Esboços literários de passado…

TERÇA-FEIRA, MAIO 17, 2005

Sobre o doar-se…

Com sessenta anos atualmente Dona Luzia se diz uma mulher muito feliz e realizada. Apesar de não ter casado, de não ter tido filhos, viveu uma vida de doação total. Doação de sua adolescência e maturidade ao lado de seu pai, que cuidava e alimentava, que veio a falecer em meados do ano 2000, então com noventa anos, acometido de esclerose múltipla. Muito sofrimento e derramamento de lágrimas depois, Luzia se vê engajada em outra missão. Seus tios ja idosos é que agora precisam de sua ajuda, prontamente, em nome do Senhor, ela interrompe seus próprios sonhos para sonhar os dos outros, mais uma vez. A realidade dela hoje se limita ao emprego mediocre de assalariada e a rotina do hospital onde se encontra o tio. Muito raramente seu irmão lhe fala alguma coisa, ela sente medo. Mas medo do próprio irmão ? Será ele um louco ?”Ele tem problemas neurológicos, isso o torna um homem severamente nervoso e infeliz, mas a origem desses problemas são revelados olhando para sua infância, ela foi cercada de violência e injustiças” – argumenta Luzia. Estas foram também vividas por Luzia, mas de um modo diferente, talvez ela tenha se safado destes estados traumáticos. Talvez por causa deles ela leva esta vida de limitações pessoais para o bem de outros, somente os outros.

Pela rigidez, sempre.

As 12h em ponto Antonio sai da aula e anda rápido entre os corredores da universidade. Ainda precisa ler e talvez almoçar alguma coisa. Algo entre Nietzsche e Descartes ou Schopenhauer e Berkeley, não sabe ainda. ”O conhecimento move montanhas” – constantemente proferia esta frase entre amigos, namorada.
Algo de novo sentia para sua vida, não sabia se era o sucesso acadêmico que para ele se reverteria totalmente em prol da humanidade, ou não. Ou o sucesso no amor, podia ser ambos. ”O que meu pai acharia de mim hoje ?” – se perguntava, seu pai havia falecido a mais ou menos 10 anos. Lutava muito contra o niilismo que de certa maneira era constante e poderoso em sua existência. ”Luto até um dia poder não lutar mais” – ja dissera. Embora vivendo uma vida sofrida em questões financeiras, julgava-se centrado, vivo. Só sabia que a paixão e o conhecimento o moviam. Tinha um grupo de amigos não muito numeroso, mas importantes, robustos. Tentava muito encontrar um Deus, julgava esse encontro um alívio imenso para sua existência, infelizmente a idéia de Deus se perdia entre seus pensamentos. ”Até onde chegarei ?” esta era a pergunta principal que indo e vindo tomava conta de sua mente. Tinha medo da resposta.

Aparência e o ato de viver.

Aparência entra ao limiar das sete da manhã em casa. Meia confusa, a casa toma um sentido nunca antes visto. A cocaína ardia em seu corpo. Por entre a casa toda decorada com aspectos greco-romanos, num chão de mármore reluzente caminha astuta para chegar em seu quarto antes de seus pais acordarem. Depois de uma noite como aquela ela somente podia pensar no seu colchão. Foi tirando depressa a roupa, já tirada aquela noite, após a cocaína o sexo era praticamente questão de tempo. De sua bolsa nada sabia, talvez a deixara na casa de Mona. Seria difícil enfrentar a conversa que seu pai, físico respeitadíssimo no meio acadêmico que trabalha diretamente nas pesquisas espacias, com certeza teria com ela ao acordar. “Espero que ele não me encha”. A alguns meses a família assistia com espanto e imóvel a então nova realidade sombria e ameaçadora que Aparência tomara. ”Devemos interna-la ?” – indagava todos os dias a mãe, que sentia-se culpada com a situação. ”Talvez apoio psicológico ?” – pensava o pai, que no assunto sua extrema genialidade física pouco poderia ajudar.

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