Derrida: uma introdução

Notas de aula da Disciplina de Desconstrução, Cursada na Pós-Graduação em Filosofia – Universidade de Coimbra, Portugal, 2010.

02/10/2010

Apresentação da filosofia de Jacques Derrida. Desconstrução como a desconstrução da metafísica da presença ocidental. A desconstrução tem caráter edificador, construtivo, e é inerente a ela a justiça e a ética. A desconstrução é uma atenção e respeito infinito para com a alteridade absoluta.

O absolutamente outro em Derrida não é o apenas humano diferentemente de Lévinnas. A Professora pensa que esse ir mais longe de Derrida é ser mais justo, pois permite pensar: as questões ecológicas e a ética ambiental.

Esse colocar-se da total alteridade pode ser uma religião, por exemplo. O absolutamente outro pode ser o animal. Nem Kant, nem Descartes e a Bíblia não dão conta de pensar o animal. (O animal é pensado como impotente). Bentham traz a questão da necessidade de pensar o animal. “Nunca vi totalmente a absoluta alteridade como nos olhos de um animal” Derrida

Não há nenhuma manifestação da Igreja contra a pena capital. É possível medir o nível civilizacional do homem numa época através da sua relação com os animais que o rodeiam. Há um livro dos conhecimentos humanos que permite atestarmos os custos pagos pelas outras gerações para que algo nos fosse legado.

Crítica sutil, mas que me arrebatou sobre os direitos humanos: Os direitos humanos são, primeiramente, os direitos dos outros. E eu? Onde fica a parcela da minha subjetividade sempre única?

“A atenção é a oração natural da alma”. A alma se mantém atenta, escutando, pronta para dizer Sim. Atestado indelével da sua necessidade inerente de ser outro, de alcançar o outro.

A filosofia de Derrida obriga a releitura de toda história da filosofia.

Distingue-se cidadão, sempre definido limitado a um estado nacional, conceito filosófico, jurídico e político, do outro que não remete a um individualismo e aponta para um conceito meta-ético.

Não podemos pensar o político e a cidadania hoje como vinculados ao ambiente físico de contornos nacionais. (Europeização, Mundialização, Cosmopolitismo Kantiano)

Qual o alcance hiperpolítico das artes? A arte inicia-se por ser perturbante, non-sense. O pensamento é monstruoso ou nâo é pensamento. A dissidência é uma desobediência civil (Me lembrei do magnífico texto de Thoreau, que ficava no criado-mudo do Gandhi)

O desenho é o paradigma das artes para Derrida. O ato mesmo de desenhar ou traçar. Na origem do traço o que não se vê, o invisível. O momento do desenho é cego. A origem de toda arte é, então, espectral.

A individualidade está aberta para a facticidade do mundo da vida, está aberta para a alteridade, aberta para o projeto futuro.

09/10/10

Por que Derrida toma o desenho como o paradigma da arte? O desenho não se reporta à apreciação, nem a presença e sim à memória. A arte se conjuga com a melancolia. Esta conduz a mão do artista.

Há um luto originário da língua. A literatura a filosofia começam com a morte. A morte de deus, de Sócrates. O luto é originário, porém o primeiro dos lutos é o da origem.

Aristóteles já tinha visto na origem da arte a melancolia. Quanto mais dolorosamente enlutado mais artístico. É exatamente porque não temos algo é que corremos atrás de o ter. O escritor não possui a língua, por isso ele buscar englobar ao máximo sua língua.

O que é então a desconstrução? Desconstruir é pensar, repensar. Pensar o quê? Aquilo que sendo a condição de possibilidade de um constructo se ausenta. A desconstrução é quase transcendental. Derrida procura pela condição de possibilidade de um constructo. Isso é perceber sua impossibilidade enquanto tal. Todo constructo tem uma falha, uma elipse. Daí todo constructo ser passível de desconstrução.

Então, não há mestres! O véu da desconstrução age desde o primeiro traço. A desconstrução é uma confissão de modéstia. Noção de contingência no centro da rede de crenças e desejo, segundo Rorty.

A desconstrução ataca suas próprias raízes, é sempre auto-desconstrutora. Há aí uma aporia na Desconstrução. O traçado é impossível enquanto tal. O texto está constantemente se desvanecendo, se desconstruindo. A desconstrução é uma hipercrítica. A desconstrução é uma permanente crítica da filosofia como sistema.

A desconstrução é um movimento de pensamento que estará atenta aos limites da filosofia. O que limita o conceito? O luto originário da língua. A linguagem filosófica está eivada pela filosofia do senso comum.

A desconstrução é o ressoar de várias línguas. “A desconstrução é uma apropriação amante e desesperada da língua.”Derrida

Como é possível poetar depois de Auschwitz (paradigma da violência)? “Saibam o que aconteceu. Não esqueçam. E no entanto, não saberão” Paul Celan. É esse não dito e não conhecido que nos obriga a dizer. Aquilo que nos convida ao silêncio nos obriga a falar. A linguagem, quando fala, só fala através do incomunicável.

Quando digo algo o primeiro ato é o endereçar meu discurso a alguém. A palavra é originariamente endereçada ao outro, pois a outra pessoa me é diferente. Uma relação metaética respeita o outro na sua alteridade, na sua diferença.

O espaço entre eu e o outro não é vencido pela palavra. Interrompendo a relação, alimenta a dinamis e o desejo de relação. O tu e o vós de Maurice Blanchot faz ver a diferença inerente ao outro. Então na própria linguagem notamos o primeiro sinal da interrupção entre os dois falantes.

Não se fala sobre algo: falar sobre é ter a pretensão de tomar a alteridade como objeto. O que nunca se realiza completamente. A palavra aproxima e afasta ao mesmo tempo. O sim como uma Urwort. A resposta inerente ao falar.

Insight interessante sobre a fundação do direito: há um momento pré-legal. Nascimento místico do direito, que sempre é resultado de um ato de força.

16/10/10

A invisibilidade está na origem do visível. Através da cegueira passa-se a pensar os olhos. Aquilo que tolda a luz do olhar. As lágrimas revelam a essência dos olhos. O próprio dos olhos é o implorar, é o endereçar. Falar é responder a esse apelo. Há uma relação entre o crer e o ver, ou melhor, entre a fé e a cegueira.

A desconstrução aponta para uma ética do respeito e da atenção ao outro. A desconstrução é um ato de amor, implica ouvir escrupulosamente o outro. A atividade por excelência da filosofia é um buscar nas obras aquilo que não está dito.

A língua pré-existe ao sujeito, este é expropriado da língua. Essa relação dissimétrica dita o desejo da língua. Por nunca apropriar totalmente a língua é que buscamos a arte.

Há três tipos de relações sem relação:

Primeira: relação da língua com o objeto

Segunda: relação do sujeito com a língua: o outro tal como eu diz primeiramente sim

Terceira: relação do sujeito consigo mesmo através da língua

O luto originário do sujeito que não possui a língua e portanto não possui nunca a si próprio. Na origem é a ruína, o luto, a diferença. Porém a linguagem, para Derrida, não é uma linguagem anônima, se endereça de uma singularidade para outra singularidade. Ao contrário de Heidegger que há um anonimato da língua.

A palavra quando surge é espectral, não a vemos. Toda linguagem é metafórica, porta um desvio originário. Derrida mostra aos filósofos que estes se esquecem do desvio da origem. Este desvio arruína a origem, todas as significações históricas são construídas sobre alicerces de cascalhos.

No limite tudo que é escrito brota da cegueira. Esta é o paradigma da escrita.

Releitura, durante a semana, do mito da caverna de Platão à luz da interpretação de Heidegger:

“A ideia é o que tem o poder de brilhar. O ser da Ideia consiste em poder brilhar, em poder ser visível” Heidegger. Queria reforçar o que havíamos comentado em aula, que a visão foi desde os gregos até a filosofia contemporânea a menina dos olhos da filosofia, um sentido dotado de absoluta primazia sobre os outros.

“O Bem pode ser designado por Ideia Suprema num duplo sentido. É a Ideia mais elevada como fonte de possibilidade e olhar que se dirige para ela é o mais vertical e portanto o mais penoso” Heidegger.

A verdade surge, no mito da caverna platônico e na interpretação de Heidegger, como a adequação correta entre o espírito e a ideia. Então, a verdade se dá no plano do entendimento, não no plano das coisas.

São Tomás de Aquino: “A verdade encontra-se propriamente no intelecto humano e no divino” Aristóteles: “Com efeito, o falso e o verdadeiro não estão nas coisas, mas no entendimento”

Alethéia é o não-velado: o que foi arrancado da ocultação, posto à luz, condição de possibilidade da visão.

23/10/10

Qualquer tese e obra são abertas a infinitas interpretações, pois há uma arquioriginalidade da língua, que é a própria condição de possibilidade de toda a arte. Porém a secundariedade do sujeito não é negativa. Apesar da sua passibilidade originária, os poetas, pintores, músicos, etc. sentem sua ex-apropriação da língua, sua pobreza originária, a vulnerabilidade da língua os faz irem buscá-la. Daí a arte surgir como o totalmente novo e revolucionário.

Há uma diferença entre os conceitos de unidade e unicidade. Enquanto o primeiro aponta para toda a constelação da ipseidade, o segundo é o que torna cada qual único, singular, autêntico.

A soberania é uma ficção. O pequeno-tirano é alguém que se pensa detentor da usa própria língua, o que, sabemos, é impossível. Impossível, pois a língua ininterruptamente interrompe o sujeito. A linguagem abissaliza-o. Essa dissimetria é irredutível, não há inversão de papéis entre a origem e o sujeito. Daí o homem não ter uma condição, e sim uma incondição. Do fato de o sujeito estar sempre enlutado brota o desejo de se fazer obras.

A desconstrução é, então uma relação de interrupção. Esta é o motor da relação (relação sem relação, porque nunca é totalizável). É uma recusa da mesmidade a favor de uma separação infinita que salienta a contínua estranheza do outro. Por isso, por mais próximo que cheguemos de outrem, mais distante.

Leitura durante a semana de O Monolinguismo do Outro, versão em espanhol:

Considerações acerca da frase: “esta língua, a única que estou condenado a falar, nunca será minha”. O interlocutor afirma haver uma contradição performativa em tal frase, o que remete para o jargão da filosofia de Habermas. Porém, acusar de contradição performativa é o mesmo que apontar para o caráter relativista do discurso. Ao perguntar por algo, a própria possibilidade de uma resposta verdade seria impossível.

A afirmação primeira é resumida em: “É possível ser monolingue (eu verdadeiramente o sou, não é assim?) e falar uma língua que não é a própria”

Chega-se à questão da identidade. Afirma-se um transtorno de identidade em relação com o conceito de cidadania. Um dos interlocutores vê sua cidadania precária, ameaçada.

Explica-se sobre a experiência pessoal do único Franco-Magreb e de um grupo de argelinos que perderam a cidadania francesa. Fiz paralelo com a questão da falta de origem.

Ao longo de todo o texto do Monolinguismo do Outro faz-se alusão à memória. Pois para se mostrar é necessário a relação que utiliza de uma anamneses narrativa, por assim dizer.

Ao descrever uma situação particular, a linguagem “eleva” essa particularidade ao universal. A partir daí passa a valer para todos os outros. Há uma exemplaridade pontual no testemunho e, ao mesmo tempo, um particular feito refém pela linguagem, que aponta sempre para a universalidade.

Por mais que haja expropriação colonial sobre a língua de alguém, a ipseidade dele nunca é soterrada. Há uma dialética incessante entre a especificidade e a universalidade da língua.

Politicamente há um paralelo disso. Na relação metrópole-colônia, nunca se dá uma apropriação-reapropriação absolutas. Há então um colonialismo essencial na língua. “A língua é louca”. A língua apropria e desapropria suas marcas, seus rastros. Daí a língua estar inerentemente alienada, é de outrem. No singular há traços, marcas inefáveis da universalidade.

30/10/10

O sujeito nasce num mundo de responsabilidade prévia ao seu ser e sua consciência. Disso decorre a hiper-eticidade originária, dada a gênese conjunta da subjetividade e da responsabilidade.

Qui cosa é la poesia: “Todo poema é a fotografia enlutada da festa”.

A alteridade está dentro de mim. O um é heterogeneizado pelo outro. (Há uma vampirização do eu). Isso confessa o eu ocupado por um outro.

Toda obra é já uma ruína. Essa tese da ruína da obre tem paralelo com o efeito que a noção de inconsciente de Freud fez com a categoria da subjetividade. Ou seja, impõe uma criatividade não comandada.

A língua é sempre metafórica, aponta para um desvio entre a palavra e a coisa. A língua é sempre mais de uma. O que invalida as pretensões de uma meta-linguagem. A crença na metalinguagem é um esquecimento do desvio originário da língua em relação à coisa. Somos atrasados em relação à língua.

A ex-apropriação é um ato de vida e um de morte. Desejo de apropriar a língua e a não possibilidade de apropriação da língua. Quanto mais próprio algo é, mais inapropriado se torna. O que é mais nós é mais outrem.

Só realmente somos por relação com a língua do outro. Essa é uma condição para se pensar a mundialização. (Pensamos numa língua, não fixos num local)

O que é anterior, ou seja, a língua tem primazia sobre o sujeito secundário. Este é solitário, a sua singularidade advém do fato que só ele pode responder ao apelo da língua. Nossa singularidade é intransmissível.

Lévinnas e Derrida colocam o sujeito no princípio do mundo para pensar sua relação com o outro. Com isso aproxima-se de questões como a ética, a democracia. A língua é um pathos. O amor e ódio só se dão através da língua.

Em Husserl está a matriz das filosofias de Derrida e Lévinnas, no conceito de epocké, que põe tudo em questão por um momento. Daí o espírito filosófico ser um contínuo deslocamento do hábito para recomeçar o pensamento. Husserl: vamos imaginar que tudo volta ao zero. Nesse ato de suspender os juízos, Husserl encontra o sujeito apodíctico.

Derrida e Lévinnas propõem que sejamos levados ao fim do mundo para iniciar novamente. A epocké tem o sentido aqui do tempo do outro que faz ver a secundariedade do sujeito. E isso é a própria condição de possibilidade do mundo. (Responsabilidade arquioriginária). Na desconstrução há uma formação no sentido de Bildung contínua, em busca de trair o que o hábito tão regula.

06/11/10

Qual a condição de possibilidade da escrita, do traço? A origem do traço é a mesma do rastro da escrita e do desenho. Pois há uma gênese conjunta do sujeito e da responsabilidade. Há um caráter aporético do sujeito: a sua identidade é estranheza e isso o impossibilita como tal. Nosso foro íntimo é aberto. Há uma ferida íntima que faz a alteridade ser mim. O sujeito é uma experiência de não identidade a si.

A ex-apropriação é o motor do evento e da obra. A antecipação da obra mostra o desvio originário. O batimento instantâneo só pode ser captado, testemunhado no contratempo do tempo. O artista é alguém assombrado pela obra, obcecado por qualquer coisa que sempre lhe escapa por entre os dedos.

A escrita destina-se à memória. O sujeito é um herdeiro da palavra que é como um túmulo. A memória porta o memorial e, portanto o imemorial absoluto. A memória está enlutada. “Aquilo que não se pode falar deve-se escrevê-lo” Derrida

A desconstrução é um pensamento do impossível. Daí o caráter aporético da desconstrução. Mesmo que eu queira fazer uma declaração de amor a uma pessoa, ao falar eu te amo já se faz referência à universalidade (impossibilidade = a inerente contaminação entre universalidade e particularidade).

Derrida pensa que a relação de Abraão com Deus é pré-bíblica. Abraão é o protótipo do sujeito sempre condicionado pelo dizer sim ao outro.

13/11/10

O sujeito é uma experiência de não identidade de si. E essa estranheza que engendra a obra e que dota a obra do poder de estar sempre além ou aquém do nosso olhar. O tempo da obra remete para um passado absoluto. A originalidade da obra está exatamente no não poder ser completamente esgotada pela reflexão humana, é estar enlutada.

A abissalidade do foro íntimo, esse outro em mim, mais íntimo em mim do que eu próprio e o mais estranho, podemos chamar de deus em mim. Todos os homens e mulheres são impróprios, estão endividados com o passado e com o futuro. Há nisso então uma universalidade da incondição humana. Essa universalidade apaga os idiomas e as singularidades, partindo de um respeito absoluto dessas singularidades. Esse respeito absoluto é o motor da universalização e mundialização.

Há uma obrigatoriedade do dizer sim ao outro. Vemos aí a responsabilidade arquioriginária hiperbólica perante o outro. Com isso pode-se questionar a eticidade da ética. Nossa humanidade está baseada na plena aceitação da nossa sujeição originária ao outro. Até o nome que recebemos atesta isso.

Há uma ferida narcísica na pretensão do sujeito em ser isolado e independente. Há um desvio entre o próprio traço e a origem. Na origem é a diferença, a repetição. O traço e o desenho brotam da noite. Na origem do traço está aquilo que se retrai, se retira. Todo traço é um traço elíptico e isso está na origem da obsessão de um artista. O que se retira constitui a dinâmica da obra.

Chôra: absolutamente outro sem rosto, fundamento da nossa ocidentalidade. A chôra e o messiânico dão conta da duplicidade da origem, o tempo e o espaço.

A infância como paradigma de um passado absoluto, a infância que era nossa, nunca será nossa. Não temos acesso ao encerrado na infância. A única atitude que posso dirigir a esse passado absoluto é crer na sua existência encerrada.

Durante a semana, leitura de Fé e Saber de Derrida, parágrafo 20 ao 25:

O outro é apresentado como um deserto no deserto, um deserto sem rota e sem interior que torna possível o religare (pois aponta para o infinito) pré-religioso. Religare contém o legi na formação da palavra, afirmação que se reafirma para dar conta do outro. Esse vínculo com o outro é ante-onto-antropológico.

A origem é duplicidade do rasgo [trait] e do retiro [retrait]. Nomeia-se a isso com diversos nomes. Messiânico: abertura ao por vir ou para a vinda do outro, porém sem horizonte de espera. Deixar vir o outro permanecendo passivo, aguardando ou não à justiça. Essa messianidade remete para a fé, o crer em relação ao vínculo com o outro que espera pela justiça pura.

Se fosse possível a tradução completa de uma alteridade e se isso se propagasse, o que é impossível se daria uma cultura universalizável de singularidades. A relação com o outro é, portanto, um ato de fé. Por se fundar desfundando-se há um segredo inerente ao fundamento. Outro nome seria chôra. Chôra aponta para o externo a um sistema, tradição, cultura, etc. Chôra é heterogeneidade absoluta, para além ou aquém do humano e da cultura, para além ou aquém dos deuses. Chôra é um triton genos, terceiro gênero que aponta para uma terceira via além do sensível ou do inteligível. Chôra é o devir anterior à formação de oposições, é uma oscilação contínua.

20/11/10

Chôra é um sincategorema, conceito filosófico aberto. No Timeu de Platão, que se pergunta sobre a origem do Cosmos, o sonho preside a questão. Chôra surge em Platão como um lugar sem lugar que dá lugar a tudo que tem lugar. Ela se dá retirando-se. Nesse sentido chôra é o deus ausente, que cria o mundo e se retira. Chôra revela a necessidade do arruinar-se para se dar, na origem. O fundamento só funda ao cair em escombros.

Desconstruir é repensar: o outro, a obra, a justiça etc. Porém repensar implica o conhecimento da história do que já foi pensado sobre esses temas. A desconstrução coloca um imperativo irrealizável de conhecer todo o pensamento humano.

Há dois grandes momentos da leitura e da assimilação de um pensamento:

1)

Levantamento dos temas.

2)

Enxertia: contra-assinatura do autor, que insere sua constelação semântica no ponto de vista do texto levantado.

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