Há certa prosperidade por aqui

Nesse canteiro híbrido de terra e ar
é possível sentir a aura viva a cantar
Um soneto desce querendo entreter
letras chorosas tentando condizer

As mágoas não ultrapassam essa montanha fria
aqui, nesse lago fundo, há um lampejo de alegria

O gênio ronda, a paz impera
bem no centro da atmosfera
De tardinha tornamo-nos águia
A suplantar a -coitada- batalha

Nossa grama verdeja tanto
há certa graça nesse canto
o palpitar de corações honestos
um amálgama estranho de versos

Vejo uma Nação Brasileira por segundo
verves destoantes entre os muros
Cadê o compasso dessa orquestra?
Os comandantes da sambista seresta?

Cada qual a buscar o auge de si mesmo,
regado a vida boa, sem sofrimentos.
Aniquilar as injustiças nos ninhos
a bloquear asas, nós passarinhos

Dizem que a poesia é desencontro,
Uma bela mulher num encontro,
Talvez seja pura aguardente
A inebriar o coração da gente

Talvez um murmúrio de saudades
Um barco a velas nas tempestades

Vejo dois papagaios, você não vê?
Esses marotos verde-louros do Ser
A viver assobiando esse momento
imortalizando a voz do pensamento

Nesses dois papagaios há uma ontologia,
bem maior do que a esfera humanista.

E nossa cantiga de ninar
a mira simples a fixar
uma seta perfurante
que dá voz ao instante

Um tesouro imemorial escondido
nas molas propulsoras do sorriso
na esperança cru e tranquila
de se cruzar o mar da vida

E que estendamos à escada
para os amigos de jornada
Um cais forte e decorado em cada ilha
Embarque e desembarque da maravilha.

E que em cada eclipse da razão
haja um imenso e hirto batalhão
Um exército da fraternidade de plantão

Se o texto cura, a educação salva
teimosa ignorância que se instaura
solapando as mentes das gentes
impondo-se como um sol poente

Esqueça a maldade, o rancor
Seja tu um carteiro do amor.

Se eu pudesse te dizer eu diria
Qual o exato segredo da calmaria
a infalível receita do destino
um mapa a rascunhar o caminho

Se eu pudesse ser um aguaceiro de benesses
contínuo mensageiro das tuas preçes
Uma Universidade de um homem só
eu lhe diria tudo, assim, sem dó.

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