A Morte passou para dizer olá, mas acabou ficando

São Paulo, 06 de Dezembro de 2009. (Texto reencontrado no dia de hoje, 2014)

Juro que não a convidei. Mesmo assim naquele dia fatídico ela meteu o pé na minha porta e entrou majestosa.

Vi seu rosto fétido, já a conhecia, era a morte.

Ironizando-me de soslaio foi se aproximando de mim.

Cada milímetro mais próxima significava menos forças em meu debilitado corpo. Estava deitado.

Pulando em cima de mim e me dominando, explicava seus procedimentos fatais.

Disse-me que um pequeno corte espiritual é feito no pescoço, para que tudo que nos anima escorra, sem pressa.

Eu pedia tanto para que ela fosse embora, eu suplicava.

Mas suave ela ia me contando como cada um antes de mim reagia naquele momento mágico, onde nos despedimos do ego.

Isso me acalmava, me seduzia, tantas coisas que me eram totalmente ocultas ela me revelava também.

E então eu clamava a ela que levasse minha alma para passear enquanto meu corpo ficasse ali, moribundo.

E ela me segurava firme, tal qual o pai segura o bebe, e íamos pelas esquinas de 90 graus do mundo, apenas ela e eu.

Eu sabia que ela também adorava aqueles passeios. Quem diria, Eu, entretener da morte.

Eu sabia que ela adorava pois de manhã me jogava de volta na minha antiga carcaça e eu sabia que era só para me ter por mais um dia.

Isso aconteceu por uns três meses. Hoje já se passou 6 anos. Temo profundamente que quando ela voltar não irá lembrar-se de mim.

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