Working Paper – Biodiversidade – Model of United Nations – Coimbra

 

O que procuraremos equacionar e responder hoje, não é apenas a França ou eu que clama pelo vosso comprometimento, e sim todas as gerações vindouras. Eles estarão contidos em cada um de nós hoje. Porque pensar o meio-ambiente e a biodiversidade é olhar e sentir a força do futuro. É construir os instrumentos linguísticos e institucionais do amanhã.

Conhecemos realmente muito pouco sobre o nosso em torno físico. Apesar das 1.4 milhão de espécies descritas, os cientistas apontam para um mínimo de 2 milhões e um máximo de 100 milhões. O fundo do mar é ainda quase que totalmente um segredo para a ciência hodierna. A diversidade das espécies permite a reciclagem da vida no nosso planeta. Renova as águas, decompõe a matéria morta, inspira os geneticistas na busca por novos medicamentos, gera energia renovável e limpa.

Goethe em seu livro A Metamorfose das Plantas de 1790, nos dá uma interpretação no mínimo inquietante da planta, na qual cada folha seria um organismo completo. Extrapolando esta tese para nossos dias, podemos vislumbrar então que a planta aparece como o ser pós-moderno por excelência e que toda planta se organiza democraticamente. Ou seja, temos muito a apreender, se soubermos ouvir as plantas e animais que nos rodeiam.

Se não tivermos bom senso podemos cair num entrave político gigante em torno da questão da biodiversidade. Porque mais de 70% das espécies catalogadas estão em apenas 12 países: Austrália, Brasil, China, Colômbia, Equador, Índia, Indonésia, Madagáscar, México, Peru e Zaire. Isso não pode limitar os esforços de todos os presentes, pois representamos a mesma “Vila Global”.

Claro que pagaremos um preço se a exploração desenfreada continuar. Economicamente já pagamos. Porque o vínculo da biodiversidade com a economia é evidente. Quando uma floresta é desmatada ou um rio é poluído, a agricultura produz menos e, por conseguinte a indústria. O turismo se desvanece. A cada 1 euro investido em Biodiversidade hoje, reverterá num lucro de 100 euros em 10 anos, segundo um estudo da TEEB para as Nações Unidas. Sejamos então investidores não apenas ávidos pelo lucro financeiro, mas para o lucro na qualidade de vida das próximas gerações.

Devemos ter no centro de nosso vocabulário a dependência que mantemos para com o ambiente. Assim como ao respirar “apropriamos” o ambiente para manter vivo nosso corpo orgânico, da mesma forma as novas demandas da natureza que, a todo o momento, murmura ou grita através das outras espécies e nos eventos catastróficos, devem ser rapidamente descodificadas por nós.

O número de Refugiados Ambientais cresce a cada dia. Em 2008 foram 20 milhões de pessoas, em 2010 podemos assistir a 50 milhões. Serão mais de 200 milhões até 2050. A situação é de emergência, Senhoras e Senhores Delegados. O degelo do Árctico afetará mais de 4 milhões de pessoas, e pode levar à extinção de ursos polares, lemmings (espécie de roedores), caribus, alces, mochos da neve etc. A desertificação ao redor do mundo também condenará milhares de espécimes.

Acho útil, para os debates que se seguem, distinguirmos entre preservação e conservação ambiental. A primeira aponta para a total proteção dos ecossistemas, vendo na humanidade a grande inimiga da homeostase, do equilíbrio que a natureza alcança por si só. A segunda, a conservação ambiental, remete para o uso racional e o manejo equitativo das benesses da natureza. Buscaremos por soluções que entrelacem os dois conceitos.

Esperamos sinceramente que o idealismo e o otimismo reinem sobre nossa sessão. Lembramos que a Camada de Ozónio cessou sua destruição, porque a humanidade em consenso, no Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozónio de 1987 firmou a proibição de 15 tipos de CFCs, gases nocivos ao Ozónio.

A França emitirá em breve um solution paper para apreciação de todos os delegados. Muito Obrigado.

A Delegação da França.

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