Elegia de um Mano

O mano é, sobretudo, um troll. Mas um mano tacado nasoropa é um deus. Por que bato a cabeça quando ela está com capacete? Copo cheio, vinho. Fumaça venenosa. Tava com o saco na lua, depois de toda baboseira essencialista, Aristóteles é o caralho! Um mano travestido de intelectualóide! É a parte que me coube! Ou melhor, que cabeu em mim. Fiquei mó nervoso, é difícil pros playba sacá qualé, ou eles se julgam sapientes de mais ou estão totalmente imersos no tsunami pacífico das suas vidas de merda. Porschinho passa. Tô devagar na minha caranga. Rezei depois do filme, vai que o malucão vem atráis de mim? Sei nem que é! Aí, meus coroa ficaram por demasia ausente de mim quando eu era muleque, puro ressentimento frutado. Ei, Irmão, Mano como eu, é preciso se manter firmão, sem se envolve em violência, só a inevitável. A guerra lá fora já começou, que lado vamos ficar? O mano é alguém que aceita a podridão da vida com os olhos vermelhos tensos, iminente xeque-mate. É nóis, que enchergamos para além das quebradas, que buscamos dar o próximo passo sem ser num abismo.  Copo cheio, veneno queima! Não me olha de baixo em cima, não sou dos teus, não pertenço a sua laia mesquinha, seu olhar é totalmente opaco à maldade que guardo. Ser mano é estar atento aos verdadeiros trutas, porque o resto é escória. Vermes! Na corda bamba que só uma vida totalmente insegura garante, o mano se equilibra até não poder mais. Inveja não faz parte de seu universo. Mas o ódio faz. O ódio sutil de assistir a atrocidades incontroláveis. Sigo de boa, to cagando aos cuzão que encaro com nojo. Tá bunito no seu BM heim tio? enquanto isso os manos de onde vim estão se fudendo, se dando tiro na cara que nem o pior pesadelo! Enquanto você ama, há muito drama, seu bosta. Cheio copo, verde louco! Somos o seu vírus auto-imune, adoramos o sê-lo. Sou loco porque incorporei seu desprezo, seu desprezo pelas minhas calçadas. Disfarçado de um dos teus vou fazendo uma marcha secreta para encontrar o núcleo do seu sistema nervoso e bombardeá-lo. Atrás de mim vêm um exército silencioso, mas capaz. Do massacre das nossas crianças, da fome, da droga fudida que todos devem tacar pra dentro para fugir, não nos esqueceremos. Ter fé num amanhã não basta. A paranóia nós já engolimos com pinga. Enquanto a corrupção for generalizada, nós, os mortos, continuaremos saindo das nossas covas à noite para puxar a porra dos seus pés. A droga vai acabar com nossa geração, mas não há um herói nacional. Vinho, Verde! Mantenho a sabedoria da minha espécie violentada, mantenho-me ávido por uma ruína, por um esquema, por uma oportunidade. A essência de ser mano é amar o indigno que o rodeia. O mano é o maior personagem dramático já cunhado por Deus. Enquanto houver sofrimento, sangue, cola, crack, cocaína, verde, para destruir a realidade de milhões, o mano estará lá. O mano é um fungo, o mais alucinógeno, se alimenta da desgraça e fornece visões do paraíso. Fogo primordial que cultuo, fogo que já assassinou sem dó pessoas de onde vim, tenha cuidado comigo. Preciso manter-me para cantar minha origem sem sentido, sem norte, mas sedenta por algo. Cadê meu beck?

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2 comentários em “Elegia de um Mano

  1. Cadê meu beck? ²
    hahah dahora…

  2. Marco Cremasco 07/06/2011 — 21:51

    nada manamente, pero still… d’accord, é isso aí

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