Reflexões…

SEGUNDA-FEIRA, JUNHO 27, 2005

Hoje venho para expressar meu parecer para com o Departamento de Filosofia da Usp São Paulo. No papel de estudante universitário interessado fui a visita ao departamento de Filosofia, na FFLCH. No começo tudo muito bom, muito bonito, é brilhante o que uma grande cidade, um curso de qualquer coisa na USP e o contraste evidente entre todo o tipo de dicotomia social, urbana, ideológica e até mesmo moral pode fazer com a cabeça de uma pessoa jovem. Cheia de projetos e vitalidade reconhece nesta oportunidade uma maneira de ascensão. Mas que tipo de ascensão ela espera ? Será o arauto da Vontade de Potência se apresentando ? Terá importância qualquer tipo de contribuição social ? Será que este jovem não age pelo impulso que a realidade do vestibular causa nele mesmo ? – talvez a filosofia, não represente o que realmente traz felicidade. Isto por que não seguem a regra do ”Conhece a ti mesmo” . Não sabem sequer das teorias que atacam o noção de sujeito empreendido pelos cinco ”demônios” da filosofia. Talvez a pluralidade dos contextos imersos cada pessoa, a diversidade dos nichos ecológicos pela qual o sistema capitalista impõe-se seja determinante para uma classe reunida em torno de tanta heterogeneidade. A professora Scarlett Marton concorda, no seu livro, A Irrecusável Busca de Sentido, que é muito difícil o departamento lidar com tanta diferença ideológica dos alunos ingressantes. Pelo que se pode notar facilmente o Departamento não conseguiu uma adaptação a realidade e isso é muito ruim para todos nós, brasileiros. É impressionante assistir como o departamento mantém distância da realidade que o Brasil precisa mudar, professores de ótima formação como Olgária Matos, Marilena Chauí, Renato Janine Ribeiro se camuflam por entre a instituição e não tem força de intelectuais numa sociedade não-intelectual. O Brasil precisa de líderes, metáforas (em Rorty), e nenhum professor quer aguentar o Fardo que isto implica. Aliás, quanta verdade SUPORTA, de quanta verdade é CAPAZ um espírito?*. Porque os estudantes de filosofia são tão apáticos ? Porque não vemos suas manifestações ? O que eles são ? E seus professores ? – sequer o e-mail deles eu consegui encontrar em parte alguma. Perguntas cuja resposta pode nos assustar. Se um dia a filosofia nacional teve força será que a geração que cresce tende naturalmente para o não, o não contato do filósofo com o mundo em essência, mesmo que essa essência não exista acho natural o homem buscá-la. Incompreensível é o cidadão ler o livro de alguém com olhar filosófico e não poder conversar com o autor a respeito não poder nunca esperar sua manifestação – podemos aceitar isso em filósofos de outro país, mas mesmo aqui o que se prega é a não-argumentação. Isso filosoficamente é agir contra o que o meio exige, é se portar metafisicamente em um mundo onde não cabe os grandes sistemas metafísicos. As especialidades do meio filosófico brasileiro tem que diminuir. O departamento têm que proporcionar uma interação maior jovem-realidade e não o jovem-qualquer-outra-coisa-menos-a-realidade. A vontade de potência pode tomar vários caminhos, mas temos o dever de redirecioná-la a realidade. Não fechar os olhos para ela. Perguntas: O departamento de filosofia não muda por que ? Não quer ? Não pode ? Se não puder, porque ninguém faz nada ? A não-atualidade dos órgãos de filosofia é uma coisa preocupante e chocante no Brasil.

Viche, como era nietzscheano esse rapaz.

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