um sentimento de atemporalidade. O menor pensamento ou movimento quebrará a mágica e você voltará imediatamente ao mundo do tempo, com um começo e um fim.
  7. Voltar ao normal de um śavāsana bem-sucedido requer tempo. Entre duas respirações e dois pensamentos há um intervalo variante de tempo, assim como o que existe entre um estado ativo e um passivo. Sendo śavāsana um estado passivo, o sādhaka deve permanecer um observador silencioso até que a atividade normal flua no cérebro e corpo. Depois de um śavāsana bem-sucedido os nervos contraem-se ao retornar ao normal, enquanto a parte de trás do cérebro parece seca e pesada e a frente vazia. Por isso não eleve a sua cabeça rapidamente, pois você poderá desmaiar ou sentir-se pesado. Gradual e gentilmente abra seus olhos, que estão inicialmente desfocados. Permaneça nesse estado por um tempo. Então dobre os joelhos, vire a cabeça e o corpo para um lado (grav. 183) e fique nesta posição por um minuto ou dois. Repita isso do outro lado. Como resultado você não sentirá nenhuma tensão ao levantar-se.

Cuidados Especiais

Aqueles que sofrem de hipertensão, alta pressão sanguínea, doenças do coração, enfisema ou inquietação devem deitar-se em pranchas de madeira e colocar travesseiros debaixo da cabeça (grav. 80-82).

Pessoas tensas e inquietas devem colocar pesos (de cerca de 22kg) nas partes superiores das coxas e 2kg nas palmas. (grav. 184). Elas devem fazer śaṇmukhi mudrā (grav. 185) ou enrolar uma peça longa macia e fina de tecido com cerca de 8 centímetros de largura em torno da cabeça e sobre os olhos e têmporas. Comece das sobrancelhas, sem bloquear o nariz; dobre no final, nas têmporas acima ou do lado do nariz abaixo. O tecido não deve estar nem muito apertado nem muito solto (grav. 186). Quando o cérebro está ativo, os movimentos das têmporas e a tensão nos glóbulos oculares empurrarão o tecido para fora. Quando a pele ali relaxa, você não sentirá mais o contato com o tecido. Este é um sinal que o cérebro está começando a relaxar.

Aqueles que têm dores no pescoço, devido a espondilite ou distensão cervical, terão dificuldade em alongar o pescoço e repousar confortavelmente. Eles devem inserir uma toalha ou um tecido enrolado entre a base do pescoço e o crânio como ilustrado (grav. 187 e 188).

Pessoas muito nervosas, ou aquelas que sofrem de perda de confiança, devem deitar-se em śavāsana, direcionando o olhar para o meio das sobrancelhas (trāṭaka) (grav. 149), fechando os olhos e fitando o interior (grav. 150). Elas devem praticar śavāsana apenas depois de fazer sarvāngāsana, ambas descritas em Luz Sobre a Yoga. A inalação e a exalação profundas permitem que essas pessoas relaxem e posteriormente elas não precisam focar o olhar entre as sobrancelhas nem se concentrar na respiração profunda.

Se o intervalo entre o solo e a cintura é muito grande utilize um travesseiro suave ou uma manta dobrada para preenchê-lo. Esse suporte descansa a parte lombar das costas (grav. 189). As pessoas com dores nas costas devem manter um peso (11-22kg) no abdômen. Isso alivia a dor (grav. 190).

Efeito

Em correta śavāsana há um mínimo de gasto de energia e um máximo de recuperação. Ela rejuvenesce todo o ser, tornando uma pessoa dinâmica e criativa. Ela bane o medo (bhaya) da morte e cria destemor (abhaya). O sādhaka experiencia um estado de serenidade e unidade interna.

Apêndice

Cursos de Prāṇāyāma

O prāṇāyāma é dividido aqui em cinco grupos: curso preparatório, primário, intermediário, avançado e muito intenso. Essas séries de prāṇāyāmas são fornecidas de acordo com uma prática diária, com a indicação de tempo que se pode levar para ganhar algum controle em todos os cursos. O aperfeiçoamento de cada estágio depende da dedicação do sādhaka à arte e a devoção na prática.

Primeiro os cursos são divididos para referência simples antes de lidar com as práticas semanais.

1. CURSO PREPARATÓRIO

 

ESTÁGIOS
(a) Ujjāyī prāṇāyāma I a VII
(b) Viloma prāṇāyāma I e II

 

2. CURSO PRIMÁrio

 

(a) Ujjāyī prāṇāyāma VIII a X
(b) Viloma prāṇāyāma III a V
(c) Anuloma prāṇāyāma

 

Ia e Ib

Va e Vb

(d) Pratiloma prāṇāyāma Ia e Ib
(e) Sūrya bhedana prāṇāyāma I
(f) Chandra bhedana prāṇāyāma I

3. Curso Intermediário

 

(a) Ujjāyī prāṇāyāma XI
(b) Viloma prāṇāyāma III, VI e VII
(c) Anuloma prāṇāyāma IIa e IIb

VIa e VIb

(d) Pratiloma prāṇāyāma IIa e IIb
(e) Sūrya bhedana prāṇāyāma II
(f) Chandra bhedana prāṇāyāma II
(g) Nāḍī śodhana prāṇāyāma Ia e Ib

4. Curso avançaDO

 

(a) Ujjāyī prāṇāyāma XII
(b) Viloma prāṇāyāma VIII
(c) Anuloma prāṇāyāma iiia, iiib

viia, viib

(d) Pratiloma prāṇāyāma iiia, iiib
(e) Sūrya bhedana prāṇāyāma iii
(f) Chandra bhedana prāṇāyāma iii
(g) Nāḍī śodhana prāṇāyāma iia, iib

5. CURSO MUITO INTENSO

 

(a) Ujjāyī prāṇāyāma XIII
(b) Viloma prāṇāyāma IX
(c) Anuloma prāṇāyāma VIII
(d) Pratiloma prāṇāyāma IV
(e) Sūrya bhedana prāṇāyāma IV
(f) Chandra bhedana prāṇāyāma IV
(g) Nāḍī śodhana prāṇāyāma IIIa, IIIb

IVa, IVb

Śītalī e śitakārī podem ser feitos com ou sem controle digital, assim como com ou sem retenção interna e externa, por poucos minutos de vez em quando. É aconselhável fazê-los durante o clima quente, antes do nascer do sol ou depois do pôr do sol, e quando uma pessoa se sentir muito quente.

Bhrāmārī e mūrcha podem ser feitos meramente para aprender o método, desde que seus efeitos são cobertos pelos outros prāṇāyāmas principais listados.

Kapālabhāti e bhastrikā são tratados no texto. Qualquer um deles pode ser adicionado às práticas diárias por alguns minutos apenas para limpar as narinas e refrescar o cérebro, ajustando os estágios de uma forma compatível ao corpo e às narinas.

Um tempo limitado foi dado às retenções (kumbhakas) mas não para as inspirações e expirações; isso ocorre porque em um dia o sādhaka pode concentrar-se em aumentar a duração de tempo das inspirações e expirações, e, em outros, das retenções internas e externas.

Quando um controle suficiente foi adquirido, as proporções dos vṛtti prāṇāyāmas podem ser tentadas pelo sādhaka, mas apenas por seu próprio risco.

CURSO UM (PREPARATÓRIO)

Semana Prāṇāyāma Estágios Tempo em Minutos
1 e 2 Ujjāyī I e II 7-8 cada
3 e 4 Ujjāyī II e III    8   ”
5 e 6 Ujjāyī

Viloma

II e III

I e II

   5   ”

5   ”

7 e 8 Ujjāyī

Viloma

I, II, III

I e II

   5   ”

5   ”

9 e 10 Ujjāyī

Viloma

Viloma

IV e V

IV

I

   5   ”

5   ”

5   ”

11 e 12 Ujjāyī

Viloma

V e VI

IV

   5   ”

10  ”

13 a 15 Ujjāyī

Viloma

V, VI, VII

II

   5   ”

10  ”

16 a 18 Ujjāyī

Viloma

VI e VII

I e II

   5   ”

5   ”

19 a 22 Repite e consolide, acostume-se com a série.
23 a 25 Ujjāyī

Viloma

VI e VII

IV e V

   8   ”

8   ”

Estágios importantes no Curso Um:

Ujjāyī II, III, IV, VI e VII.

Viloma I e II.

CURSO DOIS (PRIMÁRIO)

Semana Prāṇāyāma Estágios Tempo em Minutos
26 a 28 Ujjāyī

Viloma

VIII

III

10

10

29 a 31 Ujjāyī

Anuloma

Viloma

IX

Ia

II

10

10

5

32 a 34 Viloma

Anuloma

Ujjāyī

III

Ib

IX

5-8

5-8

5

35 a 38 Anuloma

Pratiloma

Ujjāyī

Ia

Ia

IV

10

10

o máximo que conseguir

39 a 42

 

Ujjāyī

Anuloma

Pratiloma

Viloma

X

Ib

Ib

III

8-10

6-8

6-8

o máximo que conseguir

43 a 46 Repita e consolide os estágios acima.
47 a 50 Repita os estágios importantes do Curso Um e pratique o que você puder do Curso Dois de acordo com o tempo à disposição.
51 a 54 Anuloma

Pratiloma

Sūrya bhedana

Va

Ia

I

5

5

10

55 a 58 Anuloma

Pratiloma

Chandra bhedana

Vb

Ib

I

5

10

5

59 a 62 Repita o Curso Dois e consolide, ajustando a prática de acordo com o tempo à sua disposição.

Estágios importantes no Curso Dois:

Ujjāyī X, viloma III, anuloma Ib, pratiloma Ib, sūrya bhedana I e chandra bhedana I.

CURSO TRÊS (INTERMEDIÁRIO)

63 a 67 Viloma

Ujjāyī

Viloma

Anuloma

Pratiloma

Anuloma

Sūrya bhedana

Chandra bhedana

III

XI

VI

IIa

IIa

VIa

II

II

5

5-8

5

5

5

5

5

5

Aqui o sādhaka pode fazer um dia de ujjāyī XI, anuloma IIa, pratiloma IIa e sūrya bhedana II e os outros em dias alternados.

68 a 72 Viloma

Anuloma

Pratiloma

Nāḍī śodhana

VII

IIb

IIb

Ia

5

6-8

6-8

10

73 a 75 Ujjāyī

Anuloma

Pratiloma

Nāḍī śodhana

VIII

VIb

II

Ib

5

6

6

10

Se anuloma é feito em um dia, pratiloma pode ser feito no dia seguinte.

76 a 80 Anuloma

Pratiloma

Sūrya bhedana

Chandra bhedana

Nāḍī śodhana

IIb

IIb

II

II

II

10

10

10

10

10

Se anuloma, sūrya bhedana e nāḍī śodhana são feitos no primeiro dia, faça o restante no segundo, e assim por diante.

81 a 85 Consolide a prática.

Estágios importantes do Curso Três:

Ujjāyī XI, viloma VII, anuloma IIb, pratiloma IIb, sūrya bhedana II, chandra bhedana II e nāḍī śodhana II.

86 a 90 Faça os prāṇāyāmas importantes do Curso Um, Dois e Três.

Agora comece a praticar um estágio do início ao fim todo dia, para que cada divisão nos Cursos Um, Dois e Três seja bem aprendida antes de proceder ao Curso Avançado. Por exemplo:

91 a 120:

Primeira Semana

Segunda-feira Ujjāyī VIII 20-25
Terça-feira Sūrya bhedana I 20-25
Quarta-feira Anuloma Ib 20-25
Quinta-feira Viloma I e II 20-25
Sexta-feira Pratiloma Ib 20-25
Sábado Nāḍī śodhana Ib 20-25
Domingo Viloma II 20-25

 

Segunda Semana

Segunda-feira Chandra bhedana I 20-25
Terça-feira Anuloma IIa 20-25
Quarta-feira Pratiloma IIb 20-25
Quinta-feira Ujjāyī X 20-25
Sexta-feira Nāḍī śodhana Ib 20-25
Sábado Viloma Vb 20-25
Domingo Viloma III 20-25

 

Terceira Semana

Segunda-feira Sūrya bhedana II 20-25
Terça-feira Chandra bhedana II 20-25
Quarta-feira Viloma VII 20-25
Quinta-feira Anuloma Vb 20-25
Sexta-feira Pratiloma Ia 20-25
Sábado Nāḍī śodhana Ia 20-25
Domingo Ujjāyī X 20-25

 

Agora cada sādhaka pode preparar o seu próprio cronograma para os próximos dias, até que todos os prāṇāyāmas fornecidos nos três cursos sejam contemplados, então comece novamente com a primeira semana dada acima. Certifique-se que cada prāṇāyāma principal seja representado toda semana, e não repita quaisquer estágios em três semanas consecutivas. Descanse nos domingos ou faça um prāṇāyāma simples e repousante.

Se você achar que um prāṇāyāma agendado para um determinado dia não parece correto, escolha outro da mesma semana.

Se por razões físicas você for incapaz de fazer qualquer prāṇāyāma dos três cursos, prepare o seu próprio cronograma com aqueles que você consegue fazer.

Em relação aos poucos prāṇāyāmas menores que devem ser feitos por apenas alguns minutos, não tente fazê-los por vinte a vinte e cinco minutos como dito aqui. Eles podem ser feitos, entretanto, como um experimento, no último sábado de todo mês por não mais que cinco minutos.

CURSO QUATRO: AVANÇADO

Semanas Prāṇāyāma Estágios Tempo em Minutos
121 a 125 Sūrya bhedana

Ujjāyī

Viloma

I

XII

VIII

5

10

10

126 a 130 Chandra bhedana

Anuloma

Pratiloma

Viloma

 

I

IIIa

IIIa

VIII

5

10

10

5

131 a 136 Anuloma

Nāḍī śodhana

Viloma

VIIa

IIa

VIII

10

10

5

137 a 142 Sūrya bhedana

Nāḍī śodhana

II

IIb

10

15

143 a 148 Chandra bhedana

Nāḍī śodhana

II

Ib

10

15

149 a 155 Sūrya bhedana

Anuloma

Pratiloma

III

IIIb

IIIb

10

8

8

156 a 160 Chandra bhedana

Anuloma

Pratiloma

Nāḍī śodhana

III

VIIb

IIIa

IIb

10

8

8

8-10

Os estágios importantes no Curso Quatro:

Anuloma IIIb, pratiloma IIIb, sūrya bhedana III, chandra bhedana III e nāḍī śodhana IIb.

161 a 170 Repita todos os prāṇāyāmas importantes dos cursos acima.

CURSO CINCO: MUITO INTENSO

Semanas Prāṇāyāma Estágios Tempo em Minutos
171 a 175 Nāḍī śodhana

Ujjāyī

Anuloma

Ib

XIII

VIIIa

8-10

10

10

 

176 a 180 Viloma

Pratiloma

IX

IVa

10

10

181 a 185 Nāḍī śodhana

Anuloma

Ujjāyī

IIIa

VIIIb

XII (deitado)

10

10

8

186 a 190 Sūrya bhedana

Nāḍī śodhana

Ujjāyī

IV

IIIb

II (deitado)

10

15

10

191 a 195 Chandra bhedana

Pratiloma

Viloma

IV

IVb

II (deitado)

10

10

8-10

196 a 200 Nāḍī śodhana

Nāḍī śodhana

Ujjāyī

IVa

IVb

II (deitado)

10

10

10

Estágios importante no Curso Cinco:

Sūrya bhedana IV, chandra bhedana IV e nāḍī śodhana IVb.

PRÁTICA SEMANAL

Os ciclos ou sequências podem ser alterados à vontade.

Segunda-feira Nāḍī śodhana

Ujjāyī

Śavāsana

Ib

XI

15-20

15-20

10

Terça-feira Viloma

Sūrya bhedana

Śavāsana

V e VI

II e III

15-20

15-20

10

Quarta-feira Nāḍī śodhana

Anuloma

Śavāsana

IIb

VIIb

15-20

15-20

10

Quinta-feira Chandra bhedana

Pratiloma

Śavāsana

II e III

IIIb

15-20

15-20

10

Sexta-feira Ujjāyī

Nāḍī śodhana

Śavāsana

VIII

IVb

20

20

10

Sábado Viloma

Nāḍī śodhana

Śavāsana

VII

Ib

10

20

10

Depois de terminar o prāṇāyāma principal, bhastrikā pode ser feito antes de śavāsana por dois ou três minutos, com ou sem o bloqueio das passagens nasais.

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