Carta Humanitária a um Amigo

Há uma tempestade, intempestiva, onírica, sigilosa. Reserva a quem está disposto a atravessá-la um travessia travessa, porém sórdida, viril mesmo que pueril. Toda tempestade reserva a calmaria? Acompanhe-me, tempestade, eu chuva. Vêm cá, comigo, carinho, úmida, omissa, molha as pretensões, arranha as teias de aranhas sem as destruir, ou destroçando-as. Ah! vai por aí, lança-se, entrega-se ao terreno primevo, carrega a gota da vida. Gotas da vida, molhe a moça, molhe e olhe, molhe a mim, mude a mim, faça-se por mim. Seja mim. Isso sim é vida, sendo gota amanhecendo orvalho, assando o fogo ao ser queimado, anteparando o mal para gozá-lo. Mas há alguns conselhos miúdos a serem colhidos como frutos maduros nos altos das árvores.

E há sabedoria antiga que salta, assalta, salga um solo bem arado. – Vais para onde hoje? – Vou. O caminho sopra-se – Sobra, sobram, soçobram, somam, somem. Ainda não tenho nada. Fardo pesado, desistido, fado que destina miríades esparsas. Relva, leva para longe meu mandamento. Passa pelos pés, pedras, pelos, picos, para parar pessoas preparadas (?) Perdidos ! , pobres pífios.

Algo num mim contém mil contendas inconclusas, coitadas ! Algo num mim se esvai, gastando-se, vazando-se. Algo num mim habilita-se a ganhar os sonhos de outros mins que talvez vagueiam, vagabundos, vadios, Volúpia inefável. Algo num mim caminha aos encontrões, como que querendo passar, passando, metendo esporas pequenas, miúdas. Para não doer. Algo num mim camufla-se num dia interrompido, sinal claro dum gozo obscuro, enublado. Algo num mim pretende, tende a manter-se um ente nem mente e entende. Algo num mim conquista, tal qual chuva sobre terra qualquer meandro inútil. Ah! Mas mim mesmo mora muito mais para lá de mim. Mim, mim mesmo me parece metido a ser mim. Algo em mim vê-se como um mim num algo. Invertendo uma díade decaída diante dramaticidade doentia duma dúvida doída. Mim no algo prefere ser chuva, deslizante, flexível, imensa massa molhada. Algo em mim decai como chuva, viril antes da queda, porém em regozijos mil quando no chão.

Ah menino! As suas manhas, as nossas manhãs, levamos… O nosso horizonte fundiu-se, implacável. Quando o sol nasce para um, brilha acordando o outro. Voo rasante de fênix que somos, quimeras queridas, sonhos sumidos, amores arrancados. RASGA A PORRA ! ROGA À MERDA ! HERDA A HORDA HUMANA ! HURREMOS AOS URROS ÀS HORAS HOJE, HOJE, HOJEEEE, parte irremediável de um ontem ido, arma pesada apontada para um futuro. Talvez fugaz. Foge, senão te conquisto. Fui.

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