Husserl

É dito que a Fenomenologia é essencialmente descritiva e nessas descrições ela pretende descobrir relações de necessidade. Alguns comentadores lêem Husserl como se ele dissesse que a experiência interna é completamente privada, apenas o sujeito sabe o que ele faz e suas experiências são, no limite, incomunicáveis. Nesse sentido a fenomenologia introduz um ver que nos dá a experiência dos objetos, uma interioridade. Outros comentadores, pelo contrário, afirmam que, em Husserl, há objetos que não tem nada de mental. Há leis que não dependem da interioridade. É possível o diálogo com a coisa mesma, e então, não há uma interioridade exclusivista. Para além dessas duas visões contrárias Husserl parece ter sempre buscado algo válido para todos, ou seja, uma inter-subjetividade ou inter-objetividade. A Fenomenologia é uma das filosofias da consciência, porém nem sempre se refere a esta.

Em Husserl, aos termos de nossa linguagem são necessários dados intuitivos, para que haja conhecimento. A Linguagem é representação vazia enquanto a intuição é representação plena. O conhecimento é um ato intermediário entre a linguagem e a intuição que estão unidas por fundação, é um ato que identifica a síntese entre linguagem e intuição.

Os enunciados contêm duas partes: a matéria ou substância, e a forma ou atributo.

O referencial sensível está apenas no âmbito da matéria enquanto que nos termos relacionais, ou seja, na forma, não há acesso à sensibilidade. Os objetos reais, então, são passíveis de percepção sensível.

Para além da intuição sensível, Husserl pensa numa intuição categorial, que é um ato análogo àquela, porém esta lida com formas que excedem o domínio da sensibilidade. A percepção autêntica seria um misto de intuição sensível e a intuição categorial. Há, então, até aqui, dois planos intuitivos: a intuição sensível, que é simples, ou seja, não é fundada, não necessita da presença de outro ato e a intuição categorial que é fundada na intuição simples e que é supra-sensível. Na intuição sensível o objeto está presente como um todo, a coisa exterior aparece de um só golpe. A intuição categorial se dirige ao mesmo objeto real que a intuição sensível, porém o objeto é, nesse segundo momento, apresentado sob nova textura.

Husserl parece, com o conceito de intuição categorial, sair do domínio das matérias e começar a ingressar no domínio das formas, deixar a esfera do real para atingir o ideal. Este novo domínio é misto de sensibilidade e entendimento e supõe um ato fundante, a percepção simples. O ato categorial constitui uma nova objetividade (não outro objeto). Conclui-se disso que o objeto está presente de modo duplo: permanece intacto, ou seja, o conteúdo sensível do objeto permanece inalterado. Porém este objeto está presente de modo novo; Este objeto é incluído num nexo categorial. Então, há sempre uma sensibilidade autônoma e não há nunca um entendimento autônomo, mas estes dois âmbitos estão originariamente fundados. O entendimento é um misto de temporalidade e atemporalidade, um misto de intuição sensível e intuição categorial. Se a intuição sensível captura objetos reais, imersos na temporalidade e simples, a intuição categorial por outro lado é ideal, não-temporal e não-simples, ou seja, fundado.

Dissemos que o ato perceptivo simples está imerso na temporalidade. Husserl distingue alguns níveis de temporalidade. Na primeira camada estariam objetos transcendentes no tempo objetivo, por exemplo, a cadeira que vejo. Numa segunda estariam os objetos imanentes no tempo da consciência, que é o lugar da reflexão da percepção e da memória. Husserl deslocará sua atenção para a segunda camada no texto Para a fenomenologia da consciência interna do tempo. Há ainda uma terceira camada: da consciência absoluta. Implicitamente nos textos da fase intermediária de Husserl há um abandono do modelo que opõe conteúdo à apreensão, pois este modelo foi criado apenas para a primeira camada, ou seja, para dar conta dos objetos transcendentes a nossa consciência.

Nos textos intermediários, além de ser rechaçada a doutrina apreensão/conteúdo há uma doutrina do viver dos objetos temporais imanentes e o viver ou a consciência imanente são identificados com o fluxo absoluto do tempo. Todo ato é consciência de algo, mas todo ato é consciente. A consciência interna percebe naturalmente. Por exemplo, o som é um objeto ele é permanência sob duração. Há diferença, nesse momento, entre o sentir o viver do próprio conteúdo do sentido, o que não existia no Husserl de juventude. Então vemos o sentir como sendo a consciência originária do tempo, a consciência absoluta. Esta faz aparecer o tempo para nós, porém ao mesmo tempo está fora da temporalidade (Husserl ele mesmo oscila entre textos que postulam a temporalidade ou não da consciência absoluta).

Nesse ponto o conceito de retensão surge como uma dupla doutrina intencional: Por um lado, graças à retensão o objeto temporal aparece ou é constituído em sua unidade, por outro lado é constituída a própria unidade do fluxo que se auto-manifesta. Husserl está pensando que a terceira camada definida acima, a da consciência absoluta, não contém nada de permanente, ela se dá apenas como multiplicidade. O objeto temporal extenso surge, nessa ótica, como correlato do fluxo, do devir da consciência absoluta.

Na consciência de uma imagem externa podemos ter uma consciência intencional intuitiva e sensível, porém que se reporta a um objeto sensível ausente. De que forma torna-se presente esse objeto sensível ausente? Notamos três objetos implicados:

  1. Coisa-imagem = objeto físico interpretado como imagem, por exemplo a bandeira da França
  2. Objeto-imagem = o objeto físico que é a bandeira da França remete exatamente ao país França
  3. Sujeito-imagem = A França propriamente dita

 

Nota-se que o objeto-imagem é algo de irreal, pois ele exprime uma certa função da consciência sem matriz ontológico. A presença dessa irrealidade parece necessitar de certa realidade, que no caso é a França. O que indica que Husserl não está pensando aqui numa imanência da imagem interna, esta não pode ser algo efetivamente interna a consciência Porém quando o momento do objeto-imagem ocorre há uma modificação perceptiva, a direção da consciência é mudada. Esta é uma apreensão intencional, que dirá se é uma apreensão imaginativa ou de rememoração. Mas o que é certo é que há sempre uma base real para a imaginação ou para a rememoração trabalhar. Ao compararmos a percepção simples e a imaginação, em Husserl, vemos que ambas nos colocam em contato com o objeto, mesmo que a percepção tenha primazia, pois a imaginação é fundada na percepção simples.

O lado intuitivo do conhecimento deve trazer algo de novo, uma plenitude. A intenção é de Plenitude. Os atos lingüísticos não têm plenitude. Porém toda fonte positiva é conhecimento, em outras palavras, intuição sensível e categorial.

Um comentário em “Husserl

  1. Texto bizarro, confuso e mal escrito.

Replique

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close